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Posts de setembro 2014

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30 de setembro de 2014 3

No jogo dos meias vermelhas

30 de setembro de 2014 17

Eu e o B fomos ao jogo dos Red Sox. Jogo de beisebol, bem entendido, que é isso que os Red Sox jogam. Era um clássico: Red Sox, o time de Boston, contra Yankees, o time de Nova York. É o Gre-Nal deles. Compramos bonés do Red Sox e, contentes, cobrimos nossas cabeças com eles, mas o B anunciou:
_ Vou torcer pelos Yankees.
_ Por quê?
_ Eles são de Nova York, e eu gosto de Nova York. O Potter está em Nova York.
_ O Potter já voltou para Porto Alegre.
_ Mas a Estátua da Liberdade continua em Nova York. Eu gosto de Nova York. Vou torcer pelos Yankees.
Esse guri é do contra. Paciência. Lá fomos nós para o Fenway Park, o estádio dos Red Sox.
Interessante esse nome, Red Sox. Eles são os “Meias Vermelhas”, mas a meia é o que menos aparece no uniforme de um jogador de beisebol: eles usam calças compridas.
Alguns jogadores me pareceram acima do peso, mas percebi que isso não chamou a atenção de ninguém.
O que chamou a minha atenção foi o comportamento dos torcedores. Torcer, torcer, eles não torcem. Estão lá para assistir ao jogo, não para ajudar seu time a vencer. Querem ver um espetáculo. E comer. Há bares e restaurantes em toda volta do estádio, as ruas ficam iluminadas com luzinhas coloridas e há pequenas barraquinhas vendendo quitutes. Como se fosse uma quermesse. Lá dentro, a mesma coisa: em toda parte há quiosques com comida e em alguns setores as pessoas ficam jantando e assistindo ao jogo através de telões.
Fiz o que tinha de fazer: comprei cachorros-quentes para mim e para o B. Na América, faça como os americanos.
O B podia torcer à vontade para os Yankees. Entre nós, havia outros que faziam isso, bem identificados por bonés e camisetas azuis. Mas, como já disse, eles mais aplaudiam do que torciam. Acontecia um lance interessante e eles:
_ Ooooooh… _ E: _ clap-clap-clap _ palmas.
Queria fazer igual. O problema é saber a hora de aplaudir e dizer ooooh. Um jogador dava uma linda rebatida na bola, uma paulada vigorosa que a mandava para as estrelas do céu azul-escuro de Boston e eu me entusiasmava todo. Estava pronto para fazer ooooh, clap-clap-clap, mas olhava para o lado e o que via? Tédio. Ninguém empolgado. Não havia acontecido nada de importante, ao contrário do que eu imaginava. Só que, de repente, o cara dava uma rebatida igualzinha, a bola subia na mesma direção, e todo mundo:
_ Oooooooh… clap-clap-clap.
Vá saber…
Tentei entender o que se passava acompanhando o placar eletrônico. Mas tinha um monte de placares eletrônicos em volta do campo, cada um com números diferentes. Era difícil até saber quem estava ganhando. Decidi ir comprar outro cachorro-quente. É por isso que os americanos engordam.
-x-x-x-x-x-

AS LUZES DE FELIPÃO

Quem olha para o luminoso trabalho de Luiz Felipe no Grêmio, fica se perguntando:
_ Como um técnico desse quilate deixou o Brasil ser goleado pela Alemanha numa Copa do Mundo disputada em solo brasileiro?
Durante a Copa, antes da partida contra a Colômbia, escrevi um texto em que examinava a situação daquele grupo de jogadores. Não que antecipasse a goleada, ninguém poderia antecipar o que aconteceu. Não. Mas era visível o estado emocional delicado dos jogadores.
O Brasil tornou-se um país muito mais complexo do que era, digamos, nos anos 90. É um país mais tenso e menos tolerante. Os jogadores passaram todo o tempo cercados da cobrança e da expectativa dos brasileiros, sentiam a angústia de seus familiares e amigos, que torciam por eles, e se espigavam com o sarcasmo e a maldade dos que torciam contra eles. Não é por acaso que choravam ao cantar o hino ou ao obter uma vitória difícil. Eles tinham de lidar com muitos sentimentos represados.
Numa situação dessas, qualquer time perde a naturalidade, e jogar com naturalidade é essencial para um time de futebol.
Se aquele mesmo time jogar contra a mesma Alemanha outras cem vezes, o resultado não se repetirá uma única vez. A Alemanha vencerá a maioria das partidas, porque é melhor. Mas não fará sete gols. O que ocorreu no Mineirão foi um desastre, sobretudo de natureza emocional. O futebol é melhor jogado, e a vida é melhor vivida, se há leveza. Um tanto da leveza do Brasil ficou lá atrás, em algum lugar do século 20.

