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Posts de abril 2014

Poderia ser você

15 de abril de 2014 7

Ouvi essa velha música, de um velho filme, ficou na minha cabeça, decidi dividir com você:

O herói errante

15 de abril de 2014 9

Dos antigos heróis da TV, o que mais me fascinava era o herói errante. Ele vagava de cidade em cidade, e em cada cidade vivia uma aventura, conquistava um amor e resolvia problemas até então insolúveis. Ele possuía parcos pertences, só o que cabia numa velha mochila que levava às costas, e nenhuma ambição, além de promover a Justiça. Era sempre um homem ensimesmado, que jamais se gabava das suas qualidades excepcionais, que atraía as belas mulheres e repelia os maus homens sem fazer esforço algum, que impressionava logo à chegada, que despertava lealdades onde antes só havia desconfiança, que deixava a marca do Bem com B maiúsculo pelo caminho em que pisasse.

Sim, sim, este era o homem. Queria ser um herói errante. A mulher mais linda da cidadezinha sempre se apaixonava por ele, e ele… Bem, ele também cevava um sentimento importante por ela, claro que sim, ela era uma mulher especial, mas, depois de cumprida sua dura tarefa, ele precisava ir embora. Algo o impelia para longe, algo fazia com que ele renunciasse à felicidade do amor eterno, a todo o afeto que o cercava, mas que, como todo afeto, o escravizava. Não, garota, não! Não me venha com esses seus lábios polpudos e sequiosos de meus beijos, não me venha com suas pernas longas e macias prontas para me envolver, com seu olhar de fogo, com seu peito arfante, com seus ombros luzidios, com suas mãos de carícias, não adianta, garota, existe um muro invisível a nos apartar, talvez uma maldição que me impeça, talvez uma missão que me espere, talvez um passado de dor ou um futuro de glória, não adianta, garota, não insista, tenho de ir, adeus… adeus…

E lá se ia o herói, triste com mais uma renúncia, esperançoso por mais uma aventura. Sim.

Sim.

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NO INTERIOR

O centroavante do interior é uma espécie de herói errante. Ele vai para uma cidade, torna-se camisa 9 do time local. Marca gols, ganha títulos, salva o clube da queda, vira ídolo da torcida, causa suspiro nas mulheres e muda-se para outro lugar, outros campeonatos, outras emoções.

Bebeto, o “Canhão da Serra”, era assim. Badico também. Sandro Sotili, outro. E também o velho Dario, “O Peito de Aço”; e Geraldão; e Lima; e tantos mais. Matadores de aluguel, homens que chegam, resolvem e vão embora. Na falta de produtos locais, por que não um deles? O Inter dos últimos 10 anos sabe como eles têm valor, e os contrata às dúzias. Hoje, no time, há dois: Rafael Moura e Wellington Paulista. Do Grêmio eles vão embora: foi-se um André Lima e ninguém veio para seu lugar. Por isso o Inter vence, por isso o Grêmio perde. Falta ao Grêmio quem saiba fazer o que um homem precisa fazer. No caso do futebol, nem é a Justiça. É o gol.

-x-x-x-x-

O SETORISTA DE RONALDINHO

Uma tarde de segunda-feira, durante a reunião da antiga Editoria de Esportes, nos anos 90, nossa pauta principal era um jogador que estava surgindo no Grêmio: Ronaldinho. Lembro-me de ter dito:

- Esse cara é diferente. Temos que tratá-lo de forma diferente.

E ficou estabelecido que o Diogo Olivier seria uma espécie de setorista de Ronaldinho. Ele registraria tudo o que envolvesse aquele jogador e sua família.

Era fácil ver essa diferença de Ronaldinho. Porque, além de demonstrar rara habilidade, já nas categorias de base ele marcava gols em quase todos os jogos, especialmente nos decisivos.

E é isso, e é tão simples. Um time, para vencer, precisa ter jogadores que saibam fazer gol. Se você não tem um Ronaldinho, que é raro, tem de ter pelo menos um Badico, um herói errante, mas precisa ter no time gente que saiba fazer gol.

O Inter aprendeu isso devido à dureza de enfrentar Jardéis, Paulos Nunes, Limas, Nildos, Andrés e Baltazares nos anos 80 e 90. Hoje, se o Inter perde um Damião, corre para contratar pelo menos um Wellington Paulista.

O Grêmio, não. O Grêmio, o último autêntico goleador do time do Grêmio foi Jonas, que saiu fugido do Olímpico.

