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Posts de abril 2015

Presentes de aniversário

30 de abril de 2015 3

Recebi três sonzeiras de aniversário. A primeira da minha amiga Martha Medeiros. Essa:

A segunda dos meus amigos do Timeline. Essa:

E a terceira da minha amiga Marcella Lorenzon, anunciando que também me enviaria uma mulher curvilínea e presidencial. Essa:

O Estado são eles

30 de abril de 2015 6

A negritude de Obama é uma vitória fundamental dos negros americanos, certo?
Errado.

Sou obamista convicto, mas reconheço a melancólica verdade: Obama não representa o negro americano. Porque ele não é descendente de escravos. Seu pai é queniano; sua mãe, branca de leite. Durante a campanha, assessores empenharam-se para lhe traçar a árvore genealógica e tentar provar que, entre seus antepassados por parte de mãe, estava não apenas um escravo, mas o primeiro dos escravos americanos. Claro que poucos acreditam nisso. O que não importa mais: Obama já se elegeu.

Resta a questão: se ele de fato se soubesse descendente de escravos, demonstraria igual confiança e serenidade?

Duvido.

Descendentes de escravos têm história parecida com a de Malcolm X. O pai de Malcolm foi espancado brutalmente por homens brancos e jogado nos trilhos do trem para ser atropelado. Teve o corpo praticamente partido em dois. Sobreviveu por horas, sentindo dores atrozes até morrer. A mãe de Malcolm, empobrecida, acabou enlouquecendo. Ele foi separado dos irmãos e levado para um orfanato.
Existe chance de alguém, com um passado desses, não ser um revoltado?

Os negros americanos são revoltados. Não apenas por sua história privada, mas pela história de seu povo em geral.

São muitos os povos que formam os Estados Unidos, como já disse, e os negros foram colocados abaixo de todos eles.

A infância de um país é como a de um indivíduo: decisiva na formação da personalidade. O Brasil começou pelas capitanias hereditárias, cada qual com um dono. Depois, experimentou um longo período de monarquia.

Então, o comum das pessoas estava posto sob os donatários das capitanias ou sob a nobreza que cercava o rei.

Nos Estados Unidos, os pioneiros fundadores das 13 colônias vieram com suas famílias e estabeleceram-se em pé de igualdade para criar uma nova nação. Nunca houve um rei ou um ditador nos Estados Unidos. Desde o início, alcançou-se consenso no que Rousseau chamava de “contrato social” – quem veio para cá, veio para viver sob a lei. Lei que os próprios colonos escreveram.

O objetivo dos homens que se mudaram para o norte da América era inventar um lugar em que se vivesse com liberdade e igualdade. O objetivo dos homens que se mudaram para o sul da América era ganhar dinheiro.

Os únicos homens aos quais foram negadas a liberdade e a igualdade, nos Estados Unidos, foram os negros. Só em 1865 eles conquistaram a liberdade. Só cem anos depois disso eles conquistaram a igualdade. Assim, os negros sentiam-se oprimidos por todos os brancos, nos Estados Unidos, e sentem-se ainda.
No Brasil, negros e brancos eram oprimidos primeiro pelos donatários das capitanias, depois pelos nobres e, por fim, por todos os que amealham relativa quantidade de dinheiro ou de poder, inclusive eventuais negros ricos e poderosos. No Brasil, não há diferenças significativas entre a miséria de um branco e a de um negro.

É claro que nos Estados Unidos as desigualdades existem e se acentuaram, mas os princípios fundadores do país continuam os mesmos: a mesma intenção dos pioneiros, de dar aos cidadãos garantias de oportunidades iguais e de preservação da individualidade. Os negros, que há apenas 50 anos ganharam os seus direitos civis, se ressentem da opressão dos brancos no sul do país, e os brancos, sentindo esse ressentimento, ressentem-se também.

Os negros pobres brasileiros, de certa forma, irmanaram-se aos brancos pobres brasileiros, e por isso a miscigenação é mais suave no Brasil.

Daí surge a importantíssima concepção que cada povo tem do Estado. Nos Estados Unidos, os cidadãos se sentem formadores do Estado, com exceção dos negros, que não participaram desse pacto. No Brasil, o Estado é uma entidade que está acima do cidadão. O Estado são “eles”, e “eles” estão sempre prontos a nos sacanear. Há muito que falar disso. Mas é assunto para outro dia. Um dia qualquer.

Negros americanos e negros brasileiros

29 de abril de 2015 12

Os vendedores de rua de Nova York oferecem, por um punhado de dólares, uma placa com fotos de quatro dos maiores homens da Humanidade. Quatro negros, postos lado a lado: Martin Luther King, Malcolm X, Mandela e Obama. Por coincidência, três desses homens moraram bem aqui, em Boston. Não por coincidência, os três são americanos.

O fato de três desses quatro gigantes serem negros e americanos diz muito sobre, exatamente, os negros americanos. E explica, em parte, o que está acontecendo em Baltimore e em outras cidades do país, em que negros protestam contra a violência policial.