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29 de setembro de 2014 1

Grêmio e Inter: opostos que dão resultado

29 de setembro de 2014 31

O Inter venceu o Coritiba por 4 a 2, não haveria injustiça se fosse 8 a 6 ou 9 a 7. Ou talvez os técnicos pudessem ter combinado, antes da partida:
_ Vira em cinco, em 10 acaba.
Não que tenha sido uma pelada. Não. Foi um jogo bom de se ver. Mas o Inter às vezes parece um time temerário, sobretudo no que se refere à capacidade de contenção do seu meio-campo. Não da defesa: do meio-campo.
Os adversários do Inter evoluem bem de intermediária a intermediária, e foi assim ontem também, no Beira-Rio. Até o apagão, na segunda metade do segundo tempo, o Coritiba teve 22 finalizações. Vinte e duas! Fez dois gols, acertou duas bolas na trave, perdeu outros tantos. É demais, até porque, se você olhar o mapa do campeonato, verá o Coritiba no extremo sul, perto da Patagônia.
Bom para o Inter que o time está desenvolvendo jogadas fortes na frente, principalmente com as infiltrações pelo lado direito. Os canhotos do Inter gostam de derivar para a direita, e é de lá que os gols saem. Se Nilmar ainda tiver 60% da capacidade técnica que tinha há cinco anos, irá se beneficiar muito dessa tendência que o Inter tem de tramar a bola pelo lado direito de ataque.
Já o Grêmio é o oposto do Inter, taticamente falando. O Grêmio faz um jogo de segurança. Luiz Felipe armou uma equipe de futebol compacta, lógica, concatenada. O adversário não consegue trocar a bola devido à marcação densa do meio-campo gremista. E agora Luiz Felipe encontrou algumas peças perfeitas para desnortear o adversário: Ramiro, Zé Roberto e Pará penetram pelo meio da zaga inimiga a todo momento, e causam terror na grande área. Se tivessem aptidão de artilheiros, o Grêmio golearia em grande parte de seus jogos.
Ontem, Ramiro esteve na frente do goleiro do Botafogo e deu um toquinho, em vez de mandar uma bomba para a rede; Pará, em três ou quatro lances, esteve livre no bico da pequena área, e passou para trás, em vez de chutar a gol; e Zé Roberto preferiu dar o gol a Barcos em vez de ele mesmo marcar.
Luiz Felipe fez do time do Grêmio um tipo de time que o Grêmio sempre quis ser.

Marilyn e as outras

28 de setembro de 2014 11

Dá-me certa ansiedade não pagar nada para a escola do B. É tudo de graça, e a escola é ótima. Fico me sentindo culpado. Fico achando que tem alguma coisa errada. A sensação é de que, se eu não der um bom dinheiro, eles não vão fazer um bom trabalho.

Lá estudou o Kennedy, imagina, e ele também não pagava nada.

Estou me exibindo muito com isso de o Kennedy ter estudado no mesmo lugar em que o meu filho estuda.

Fim de semana passado, o Potter e a Marcella estiveram aqui. Saímos a flanar por Boston. Paramos para almoçar no Union Oyster Bar, o mais antigo restaurante em funcionamento dos Estados Unidos, aberto desde os albores do século 19. O Kennedy ia lá para comer ostras frescas, e sentava-se sempre na mesma mesa, a 18. E não é que, por total coincidência, nos colocaram exatamente na mesa dele!?! Olhei para o B e disse:

— Guri, isso é um presságio! Tu vais ser presidente. Ou vais pegar uma Marilyn Monroe.

