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Posts de maio 2014

Passeando de dindim em Gramado

31 de maio de 2014 5

Li que mil argelinos já compraram tickets para passear no dindim de Gramado durante a Copa. Você sabe o que é o dindim, aquele trenzinho com vagões puxados por um pequeno trator. Tem muito na praia.

Criança adora andar de dindim. Por que será que os argelinos também gostam tanto, a ponto de fazerem mil reservas? Uma hora dessas, eles devem estar ansiosos pelo passeio, lá na Argélia. Devem estar comentando com os amigos:

_ Vou ao Brasil, andar de dindim.

Bacana.

—–

O bom da Copa é isso, conhecer outras culturas. Os gramadenses decerto sabem que os argelinos são africanos _ a Argélia fica no Norte da África. Os nigerianos, que também virão para cá, são igualmente africanos, só que a Nigéria fica mais embaixo, no oeste do continente.

Os nigerianos são muito respeitados na África. Pela pujança da sua economia, sim, mas sobretudo por outro fator: os homens nigerianos gozam da fama de serem bem dotados anatomicamente, se é que você me entende. Você talvez lembre que os africanos em geral já desfrutam dessa boa imagem no mundo inteiro. Certo. Só que os nigerianos são invejados pelos OUTROS africanos. Imagine, agora, o que é um nigeriano perto de, por exemplo, um japonês.

Quando participei da cobertura da Copa de 2010, os sul-africanos a toda hora vinham falar dos nigerianos. Olha lá os nigerianos, apontavam. Olha lá.

Existem máfias de nigerianos na África do Sul. Eles são muito temidos. Ficam em grupos pelas ruas de Johanesburgo, vestindo chapelões, mascando chicletes, enfeitados com braceletes e correntes de ouro. Se você passar por perto e eles te chamarem:

_ Hey, bro!

Saia correndo. Um perigo, os nigerianos.

—–

Mas não se aflija. Os nigerianos que vierem para cá durante a Copa não serão perigosos. Serão, provavelmente, nigerianos ricos. Mesmo assim, lembre-se de duas coisas:

1. Um nigeriano é sempre um nigeriano, com todos os seus atributos.

2. Aquela história que as mulheres vivem repetindo, “tamanho não é documento”, aquilo é mentira. É documento, sim. E provo.

Um dia, um repórter metido a espirituoso resolveu provocar Ava Gardner e perguntou, referindo-se a Frank Sinatra:

_ O que você quer com aquele magricela de 55 quilos?

Ava fitou-o com seu olhar blasé amendoado e respondeu:

_ Cinco quilos são só de “dick”.

Parabéns, Frank.

—–

Ruy Castro conta não ter sido à toa que Garrincha nasceu em Pau Grande. E as mulheres não fugiam dele…

Aliás, Garrincha não tinha descendência africana. Era índio fulniô, das Alagoas. Uns índios pacíficos, não como esses que deram flechadas nos policiais de Brasília ou como os que atacaram colonos com tacape no interior do Estado.

Índios brabos de verdade eram os goitacazes, que nadavam como um Phelps e lutavam como um Tyson. Eram guerreiros temíveis. Tinham um método temerário de caçar tubarões (caçar mesmo, não pescar): o goitacaz mergulhava armado apenas de um pedaço de pau. Quando via um tubarão, investia de frente contra ele. O tubarão, óbvio, tentava mordê-lo e o índio metia-lhe o galho verticalmente na bocarra. O tubarão, assim, não conseguia mais fechar a boca. O guerreiro aproveitava-se para enfiar o braço goela adentro do bicho e, com a mão nua, arrancar-lhe o coração.

Isso que é índio, não esses que andam de cocar e calção Adidas, falando ao celular!

