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Me ensina a esquecer

27 de dezembro de 2013 23

Meu filho já deveria ter largado o bico. Seis anos de idade, francamente. Ele sabe disso, tanto que, neste ano, decidiu que entregaria o bico para o Papai Noel. Desde novembro vem falando:

– No Natal, vou dar o bico para o Papai Noel. Eu vou.

Bem. Contratei um Papai Noel. Um ótimo Papai Noel. Eu mesmo quase acreditei que fosse o próprio, vindo direto do Polo Norte com seu trenó voador. Quando ele chegou à porta, batendo sino, meu guri saiu correndo pela casa:

– O bico! Tenho que achar o bico!

De fato, mal o Papai Noel entrou, ele lhe estendeu o bico:

– Ó.
Depois, encheu o Papai Noel de perguntas. Sobre o clima da Lapônia, sobre a velocidade das renas, sobre o salário dos duendes que trabalham na fábrica de brinquedos. A festa prosseguiu, depois que o Papai Noel se foi, e o meu guri se distraiu com os brinquedos novos, sobretudo com um mínion, ele adora os mínions.
Então, chegou a hora de dormir. A hora do bico. Nesse momento, acometeu-o uma violenta síndrome de abstinência.

– O bico! — implorava, aos prantos.— Quero o bico! Liga pro Papai Noel! Liga pro celular dele!
Tentei consolá-lo sugerindo que pensasse nos brinquedos que havia recebido. Que tentasse esquecer do bico.

— Mas eu não consigo esquecer! — Ele gritava. — Não consigo esquecer! —

E, olhando para mim com os olhos rasos d’água, pediu:

— Pai, me ensina a esquecer!

Me ensina a esquecer.

Suspirei. Disse que ia tentar. Que aprender a esquecer talvez seja o mais importante da vida, porque a vida é feita de perdas. Que, às vezes, é fundamental deixar de lutar, aceitar a derrota e seguir em frente, porque lá adiante tudo será novo e diferente e, decerto, melhor.

— Em certas ocasiões, a gente tem que desistir, meu filho. Simplesmente desistir. Porque, depois que a gente desiste, começa a esquecer, e vai esquecendo, vai esquecendo, até que um dia aquilo não faz mais falta e a gente olha e nem quer mais.
Ele esfregou os olhos. Aprumou-se na cama:

— Eu vou desistir do bico, pai.

— Isso. Isso…

— Porque é bom esquecer.
Eis a verdade. É bom esquecer.

Comentários (23)

  • Dra. Agnes diz: 27 de dezembro de 2013

    Tomara que teu filho consiga esquecer este bico tão nocivo.E eu falo como mãe e dentista. Chupar bico até os 6 anos de idade é muito prejudicial a formação da arcada dentaria das crianças. Seria recomendável que jamais os pais enfiassem na boca de um bebê indefeso esta monstruosidade inútil e agente de infecções. Para que fazem isto? Para obrigar um bebê a não chorar? Só por que todo mundo faz isto? Ensina teu filho a esquecer o bico pois este problema é teu.

  • Fabiano diz: 27 de dezembro de 2013

    Certo DOUTORA, o bico é um agente de infecções ignominiosas, não sei como não é proibido, tantas as mortes por infecção que já provocou.
    Francamente, “obrigar um bebê a não chorar”? Então ele chora por puro e simples prazer, sendo proibido pelos pais de exercitar seu prazer pelo choro incontrolável?
    Mais recomendável ainda seria que pessoas desprovidas de bom-senso fossem proibidas de querer ditar seu pensamento aos outros.

  • Dra. Agnes diz: 27 de dezembro de 2013

    Fabiano, eu não quero ditar meus pensamentos a ninguém, principalmente a pessoas tão desequilibradas e histéricas como tu! Eu dei apenas minha opinião pessoal e profissional. Se o David a publicou, quem és tu para aparecer aqui dando piti? Ficaste ofendido? Ainda chupas um bico ou chupas outras “cositas más” em busca de compensação do bico perdido? Calma, bobão!

  • LUIZ diz: 27 de dezembro de 2013

    Cada vez que leio um história do filho do David eu me sinto um idiota.
    Com meus 49 anos eu jamais pensaria em perguntar sobre o clima na Lapônia ou o salário dos duendes (sério mesmo? ele perguntou isso? salário?).
    Também acho que não me ocorreria de, aos 6 anos formular a frase “Me ensina a esquecer”.