No atual time do Grêmio, o jogador que mais marca gols é Barcos, um argentino cheio de força e vontade, mas com pouco requinte na hora em que está diante do goleiro.

A direção do Grêmio, depois do fracasso rotundo no Gre-Nal, deve estar se debatendo e se perguntando: o que fazer? E, realmente, você olha para as falências do Grêmio e as vê aos quilos, do técnico perplexo ao zagueiro frouxo. Há muito o que fazer. Mas, se não for possível fazer tudo, o imprescindível é contratar gente que saiba fazer o principal. Três, quatro, cinco homens que não mandem a bola no quarto andar, quando chutarem da meia-lua. Gente que saiba marcar gol. Um time só ganha se fizer gol.

Túnel do Tempo: O rei que não gostava de dançarinas

14 de abril de 2014 3

Tenho dois elevados motivos para escrever agora sobre o rei Ludwig II, além do de narrar sua singular história. Poderia discorrer sobre o avô dele, Ludwig I, e talvez até devesse. Era um pândego, o velho Ludwig. Apaixonou-se pela fogosa dançarina espanhola Lola Montez, e por ela perdeu sua fortuna e seu reino. Um homem que é arruinado por uma mulher merece respeito — trata-se de um homem movido por valores sólidos.

Ludwig II, como o avô, tornou-se rei da Baviera, abençoado estado da Alemanha que inventou a Oktoberfest e a cerveja Paulaner. Mas, ao contrário do avô, não era um apreciador de dançarinas, nem de bailarinas, nem de quaisquer fêmeas da espécie. O jovem Ludwig gostava era de rapagões espadaúdos. Um deles em especial, certo escudeiro com quem manteve relacionamento bastante amistoso por mais de duas décadas. Quando esse escudeiro se casou (com uma mulher), o rei confessou a amigos que o casamento estava-lhe sendo mais doloroso do que a Guerra Franco-Prussiana.

Mas ninguém recebeu tanto amor do rei quanto um homem mais velho: o compositor Richard Wagner. Ludwig protegeu Wagner, quitou-lhe as contas, deu-lhe uma casa onde morar, inaugurou um teatro para representar as óperas de sua autoria e escrevia-lhe cartas abrasadoras, como se estivesse se correspondendo com uma amante. Tipo:

“Inquebrantável é o laço que nos une. Firme, sagrado, eterno e profundamente encantador o amor que por ti arde na minha alma”.

O rei era homossexual, óbvio. Porém, é provável que não tenha perdido a virgindade durante seus parcos 41 anos de vida. Chegou a anunciar o casamento com uma linda priminha, mas desistiu pouco antes da cerimônia, alegando que preferia se afogar num lago dos Alpes a partilhar o leito com uma mulher.

Ludwig sublimou sua repressão sexual de uma forma que só um rei pode fazer: construindo castelos. Consumiu todos os marcos do tesouro real erguendo castelos em meio às nuvens do alto das montanhas da Baviera. São construções de questionável gosto arquitetônico, mas de inegável imaginação infantil, o que é um mérito, afinal, toda imaginação é infantil. Hoje, mais de 120 anos depois da morte de Ludwig, seus castelos encantam o mundo. Um deles tornou-se célebre ao servir de modelo para a Disney criar o castelo da bruxa arqui-inimiga da Cinderela.

Construir castelos nababescos não foi o suficiente para aplacar as angústias do rei. Aos poucos ele foi se isolando do mundo. Dormia durante o dia e acordava à meia-noite para cavalgar pelos campos reais. Abraçava ternamente certa coluna de certo castelo, conversava com determinada árvore de determinada floresta, ouvia vozes. Lideranças alemãs cogitaram de declará-lo impedido de governar, mas teriam que passar a coroa para seu irmão mais novo, Otto, e Otto vinha se comportando de maneira ainda mais estranha do que Ludwig nos últimos dias: vez em quando, o príncipe Otto latia para as visitas.

A solução foi transferir o governo para um tio de Ludwig que era mais velho, não falava com árvores e não latia nem rosnava. Um psiquiatra diagnosticou que o rei estava perturbado e Ludwig foi aprisionado em seu próprio castelo. Um dia, ele e o psiquiatra passeavam pelos jardins e não mais retornaram. Depois de horas de buscas, os corpos de ambos foram encontrados num lago das imediações. Ludwig morreu afogado; o psiquiatra tinha marcas de ter sido agredido. Ninguém jamais descobriu o que aconteceu. Ludwig foi um mistério até na hora da morte.