Curiosamente, tudo isso tem a ver também com o Brasil. Porque Estados Unidos e Brasil partilham o mesmo e enorme pecado: a escravidão. Essa é a causa de inúmeros problemas dos dois países, embora seus efeitos sejam diferentes.

Em primeiro lugar, é preciso compreender que os Estados Unidos são uma terra de estrangeiros. No bairro em que moro, entre 58 mil pessoas, são faladas, oficialmente, 50 línguas. Gente do mundo inteiro convive aqui. Africanos dirigem táxis, vietnamitas são manicures, brasileiros trabalham como faxineiros, colombianos, na construção civil, chineses vendem bugigangas nas ruas, italianos têm restaurantes. Judeus de solidéu, árabes de manto e indianos de turbante brincam com os filhos na mesma praça. Na Califórnia, a segunda língua mais falada é o coreano. Em Boston, 3 mil espanhóis trabalham na sede americana do Santander. No fim de semana passado, houve um festival de cultura nipônica no Common Park, de Boston, com bandas japonesas tocando rock’n’roll.

Não é à toa que a bandeira de listras e estrelas tremula em toda parte. É preciso lembrar às pessoas que elas estão nos Estados Unidos.

O que une todos esses estrangeiros e seus descendentes é que eles estão aqui por vontade própria. Uns vieram “para fazer a América”, outros fugiam da opressão, alguns iam passar um tempo e ficaram, mas todos estão nos Estados Unidos porque querem.

Menos os negros.

Os negros foram arrancados à força da África.

Faz toda a diferença.

Quando a escravidão foi abolida nos Estados Unidos, no fim da Guerra Civil, em 1865, os negros eram cerca de 4,5 milhões, entre quase 40 milhões de habitantes. Quando a escravidão foi abolida no Brasil, um quarto de século depois, os negros eram também 4,5 milhões, só que a população total era pouco mais do que duas vezes isso. Essas proporções mais ou menos se mantiveram. No Brasil, os descendentes de escravos talvez sejam 50% da população; nos Estados Unidos, que têm quase o dobro de habitantes, são 12%.

Esses 12% de negros americanos são, de certa forma, cidadãos apartados de todos os outros cidadãos americanos, entre esses até os que não nasceram nos Estados Unidos. Um negro que seja descendente de pessoas que aqui chegaram em 1620, quando os primeiros africanos pisaram no solo da América do Norte, esse homem com pais, avós, bisavós e tetravós americanos, esse americano antigo de quase quatro séculos, esse americano histórico talvez se sinta menos à vontade nos Estados Unidos do que um russo que chegou no inverno passado e mal sabe falar inglês. E esse sentimento é diverso do sentimento que embala os negros brasileiros. Mas, como o assunto é complexo e rico, vou tratar mais disso amanhã. Não é continuação, não fique brabo. Vou contar por que nosso grande defeito é, de certa maneira, uma vantagem.

Os ricos malvados

28 de abril de 2015 50

Bresser-Pereira disse em entrevista a Zero Hora que os ricos nunca gostaram da democracia e a temem. Preocupante. Porque, afinal, quem são os ricos?

Respondo: os ricos são pobres, só que com dinheiro. Pegue um pobre, abra uma conta bancária para ele e encha-a de reais. Pronto, ele virou rico.

Por exemplo, o Lulinha, filho do Lula, até o pai chegar à Presidência, era monitor de zoológico e ganhava R$ 600 por mês. Agora ele é empresário bem-sucedido e mora num apartamento que vale R$ 6 milhões. Ou seja: Lulinha era pobre e se tornou rico.

A premissa contrária também é verdadeira, e há vários casos que o demonstram. O mais recente e mais notório é o de Eike Batista, que chegou a ser o oitavo nababo do mundo e hoje se repoltreia no pântano infecto da classe média.

Então, está claro que ninguém nasce com o gene da riqueza, que seria uma espécie de inimigo do gene da democracia. Em tese, qualquer um pode ser rico, até o Bresser-Pereira. E aí pulsa e freme a questão: por que uma pessoa, uma vez enricada, começa a odiar e temer a democracia?

Sei qual é o raciocínio do Bresser-Pereira. É o raciocínio do brasileiro em geral: a democracia dá direitos iguais a todos. Logo, o regime democrático diminuiria os privilégios dos ricos. Mas os ricos, obviamente, não querem perder esses privilégios, sobretudo porque sua riqueza é baseada neles. Em resumo, os ricos são ricos porque exploram os pobres. Os ricos são opressores; os pobres, vítimas da opressão. Assim, ricos e pobres são inimigos, são classes em luta eterna, irreconciliáveis por natureza.

Por isso, ganhar dinheiro, no Brasil, é uma vergonha. Se alguém tem dinheiro, provavelmente o roubou. Fazer sucesso é suspeito. Se alguém faz sucesso é porque se vendeu aos ricos.