—–

Sobre índios brasileiros, por sinal, eles são conhecidos em outro país que virá jogar em Porto Alegre: a Coreia do Sul. Na Copa de 2002, poucos brasileiros foram à distante Coreia do Sul, torcer pela Seleção. Mas havia lá um grupo que seguia o Brasil por toda parte, e os membros desse grupo tinham o hábito de se fantasiar de índios. Saíam pelas ruas vestidos com penas, com o rosto pintado, soprando apitos e batendo tambores. Os coreanos olhavam meio assustados para aquilo. Um dia, eu estava com jornalistas coreanos em um shopping e o grupo esse chegou, fazendo grande alarido. Todos pararam para ver. Um jornalista coreano arregalou os olhos e me perguntou:

_ É assim no Brasil?

Eu ri:

_ Não, não, por favor… Esses são apenas torcedores. O Brasil é um país moderno…

Hoje, se o coreano lê as notícias sobre o Brasil, deve estar me chamando de mentiroso.

Temos que dar um jeito de pacificar esses índios. Acabaram as contas de vidro e as miçangas?

—–

A Coreia do Sul é um país circunspecto. Nada a ver com aquele Psy, o cantor. Os coreanos se orgulham de seus filhos estudiosos e de seus banheiros públicos limpíssimos. Por Deus, banheiros públicos. Dizem os coreanos que um dos seus banheiros públicos é o mais limpo do mundo. Visitei o tal banheiro e, realmente, é um primor.

Aquele banheiro lembrou-me uma faxineira que tinha. Uma faxineira pelada. Sério. Ela fazia faxina no meu apartamento às segundas. Uma tarde, por algum motivo, tive de passar em casa mais cedo. Entrei e ouvi o barulho de água correndo no banheiro. Fui ver o que era. Era ela, limpando o box. Nua. Era uma faxineira meio gorda e muito branca. Ela estava de costas para a porta, de quatro, esfregando o chão com fúria higiênica. Aquela visão me fez estremecer de horror. Recuei devagar, bem devagar, para que ela não percebesse a minha presença. Esgueirei-me até a porta da frente, saí de mansinho e corri até o bar da frente. Pedi um bourbon para me recuperar. Depois daquela experiência, nunca mais voltei para casa sem ligar antes.

Agora, tenho de reconhecer: aquela faxineira sabia limpar um banheiro. Devia ser de descendência coreana.

Coreanos, nigerianos, argelinos. Porto Alegre terá a oportunidade de conhecer esses povos e tantos outros mais. Não é uma beleza? Só um conselho: mantenham suas mulheres longe dos nigerianos. Cuidado com os nigerianos!

Ouça o Sala de Redação desta sexta-feira

30 de maio de 2014 1

Escute e faça o download do programa Sala de Redação desta sexta-feira:

