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Como é realmente o Brasil

18 de junho de 2015 17

“Como é, realmente, o Brasil?”, pergunta-me Richard, americano que uma só vez afundou os tornozelos pálidos na areia de Copacabana e, desde então, passou a interessar-se por tudo o que se relaciona com o Patropi de Ben Jor e Bündchen. O Brasil vive a desconcertá-lo, suspira.

Penso um pouco antes de responder. Como é, realmente, o Brasil?

Rick diz não saber, por exemplo, se o brasileiro é alegre ou agressivo.

Bem. Decerto que o brasileiro é povo alegre. O que não significa que não seja, também, violento. Curioso isso, porque o Brasil não é um país guerreiro. Os Estados Unidos, sim. Um soldado é olhado com admiração, nos Estados Unidos. As pessoas não deixam que um soldado entre numa fila e, nos restaurantes, não raro ele é dispensado de pagar a conta do jantar. Porque, afinal, os Estados Unidos estão sempre envolvidos em alguma guerra. O Brasil, quase nunca. Mesmo assim, o brasileiro mata, sobretudo outros brasileiros. Em um ano, morrem mais brasileiros assassinados do que todos os americanos mortos em mais de uma década de guerra no Vietnã.

É que é muito fácil arrumar uma arma de fogo no Brasil, conto a Rick, e ele balança a cabeça em sinal de compreensão e lembra que em vários Estados americanos as armas também são livres – no Oregon, você vê um pai com um nenê no colo e uma pistola na cintura. Mas aí quem balança a cabeça sou eu, só que em negativa, para contar que, não, não é o que ele está pensando, não existe essa liberdade de posse de armas no Brasil, só que as pessoas têm armas. O problema é a lei, observo. Não que as leis não sejam boas. São. A Constituição do Brasil é avançada e tudo mais. Mas as leis não são cumpridas. Quer dizer: são cumpridas, mas apenas por quem está dentro da lei. Os descumpridores da lei, quando apanhados e condenados, o que acontece é que a pena deles é muito branda. O que não quer dizer que as cadeias não estejam cheias. Estão. Prende-se bastante, no Brasil, só que muitos que são presos de manhã são soltos à tarde, nem vão para os presídios, e os que vão para os presídios às vezes cumprem penas leves para crimes pesados, embora vários nem tenham sido julgados ainda e continuem presos. Então, a condenação, no Brasil, é terrível e suave ao mesmo tempo, porque muitos pobres que são presos não têm condições de pagar uma defesa decente. Lembre-se, Rick: o Brasil é um país de pobres, mesmo que seja a oitava economia do mundo. Na verdade, o Brasil é rico e o povo é pobre, o Estado arrecada fortunas, mas está sempre quebrado, o que não significa que seja um Estado pequeno, ao contrário, é um Estado gigantesco, porém fraco, ele está em toda parte e se mete em tudo, sem de fato fazer nada, e assim as pessoas ficam esperando muito do Estado e o Estado até concede muito, só que não o que deveria conceder, como educação, segurança e saúde, que ele até concede, mas não como tinha de ser. Aliás, o nosso sistema de saúde é melhor do que o americano, ainda que o americano funcione e o brasileiro, não. Isto é, trata-se de um excelente sistema, pena que não tenha dado certo, como todo o resto, entende?

Richard me olha, piscando. E repete:

– Mas como é, realmente, o Brasil?

Fecho os olhos. Abro.

– Alegre – respondo, suspirando. – Pode dizer pra todo mundo que o Brasil é alegre.

Comentários (17)

  • Machiavellirs diz: 18 de junho de 2015

    O SISTEMA CONSOLIDADO

    Como é realmente o Brasil no meu ponto de vista o Brasil é um país sem solução.

    Digo sem solução porque não vejo na cara daquelas pessoas responsáveis pela condução deste país de merda, como diria o Lula, pois não vejo na cara daquelas pessoas que fazem parte do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, nenhum traço de ética, moral ou honestidade.