Eis o resumo da vida de Ludwig II. Fi-lo por dois motivos, como já disse. O primeiro é pelo imeil que recebi de uma leitora, e que reproduzo abaixo:

“Sou sua leitora, ou leitorinha, como costuma definir. Leio o blog, livros, adoro as historias da Jô. Hoje, dia 3 de outubro, assisti ao Café TVCOM. Me encantei com a história que tu tentaste contar sobre o rei Ludwig II, da Baviera. Peço, humildemente, que faças uma crônica sobre esse rei, pois achei interessante demais a história dele. Usando da psicologia benéfica, argumento que já morei no IAPI e foram os anos mais felizes da minha vida. Se não adiantar, confesso que estou partindo para uma jornada de radioterapia e quimioterapia, após a retirada de um nódulo na mama esquerda. Chantagem emocional maior que essa acho que não há.

Silvia Kuchta”

Sou sensível a chantagens emocionais, como se vê. Mas o segundo motivo pode ser comportado nas páginas esportivas. É que, como se percebe pela história de Ludwig, o problema não é o país ter dinheiro; o problema é como o gasta. Na Baviera de Ludwig não havia corrupção, mas o rei dissipava os fundos do tesouro em castelos de sonho. Antes que sejam dissipados em ginásios, estádios, metrôs, avenidas, estacionamentos e segurança pública. Sou a favor da realização da Olimpíada no Rio.

Texto publicado em 7/10/2009

David Coimbra: por que D'Alessandro é diferente

14 de abril de 2014 30

No final do jogo, ainda suado e sorridente, D’Alessandro disse uma frase emblemática:

- Não podemos perder Gre-Nal!

Esse é o espírito. Essa é a diferença de D’Alessandro para todos os outros que estavam em campo. Um jogador com essa compreensão do que é o seu clube e a cidade em que vive e ganha seu salário, um jogador assim torna um grupo vencedor, porque ele contagia os outros com sua vibração, ele mostra para os outros o que é importante.

Em seguida, D’Alessandro arrematou:

- Estou mais feliz de vencer o Gre-Nal desta forma do que com o título.

E é isso mesmo. O Gre-Nal é que importa. Mais até: só o Gre-Nal importa para Grêmio e Inter. O resto é adereço. Poucos sabem disso. D’Alessandro sabe.

O HOMEM DO JOGO

D’Alessandro foi disparado o melhor em campo, e não apenas pelo seu futebol de habilidade e inteligência, mas porque ele sabe perturbar o adversário, ele se impõe diante do juiz, ele conduz o ritmo do jogo. Fazia tempo que ele não jogava bem em Gre-Nal. Mas a atuação de ontem compensou qualquer apresentação apagada do passado. Ontem, D’Alessandro se tornou um colorado eterno.

Abel e D'Alessandro - os grandes vencedores da decisão

13 de abril de 2014 23

D’Alessandro sabe das coisas.
Saiu de campo dizendo a grande verdade a ser dita: “Não podemos perder Gre-Nal!”
É esse o espírito. Por isso D’Alessandro é vencedor.
E Abel soube o que fazer, soube como encarar o clássico. Encarou-o com sobvriedade desde as entrevistas até a comemoração.
Está maduro como treinador.

Enderson e Werley - os dois grandes fracassos da decisão

13 de abril de 2014 22

Não sei se Enderson terá estrutura para suportar a avalanche que irá soterrá-lo depois dos fracassos fragorosos em dois Gre-Nais.
Gre-Nal é o jogo mais importante para a Dupla. É, na verdade, o único jogo que importa para a Dupla.
Enderson e Werley ficarão marcados depois desses dois clássicos. O estigma de Caim estará impresso em suas testas. Terão vida difícil no Grêmio, a partir de agora.

Inter venceu porque soube esperar

13 de abril de 2014 8

O Inter jogou uma sábia partida de espera.
Esperava os erros e o desespero do Grêmio. Tudo isso aconteceu.
No começo, o Grêmio teve maior ímpeto, e o Inter soube resistir e esperar.
Esperou…
Esperou…
E enfim aconteceu: Werley falhou (de novo, de novo) e o Inter abriu o placar.
Então, o Inter esperou novamente.
Esperou…
Esperou…
O Grêmio estava perturbado, perturbado desceu para o vestiário e do vestiário voltou perturbado e desarrumado. Seu treinador, Enderson Moreira, falhou de uma forma que um treinador de time grande não pode falhar. E em dez minutos o Grêmio levou três gols.
Aí ao Inter só cabia esperar. E o Inter, mais uma vez, soube esperar.