Esquerda e direita

30 de maio de 2014 43

Entre esquerda e direita, prefiro a esquerda. A esquerda faz uma ideia generosa da vida, de defesa do fraco contra o forte. Mas as pessoas de esquerda têm um defeito irritante: o hábito de julgar os outros por suas ideias. Para muitas pessoas de esquerda, quem não pensa como elas é desprezível.
Ideias têm alguma importância. Não muita. Conheço supremos canalhas que são esquerdistas perfeitos. O que torna um ser humano melhor não são suas ideias; são os seus sentimentos e o seu comportamento, sobretudo a forma como trata os outros seres humanos.
O Brasil é governado há meia geração por um partido de esquerda. O PT seria a nêmesis da ditadura militar, a direita mais renhida. Mas, olhando para um e outra, me espanto: como são parecidos! Hoje encontro gente agradecida ao PT pelos ótimos Bolsa Família, Minha Casa e Prouni, e lembro que só cursei minha faculdade graças ao Crédito Educativo e que minha mãe só comprou nosso apartamento graças ao BNH. Deveríamos ser agradecidos à ditadura? Os dois, PT e ditadura, tentaram diminuir as diferenças sociais por meio de programas, não com mudanças de sistema.
Ambos, PT e ditadura, são desenvolvimentistas, o PAC é o PND. A ditadura fez a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, a Free-Way, o Pólo Petroquímico, a Usina de Itaipu. O PT quer fazer Belos Montes, compra usinas no Exterior, duplica a BR-101, planeja a segunda ponte do Guaíba, pretende terminar a transposição do São Francisco. Em Porto Alegre, a esquerda tem feroz apreço pelas um milhão e 400 mil árvores da cidade. Destas, um milhão e cem mil foram plantadas na gestão de Socias Villela, prefeito nomeado pela ditadura. Na ditadura, a imprensa era censurada. O PT sonha com a censura disfarçada pelo “controle social da mídia”. O PT e a ditadura são estatizantes, os dois apostaram na indústria automobilística como pilar de desenvolvimento e tiveram seus empresários-modelo, seja os financiadores da Oban nos anos 70, seja Eike e seus R$ 10 bilhões captados junto ao BNDES nos 2000.
Lula aproveitou o bom momento econômico internacional e fez o Brasil crescer até 7,5%. Semelhante a Médici, que levou o país a 10%. Depois de Médici, assim como depois de Lula, a economia virou. Seus sucessores, Geisel e Dilma, tiveram de enfrentar momentos delicados e um país em princípio de ruptura social. Sarney e Maluf, velhos próceres do PDS, o partido da ditadura, são eleitores entusiasmados do PT, embora Maluf reclame que o PT esteja à sua direita.
No Brasil, esquerda e direita são irmãs siamesas.
Mas nem a esquerda nem a direita aproveitaram seus bons momentos para fazer reformas estruturais. Quanto mais rico fica o Brasil, mais degenerado se torna como nação. Na ditadura e na gestão do PT o Brasil melhorou para milhões de indivíduos; piorou como país. Foram medidas analgésicas, não curativas. Não por má intenção, diga-se. Houve, sim, vontade de fazer o melhor. Por isso, não me agradam petistas que não enxergam decência fora do PT e não me agrada quem chama os petistas de petralhas. Melhor seria se compreendessem que tanto à esquerda quanto à direita há gente, muita gente, que quer o bem do Brasil. É este o sentimento mais importante. Porque na prática, como se vê, não faz muita diferença.

Som de Sexta

30 de maio de 2014 0

Como é triste Veneza
Quando as pessoas não se amam mais.

Inter venceu porque tem centroavante

28 de maio de 2014 20

O Inter não jogou grande coisa, a Chapecoense esteve perto de empatar a partida, mas o Inter tem centroavante.
O centroavante, como o time, pode não ser grande coisa também, mas é um centroavante.
Faz gols.
O outro centroavante também. Não é um jogador de ponta, não é nem um jogador que, em outros tempos, seria titular do Inter.
Mas faz gols.
É centroavante.
Time que tem quem faça gols está sempre mais perto de vencer do que de perder.

Marcelo Grohe salva o Grêmio. De novo

28 de maio de 2014 40

Esse Marcelo Grohe é um santo.
Depois de se destacar em Grenais e ser considerado um dos melhores goleiros do campeonato, passou um ano na reserva de um jogador em idade provecta, foi criticado, amassado, desrespeitado. E continuou no clube. Não pode vacilar num único lance que gritam por sua saída do time. E aí, num jogo supostamente fácil, contra um time supostamente frágil, debaixo de chuva intensa, passa a noite inteira defendendo por cima, por baixo, num canto, noutro. O Sport Recife, que está lá embaixo na tabela, dominou o segundo tempo como se fosse o Bayer de Munique. O técnico Enderson Moreira, mais uma vez, não viu o que acontecia em campo, e o Grêmio só ganhou um pontinho graças a seu goleiro. Foi assim contra o Fluminense, só que naquele jogo Rodriguinho acertou um chute da entrada da área num lance de rara inspiração. A mesma coisa aconteceu contra o São Paulo, mas daquela vez quem marcou o gol foi o São Paulo.
É claro que o Grêmio tem apenas um time médio, mas não pode perder pontos para um dos piores do campeonato. A pausa da Copa é o momento de mudar.