    Vejam por exemplo, o pessoal do STF. Você acha que aqueles ministros que fazem parte do STF são confiáveis? Você entregaria a sua bolsa com um bocado de dólares para um deles guardar? E o pessoal do Legislativo? Você entregaria a sua bolsa com um bocado de dólares para um deles guardar? E o pessoal do Poder Executivo? Será que os escândalos do Mensalão e do Petrolão não mostram o verdadeiro perfil dos responsáveis pela condução do Poder Executivo?

    Então, na realidade, estamos num mato sem cachorro, como se costuma dizer.
    O Brasil, infelizmente, vai continuar sendo um país conduzido por pessoas que não estão preocupados com os princípios relacionados à ética, à moral e à honestidade. É um sistema que já está consolidado.

  • Xcake diz: 18 de junho de 2015

    A expressão não é bem esta, de que somos um país alegre. Não, claro que não é.

    Veja como se encaixaria melhor se você dissesse ao Richard que o Brasil é um país “bobo alegre”. Então, alegre, mas bobo, bem bobo.

    bo·bo |ô|
    (origem duvidosa)
    substantivo masculino
    1. Indivíduo que antigamente fazia parte da corte dos reis e do pessoal dos nobres, para os divertir fazendo figuras ridículas. = BUFÃO, BUFO, MANINELO, TRUÃO
    2. [Brasil: Rio de Janeiro] Relógio.
    adjetivo e substantivo masculino
    3. Que ou quem é engraçado, divertindo os outros com esgares e ditos espirituosos ou tolos. = CHOCARREIRO, PALHAÇO
    4. Que ou quem revela superficialidade, frivolidade. = FÚTIL
    5. Que ou quem revela falta de inteligência. = ESTÚPIDO, IDIOTA, IMBECIL, PATETA, TOLO
    6. Que ou quem é muito .ingénuo. = SIMPLÓRIO, TONTO
    adjetivo
    7. [Brasil] Que não tem importância (ex.: receio bobo). = INSIGNIFICANTE
    8. [Brasil] Que demonstra espanto, surpresa (ex.: eles ficaram bobos com a notícia). = PASMADO
    Plural: bobos |ô|.

    Resultados da pesquisa
    Bobo alegre – Dicionário inFormal
    http://www.dicionarioinformal.com.br/bobo%20alegre/
    Significado de bobo alegre . O que é bobo alegre: Pessoais que ficam alegres com qualquer coisa, por mais simples que sejam.
    Significado de bobo feliz: O mesmo que bobo alegre.

    O Brasil é um país que a todo o momento coloca a carroça na frente dos bois. E foi assim provavelmente durante toda a sua história. Por que? Porque é um país bobo alegre. O Brasil como país jovem e bobo alegre que é, olha para o exterior, vê o que tem de bom e moderno por lá, e trata imediatamente comprar a ideia. Olha, óbvio, para países como Noruega, Suécia, Alemanha, Dinamarca! Não vai olhar para uma China, Índia ou qualquer outro latino, que ali só tem países paupérrimos ou, no máximo, medianos. E não só olha. Trata logo de implantar as ideias boas e belas.
    Olhou pra lá e viu a tal de seguridade social. Implantou sem hesitação. Prescindiu de qualquer cuidado em saber se havia as condições técnico/financeiras para isso. Olhou noutro momento para lá e disseram-lhe que o moderno é trabalhar apenas seis horas por dia. Implantou imediatamente, ao menos nos quadros públicos e repartições descompromissadas com a realidade. Afinal, o Estado tem que dar o exemplo. Depois olhou para o arcabouço jurídico institucional do mundo e quer fazer algo que seja a perfeição. Então, como é um muito difícil (para não dizer impossível), não faz absolutamente nada, fica paralisado. Mas tratou de fazer uma constituição quase perfeita – mas para um destes países nórdicos -, sem qualquer preocupação em ser coerente com a nossa pobre realidade. Mas perfeita com a teoria.

    Bem, muito se poderia falar e descrever. Mas vou parar por aqui, pois estão me chamando para trabaiá. Nem vou reler e corrigir qualquer erro de grafia e truncamento. Não há tempo.

  • Dontknowwhoiam diz: 18 de junho de 2015

    Estava há muito tempo tentando responder esta questão. Agora está respondido. Parabéns.