Já ser pobre pode ser ruim, mas é lindo. Pena que os pobres brasileiros, não lhes bastando a pobreza material, sejam também pobres de espírito. Eles não gostam da Rede Globo porque a qualidade dos programas é ótima, nem do McDonald’s porque o Big Mac é um bom sanduíche, nem da Coca-Cola porque o refrigerante é saboroso, nem do Roberto Carlos porque ele canta bem. Não. Todos esses casos vitoriosos na verdade enganam os pobres. Eles usam de fórmulas malignas que iludem facilmente os coitadinhos, que passam a apreciar coisas horríveis e detestar coisas maravilhosas, como as músicas da Mercedes Sosa, os filmes do Godard e os livros da Virginia Woolf. Que fórmulas são essas? Aí está algo que só os ricos sabem. Há apenas uma maneira de você descobrir: pergunte ao Lulinha.

Nobel da Paz

Não assisti ao Gre-Nal. Pelo menos não a todo. Estava em Nova York, vendo os ricos gastando em dólar. Mas tenho algo a dizer a respeito: essa torcida mista é uma das iniciativas mais inteligentes, sensatas e nobres da história do futebol mundial. Não é exagero. Os dirigentes que a tornaram possível merecem loas e aplausos. Os nomes! Quero os nomes desses gremistas e colorados da paz.

Medo de panela de pressão

27 de abril de 2015 12

Tenho medo de panela de pressão. Já ouvi coisas horríveis a respeito de acidentes que ocorreram devido ao uso enviesado de panelas de pressão. Se você não cuidar, uma panela de pressão pode explodir violentamente e causar danos e mutilações ou coisa pior. Acho que foi a minha mãe que, uma vez, me contou de uma senhora, zelosa dona de casa, que morreu com uma tampada de panela de pressão entre os olhos. Morte inglória. E desagradável, por que a pessoa, além de morrer, não é levada a sério. Você chega ao enterro e pergunta:

– Como se deu o passamento da falecida?

Alguém conta, entre lágrimas:

– Ela estava fazendo feijão com linguicinha e a panela voou bem na cara dela a uma velocidade de 80 quilômetros por hora…

Como você vai ficar compadecido? Não, não, é preciso haver solenidade na morte. O senador Pinheiro Machado, ilustre antepassado dos meus amigos Ivan e Zé Antônio, dizia que suas roupas de baixo eram sempre feitas da mais pura seda, para o caso de ser surpreendido por morte violenta. E, de fato, Pinheiro Machado, “o condestável da República”, foi apunhalado pelas costas no saguão do Hotel dos Estrangeiros, no Rio. Antes de cair, grunhiu:

– Ah, canalha! Apunhalaram-me!

Morreu usando ênclise perfeita e cuecas de seda. Elegância! Isso é elegância, meus amigos!

Elegância é fundamental. Veja o Obama. O jeito que ele caminha. Aquele gingado. Demonstra possuir domínio do próprio corpo. Coisa de atleta – Obama foi jogador de basquete na universidade. E a impostação do homem! A pontuação das frases. Obama nasceu para ser presidente dos Estados Unidos.

Será que seria presidente do Brasil?

Não sei, nossos presidentes sempre tiveram uma aragem popularesca. Collor era o que mais dava importância para a aparência, mas Collor era um brega, ele com aquelas suas camisetas com mensagens. Jânio, conta-se, fazia questão de deixar a caspa nos ombros, para parecer “do povo”. Fernando Henrique dizia ter “um pé na cozinha”. E Lula foi o maior mestre na arte de se mostrar “gente como a gente”, a ponto de falar errado mais por gosto eleitoral do que por incúria verbal.

Mesmo assim, todos cuidavam de certos detalhes que lhes davam distinção, e o maior símbolo disso é a barba embranquecida de Lula, que, tornada barba presidencial, era aparada com critério de ourives. Não havia um fio rebelde, um fio contestador, um fio guevarista naquela barba de número 1 da República.

É por isso que vejo na mudança de imagem de Dilma alvíssaras para o governo federal. Na cerimônia de posse, ela caminhava pesado, roçando pernas, mais arfando do que respirando. Parecia desleixada, e o desleixo é primo-irmão da negligência, característica deplorável em quem tem como missão olhar por todo um país. Mas, nas semanas seguintes, Dilma emagreceu 14 quilos, graças ao tal método Ravenna. Não usa mais aquele conjuntinho vermelho. Está mais disposta. Está… bem.

Tenho convicção de que esse foi um ingrediente importante para que sua popularidade parasse de cair. Dilma fez várias aparições, de uns tempos para cá, e as pessoas viram-na melhor do que estava antes. Intimamente, talvez tenham sentido: por que o governo não pode melhorar também? Pode, claro que pode. Até porque, se piorar… cuidado com o panelaço de pressão!