Chegada triunfal

13 de abril de 2014 0

Os repórteres de campo da cobertura do Gre-Nal do Pretinho Básico, Duda Garbi e Potter, chegarão ao Estádio Centenário em grande estilo.
De helicóptero.
Pousando no meio do campo.

Gre-Nal decisivo na Atlântida

13 de abril de 2014 0

A turma do Pretinho Básico vai transmitir o clássico final do Gauchão hoje, a partir das 15h.
O degas aqui nos comentários.
Potter e Duda Garbi na reportagem.
Arthur Gubert no plantão.
Mais Fetter, Porã, Piangers, Mister Pi, Maurício Amaral et caterva.

O traidor do rio

13 de abril de 2014 6

Sou porto-alegrense do subúrbio, da Porto Alegre dura de concreto. Minha avenida de referência, quando guri, era a Assis Brasil, com sua capa de fumaça sobre os ombros dos edifícios, seu baixo comércio de miçangas de plástico, seus ônibus sempre atrasados e sempre apressados, seus trabalhadores de olheiras roxas e pele cinzenta.

Não havia amenidades silvestres na minha Porto Alegre. O rio era uma paisagem distante, uma massa d’água amarronzada que derramaram detrás do muro. Para mim e para meus amigos, não havia braço de Porto Alegre que se estendesse para além da Cidade Baixa. A Ponte de Pedra, que os escravos construíram para que Dom Pedro II conseguisse viajar da urbe pulsante para a bucólica Zona Sul, essa ponte de pedra Dom Pedro a atravessou, nós não. Nós, só em dia de jogo. Era a Borges, era a Padre Cacique, era o Beira-Rio, e fim. Porto Alegre acabava ali.

Por isso, o rio ainda me surpreende, como já me surpreenderam certas mulheres delicadas, mulheres que surgem quebradiças e que, no entanto, sabem ser suores, furores e tremores. O rio é assim. O rio Guaíba, que nem rio é.

Arrependo-me, porto-alegrense arraigado que sou, de não ter vivido mais o rio. Dias atrás, foi o que fiz. Passei um dia inteiro à beira do Guaíba, fui levado de barco rio adentro, vi ilhas intocadas pelo homem, ilhas de macacos e jaguatiricas, ilhas de mato virgem e cerrado, impossível de cruzar. Singrei por águas senão cristalinas, limpas de beber. Prossegui até a Lagoa dos Patos e me embasbaquei. Esteve sempre ali, ao meu lado, uma paisagem tão linda quanto as mais lindas de Santa Catarina. Fiquei pensando: quantos tesouros estavam junto a mim e os perdi por procurá-los em algum lugar distante?

Quando voltei para casa, sentia-me encantado e um pouco triste. Sentia-me traidor do rio. Traidor por omissão e também por desprezo. E ainda dentro do carro, ao avistar a última ponta visível de água, na Praia de Belas, prometi me redimir. Prometi que, de agora em diante, tudo será diferente. Serei mais interessado, mais atencioso, mais carinhoso com o rio da minha cidade. Que, mesmo negligenciado, sempre foi o meu rio.

Foto/Mauro Vieira

Foto/Mauro Vieira

 

Tudo flui

Heráclito dizia que um homem não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio. Era uma frase que servia de ilustração à sentença basilar da sua filosofia, baseada no seguinte princípio:

“Tudo flui”.

Assim, o rio muda a todo instante, e o homem que nele se banha muda também. Eu, hoje, não sou o mesmo que fui ontem (cá entre nós, espero ser melhor, mas não estou muito certo disso).

Heráclito sabia das coisas, mas era um filósofo muito brabo. Detestava os seus concidadãos, lá de Éfeso. Afastou-se deles, tornou-se um ermitão. Escreveu toda a sua obra sem que houvesse por perto um único ser humano com quem partilhar o mate. Depois de concluído o livro, depositou-o em um templo, aos pés de mármore da estátua da deusa. Os habitantes de Éfeso correram para ler o que ele escrevera e beber de sua sabedoria.

Leram.

E não entenderam nada – devem ter se sentido mais ou menos como me senti ao ler Ulysses, de James Joyce.

A partir de então, passaram a chamá-lo de  “O Obscuro”. É como chamo James Joyce.