Prefiro a Marilyn. Já estou vendo-a, no aniversário dele, vindo a ondular como a serpente do paraíso, suas sinuosidades mal contidas dentro do vestido coladinho e faiscante. Estou vendo seu sorriso de marfim se abrindo diante do microfone e ela cantando em meio a gemidos e sussurros:0

Happy birthday… to you… Happy birthday… to you… Happy birthday, mister Bernardou…
Ah, o orgulho de um pai.
-x-x-x-x-
COMO FUNCIONAM AS ESCOLAS

As escolas públicas são excelentes por aqui. São mantidas por uma espécie de IPTU e melhoradas por doações da comunidade. Não são doações de ricos, não. São ações comunitárias, promovidas por empresas, entidades ou pessoas físicas. Duas semanas atrás, um supermercado, o Whole Foods, destinou 5% da renda do dia para as escolas locais. Todos da vizinhança foram comprar lá, eu inclusive.

O aluno não escolhe onde vai estudar. Quem escolhe é a, digamos, secretaria de educação, que coloca o aluno na escola mais próxima da sua casa. Então, lá na escola do B estudou o Kennedy e estudam os filhos do zelador do prédio em que moro, um sujeito retaco e sorridente egresso de El Salvador. Estudam também israelitas, árabes, coreanos, japoneses, italianos, etíopes, e todos fazem aula de inglês como reforço. De graça. E de graça ganham material escolar: cadernos, régua, canetas, lápis de cor…

A criança chega às oito da manhã e sai às duas e meia da tarde. Se os pais quiserem, o aluno continua até as seis e meia em diversas atividades de suporte, como aula de matemática, de literatura, de artes ou de esportes. E não paga um único dólar a mais por isso. O que você paga são três dólares por dia pela alimentação. Se não tiver condições de dar essas três doletas, manda uma carta para a escola, e eles fornecem alimentação gratuita e assistência médica gratuita também.

Os Estados Unidos são o maior país socialista do mundo.
-x-x-x-x-x-

A E I O U

A língua tem ritmo. Às vezes passo por uma obra (tem muito brasileiro na construção civil americana) e reconheço o português do brasileiro pelo ritmo, não pelo sentido do que está sendo dito. Porque nem entendi o que as pessoas estão falando, não ouvi uma única palavra, só identifiquei o balanço do som e por isso sei que ali há brasileiros conversando.

O português falado por brasileiros é suave. Ao contrário do alemão, por exemplo, que é áspero. O espanhol da Espanha é agressivo. O italiano é dramaticamente cômico. Ou comicamente dramático. E o americano canta.

— Good mooooorniiiiing…— é a saudação das manhãs que faz a guarda de trânsito que fica controlando a rua atrás da escola do B. Gosto disso, de uma guarda de trânsito me cumprimentando com tanta alegria. Mas não é só ela. Depois de deixar o B, saio caminhando pela rua e cruzo com americanos portando enormes copos de papel cheios de café. Basta fazer contato visual com um deles para ouvir:

— Good moooooorniiing…

Esforço-me para devolver um good morning à altura.

Agora, o que eles gostam mesmo de dizer é oh my God. Para tudo eles dizem oh my God. Dizem de um jeito completamente cantado, com breque. Assim:

_ Ó! Mai! Góóód…

Conheço uma americana que é de Connecticut, a Michelle. Ela fala Cãnéricãt. Acho lindo. Queria um dia sair por aí falando Cãnéricãt.

Mas, cá entre nós, é muito estranha a forma como eles falam, não é? Sobretudo as vogais.
O “A” é “Ei”.
O “E” é “I”.
O “I” é “Ai”.
O “O” é “Ou”.
E o “U” é “Iu”.
Por que isso??? Por que não falam certinho A, E, I, O, U?
Gostam de complicar, esses americanos.