Escute o Sala de Redação desta quarta-feira

28 de maio de 2014 0

Ouça o programa Sala de Redação desta quarta-feira:

Sorte na vida

27 de maio de 2014 15

A vida tem lógica, mas é imponderável.

A lógica da vida é a lei “causa & efeito”. Você faz algo e esta ação gera uma reação nas pessoas e no ambiente à sua volta. Esta situação criada pela sua ação, somada à reação, se transforma em outra causa, que gerará outro efeito. E assim por diante.

O imponderável são todos os perigos que rondam a vida, e as sortes também. Algo inesperado que acontece de repente, sem previsão possível, bom ou ruim. Dentro do imponderável, cada qual reage com a sua quota de força, talento, resiliência e sabedoria acumulada. Essa reação gerará um novo efeito, e aí tudo retornará à lógica da vida.

Talvez esteja sendo teórico e, ao mesmo tempo, rasteiro demais ao resumir uma filosofia em dois parágrafos curtos, mas confio que a inteligência do leitor me salvará da minha própria superficialidade. Porque o leitor sabe que é assim, e sabe que o ser humano passa o tempo todo lutando contra essa imponderabilidade. Cartomantes, videntes e padres existem graças à imponderabilidade. Eles teriam o poder de antecipar o imponderável, tornando-o ponderável. Escritores também, por outro motivo_ as pessoas estão sempre querendo saber de outras histórias de vida para comparar com suas próprias histórias e, assim, descobrir quais são as possibilidades de o imponderável acontecer. O que, é óbvio, também transforma o imponderável em ponderável.

Jogos também brincam com o imponderável, sobretudo o jogo de futebol. Aquele jogo de sábado passado, final da Liga dos Campeões da Europa, aquele jogo é a própria vida representada. O pequeno esforçado suporta as investidas do grande multimilionário até o final. O quase até o final, porque é preciso suportar um pouco mais, coisa de nada, minutos apenas, e o pequeno cede, enfim, e então o grande se torna de fato grande e amassa o pequeno como se o pequeno fosse um verme e a lógica da vida vence. As pessoas no mundo todo ficaram tristes, porque a vitória do humilde Atlético sobre o gigante Real significaria que sortes inesperadas acontecem, podem acontecer com você também. Quem torce pelo pequeno contra o grande, torce por sua própria sorte: eu posso ganhar na loteria, aquela mulher inatingível pode me dar bola…

Um campeonato de pontos corridos, como o Brasileiro, é uma luta contra o imponderável. Rodada após rodada, 38 delas, meses sem fim de jogos reduzem a possibilidade de ocorrência do imprevisível. Ganha o grande, o que tem mais dinheiro, o que construiu o elenco mais recheado de bons jogadores: dá-se a lógica.

Por isso, posso afirmar: o Campeonato Brasileiro deste ano será vencido pelo Cruzeiro ou pelo Fluminense, os melhores times, os mais bem fornidos grupos e, sobretudo, os que dispõem do maior número de bons atacantes.

Será isso, creia.

A não ser que ocorra o imponderável.

Inter perdeu para um time superior

26 de maio de 2014 24

O Cruzeiro é melhor do que o Inter.
Em condições normais, esse time do Cruzeiro sempre ganhará do time do Inter.
Em condições normais.
Quando as “condições normais” se modificam e o jogo passa a ser especial?
Quando um time joga uma decisão, por exemplo, e se supera no empenho, na concentração, na luta desvairada em cada lance.
Ou quando um jogador tem uma atuação decisiva. Outro exemplo: o Fluminense é melhor do que o Grêmio, mas, no meio da semana, Marcelo Grohe afiançou a vitória com defesas improváveis. Alguém pode argumentar que Marcelo Grohe faz parte do time do Grêmio. É verdade. Mas, mesmo que ele jogasse sempre assim, mesmo que ele fosse um Lev Yashin, o desenvolvimento de jogo do Fluminense ainda seria melhor, e o Fluminense sempre estaria mais perto de vencer.
A derrota do Inter, portanto, foi normal. Está certo, houve falhas da defesa e de Dida, mas, se ninguém falhasse, todo jogo terminava em zero a zero.