Heráclito não era fácil, mas essa frase, embora possa ter outras interpretações, é clara e verdadeira:

“Tudo flui”.

Por isso, o rio Guaíba de hoje não será jamais o da minha infância. Por isso, aquele rio Guaíba eu o perdi.

Os frutos da água doce

Havia quatro rios no Jardim do Éden: os irmãos Tigre e Eufrates, o Ganges e o Nilo. Com o que você pode ver como era grande o Paraíso, uma vez que o Ganges fica na Índia, o Tigre e o Eufrates no Iraque, e o Nilo no Egito, os quatro formando uma suave meia lua entre o Oriente Próximo e o Oriente Distante, mas sempre no Oriente.

Lá era o Paraíso, e não o litoral catarinense.

Heródoto dizia que o Egito é uma dádiva do Nilo. Poderia dizer também que a civilização é uma dádiva dos rios da Terra. O Ganges é o rio sagrado dos hindus, que se banham nele em busca das bênçãos de seu milheiro de deuses. Tempos atrás o Ganges estava poluído, tal a quantidade de cadáveres que os indianos jogavam em suas águas, para que lhes servissem de mortalha. E foi na outrora faixa fértil entre o Tigre e o Eufrates, a chamada Mesopotâmia (“Entre Rios”), que nasceu a agricultura, a irrigação, a roda, a família – a Civilização.

Os homens levantam suas cidades onde há água de beber: Londres é a cidade do Tâmisa; Paris, do Sena; o Danúbio azul corta Viena; o Reno é o mais belo rio da Alemanha; as águas do Tibre já ficaram tingidas de vermelho do sangue dos legionários que os bárbaros passaram a fio de espada; o misterioso Amazonas não é um rio, é quase mar; e o Guaíba descobriram que é um lago, não um rio. Não gosto disso. Um lago é plácido, um rio corre, e o Guaíba corre, corre sempre, para algum lugar. Para algum lugar.

Túnel do Tempo: A trágica primeira transa do Amilton Cavalo

12 de abril de 2014 0

HISTÓRIA FALADA

 

Era conhecido como Cavalo por causa do tamanho do seu… do seu, ahn, bem… do seu instrumento, digamos assim.

 

Quando fez sexo pela primeira vez na vida, a turma inventou que a tal menina tinha gonorréia. Coitado do Amilton…

 

Assiste aí:

*Texto publicado em 28 de janeiro de 2008

Viva Zapata!