  • Jairo Ctba. diz: 18 de junho de 2015

    Acabei de ler nesta mesma ZH de hoje, que um desembargador paranaense do TRF4, que estava afastado pelo CNJ por venda de sentença, foi aposentado com salário integral e, além disso, recebeu R$ 380 mil de venda das férias durante o período de quatro anos em que esteve afastado face o processo administrativo.
    Quer dizer: agiu de forma absolutamente contra a lei e a ética e, ao invés de ser demitido por justa causa e preso, foi aposentado com vencimento integral, tendo recebido pela venda de férias (duas por ano, lembre-se) mesmo sem ter trabalhado no período.
    Que país é o Brasil? um país de 10% de pessoas que são beneficiadas como o ´ilustre´ magistrado e 90% de idiotas que aceitam isto pacificamente.
    O Rio Grande do Sul está falido, mas absolutamente todos os magistrados e membros do Ministério Público, do Executivo e do Legislativo e demais funcionários públicos de médio escalão para cima estão muito bem, obrigado.
    Sinto vergonha de ser brasileiro.

  • Souza diz: 18 de junho de 2015

    Nosso País teve a infelicidade de ser colonizado pelas piores castas sociais de Portugal, Itália, Alemanha e outros menos favorecidos. De Portugal, vieram os açorianos que, para seu país, eram uma pedra no sapato. Da Itália vieram os do norte, de uma miséria sem par, tendo sido uma limpesa italiana a sua exportação. Dos Alemães, algo semelhante e assim sucessivamente. Até refinarmos esta cultura e sermos um povo pensante e realmente dono do seu destino, vai longe. A saída seria por uma educação qualificada e aí, com nossos comandantes, a coisa fica quase inimaginável. Aliás, para eles, quanto mais assim ficar, melhor!

  • Antonio Silva diz: 18 de junho de 2015

    Olá, pessoal.
    Sei como é bom ler um livro, se divertir, aprender, viajar… Imagina então conseguir publicar um?
    É por isso, que venho até vocês para apresentar o meu projeto, apresentar o meu livro de poesias.
    O Livro Amor, Sexo e Outras Drogas é uma seleção de poesias, para poder publicar a melhor forma que encontrei foi através do financiamento coletivo, ele funciona assim:
    Você entra apoia o projeto e escolhe o valor que mais lhe agrada, assim quando o livro for publicado você recebe de acordo com a recompensa que escolheu.
    Por isso, mais uma vez eu peço me ajudem a tornar esse sonho realidade, apoiem meu livro.

    Segue o link: http://bookstart.com.br/pt/amoresexoedrogas
    -

  • Genimar diz: 18 de junho de 2015

    Usaste a palavra correta, David: alegre.

    Sim, o brasileiro é alegre. Mais precisamente: bobo alegre!

  • Marco A diz: 18 de junho de 2015

    Seguindo a linha do Antonio Silva, vou argumentar sobre o texto do David…

    Receita de pamonha assada:

    Ingredientes
    5 espigas de milho
    1 copo de 300 ml de leite
    1 caixa de leite condensado
    2 colheres de sopa de açúcar
    1 colher de manteiga
    500 g de queijo fatiado

    Modo de Preparo

    Retire o milho das espigas, coloque no liquidificador, juntamente com todos os ingredientes restantes, menos o queijo
    Bata até fica homogêneo
    Depois de batido, coloque na forma untada, acrescente o queijo fatiado por cima e leve ao forno por cerca de 30 a 40 minutos, espere a pamonha ficar gratinada por cima e retire do forno

  • Roberto Nunes diz: 18 de junho de 2015

    Já ouvi de meu pai, que viveu seu auge na década de 50, que ele se orgulhava de ser brasileiro.

    O Brasil era famoso, por produzir o melhor sapato do mundo, tinha o melhor café do mundo,etc… Aqui não faltava alimento para o povo.

    A Europa mendigava coisas para o Brasil, até açúcar…

    Até o EUA pós guerra, não tinha alimento suficiente para seu povo, no que o Brasil era seu grande fornecedor.

    Os melhores países do mundo tinham dívidas com o Brasil, e o brasileiro tinha até auto estima.