    David, teu filho é um gênio, e eu sou uma besta.

  • JANE FOLHARINI BARBOSA diz: 27 de dezembro de 2013

    Nossa!! Monstruosidade??? Chupei bico até os 6 anos e não tive nenhum problema na arcada dentária… É incrível como hj em dia parece que todo mundo “precisa” de aparelho. Meu filho chupou bico, não tenho nada contra…

  • Elio Chaves diz: 27 de dezembro de 2013

    David, pelos comentários, inclusive de Doutas, você não foi compreendido.
    O “bico” foi só uma metáfora para o dito da crônica.
    Aprender a esquecer é o mais duro aprendizado da vida.
    Vide “Funes, o memorioso”, de Borges.
    É David, os gaúchos estão ficando burros, lamento por mim…

  • Machiavellirs diz: 27 de dezembro de 2013

    ESQUECE, VIU!

    Pois o meu egoísmo natural me fez chupar bico até a véspera do meu primeiro dia de aula do curso primário.

    E digo mais: chupei na teta da minha mãe até aos 4 anos de idade. Lembro-me perfeitamente bem quando, no meu momento de prazer, minha mãe alertava:

    - Machi, só não morde, viu!

    O fato é que qualquer criança é um egoísta por inteiro. Ela só quer o seu prazer. E se chupar bico lhe dá prazer, fazer o quê?

    Então, David, não te preocupes com isso. Esquece, viu!

  • Guilherme d’Hollanda diz: 27 de dezembro de 2013

    Não lamente, Elio! Vc é um gaúcho típico! Também não foge à regra! Além de pobre em inteligência ( gostou do eufemismo?), vc é metidaço! Então, vc acha que a sua interpretação deste texto é que é a correta? Bico como metáfora…Vc é um pândego!!!! Este bico do filho do blogueiro, se metáfora é para o “dito da crônica”, não seria para o aprendizado do esquecer as agruras da vida! Claro que agruras, né mané elias? Que alegrias e prazeres não se precisa esquecer! Mas, serviu para que o David pudesse contar que contratou até um papai noel profissional para estimular o filhote a largar a dependência porca de chupar um bico nojento , já aos 6 anos de idade e, também, para mostrar como o gurizinho é inteligente e precoce, tendo em vista a conversa que o mesmo teve com o papai noel profissiona. Cada um enxerga a coisa de acordo com sua capacidade de enxergar…assim falava Zaratustra!

  • Ingo Norante diz: 27 de dezembro de 2013

    machi, só se foi na tua mãe de leite, paga para alimentá-lo, uma vez que tua mãe biológica morreu no dia que te pariu! Sorte dela! O que tu chupas, além do cigarro, é outra coisa, véio! E continues chupando. Até que o diabo te leve!

  • CARLAO diz: 27 de dezembro de 2013

    Davi: 2 parabéns, um para vc e outro para o Elio Chaves. Excelente crônica, para quem sabe ler. É muito profundo e toda e qualquer pessoa, um dia, tem que se resignar para os desígnios da vida. Por vezes a vida nos faz dobrar-nos sobre nós mesmos, nos obriga a sofrer e ver a derrocada de algum plano, algum sonho, alguma realidade, sem que possamos sequer esboçar uma reação. O que nos resta? Remoer ou esquecer! Parabéns mais uma vez!

  • Gisele Vilarino diz: 27 de dezembro de 2013

    Meu mais novo texto favorito, além daquele dedicado à avó, de quem nunca faltou amor. São textos que contam a história da minha família também.

  • Marcel diz: 27 de dezembro de 2013

    Caro David, gosto muito das tuas crônicas! Mas te escrevo, pois tenho uma sugestão ao Grêmio, que tu poderia levar à direção e ao Sala de Redação:

    Grêmio está procurando um atacante de velocidade, não?! Se tiver como características fazer gols, ser relativamente barato e, ainda por cima, ser primo do maior craque do mundo, o que atrairia holofotes (e, com isso, dinheiro, etc.), melhor, não!?
    Por que o Grêmio não tenta o Maxi Biancucchi, que não renovou com o Vitória e está no mercado?????

