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O choro de D'Alessandro

18 de novembro de 2014 14

Ainda existe o chocolate Diamante Negro? Eu gostava muito, quando guri, e, mais tarde, já crescido, sentia prazer especial em comer Diamante Negro com café, no bar da redação, em dia de chuva. Tinha de ser em dia de chuva.
O Diamante Negro, não sei se você sabe, foi assim chamado em homenagem a Leônidas da Silva, o Homem de Borracha, inventor da bicicleta no futebol, um dos maiores centroavantes do Brasil em todos os tempos.
Paulão é o Diamante Negro do Inter.
Depois que ele marcou aquele lindíssimo gol numa bicicleta perfeita, domingo passado, D’Alessandro dobrou os joelhos, apoiou a mão na grama do Beira-Rio e pôs-se a chorar.
Fiquei intrigado. Por que D’Alessandro chorava? Era um jogo contra o Goiás, um adversário mediano, assistido por público mediano, um jogo que, a rigor, não decidia coisa alguma. Porque, se o Inter ganhasse, como ganhou, não asseguraria a vaga na Libertadores, como não assegurou. E, se empatasse, como estava empatando, não significaria a desclassificação. Mesmo assim, um jogador já veterano e com vasta história no clube, como D’Alessandro, chorou com o gol marcado.
Por quê?
Aí está. D’Alessandro não chorou por causa do jogo contra o Goiás.
Chorou por causa do Gre-Nal.
D’Alessandro compreendeu o Gre-Nal como poucos jogadores o fazem no Estado, e absorveu o clássico como seu jogo pessoal. O Gre-Nal é, para ele, o que deveria ser para todos os jogadores de Grêmio e Inter: um jogo, mais do que especial, único. Porque o Gre-Nal, de fato, é, mais do que especial, único.
D’Alessandro já sofreu outras derrotas duras e até trágicas no Inter _ ele estava em campo contra o Mazembe, por exemplo. Mas nunca sentiu tanto quanto a goleada sofrida no Gre-Nal da Arena. Via-se isso em campo. D’Alessandro foi o centro de todas, absolutamente todas as confusões ocorridas no clássico, e não foram poucas. Ele se comportava como um garnizé, discutindo sem parar com seu eficiente marcador, Fellipe Bastos, afrontando a quem quer que fosse, reclamando do juiz, do adversário e do mundo, cometendo até faltas desleais, como a que cometeu em Alán Ruiz, e, depois, já no vestiário, pedindo briga com um gandula, imagine só.
Encerrado o jogo, quem se apresentou para as entrevistas no lado do Inter não foi nenhum dirigente; foi D’Alessandro. E, durante a semana subsequente à partida, D’Alessandro passou o que nunca havia passado no Inter, porque houve outras derrotas, inclusive em Gre-Nal, mas não dessa forma acachapante, de superioridade insofismável. Então, D’Alessandro ficou sem voz e sentiu essa derrota como se fosse sua. Era um caso pessoal. Mais do que o Inter, o Grêmio havia goleado D’Alessandro.
Por isso ele precisava da vitória, nesse primeiro jogo no Beira-Rio depois da goleada. Para ter certeza de que a vida seguia em frente. Para que sentir de novo a verdade do futebol: que um jogo após o outro é como um dia após o outro, e que não há remédio mais eficiente para qualquer dor do que o tempo que escorre.
Mas a vitória não vinha, o que, para D’Alessandro, representava a continuidade da dor. Ao vir, na bicicleta do Diamante Negro colorado, D’Alessandro sentiu alívio profundo. E desabou.
Foi bonito.
O choro de D’Alessandro mostra que ele se importa. Mostra que não apenas o Gre-Nal, mas o Inter, o Grêmio, os gaúchos e o que acontece no Rio Grande do Sul fazem diferença para ele. O choro de D’Alessandro é o choro de todo torcedor com a derrota e, justamente por esse motivo, por igualá-lo ao torcedor, torna-o um jogador maior.

Comentários (14)

  • giancarlo diz: 18 de novembro de 2014

    Tenho 46 anos (portanto aproveitei os fabulosos anos 70 dp Internacional) e nunca imaginei que haveria algum dia alguém maior que Falcão. Pois vieram Fernandao, o maior, e D’ale, o melhor.

