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Túnel do Tempo: Apalparam as costas de Bel - Último capítulo

20 de janeiro de 2014 0

Outra vontade que se derramava alma afora de um dos condenados do elevador enguiçado era a de Lili.

O que Lili queria?

Lili queria bater em quem lhe batera. Pois bateu. Atingiu o supervisor Noel com um soco bem no meio do nariz.

Ele se curvou gemendo e, no movimento, encostou-se em Rafael, que, no afã de acoplar-se em Lili, acoplou-se no supervisor. Encaixou-se em Noel como se fosse um cachorro possuindo uma cadela no cio, e ganiu:

— Acoplei! Gostosa! Acoplei! Gostosa! Acoplei! Acoplei! Acoplei!

Foi quando se romperam em definitivo todos os freios da civilização. Tudo contribuiu para que as normas de convívio social se diluíssem: o confinamento em espaço tão limitado, a proteção da escuridão e sobretudo aquele grito de me apalpa!, me apalpa!, um grito que anunciou o cruzamento do Rubicão da moral, um grito a dar a deixa de que todos ali podiam fazer o que ninguém pode fazer: o que tinham vontade de fazer.

E então a bunda de ferro de Bruna foi alisada, beliscada e, o impensável, mordida. Bruna, ao contrário de tirar a retaguarda do raio de ação do mordedor-beliscador-alisador, empinou-a mais, sorveu o prazer que aquelas mãos, aqueles dentes e aquela língua lhe davam, mas também golpeou com sua bolsa os flancos de alguém, não sabia quem, ela queria era fazer algo a respeito, e fazia: batia. Mas não no mordedor-beliscador-alisador, e sim no supervisor Noel, que naquele instante também apanhava de Lili e era agarrado por Rafael, o virgem, que o acolplara, e, em meio a tudo isso, alguém, ninguém soube quem, gemia:

— Me bate! Me bate!

Já o contador Ilson, ele conseguiu: afagou as costas de Bel, afagou-as com vontade e sofreguidão, prensando-a contra a porta do elevador, impedindo seus movimentos, quase que a possuindo à força, enquanto ela repetia:

— Me apalpa… Me apalpa…

Era demais: havia quatro mãos a apalpar as costas de Bel, quatro mãos que ora se roçavam, dedos sobre dedos; ora entravam em luta, uma tentando afastar a outra; mãos que a princípio disputaram aquelas costas, mas que logo entraram em um acordo implícito e mudo e concordaram em partilhá-la e aproveitaram cada centímetro daquelas costas, prensaram Bel, afofaram Bel, tomaram Bel, e Bel:

— Me apalpa…

Foi então que a energia voltou e, com a energia, a luz e, com a luz, a realidade insossa.

A porta do elevador se abriu. E as testemunhas do lado de fora viram uma cena dantesca: homens e mulheres comportando-se como se tivessem retornado a um tempo sem normas, sem leis, sem roupas e sem moral. Homens e mulheres que, por alguns segundos, deixaram-se possuir por seus desejos, realizaram-nos, fizeram apenas o que tinham vontade de fazer.

E foi horrível.

No momento em que a luz da Civilização incidiu sobre eles, eles compreenderam o que havia acontecido, no que tinham se transformado. Sentiram vergonha, deslizaram silenciosos para o mundo exterior, voltaram para as suas casas. E nunca mais falaram disso.

FIM

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