    Bom, o que nos restou de auto estima foi o futebol… futebol? :o

    kkkkkkkk

    Aqui no Brasil não se vê mais gente idealistas querendo ver o sucesso do Brasil, se vê gente querendo, ambicionando cargos de outros, por isso torce faz com que o BRasil se dê mal, ou é por que é o PT ou outro que está no poder, etc…

    Tem gente que torce e tem gente que faz a inflação crescer prejudicando o Brasil e todo o povo, pq é contra um presidente ou um partido.

    Se não existir gente “BRASILEIROS”… Gente que queira que o Brasil se de bem em primeiro lugar e independente de tudo… ele não vai ser.

    Se as pessoas responsáveis, realmente forem responsáveis tudo vai melhorar….

    Não adianta ter governador, coronel ou general, se não ligam se há violência, assalto não sendo no seu bairro, ou que ameaçam seus familiares…

  • Ernesto diz: 18 de junho de 2015

    David,
    Somos isso sim um povo apavorado, um povo sem Educação, sem Saúde, sem Segurança em fim sem nada e pra completar um povo completamente Passivo, Acomodado e Covarde.
    Covarde porque aceita ser Roubado descaradamente por Políticos Sujos sem Caráter, Bandidos de toda a Espécie, Por Governantes e por ai vai.
    Você deveria ter falado isso, mas é preciso Coragem meu caro porque além de tudo somos hoje um povo sem esperança, um país de pura Esculhambação.
    Me responda o que é preciso pra colocar toda esta corja na Cadeia depois de tudo que foi roubado?????
    Aqui não tem solução pra gente honesta que paga seus impostos.
    As únicas coisas que funcionam nesta merda de país são Cobrança de Impostos, as Multas aplicadas e algumas coisas do setor privado.
    Infelizmente estou junto neste bolo e tenho vergonha de não ter coragem pra fazer deste país um mundo melhor.

  • Paulo Mayer diz: 18 de junho de 2015

    Mais um entre tantos maravilhosos textos Davi.

    Os EUA, principalmente em Boston, é tão bom assim de morar?
    A cada novo texto em que relaciona e às vezes compara o Brasil com os EUA, tenho mais vontade de conhecer esse país, principalmente a cidade onde mora, e quem sabe até residir aí.

    Parabéns pelos textos e força no tratamento.

    Abraço

  • Stanley diz: 18 de junho de 2015

    Parabéns David, um ótimo texto, um ótimo exercício de tentar dizer como realmente é o Brasil. Eu não conseguiria ser tão eloquente. Apenas diria: é legal, mas é xarope; é bom, mas é uma “M” ; a Constituição e as leis são ótimas, ‘só que não’…
    Tenho 50 anos e nenhuma esperança de que nosso País um dia vai melhorar. Quem vê as notícias do dia a dia, de olhos bem abertos e com alguma lucidez, não consegue nutrir esperança. Antes eram apenas os “políticos” os corruptos, agora o Judiciário também entrou nessa, perdeu a compostura e resolveu meter a mão no cofre da Nação, criando ainda mais benefícios (já haviam muitos!). Os médicos que temos, na maior parte, estudaram em ótimas escolas particulares, cursaram as melhores universidades públicas porque conseguiram se preparar melhor que os concorrentes ao vestibular… e depois de formados querem mesmo é fazer fortuna. Esses são apenas 2 exemplos, haveria muitos mais a elencar, mas não quero me estender.
    Puts, sem chances, está tudo errado. Ainda acho que a saída é pelo aeroporto. Pago fortunas com segurança privada (não sou rico, longe disso!, sou apenas classe média-média) e com escola particular para meus filhos e os incentivo a tentar cursar universidade fora do Brasil. Assim que eles saírem daqui, eu e minha esposa também iremos embora. Patriotismo é besteira quando se nota o planeta cada vez mais globalizado, as distâncias menores e quase todos falando a mesma língua.

  • Xcake diz: 18 de junho de 2015

    Bem, como diz o David, eu tergiversei um tanto aí acima. Mas o que queria de fato era chegar na questão do desarmamento. E pra isso tinha que citar a ideia de “colocar a carroça na frente dos bois”, ou poderia usar o “dar o passo maior que a perna” – qualquer um serviria.