Lábios que beijam Sara Carbonero tocam "la décima" Orelhuda

26 de maio de 2014 3
Foto: Miguel Riopa/AFP

Foto: Miguel Riopa/AFP

Beijinhos, beijinhos, beijinhos sem ter fim pespegavam os lábios de Iker Casillas no rosto barbudo de Sergio Ramos, lábios habituados a tocar na pele macia e cor de caramelo de Sara Carbonero. Talvez tenha sido uma sensação estranha beijar um zagueiro viril em vez de a mais bela repórter da Espanha, mas, naquele momento, isso não importava. O que importava era que o amigo beijado marcara, com aquela cabeça venerada, o gol de empate do Real com o Atlético aos 48 minutos do segundo tempo da decisão da Liga dos Campeões, em Lisboa, sábado passado. Aquele gol inesperado levou a partida para a prorrogação e atirou tão para o alto o ânimo e a vontade do Real, que, em meia hora, o empate pedregoso se transformou em goleada líquida: o Real fez mais três gols, fechou o placar em 4 a 1 e ganhou sua décima taça da Liga.

Foi uma façanha. Porque o Atlético, campeão espanhol muito bem treinado pelo argentino Simeone, é um time sólido. Simeone diz que faz a sua equipe jogar como se estivesse disputando a Libertadores da América, e, de fato, foi mais ou menos assim que o Atlético fez. O Atlético jogou portenhamente. Todos marcavam como Simeone fazia no seu tempo de jogador da seleção argentina, correndo sem parar, lutando pela bola, jamais desistindo. Até o atacante David Villa dava carrinho. Nesse ritmo, o Atlético jogou melhor no primeiro tempo e abriu o placar aos 36 minutos, quando o zagueiro uruguaio Godín aproveitou-se de uma saída desastrada do beijoqueiro Casillas e marcou de cabeça.

O Atlético seguiu controlando a partida até o final do primeiro tempo. No segundo, tudo foi diferente. O técnico italiano Carlo Ancelotti tomou uma providência muito saudável para o Real: colocou o lateral-esquerdo brasileiro Marcelo em campo. Só que Marcelo não jogou como lateral; jogou como ponta. Ele e o argentino Di Maria formaram, pela lado esquerdo do campo do Estádio da Luz, uma dupla semelhante à feita por Megan Fox & Scarlett Johansson; sinuosa, insinuante, irresistível. Eles entravam na área a drible, deixando dois, três, quatro marcadores para trás, cansando a defesa adversária, obrigando os zagueiros a cometer faltas. Para arrematar as dificuldades do Atlético, Cristiano Ronaldo começou a jogar. Em coisa de 20 minutos ele arrematou quatro vezes a gol, fazendo o goleiro belga Courtois se transformar em um polvo, tantos braços parecia ter. O jogo escorria para o final. Aos 44 minutos, Simeone já pulava da pista atlética e mandava sua torcida gritar. Mas quatro minutos depois Sergio Ramos fez o gol que motivou os beijos de Casillas.

Era uma violenta inversão psicológica. E havia ainda o aspecto do preparo físico. O Atlético tivera prejuízo quando Simeone precisou retirar o hispano-brasileiro Diego Costa do time aos oito minutos do primeiro tempo. Diego Costa estava lesionado e, para tentar apressar a cura, havia passado a semana submetendo-se a um pouco ortodoxo tratamento com placenta de cavalo ucraniano. Era uma tentativa. Não deu certo, e o Atlético perdeu uma substituição.