 

O cachorro Vírgula – final

25 de abril de 2015 13

Eva encheu o bolo de carne moída de veneno. Em seguida, parou, pensou por alguns segundos e examinou o bolo mais uma vez. Era tão grande que tinha de pegar com as duas mãos. Abriu-o de novo. Colocou mais veneno. E mais um pouco ainda, antes de fechá-lo em definitivo. Sorriu. Aquilo mataria um cavalo de circo. O vira-lata não tinha chance nenhuma. Não, ela não ia perder para o cachorro! Saiu para o pátio. Gritou:

– Vem cá, desgraçado! Tenho uma coisinha bem temperada pra te dar! Vem cá, pro teu último almoço, desgraçado!

Naquele exato instante, Cris dizia a penúltima palavra que Eric queria ouvir:

–  Monstro! Você é um monstro! Como é que vai trocar sua mulher por um cachorro?

– Não é uma troca, Cris… É…

– Claro que é uma troca! Você não é um menino, Eric! É um homem! Olha aqui, eu vou te ajudar: vou pegar esse cachorro e levar para o meu sítio. Fica a uma hora daqui. Você pode ir lá todos os finais de semana, para matar a saudade do cachorro.

Eric sentiu a garganta se fechar.

– Mas eu não quero ficar longe do Vírgula…

–  Por favor, Eric! Estou tentando salvar o teu casamento. Pega o telefone. Liga pra ela agora e diz que o problema está resolvido.

Eric fechou os olhos. Respirou fundo. Tirou o celular do bolso.

Quando o celular de Eva chamou, ela tinha acabado de atirar a bola de carne envenenada para Vírgula. O grande pastor alemão olhou a comida e entortou a cabeça para o lado, do jeito que os cachorros fazem quando estão em dúvida. Então, caminhou em direção à carne. Eva deu-lhe as costas e correu para dentro de casa, a fim de atender ao telefone, que havia deixado na cozinha.

–  Eva… – disse Eric, do outro lado da linha.

– Oi…

– Eu… Eu quero que fique tudo bem… Eu… – pensou em Vírgula. Estava traindo Vírgula! Era um miserável, um pulha, mas Cris devia ter razão. Ele tinha de ser um homem. Um adulto. Disse, enfim, antes de desligar: – As coisas vão se ajeitar…

– Eu sei que vão – respondeu Eva, num tom de voz confiante.

Cris, que ouvia a conversa, pôs a mão em seu ombro, depois que ele desligou.

– Por que você não vai almoçar em casa, pra falar com ela antes de ela ir para o jornal? Seja homem. Seja adulto!

Eric balançou a cabeça afirmativamente.

– Vou fazer isso. Vou falar com ela.

No caminho para casa, Eric sentia vontade de chorar, pensando em Vírgula. Será que era normal gostar tanto assim de um cachorro? Será que ele nunca ia crescer? Alguma coisa devia estar errada com ele, porque, na verdade, o que o angustiava era o cachorro, e não a mulher.

Ao abrir o portão de casa, Eric em nenhum momento imaginou a reconciliação com Eva, só pensava que Vírgula viria correndo e feliz em sua direção. Mas Vírgula não veio. Eric estranhou. Caminhou até o pátio, confuso. Nada do cachorro. O que será que havia acontecido?

– Vírgula! – Chamou Eric. – Vírgula!

Dentro de casa, Eva ouviu a voz de Eric e sorriu. Como será que ele reagiria ao encontrar o corpo do cachorro maldito? Ela mesma não sabia onde o bicho havia se metido. A última vez que o vira, ele estava se preparando para comer o bolo de carne. Devia ter ido morrer debaixo da casa ou no fundo do quintal, sabe-se lá.

– Vírgula! Vírgula! – chamava Eric, agora com angústia. E, de repente, ele parou de chamar. Eva esperou. Nada. Silêncio.

Esperou.

Então, saiu para o pátio, a fim de ver o que estava acontecendo. Abriu a porta. Ganhou a rua. E viu os três no meio do pátio: o cachorro, o homem e o menino, Vírgula, Eric e Tiaguinho, perfilados. O cachorro, sentado, com a língua para fora, olhava-a com inocência. O menino, com as mãos na cintura, olhava-a com raiva. O homem, com o bolo de carne envenenada nas mãos, olhava-a com desprezo. Naquele momento, Eva compreendeu tudo. Soube que, por causa do menino, havia perdido o homem para o cachorro.

O cachorro Vírgula – 2

24 de abril de 2015 11

Lágrimas de mulher são criptonita derretida. Nem o Super-Homem pode com elas, que dirá um humilde funcionário público, como Eric. Quando ele disse, serenamente, que queria ficar com o cachorro, e não com ela, Eva desfolhou-se num pranto soluçante que o deixou em pânico. Lidar com uma mulher braba é fácil, lidar com uma mulher triste é impossível. Ao menos para ele, que não era um monstro. Ou achava que não era, porque Eva agora repetia sem parar, sentada no sofá da sala, com o rosto escondido entre as mãos:

– Um monstro, você é um monstro!