    Vejam… Como seria se te levassem para a selva africana – mas naquele tempo que o Tarzan por lá viveu, minada de leões, leopardos, guepardos, pumas, crocodilos, hienas, etc. Nada de veadinhos, servos, gnus e zebras. Estes singelos todos teriam sido dizimados pelos algozes predadores. Só teriam restado as feras, e estariam todas famintas pela severa escassez de presas fáceis. Este seria um primeiro cenário.

    Aí te dessem duas opções: 1. Vamos te largar sozinho aí dentro desta selva, com estes bichos famintos, sem qualquer arma; 2. Há uma segunda opção a sua disposição. Se você preferir, podemos disponibilizar um punhal (igual ao do Tarzan) e mais uma arma de fogo de pequeno porte – aquele que você preferir.

    Qual seria a sua escolha será? Não preciso escrever aqui a resposta, por ser óbvia.

    Um segundo cenário: imaginemos que todos os leões e esposas, e todas as outras feras, estivessem agora num cenário em que foram todos domesticados. Eles estariam todos devidamente alimentados, acostumados ao convívio humano como se cachorrinhos poodles ou labradores fossem, que preferem a morte a morder o couro de um Homem. Mesmo assim, também haveriam inúmeros guardas florestais bem armados e preparados para lidar prontamente se uma desses feras poodle tivessem alguma recaída para seus instintos longínquos. O ambiente seria de risco igual a possibilidade de um poodle resgatar algum instinto assassino que algum dia teve lá no seu passado ancestral. Pra descrever definitivamente a sensação de segurança desta selva, imagine aí que todos as feras foram desdentadas, são banguelas. E também tem as unhas aparadas semanalmente. Logo risco próximo a zero. E então lhe dissessem que você passaria uma semana ali, com os poodles. E lhe perguntassem: se quiseres, podemos disponibilizar-lhe um punhal igual o do Tarzan e uma arma de fogo de pequeno porte a sua escolha. Qual seria a sua resposta, inteligente que você é? Lógico que você iria pensar que entrar com a arma poderia significar mais risco. Uma, que você próprio poderia ferir-se com ela. Outra, que um dos guardas poderia confundir-se com algum movimento brusco que você viesse a fazer, pensando que pudesse estar pensando em matar algum dos bichinhos, e, então, lhe alvejasse com um balaço. Assim, você, obviamente, sentiria mais segurança de entrar sem a arma. E de preferência informar a todos os guardas que assim estava fazendo.

    Então, existem países que já domesticaram as feras e lhe dão as garantias para passear em segurança por florestas, pois que nelas só existem poodles. Logo, dão-lhe a felicidade de transitar livremente nas praças arborizadas, e, assim, privam-lhe das armas. Você dá de ombros, e até acha melhor, pois sente a boa sensação da total segurança. Nestes países, o Estado tem todo o respeito de seu povo, pois demonstraram ao longo do tempo serem Estados leais e dedicados. Têm toda a credibilidade.

    Mas que credibilidade tem um Estado como o da Jamaica para proibir o seu povo desde 1973 de usar armas para entrar na sua selva de poodles. O povo sabe que é mentira, uma enganação. Ali naquela selva não existe poodle nenhum. O que existem são feras famintas, mal tratadas e com os dentes afiados. Que credibilidade tem um estado como o do Brasil, este estado de merda, como diz o Machiavellirs e o Lula, para dizer ao seu povo que transite tranquilamente ou que se enjaule em suas casas porque as feras são na realidade poodles – apenas pelo fato de que ele adora meter a carroça na frente dos bois e vender uma imagem de estado rico e moderninho. Vender uma imagem de que se equipara à Suécia, Dinamarca e Noruega! Não somos. A nossa realidade é outra. Estamos mais próximos ao estado de natureza de Hobbes que da civilidade norueguesa que germinou Anders Breivik.

    O Estado brasileiro não tem preparo para salvaguardar o seu povo e lhe abdicar do uso da arma.

    Não, esse mundo não nos pertence. Nossa realidade crua é outra. Aqui estamos longe da civilização norueguesa a ponto de criar loucos de tédio que saiam atirando a esmo por aí, matando criancinhas. Nosso mundo é de matar a fone a cada dia, ganhar dinheiro para ir gastar no shopping e McDonald’s. Nada além destas banalidades. Portanto, se o Estado não tem condições de proteger, como quer se apoderar de moral para lhe proibir de se defender das feras?