11 de abril de 2014 40

A presidente Dilma indicou Gim Argello para ser ministro do Tribunal de Contas da União.
Poderia encerrar o texto com essa frase. Essa frase significa muito. Mas vá que você não saiba quem é Gim Argello. Neste caso, farei um breve resumo, que resumos devem ser breves: Gim Argello é um senador do PTB do Distrito Federal que está respondendo a um cacho de processos no STF. É suspeito de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculado, falsidade ideológica, apropriação indébita, crimes contra o patrimônio público e crime contra a lei de licitações. Antes de ser eleito, Gim Argello era corretor de imóveis. Trata-se, provavelmente, do melhor corretor de imóveis do Brasil de todos os tempos, porque seu patrimônio, no começo da carreira, não chegava a R$ 100 mil. Hoje, segundo ele mesmo, está em R$ 1 bilhão.
Foi esse homem que a presidente Dilma indicou para ser ministro do Tribunal de Contas da União. O escândalo foi tamanho que, pressionado pela oposição, o próprio Gim Argello desistiu do cargo. Mas fica a informação trepidante: a presidente Dilma indicou Gim Argello para ser ministro do Tribunal de Contas da União.
Sei que Dilma á honesta. Desenvolvi essa convicção não apenas por conhecer sua história, mas baseado no meu julgamento, e tenho que confiar no meu julgamento. Por que então Dilma indicaria um político sobre o qual pesam tantas e tão densas denúncias para integrar um órgão que serve exatamente para fiscalizar as contas do Estado? Seria por aquilo que se chama de “governabilidade”? Por conveniência política?
Sim. Foi por isso. Claro que foi.
Eis algo importante. Porque estou falando de Dilma e do PT. Sei que o PT mudou. O poder produz mudanças. Há um episódio na História que ilustra essa verdade, vivido por um dos meus personagens favoritos, Emiliano Zapata. No começo do século 20, Zapata subiu do Sul do México à frente de seus camponeses gritando “tierra, tierra”, e fazendo a revolução. Encontrou-se com Pancho Villa, que descia do Norte. Entraram na Cidade do México e tomaram o palácio presidencial. Há uma foto deste momento: Zapata e Villa no gabinete da presidência, cercados por seus homens. Villa sorridente, Zapata grave, a mão pousada no sombrero, o olhar de sampaku fitando a câmera sem qualquer luz de ilusão. Zapata passou um tempo na Capital, ocupando a presidência. Quando a política o pressionou, quando ele sentiu que estava negociando com as dores dos camponeses para se manter no poder, pegou o sombrero e voltou para o Sul, para sua pequena Morelos. O poder corrompe, concluiu. E pronunciou sua grande frase:
“Um povo forte não precisa de um líder forte”.
Zapata era mais do que um líder forte. Era reto e comportou-se como um homem reto. De homens e instituições retas você espera retidão. Não espero retidão e coerência dos partidos sucedâneos da Arena, nem da geléia do PMDB ou do fisiologismo do PTB. Do PT, sim. O PT se apresentou como um partido reto. Podia não ter um projeto claro para o país, mas mostrava-se reto. Logo, é do PT que se cobraria retidão.
Para chegar ao poder, o PT fez concessões. Não sou contra. Sou a favor da tolerância e sei que a política é a arte da convivência de opostos, mas para tudo há um limite. E, se não posso mais esperar limites para o PT como instituição, sei que posso esperar de alguns petistas dignos. Dilma entre eles. Dilma suportou a tortura na defesa de seus valores. Por que cederia agora? Alguém pode argumentar que outros torturados já cederam, mas nesses a ânsia pelo poder era maior do que a convicção. Dilma, não. Dilma nunca se mostrou tão vaidosa, tão gananciosa, tão sequiosa de poder. Mas agora comete essa indicação espúria e, mais do que espúria, terrivelmente simbólica, decerto influenciada por petistas com a moral mais maleável.
Mas há outros, há os retos. Destes esperava protestos, e até agora não ouvi protesto algum. Você pode não gostar de um Olívio Dutra, de um Raul Pont, de um Flávio Koutzii, de um Ronaldo Zulke, mas sabe que eles são retos. Homens como esses deveriam ter se erguido, e não esp+-+-.
.erado pela óbvia reação da oposição . Eles é que deveriam ter dito a Dilma o que disse Saramago: “Até aqui cheguei”. Ou: daqui não passo. Basta. É o limite. Dilma precisa indicar Gim Argello para governar? Melhor não governar. Melhor apanhar o sombrero e voltar para o Sul. Um gesto como esse vale por todo um governo. Que agora, sabedores dos limites porosos deste governo, os homens retos se levantem. Que, ante a próxima ameaça, gritem: “Chega!” Com seu exemplo, fortalecerão o povo, e assim poderão descansar em paz, porque Zapata já ensinou: um povo forte não precisa de líderes fortes.

Som de Sexta

11 de abril de 2014 0

Grêmio venceu, mas foi desanimado

11 de abril de 2014 9

O Grêmio jogou desconcentrado contra o Nacional.
Preservava-se para o Gre-Nal, talvez. Ou talvez Luan tenha mesmo feito tanta falta quanto parece.
O jogo foi soporífero, só no final que o goleiro do Nacional deu uma agitada quase fazendo um gol e quase levando um gol.
De qualquer forma, o Grêmio entra em estrepitosa desvantagem no clássico. E depois pegará um adversário pedregoso na Libertadores, um argentino.
É a hora de o time mostrar o que pode fazer.

Som e Poema de Quinta

10 de abril de 2014 1

Torquato Neto escreveu e Caetano musicou.
Leia e ouça.

um dia depois do outro
numa casa abandonada
numa avenida
pelas três da madrugada
num barco sem vela aberta
nesse mar
nem mar sem rumo certo
longe de ti
ou bem perto
é indiferente, meu bem

um dia depois do outro
ao teu lado ou sem ninguém
no mês que vem
neste país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim: quero
voar no concorde
tomar o vento de assalto
numa viagem num salto
(você olha nos meus olhos
e não vê nada -
é assim mesmo
que eu quero ser olhado).

um dia depois do outro
talves no ano passado
é indiferente
minha vida tua vida
meu sonho desesperado
nossos filhos nosso fusca
nossa butique na augusta
o ford galaxie, o medo
de não ter um ford galaxie
o táxi, o bonde a rua
meu amor, é indiferente

minha mãe, teu pai a lua
nesse país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim.

(Torquato Neto)