Eric abraçou-a, começou a balbuciar desculpas, a dizer que havia sido mal interpretado, que…

– Um cachorro! Você quer me trocar por um cachorro!

– Não! – gritou Eric. – Claro que não. Você me entendeu mal. Não é isso. Imagina…

Eva ergueu a cabeça e fincou-lhe os olhos úmidos, ciciando, entre snifs:

– Você não vai me trocar pelo cachorro?

– Claro que não… Claro que não… – Eric diria tudo para que ela parasse de chorar.

– Você vai se livrar do cachorro?

– Eu… Me livrar do Vírgula? É que…

– Um monstro! Um monstro! – e o choro recomeçou ainda mais galopante, gorgolejante, apavorante, até que Eric jurou que se livraria do cachorro.

Fez o juramento com o coração apertado, mas fez. Só queria que ela parasse de chorar, depois decidiria como resolver a situação. Agora precisava ir para o trabalho. Deixou-a fungando na sala e caminhou até o pátio, como fazia todos os dias. E, como todos os dias, Vírgula correu alegremente em sua direção e Eric de novo sentiu-se um menino e seu coração se aliviou e ele afagou a cabeça de seu amigo e suspirou. Olhou para o outro lado da cerca. Tiaguinho já estava no pátio da casa vizinha, ansioso para brincar com o cachorro. Eric abanou para ele, desanimado, recomendou-lhe que não desse porcaria para o Vírgula comer e saiu.

Como resolver o problema? Se pudesse, deixaria o Vírgula algum tempo com Tiaguinho, mas os pais do menino odiavam cachorro tanto quanto Eva. Além do mais, depois de passar algum tempo imaginando-se novamente solteiro, a ideia da separação parecia-lhe atraente como um chope cremoso. Mas como separar-se sem drama?

Foi essa a pergunta que Eric fez para sua colega Cris, no café da repartição, e o que ouviu em resposta não foi nada agradável. Foi o pior que poderia ouvir.

Não. Pensando bem, não foi o pior. O pior seria ouvir Eva dizer o que estava pensando naquele instante, na casa em que eles moravam, a oito quilômetros de distância. De dentes rilhados e punho cerrado, como um lutador de MMA, Eva terminara de se vestir e se preparava para sair em direção a uma ferragem. Ia comprar veneno para rato. Havia decidido matar Vírgula, atirando-lhe um bolo de carne recheada.

– Ele prefere o cachorro? – disse Eva para si mesma. – Ele vai ver o que vou fazer com esse cachorro! Nunca vou perder um homem para um cachorro!

E saiu, em busca do que, na sua cabeça, seria a reparação da dignidade da mulher. Enquanto isso, Eric ouvia aquela frase terrível da sua colega Cris. Que frase? Bem. Saiba amanhã.

 

O cachorro Vírgula

23 de abril de 2015 9

Quando Eva anunciou, entre dentes, “ou o cachorro, ou eu!”, Eric não teve dúvidas: ficaria com o cachorro.

Amava aquele cachorro. Em sua companhia, sentia-se da melhor maneira que um homem pode sentir-se: sentia-se de novo um menino. Vírgula, esse o nome do cachorro, por causa do formato do rabo, Vírgula era um pastor alemão grande, leal e carinhoso, exatamente o contrário de Eva, uma mulher miúda, às vezes áspera, sempre crítica.

Vírgula adorava seus amigos. Eva os odiava.

Vírgula era popular entre os vizinhos. O menino que morava na casa ao lado, Tiaguinho, brincava com ele e o levava para passear de manhã, quando Eric estava trabalhando. Eva nem cumprimentava os vizinhos, e Tiaguinho sentia medo dela.

Vírgula estava sempre pronto para o que Eric quisesse fazer, fosse ficar em casa, fosse dar uma volta na quadra, fosse ir para Paris, se um dia pudessem ir a Paris. Não interessava, Vírgula gostava de tudo. Eva não gostava de nada.

Verdade que ele não fazia sexo com Vírgula, mas o sexo com Eva também já não era mais essas coisas. Além disso, para Eric, a humanidade superestimava o sexo. A maior parte dos sacrifícios e desatinos das pessoas, neste mundo, acontece por causa do sexo, que, ao fim e ao cabo, não passa de um prazer fugaz. Um jantar simples e bem feito, digamos, uma massa à bolonhesa coberta de queijo parmesão, acompanhada de um tinto honesto, esse prato barato pode fornecer mais satisfação, durante mais tempo, do que uma sessão de sexo acrobático com a Megan Fox. A diferença é que o sexo com a Megan você conta para os amigos; a massa, não.

Sim, o sexo é valorizado em demasia. Eric podia ficar longo tempo sem sexo. Mas não conseguia ficar uma semana longe de Vírgula. Quando estava trabalhando, Eric às vezes pensava na volta para casa, no momento de chegar e ser recebido por Vírgula. O cachorro expressava alegria genuína ao reencontrá-lo. Pelo abanar frenético do rabo e por seus olhos molhados, Eric via que Vírgula sentira sua falta. Eva, não. Eva esperava-o sentada diante da TV e, antes que ele pudesse falar Cucamonga, ela já estava vomitando os problemas do seu dia agitado e fundamental para os rumos da humanidade.