Durante a prorrogação, os jogadores do Atlético desabavam em campo, com cãibras. E o Real partia para cima. O primeiro tempo ainda fechou sem gol. O Atlético resistiu outros quatro minutos. E depois cedeu. A goleada foi construída exatamente pelo lado da dupla Marcelo-Di Maria, o esquerdo. Aos 19, Di Maria invadiu a área a drible, chutou, o goleiro defendeu com o pé, mas a bola subiu e o galês Garreth Bale cabeceou para virar o placar. Aos 27, Marcelo recebeu a bola na intermediária de ataque, olhou para um lado, para outro, ninguém foi nele e ele avançou. Carregou a bola com surpreendente liberdade até a entrada da área e chutou: 3 a 1. Dois minutos depois, Cristiano Ronaldo irrompeu na área pela esquerda e foi derrubado por Gabi. Pênalti. Que ele mesmo converteu, comemorando sem camisa e flexionando os músculos do peito completamente depilado.

O Real conquistou o que sua torcida chama de “La Décima”, a décima taça das 59 edições da Liga. É o maior vencedor da competição, um gigante multimilionário, um dos mais poderosos clubes do mundo de todos os tempos. E, ainda assim, só conseguiu vencer graças a um gol marcado três minutos depois do tempo normal de partida, comemorado com gritos de rasgar a garganta, pranto convulsivo e beijinhos sem ter fim. Eis todo o imponderável e toda a beleza do futebol.

Escute o Sala de Redação desta sexta-feira

25 de maio de 2014 0

Acompanhe a edição de sexta-feira do Sala de Redação:

Ouça a edição de sexta-feira do Pretinho Básico

25 de maio de 2014 0

Ouça abaixo a edição das 18h desta sexta-feira do Pretinho Básico:

Pensando no futuro

25 de maio de 2014 3

O futuro ainda não chegou a parte alguma. Sei isso por causa das roupas que vestimos. No futuro, todas as roupas serão iguais. Pode ver nos filmes. Usaremos aqueles macacões justos e prateados. E botas até a canela. Parece confortável. Além do mais, será econômico. Você tem dois macacões, dois pares de botas, e pronto.
Outra: vai evitar muita incomodação conjugal nos casamentos. Aquilo de a mulher ficar pensando no vestido que vai usar no casamento da amiga um mês antes da cerimônia, aquilo vai acabar. Macacão, bota, deu. Que alegria.

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Tenho cá uma tática para o delicado momento em que uma mulher me pede opinião sobre vestidos que ela está experimentando: escolho sempre o segundo e fico nele. Compreenda: não interessa a sua opinião. Ela vai decidir de acordo com a opinião DELA. Mas ela quer que você demonstre interesse e aprove a sua escolha. Então, como o que você disser não fará diferença, aferre-se ao segundo vestido. Por que o segundo? Simples: se você escolher o primeiro, ela achará que você só escolheu para se livrar logo daquilo, o que é verdade, mas ela não pode saber. Se ela souber, ela ficará ainda mais em dúvida e experimentará 15, 20, um suplício. Agora, se você permanecer no segundo, como se estivesse convicto, é possível que ela pare no quarto ou quinto, o que já é uma bênção. E você mostrou que tem opinião, que se interessa por ela. Gol do Brasil.

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Não vejo a hora de o futuro chegar e acabar com o drama da escolha das roupas. O problema com o futuro talvez seja a questão da alimentação. Pílulas. Vou sentir falta da massa com molho vermelho (vermelho! Molho branco é uma fraude), do filé de quatro dedos de altura, do bacalhau à Gomes de Sá. Aliás, o bacalhau já está acabando. Está em extinção. Disse e repito: não quero viver num mundo sem bacalhau.

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A verdade é que o mundo está em constante mudança. São sete bilhões de pessoas inventando coisas a todo tempo, fazendo com que você fique sempre ultrapassado. Você que tem 20 anos de idade e acha que sabe muito, prepare-se para essa geração de 14. Eles não usam mais e-mail.