  • Helinho diz: 18 de novembro de 2014

    Não entendeu o choro.
    Pergunda pra um colorado que ele te explica.
    Chorou porque o ano estava indo embora.
    Chorou porque ele é mais colorado do que eu.

  • Bruno diz: 18 de novembro de 2014

    É incrível como um jogador que vai mal em um jogo, seu time é goleado e ele ainda assim é o mais citado…
    Daí é possível ver a importância desse cara, todo mundo olha pra ele, todo mundo quer escutar ele, todo mundo fica observando o que ele faz.
    Esse é o cara! Dale!

  • luiz diz: 18 de novembro de 2014

    Para entender o choro de D’alessandro não pode ser gremista.

    Você, caro Deivid, poderia entender o choro do Barcos, do Dudu etc etc, mas não do D’alessandro, e a prova disto é esta tese sem fundamento sobre o grenal, tese aliás, que prova mais uma vez suas cores gremistas.

    Nada contra, e nem poderia, você torce para quem quiser. Só não é legal ficar bancando de isento e tripudiar o Inter, nas entrelinhas, sempre que puder.

    Sou teu leitor, por isto, como consumidor do seu produto tenho o direito de reclamar e dizer-te: tá ficando chato esse negócio de você tentar ficar encima do muro enquanto todos seus posts indicam claramente suas cores clubísticas e pintam uma certa ironia com o Inter.

  • donato diz: 18 de novembro de 2014

    Caro David Coimbra:Não quer prosear comigo, o que aconteceu?
    como já dizia um grande sociólogo brasileiro “assim não pode, assim não dá”

  • guilherme diz: 18 de novembro de 2014

    Lembrei do C.Pitbull e Tavareli chorando a segunda divisao…gremio, baita clube! sem mais meritissimo

  • ergio diz: 18 de novembro de 2014

    Mas não está tão difícil assim de fazer a leitura.

    O que o David por seu longo texto está lhes querendo dizer é um:

    FICA, D’ALESSANDRO!

    E eu faço coro.

    Mas aposto um Big Mac que ele não fica até 2017, tempo do seu contrato. Pula da barca antes.

    Chora coirmão querido, que a sua hora mais do que chegou. A era agora é azul. Azul!

  • Henrique diz: 18 de novembro de 2014

    Completando; E o choro do Felipão no vestiário depois do jogo agarrado aos
    jogadores, será que foi pelo resultado, acho que não ele dizia antes que era um jogo igual a todos os outros valia os mesmos 3 pontos, ou será que receberam alguma noticia triste.

  • Diogo Braga diz: 18 de novembro de 2014

    São essa atitudes que fazem dele cada vez mais ídolo.

  • Henrique diz: 18 de novembro de 2014

    Ergio vamos ver se esta hora azul não termina já neste fim de semana, vamos aguardar

  • paulo diz: 18 de novembro de 2014

    David, David,Se atenta a só comentar as coisa do teu time, não seja puxa saco do patrão, deixe o INTER para os outro blogueiros comentarem, vou continuar a ler os teus post,não precisa te preocupar,TODOS NÓS SABEMOS QUE TEU CORAÇÃO É azul!

  • Julio diz: 18 de novembro de 2014

    Quanta ingenuidade, aquele choro é para ele receber um aumento na próxima renovação e se perpetuar com salário ‘astronômico’.

  • filipe diz: 19 de novembro de 2014

    Estão certos o giancarlo e o luiz. O maior e o melhor são esses mesmos. E o gremismo do querido colunista poderia ser assumido, ficaria bonito. Nada em desabono, como o Guerrinha.
    David, faz um texto sobre a bicicleta do Paulão. O fato, as circunstâncias, a beleza, o inusitado etc. Faz aí. Vai começar a nevar mesmo…

  • Henrique diz: 19 de novembro de 2014

    Falta um comentário que postei aqui, não ofendi ninguém, nem a mãe de alguém, não usei palavrões, somente coloquei uma opinião sobre tua mudança
    de conduta e conceitos depois que se mudou p/ai, será que o tiro foi certeiro,
    a minha opinião te acertou de jeito. Para um homem que tem conceitos políticos, que preza a democracia, isto não poderia acontecer, ou então de acordo com os conceitos petistas da qual tu apreciador a DEMOCRACIA VAI ATÉ ONDE ELA ME INTERESSA.

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