    Que tal:
    Marcelo (Tiago/Folman), Moisés (Pará/Tinga), Rodolfo [troca pelo ADRIANO, de quem o Muricy é fã!!] (Gabriel/Saimon), Bressan (Pedro G.) [vende o Werley], Wendell (Breno), Edinho (Mateus Biteco), Souza (Riveros), Zé Roberto (G. Biteco), Máxi Rodrigues (Jean Deretti), Maxi Biancucchi (Paulinho), Barcos (Lucas Coelho/Yuri) [negocia o Kleber]

  • Fabiano Luft diz: 27 de dezembro de 2013

    Não sei do que gosto mais, das crônicas do David ou dos comentários aqui postados…
    E Dra. Agnes, eu não sou o mesmo Fabiano não, vocês que se entendam…

  • Fabiano diz: 28 de dezembro de 2013

    Dra. Angnes,o que é ser desequlibrado? Ser contra o seu pensamento?
    Então eu tenho orgulho de ser não apenas desequilibrado, mas também histérico.
    O dia que vc tiver capacidade de discutir argumentos, sem ofender quem discorde dos seus, me procure.
    DAVID COIMBRA,vc libera comentários desse jaez?

  • MARRETA diz: 28 de dezembro de 2013

    Sinceramente: estudo e educação não se confundem, ao contrário do que querem alguns. Lendo certos comentários aqui, fico com vergonha por quem os emite. Pelo menos eu fico, pois suponho que os “autores” dessas façanhas acham que servem de modelo a toda a Terra. Argumentos toscos, linguagem de boteco (não confundir com bar, restaurante etc; boteco é isso mesmo: boteco), ofensas gratuitas … David, não se preocupe tanto com o bico do seu filho, mas não deixe ele ler os comentários que postam em seu blog. Certas coisas é bom esquecer mesmo.

  • Eu Plagiado diz: 28 de dezembro de 2013

    Criei vários pseudônimos, e fui plagiado com Dedé Tizando Barata e Ingo Norante. Alguém, sem o mínimo de criatividade e inteligência, escreveu e postou asneiras e pensamentos que nem a minha ignorância concorda.
    Não mais assinarei Ingo ou Dedé. Deixo esses nomes pra quem não tem luz própria. Eu, fui invejado e copiado por alguém que está em situação mais baixa, pior, inferior.
    Ri-se o rôto do esfarrapado.

  • Priscila Pamella Kattyele Windsor diz: 28 de dezembro de 2013

    Adultos chupando bico ? Que falta de imaginação ! Eu fora, santa.

  • Poeta Pichado diz: 28 de dezembro de 2013

    Bico nocivo
    é o que faz o Ivo
    de dia Ivo, de noite Ivonete
    Bico nocivo
    é o que faz a dentista
    de dia no consultório
    de noite na internet
    Sem carteira assinada
    a Maria que foi diarista
    e vive de bico
    hoje é garçonete.
    Bico nocivo
    deu o Jackson
    gol contra, mal… muito mal
    no grenal
    Bico – bico – bico
    nocivo, prejudica, causa dano.
    O pichador vem aí ! Sujou, sujou
    tchau, vou embora, mano.

  • Justine diz: 29 de dezembro de 2013

    Gente, que povo é este nos comentários? #vergonhaalheia total. Povo burro, não entendeu o verdadeiro sentido da crônica. Aliás, linda.

  • Daniela diz: 29 de dezembro de 2013

    Fico imensamente triste e decepcionada ao ler os comentários de alguns leitores do David. Um crônica tão bacana, com o Bernardo como personagem, rendeu um festival de ofensas gratuitas de vários lados. Como o ser humano chegou ao ponto de não conseguir sequer ler uma opinião divergente sem atacar quem a emitiu? É tão difícil respeitar o pensamento de um semelhante? Não acho que o gaúcho esteja ficando burro, como disse alguém. Acho que o ser humano, gaúcho, paulista, carioca e de onde for, está ficando intolerante. E certamente vou ser atacada por alguém aqui por ter tido a audácia de emitir essa opinião.

  • Roseli Verlindo diz: 1 de janeiro de 2014

    Sinceramente, não entendo porque as pessoas, ao invés, de comentarem o texto, comentam os comentários de pessoas que nem sequer conhecem. Pessoas que apenas leram, por alguma razão, a mesma crônica. David, sou sua fã. Feliz Ano Novo!

  • Marcelo diz: 2 de janeiro de 2014

    Num país com esse nível de Doutor, o que podemos esperar da ralé intelectual?

    Que coisa triste…

  • Lucas Collovini diz: 14 de janeiro de 2014

    Bonito o texto. Abraço.

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