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Há coisas que se tornaram obsoletas antes que eu as experimentasse. O Orkut. Outro dia vi dois rapazes conversando:
_ Lembra do tempo do Orkut?
_ Velhos tempos…

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Nisso tudo, tem algo que me intriga terrivelmente: o creme rinse. Disseram-me, outro dia, que não existe mais creme rinse. É verdade? O que as mulheres passam nos cabelos agora, depois do xampu? Eu gostava do creme rinse. Até entendo que algumas coisas tenham deixado de existir, como as fitas de vídeo e as máquinas de escrever, mas o creme rinse? Daqui a pouco vão me dizer que o Melhoral não existe mais. Existe, não é? Houve uma época em que se tomava Melhoral com Coca-Cola para dar ligadura. Você estava com sono e precisava dirigir? Melhoral com Coca-Cola. A Coca-Cola também servia como bronzeador. As mulheres passavam Coca-Cola no corpo, por Deus. Hoje não existe mais bronzeador. É o contrário, protetor solar. Minha vida teria sido diferente, se tivesse conhecido o protetor solar na adolescência. Sempre fui branquicela e sofria muito na praia. Uma vez, no ano do primeiro Rock in Rio, 85, fui acampar no Morro dos Conventos e minha namorada, para me proteger do sol, passou óleo Johnson em mim. Fui fritado como uma salsicha. Até hoje acho que aquela namorada me odiava.
Felizmente, o tempo dos bronzeadores acabou. O tempo do cigarro também acabará, isso é certo. As pessoas não acham mais charmoso fumar, algo fatal para qualquer mercadoria. Eu, quando guri, queria muito fumar. Dava um ar de segurança ao homem. Um cara podia ficar sozinho com seu cigarro. Ele estava ali, com seus pensamentos. Tudo estava bem, tudo estava em seu lugar. Você soltava uma baforada lenta, olhava para a fumaça azul que se evolava na atmosfera e sorria enigmaticamente. Sim, senhor, ali estava um homem que sabia das coisas.
Pena que o cigarro dá câncer. No princípio, o cigarro era medicinal. O primeiro europeu a difundir o tabaco foi um embaixador francês chamado Jean Nicot (donde, nicotina). Ele experimentou aquele produto vindo das Américas e sua enxaqueca passou. Enviou-o para a rainha Catarina de Médicis, que usou e também ficou boa da enxaqueca. Então, Catarina, que já havia introduzido a calcinha na civilização, introduziu o cigarro. Grande Catarina.
Agora, o cigarro está chegando ao fim. Preparem-se, aí em Santa Cruz. Duvido que o cigarro volte, como voltou o disco de vinil. O que acho que voltará é a banha de porco. Comida feita com banha de porco tem outro sabor. É infinitamente melhor. Faço um feijão com banha de porco e, juro, trata-se de algo muito sério. Logo algum médico vai recuperar a banha de porco, para o nosso deleite. Aproveitemos, antes que o futuro chegue com sua comida em pílulas. Aproveitemos, que o futuro pode ser sombrio.

Barcos tem de descansar

25 de maio de 2014 5

A comissão técnica do Grêmio tem a obrigação de dar um descanso para o centroavante Barcos.
Será bom para o time e para o jogador.
Um centroavante que perde tantos gols só pode estar passando por alguma crise emocional. Não é possível que um jogador do nível de Barcos, que só atuou em grandes equipes e até passou pela seleção argentina, erre de forma tão bisonha como tem errado.
Quem deveria entrar em seu lugar? O ideal seria Kléber, que ainda se recupera de lesão, mas, na falta de Kléber, qualquer um, até o improviso serve. O que não serve é deixar o jogador em campo nesse estado, queimando-o com a torcida e sabotando-lhe a confiança.
Nas últimas semanas, salvo o jogo com a Chapecoense, Barcos tem se mostrado excelente zagueiro. Nos escanteios, é invencível quando postado no primeiro pau. Mas ele é centroavante, ganha salário de centroavante e, como centroavante, não tem se saído bem. Um retiro lhe reporá as energias.

Som de Sexta

23 de maio de 2014 1