Eva era jornalista. Durante a convivência com ela, Eric havia aprendido a desprezar jornalistas. Não os odiava: eles apenas o aborreciam. Estavam sempre julgando tudo e todos. Mas isso nem era o pior. O pior era quando manifestavam seu amor por pobres e oprimidos e escreviam textos supostamente poéticos sobre isso no Facebook. Eric sentia vontade de vomitar.

Eric não passava de um funcionário público, não tinha feito faculdade, não se podia dizer que ganhasse um bom salário, mas isso não significava que se sentisse oprimido, que achasse que os bem-nascidos eram melhores do que ele ou privilegiados em relação a ele, ou que ele era vítima. Não. Eric estava contente com o que tinha, sua pequena casa, seu emprego, seu carro usado e, sobretudo, seu cachorro. Não sentia a mínima vontade de se manifestar contra ou a favor de nada, pouco se lixava para quem era o presidente, só votava porque era obrigado, não achava nem bom nem ruim que tivesse beijo gay na novela e ficava com sono quando ouvia os amigos jornalistas da sua mulher discursando em mesa de bar contra os preconceitos da sociedade hipócrita e conservadora. Um deles, um colunista, o irritava em especial, porque Eric tinha certeza de que era um gremista enrustido, e Eric era um colorado assumido.

Eric queria viver a sua vida sem ser incomodado. Por isso, considerou atraente a ideia de Eva ir embora e ficarem só ele e Vírgula em casa. A paz! Sim, isso poderia significar a paz. Olhou para Eva, pronto para responder:

– Vou ficar com o cachorro.

Achou que tudo se arranjaria a contento com aquela resposta. Mas estava enganado. As coisas ficaram bem ruins para ele. E piores para Vírgula. Saiba como ficaram… amanhã!

Eu sou bom, eu sou bom, eu sou bom, eu sou bom, eu sou bom

22 de abril de 2015 25

Napoleão dizia que a única figura de retórica é a repetição. E é. Diga a coisa mais certa de todas as coisas uma única vez, e serão palavras ao vento. Diga a coisa mais errada de todas as coisas várias vezes, e é como se você tivesse aberto um caminho sob o sol.

É o princípio da propaganda. Você fala que algo é bom e fala de novo e não cessa de falar, e as pessoas começam mais a sentir do que pensar:

– Se ele está repetindo tanto isso, deve ser verdade.

Nesse momento, elas classificam mentalmente aquilo como “bom” e, a partir daí, é difícil remover o rótulo. O corpo e a cabeça dos seres humanos lutam todos os dias pela rotina, pelo deleite da inércia. Se o ser humano está em movimento, há de ser MRU, Movimento Retilíneo Uniforme. Porque toda mudança é violenta, toda mudança causa dor, mesmo que seja para melhor.

Há 500 anos, viveu um gênio que desvendou esse mistério do funcionamento do cérebro. Era o jesuíta Matteo Ricci, provável antepassado de um dos mais cerebrais meias do Grêmio, Tadeu Ricci, craque esquecido do futebol brasileiro.

Pois Matteo, não Tadeu, desenvolveu um método para combater, justamente, o esquecimento. Chamava-se Palácio da Memória. Matteo ensinava as pessoas a construírem um palácio imaginário, a fim de colocar em cada salão, em cada armário, em cada gaveta, uma informação. Quando elas precisavam da informação, era só buscá-la no local em que a haviam guardado.

Genial. Porque o cérebro faz exatamente isso: classifica, compartimenta e arquiva informações. Depois que a informação está arquivada, a tendência é que permaneça como está, porque dá muito trabalho fazer todo o processo de novo.

Vou tomar como exemplo reações a algo que escrevi outro dia. Não, não estou respondendo às críticas. Se fizesse isso, passaria todo o tempo escrevendo sobre o que escreveram sobre o que escrevi. É apenas um bom e recente exemplo. Escrevi que Mandela, antes de ser sábio, foi imbecil. E foi. Era um terrorista, e o terrorista está sempre errado, não importa a sua causa, porque ele fere inocentes intencionalmente. Uma guerra pode ser justa; o terror, jamais.

Ora, as pessoas têm Mandela rotulado no cérebro como “bom”, o que, aliás, está no meu cérebro também. Fiel à máxima de Napoleão, vivo repetindo que Mandela é o maior gênio político da História. Mas, quando digo que ele, em algum momento, fez o mal, essa frase produz uma descarga no cérebro das pessoas: o quê? Tenho de repensar algo que já está classificado? Não mesmo! Mandela está na gaveta dos bons e não sairá de lá! Agora, você é que vai para a gaveta dos ruins!