Som de Sábado

27 de setembro de 2014 8

Ergio pediu. E levou:

Som de Sexta

26 de setembro de 2014 4

O chefe:

Eles nos protegem

26 de setembro de 2014 16

Quando algum amigo geme de medo de que esse ou aquele candidato seja eleito presidente, ofereço sempre o mesmo consolo:

— Não te preocupa. O Congresso nos protege.

Porque, embora o Executivo tenha tantos poderes no Brasil, como tem, o Legislativo é a verdadeira coluna de sustento da democracia. O presidente, qualquer presidente, quase sempre é acossado por gana autoritária. Raros resistiriam à tentação de se tornar ditadores, se pudessem.

O Brasil teve um presidente democrata de raiz, Itamar Franco. Os outros… Os tucanos meteram o bico em locais infectos para dar mais quatro anos a Fernando Henrique, todos sabem, e os petistas volta e meia fazem uma tentativa bolivariana, com seus plebiscitos e conselhos vários.

Essa estratégia de plebiscitos e conselhos é a mais perigosa, porque tem aparência de abertura democrática, quando, na verdade, sua intenção é solapar o Legislativo e, assim, solapar a democracia representativa. O argumento dos governistas é insidioso: eles juram que esses conselhos dariam mais oportunidades de participação “ao povo”.

Bastaria que “o povo” se dispusesse a integrar os conselhos para, desta forma, decidir os rumos da sua própria vida. Balela. Os governistas sabem que “o povo” simplesmente não quer participar de conselho nenhum. Imagine você tendo de ir a uma plenária duas vezes por semana, ou a um seminário, ou a um debate, ou a um congresso de qualquer coisa. Que porre. Você tem mais o que fazer. Você tem o seu trabalho, os seus amigos, a sua família, o seu time, o seu cachorro, o seu sono.

É por isso que a democracia representativa é tão boa: você escolhe pessoas para representá-lo nessas atividades e para estudar questões pedregosas, como reformas legislativas. Elas estão lá para isso. Agora, se as coisas não estão indo bem, aí você tem de pressionar o seu representante, tem de protestar, tem de gritar. Mas só em casos extremos, obviamente, que você tem seus compromissos.

Conselhos do gênero seriam habitados por partidos orgânicos, como o PT, e seus agregados. Eles fazem política sistemática e profissionalmente. Eles vivem disso. Tanto que já estão infiltrados em sindicatos, associações de bairro, ONGs, igreja e universidades.

O Congresso nos protegeu (por enquanto) dos conselhos bolivarianos. Não nos protegeu da reeleição de Fernando Henrique, uma escusa mudança das regras do jogo em meio ao jogo, feita por meios mais escusos ainda.

O Judiciário também tenta sabotar o Legislativo. Veja essas novas teorias de atuação “ativa” do Judiciário, tão ativa que seus representantes não se contentam mais em agir quando provocados; eles provocam, eles são litigantes, eles faturam com as causas levantadas por eles mesmos, como fez a juíza de Livramento ao atrair para o conflito os pobrezinhos dos gaúchos tradicionalistas.

O argumento do novo Judiciário é que o Legislativo é muito lento para promover as “evoluções” da sociedade que ele, Judiciário, acha importantes. É claro: o Judiciário é uma classe só, a elite intelectual, inflada de convicções ideológicas sobre o que é certo ou errado; o Executivo é mais restrito ainda, é uma pessoa só, ansiosa para promover as mudanças que, em sua cabeça coroada, considera ideais.

Já o Legislativo é legião, porque somos muitos. No Legislativo, todo o Brasil está representado, ou quase todo. No Legislativo há os sem terra e os ruralistas, há os jogadores de futebol e os médicos, há os militares da reserva e os guerrilheiros desarmados. O Legislativo, de fato, representa a nação. O Executivo e o Judiciário, não.

Para desespero da elite intelectual, que adeja com sua vasta sapiência por redações de jornal, tribunais e redes sociais, o Brasil também é formado por gente como os evangélicos, por exemplo, que, no Congresso, têm direito a voz e voto.