    Não posso deixar de mandar a todos que vão se catar! Este é o resumo da intelectualidade brejeira do Brasil. Resumem-se a reproduzir ideias do mundo desenvolvido. Esquecem-se que para isso, precisamos primeiro precisaríamos nos desenvolver como nação e Estado. Sermos abastados o suficiente, atingirmos certo padrão mínimo de civilidade, etc. Mas vá se enxergar, Brasil!

  • Dorian R. Bueno diz: 18 de junho de 2015

    SOU BRASILEIRO, MISCIGENADO PRA VALER…
    Autor: Dorian R. Bueno -

    MINHA BAHIA,
    TERRA DE TODOS OS SANTOS,
    E ENCANTOS …
    DA MÃE ÁFRICA SURGIU,
    A RAÍZ DA NOSSA MÚSICA …
    QUE EXPLODIU …
    NA SUA MISCIGENAÇÃO,
    COMEÇOU A CONFUSÃO…

    DO NEGRO, ÍNDIO, MAMELUCO,
    DEIXARAM-ME FELIZ ESTOU MALUCO…

    BATE PALMA MINHA GENTE,
    CAPOEIRA VOU JOGAR …
    SWINGA FORTE BRASILEIRO,
    TU ÉS FORTE E VAI DANÇAR …
    ESCUTANDO OS PANDEIROS,
    TAMBORINS, BERIMBAUS,
    E O PRUGUNDUM, DO PRAGADÁ…
    DOS SEUS TIMBAUS…

    ATRAVÉS DA TROPICÁLIA,
    UM NOVO TEMPO CHEGOU,
    COM OS NOVOS BAIANOS,
    A FESTA ESQUENTOU …
    ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO
    O POVO SACUDIU …
    COM OS ACORDES QUE EMBALAM O BRASIL …

    TIMBALADA, REGGAE, SAMBA, AFOXÉ,
    AXÉ MUSIC, OLODUM E MUITA FÉ,
    MISTURA QUENTE, COM PIMENTA E DENDÊ,
    SOU BRASILEIRO, MISCIGENADO PRA VALER…

    AMÉM !!!

    Abs, Dorian R.Bueno – POA/RS – 18.06.2015

  • Rafael Bonfá diz: 18 de junho de 2015

    Teu texto é um primor do parodoxo.
    Tu és genial!
    Virei teu fã, seu esquerdista contra a redução da minoridade!
    kkkkkkkk

  • cesaR diz: 19 de junho de 2015

    O post foi muito bem articulado, mas não concordo com um Leitor acima que descreve como causa dos principais problemas do país, o tipo do imigrante que veio para o País.
    A titulo de esclarecimento vale lembrar que os açorianos colonizaram exclusivamente o sul do Brasil. Os primeiros que vieram foram portugueses da gema e espalharan-se pelo pais.
    Idem aos Italianos e Alemães que se localizaram de são paulo para baixo.
    Os Italianos vieram mais pelo fato da peste que atingia a europa naquela época ( 1975 a 1900 ) Os alemães 50 anos antes e ao contrário vieram trazer
    muito experiencia e praticas que aqui não existiam.
    Da mesma maneira temos que ver como foi colonizada a Austrália, por Ingleses condenados pela justiça e muitos italianos e alemães tambem.
    veja a diferença, portanto, se fosse a causa essa descrita pelo leitor acima, a Austrália e Nova zelândia, seria tambem uma anarquia como o Brasil.
    Acho que ele confundiu Brasil com rio grande do sul, o nosso estado sim foi colonizados por açorianos Italiano e Alemães, alem de ter muita influência Castelhana.

  • Peter Peng diz: 19 de junho de 2015

    Esse artigo suscitou tantas respostas sérias, quase todas sem esperança, e com as quais concordo, no seu conteúdo, que, paradoxalmente, me dá uma pontinha de esperança…

    Como respondeu o Tom Jobim ao ser solicitado a comparar o Brasil com os EUA – (ele estava nos EUA) – ‘Aqui é muito bom, mas é uma merda; o Brasil é uma merda, mas é muito bom’

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