É assim: a gaveta do bom, a gaveta do ruim, a gaveta do certo, a gaveta do errado. É algo que pode ser divertido. Quer ver?

Quem está em todas as gavetas do “ruim”? Hitler. É uma delícia usar Hitler como argumento. Você é vegetariano? Hitler também era. Você gosta de cachorro? Hitler também gostava. Se algumas pessoas amavam Hitler, talvez ele tivesse algo de positivo. Você é capaz de reconhecer essa verdade? Seu nazista!

Assim o impeachment – estou escrevendo tudo isso para chegar ao impeachment. Um presidente eleito pode sofrer impeachment no Brasil? Claro que sim. Já aconteceu. Mas o impeachment só pode ser cogitado se estiver comprovado que o presidente cometeu um crime. E não crime de responsabilidade fiscal, por favor! O atual governo não é ruim; é péssimo. Mas é legítimo. Ficar repetindo o grito de impeachment não vai lhe tirar a legitimidade. Pedir impeachment sem causa concreta e prova provada é uma coisinha que você pode arquivar naquela gaveta da sua cabeça em que está escrito: “Bobagem perigosa”.

Coxinhas armadas tentam fazer a revolução

21 de abril de 2015 16

Leio na Zero Hora sobre “movimentos revolucionários” que existem no Rio Grande do Sul e no Brasil. Um dos grupos se intitula “Unidade Vermelha – Organização Revolucionária Nacional Libertadora (UV-ORNL)”.
É reconfortante saber que alguém está lutando para nos libertar. Não sei exatamente do que, mas isso não importa, sempre sou a favor de ser libertado.
Movimentos revolucionários em geral tentam derrubar governos. Ou seja: a UV-ORNL é coxinha. Não pensei que os aecistas chegariam tão longe.

A falta que a mãe faz

21 de abril de 2015 7

Em todas as vezes que visitei a Fase, a antiga Febem, nunca encontrei um menino egresso de família constituída e atuante, e por atuante refiro-me a pai e mãe preocupados com a educação dos filhos. Nunca encontrei um único, nunca. Em geral, o pai era ausente, ou inexistente, ou bêbado, ou drogado, ou coisa pior. Volta e meia, a mãe também era isso tudo, principalmente coisa pior.

Pode ter sido falta de sorte minha, mas duvido – fui muitas vezes à Fase. Aposto uma nota verdinha com o retrato de Benjamin Franklin que nem 10% dos internos foram criados por pai e mãe zelosos.

Com isso estou dizendo o óbvio: que a família é o mais importante na educação de uma criança. E foi essa obviedade que disse o secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, ontem, em entrevista à Gaúcha: era melhor, para os filhos, quando as mães ficavam em casa, cuidando deles.

Alguém pode dizer que isso não é verdade?

É claro que é.

Sendo assim, por que a antiga fórmula composta por “pai provedor” e “mãe do lar” não funciona mais na sociedade ocidental? Porque a sociedade ocidental mudou. Está sempre mudando. Dia a dia. É muito difícil fazer um retrato da sociedade, porque ela é um rio em constante movimento.

A Revolução Industrial, as guerras e as crises econômicas jogaram a mulher no mercado de trabalho. O que pode ter sido bom para algumas mulheres e nem tanto para outras. Muitas queriam ficar em casa, cuidando dos filhos. Dessas, uma parte não pode, porque simplesmente tem de trabalhar. Outra parte, que pode, não quer porque, para determinada classe social, “pega mal” a mulher não ter emprego.

No Dia das Mães, que se aproxima, você vê aqueles anúncios venerando a “Super-Mulher”, que bota um tailleur para a reunião da empresa, um avental para cozinhar para os filhos e uma malha de academia para deixar o corpo enxuto como o de uma Gisele. É uma sacanagem. Como exigir isso de qualquer pessoa, mulher ou homem?

Como dizia Jesus, ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Uma mulher com grande responsabilidade profissional, ou com um trabalho muito estafante, não terá tempo nem energia para cuidar dos filhos como cuidaria se estivesse o dia inteiro em casa. Não há como, por melhor mãe que ela seja ou pretenda ser.

Mas a vida também é regida pela lei das compensações. As mulheres não são mais como eram, e os homens também não. À medida que as mulheres tiveram de se afastar dos filhos, os homens se aproximaram deles. Hoje, os homens são melhores pais, exatamente porque há espaço e necessidade para isso.

O problema é que não é suficiente. Pais e mães conscientes estão perdendo a disputa para a degeneração social, aliada à incúria do Estado nas suas tarefas básicas de educação e segurança pública. E é aí que entraria o secretário. Ele pode estar certo na sua análise da responsabilidade da família pela falência moral do país, mas está sendo omisso ao não admitir a própria responsabilidade. Ele não está fazendo a parte dele. E, na parte dele, há muito para fazer.