Você é a favor da legalização do aborto (eu sou), é a favor do casamento civil gay (sou também), é a favor da legalização da maconha (sou), é a favor da exigência do diploma de jornalista (contra)? Vote em um deputado que pense como você. Que defenda suas causas. Não precisa ser o mais inteligente, basta que ele concorde com o que você acha relevante. Eleger deputados que realmente nos representem é mais importante do que eleger o presidente ideal. Os deputados estão lá para nos proteger de presidentes, juízes e demais mulheres e homens sábios que querem dizer o que é bom para nós.

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25 de setembro de 2014 0

Por que o Inter não é o primeiro

25 de setembro de 2014 15

O Inter fez 3 a 0 no Criciúma.
Se fosse assim em todo o campeonato, o Inter estaria embolado com o Cruzeiro na liderança.
Não porque o Inter tenha sido espetacular contra o Criciúma.
Não se trata disso, nem precisa ser isso.
Nesse campeonato longo e pastoso, não é necessário ter o melhor time para vencer.
O São Paulo, por exemplo, tem um conjunto de jogadores admirável: Pato, Ganso, Alan Kardec, Kaká e, quando um deles falta, entra Luís Fabiano, como hoje entrou e resolveu. Mas o São Paulo não tem a quantidade de jogadores de bom nível que tem o Cruzeiro, titulares e reservas da mesma estatura.
Assim, o São Paulo vence o Cruzeiro numa rodada e perde para o Figueirense em outra.
Que diferença faz?
Nenhuma: são os mesmos três pontos.
Há 20 times nesse campeonato.
Digamos que o seu time seja um dos cinco melhores.
Certo.
Não se preocupe em fazer O MELHOR time.
Não precisa.
Mas tenha um grupo forte o suficiente para que seu time tenha sempre a mesma capacidade, mesmo que perca quatro ou cinco titulares.
Então, você ganha dos 15 mais fracos.
E troca pontos com os quatro que são mais ou menos como você.
Você será campeão, porque os quatro que estão trocando pontos com você volta e meia perderão jogadores importantes e cederão pontos para os times mais fracos.
É o que está acontecendo com o Inter.
O Inter tem Alex, Aránguiz e D’Alessandro.
E ninguém para substituí-los.
Contra esse mesmo Criciúma, em Santa Catarina, o Inter empatou.
Podia ter vencido.
Aqueles dois pontos agora estão fazendo falta.
Ganhar do Grêmio, do Cruzeiro ou do São Paulo vale o mesmo que ganhar da Chapecoense, só que da Chapecoense o Inter pode ganhar duas vezes, do Grêmio, do Cruzeiro e do São Paulo é mais difícil.

Grêmio quase perfeito no Rio

25 de setembro de 2014 14

O Grêmio fez uma partida exemplar contra o Fluminense, sobretudo no primeiro tempo.
Luiz Felipe montou um time com qualidade tática, solidez defensiva e fluência no meio-campo.
Falta o lance de definição.
Falta o gol.
Aí não cabe mais ao treinador.
O Grêmio se defende à perfeição com as duas linhas de quatro se movimentando de acordo com o movimento da bola, e sai para o ataque de forma insinuante. Contra o Fluminense, Ramiro se infiltrava no meio da zaga, Zé Roberto e Pará passavam entre os laterais e os zagueiros, o sistema do Grêmio funcionava como se fosse um treino. Só que, na hora de concluir, as individualidades fracassavam.
Você dirá que isso só se resolve com qualidade. Quer dizer: com contratações.
Nem sempre. A confiança, a repetição de movimentos e a sequência de jogos podem fazer com que o jogador pense menos e, pensando menos, tenha mais naturalidade e mais precisão no momento da conclusão.
O Grêmio está invicto há sete jogos. É um time que não toma gols. Se mantiver esse padrão, logo começará a fazê-los.

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24 de setembro de 2014 0

Lixo eleitoral

24 de setembro de 2014 49

De manhã cedo, escuto a Gaúcha graças ao milagre da internet.
Ouvi agora mesmo a propaganda eleitoral do PT: “Marina é isso, Marina é aquilo”. Só Marina, Marina, Marina, nada de propostas, nada de ideias, só lenha no adversário.
Mais ou menos assim: “Eu sou ruim, mas ele é horrível”.
Sei que não é só o PT que faz isso. Todos, ou quase todos, repetem essa estratégia suja.
Com a penetração das redes sociais, então, a coisa piorou. É só lixo. Felizmente, os veículos de comunicação traicionais filtram um pouco de toda essa imundície.
É para isso que os partidos querem financiamento público das campanhas?

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23 de setembro de 2014 0

Homens de verdade

23 de setembro de 2014 28

Os valores masculinos estão em extinção. Disso eu já sabia. E, antes que os vigilantes ideológicos saltem feito salmões de suas redes sociais, corro a ressaltar: valores masculinos não têm nada a ver com homofobia ou machismo. Um homem de verdade pode ser homossexual. Um homem de verdade defende as mulheres quando outros, homens ou mulheres, tentam diminuí-las.

Feita essa ressalva em homenagem aos chatolas da nação, prossigo: os valores masculinos estão em extinção. Ser homem, um dia, significou ser leal, inclusive aos seus inimigos. Significou enfrentar as contingências da vida sem se lamuriar. Significou ter respeito pela privacidade e pela liberdade dos outros, mesmo que você não fizesse o que os outros faziam com a sua privacidade e a sua liberdade.

O homem resistia de espinha ereta. O homem não era sórdido, traiçoeiro, fofoqueiro, manhoso. Ser homem era adjetivo. “Seja homem!”, alguém dizia, e você sabia que tinha de se recompor, você sabia que estava à beira do fiasco.
Isso começou quando esses caras passaram a usar brinco. Sim, eu sei que lutadores de MMA usam brinco. Mas quem diz que um sujeito, por ser mais forte do que os outros, é homem de verdade? O Stephen Hawking não dá em ninguém, e lá está um homem de verdade.

Mas, como dizia, os caras passaram a usar brinco. Lembro quando o Celso Roth mandou um jogador dele tirar o brinco. Ninguém entendeu. Diziam que o comportamento do Roth era anacrônico, ultrapassado. Nada disso. Celso Roth estava tentando fazer um time com homens de verdade. Grande Celso Roth. Sabe das coisas.

Em 1977, o Grêmio montou um time com homens de verdade. O símbolo desse time era o zagueiro Oberdan, que um dia declarou:

— Quando esse time for campeão, ninguém vai chorar.

Aquele time foi campeão. E ninguém chorou.

Aquele time foi campeão contra outro time de homens de verdade. O Inter dos anos 70 era feito por jogadores que andavam com o queixo erguido. Não por acaso, o símbolo daquele Inter era outro zagueiro: Dom Elias Figueroa.

Lembrar de Figueroa faz pensar como o futebol se efeminou de lá para cá. Figueroa quebrava narizes de centroavantes a cotoveladas, Tarciso e Palhinha que o digam. Era errado, todo mundo achava errado, todo mundo continua achando errado e, não, florzinhas, não: não é por isso que Figueroa era um homem de verdade. A violência não faz de ninguém homem de verdade, ao contrário. No caso de Figueroa, o que ele fazia era intimidar o adversário.

Todo mundo sabia disso, inclusive o adversário. Ao tentar a intimidação, Figueroa corria riscos, e os assumia. Podia ser expulso, o que seria ruim. Ou podia encontrar um adversário que não se intimidasse, o que seria pior. Joãozinho, por exemplo, não se intimidava: enfiava a bola goela abaixo do Figueroa de tanto driblá-lo e, assim, o Cruzeiro venceu a maioria dos inesquecíveis duelos dos anos 70 contra o Inter.

Joãozinho era homem de verdade. Os melhores atacantes sabiam ser homens de verdade: Romário nunca reclamou de zagueiro; enfrentou-os. Pelé, se tentassem se meter com ele, teriam troco em gols.

Hoje, mesmo os zagueiros são manhosos. Felipão está tentando ensinar a seus zagueiros como se comportar dentro da grande área: sem queixas, sem hesitações, sem tergiversar, sem brincos na orelha. Como homens de verdade.

Desses que não existem mais.