O secretário está certo: mãe em casa é o melhor para os filhos

20 de abril de 2015 24

Não entendi a polêmica a respeito da declaração do secretário de segurança do RS.
É óbvio que uma mãe em casa é o melhor para os filhos.
Assim como é óbvio que a culpa pela degeneração das famílias e da sociedade não é das mulheres.
As mulheres foram obrigadas a ir para o mercado de trabalho por questões históricas, econômicas e sociais.
Ah, muitas mulheres querem trabalhar? Claro que sim. Mas não tenho nenhuma dúvida que muitas também quereriam ficar cuidando dos filhos.
O mundo mudou, está mudando sempre. Às vezes para melhor, às vezes para pior.
As mulheres ocidentais, hoje, têm tanta liberdade quanto os homens, e isso é ótimo para as mulheres e para os homens. Mas, como tudo na vida, para gozar dessa liberdade é preciso fazer escolhas, e toda escolha implica em perdas, em renúncias. Você ganha de um lado, perde de outro.
Uma mulher com grandes responsabilidades profissionais não terá tanto tempo, energia e concentração para cuidar dos filhos, por mais que ela se esforce.
Nada substitui as figuras do pai e da mãe na família.

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20 de abril de 2015 0

Uma cusparada na cara

20 de abril de 2015 20

O Millôr Fernandes e o Chico Buarque não se davam. O Jaguar conta que, uma vez, o Chico entrou num bar no Leblon, viu o Millôr sentado, foi lá e acertou-lhe uma cusparada na cara. O Millôr, furioso, jogou a mesa em que estava e tudo o que havia sobre ela no Chico, e errou. Aí o Chico deu mais uma cusparada nele e acertou de novo. Aí o Millôr atirou outra mesa no Chico e desta vez acertou também.

Entrevistei o Millôr em seu estúdio em Ipanema, em 2007. Sobre o Chico, ele repetiu uma sentença que o ouvira pronunciar em alguma entrevista:

– Sempre desconfio de quem lucra com sua ideologia.

Fiquei com essa frase para mim. Mas a adaptei. Digo o seguinte: sempre desconfio de quem tem ideologia.

Não ideia. Não ideal. Ideologia.

O homem que se guia por dogmas os coloca acima das pessoas. Quem não partilha de seus dogmas é contra ele.

Os maiores homens da Humanidade, os que conseguiram os maiores avanços, as conquistas mais profundas e duradouras, conseguiram por colocarem as pessoas acima das ideologias.

Vou pegar dois: Martin Luther King e Nelson Mandela.

Mandela, antes de se tornar sábio, era um imbecil. Era um terrorista sanguinário, um esquerdista radical, obtuso como todos os radicais. Precisou passar o período de toda uma geração na cadeia para aprender a se tornar gente e, tornando-se gente, compreendeu o óbvio: que ninguém constrói nada com destruição. Ao sair da prisão, ergueu uma obra única na história da política mundial apenas com gestos e palavras, e em apenas quatro anos. Estive na África do Sul e testemunhei o poder do verbo de Mandela. Só com a palavra, ele conseguiu a pacificação de um país que tinha tudo para atravessar séculos ardendo nas labaredas da guerra civil.

Luther King fez algo parecido, só que sem ter mandato. Luther King era uma espécie de Ghandi dos negros americanos – defendia a resistência pacífica como método de mudança. Sua nêmesis era Malcolm X, o pregador da violência. Ambos viveram aqui perto de onde moro, em Boston. Luther King formou-se na Boston University, Malcolm formou-se nos bares de blues e jazz. Examinando o que um e outro conseguiram, resta claro que Luther King estava certo, e Malcolm, errado. O próprio Malcolm reconheceu isso. Depois de uma viagem a Meca, voltou aos Estados Unidos decidido a mudar de estratégia, mas não teve tempo: morreu assassinado com 16 tiros no coração.

Todas essas histórias mostram o mesmo: a verdadeira mudança só ocorre quando as pessoas estão acima das ideologias, nunca o contrário. No caso do Brasil, essa máxima é mais do que norma: é lei pétrea.

Lula foi bem-sucedido quando compreendeu isso e amaciou o PT. Mas alguns confundiram suavidade com permissividade, e as relações se tornaram ásperas, e muitos brasileiros foram para os extremos. Assim não vai dar certo. Tenham todos, Chicos e Millôres, Lulas e Aécios, tenham todos uma certeza: de que nada que está nos extremos dá certo, no Brasil.

Inter venceu com as mãos no bolso

19 de abril de 2015 9

O Inter ganhou bocejando do Brasil de Pelotas.
Não precisou nem de muito empenho para vencer.
Aguirre tem dois times bons nas mãos.
Alex, Valdívia, Lisandro Lopes e outros podem muito bem jogar no time principal.
Essa fartura talvez dê ao Inter um certo favoritismo para os Grenais, mas, desta vez, não se pode afirmar qual dos dois, Grêmio ou Inter, é de fato o melhor.
O importante é que o Gauchão será decidido no clássico. Gre-Nal decisivo sempre é bom para o futebol gaúcho.