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Xixi na rua

30 de outubro de 2015 9

Vi a notícia de que alunas da Universidade de Pelotas ficaram nuas durante uma manifestação feminista, dias atrás. Não é novidade, mulheres têm tirado a roupa por ideologia, calor ou diletantismo. Mas houve algo de inédito nesse protesto, algo que me fez trocar o tema da crônica. Ia escrever sobre aquele terrível projeto do Cunha, o PL 5069, contra o qual espero que as meninas tenham protestado e a respeito do qual escreverei amanhã. Por ora, atenho-me a um gesto das peladas de Pelotas: elas urinaram em baldes, a fim de reclamar contra os homens que urinam na rua. Isso realmente me intrigou. É uma reivindicação muito justa essa, de que os homens parem de fazer xixi na rua. É um troço nojento. Será hábito dos pelotenses?

Acho que não. Isso acontece em todo o Brasil. No Rio, o xixi na rua se tornou caso de polícia. No Carnaval do ano passado, mais de mil pessoas foram multadas em até R$ 500 cada uma, lembro bem desse número. Cento e tantas foram presas. Só que mais de 10% dos infratores eram mulheres.

Agora: é claro que os homens fazem muito mais xixi na rua do que as mulheres, devido à facilidade da operação. O homem permanece de pé, é tudo muito rápido e dissimulado.

Obviamente, sou contra esse comportamento incivilizado, mas, por amor à verdade, tenho de confessar que já o cometi.

Foi assim: eu trabalhava no Centro e, no fim do expediente, saí com colegas para tomar uns chopes. Tomamos vários. Na hora de ir embora, senti uma vontadezinha de ir ao banheiro, mas cometi o erro de pensar: estou com pressa, faço xixi em casa.

Eis um ensinamento precioso que aprendi neste mundo, mundo, vasto mundo, caro leitor. Se há um conselho que posso dar, certamente é este. Preste atenção, imprima a frase seguinte em letras douradas e pendure-a, devidamente emoldurada, em um lugar em que ela esteja sempre à vista. É a seguinte:

“Se você sentir vontade de ir ao banheiro, vá”.

Sim, vá, porque, se não for, todo o seu ser logo estará a serviço daquela imperiosa necessidade, e nada mais será relevante na vida, nem o amor, nem a glória, nem o dinheiro, nem a fome mundial, nem a cura da ressaca, nada.

Pois, naquele dia, não fui ao banheiro. Tomei o lotação rumo à Zona Norte e, nem bem o carro arrancou, percebi que precisava, PRECISAVA!, esvaziar a bexiga. O lotação seguia devagar pelas ruas da cidade, parava nas esquinas à espera de passageiros que não vinham, e eu, angustiado como poucas vezes na existência, só pensava em chegar em casa.

Seguíamos lentamente, o motorista olhava para um lado e outro da rua e avançava a 10 ou 20 km/h, uma aflição. A cada semáforo, eu gemia. A cada solavanco, meus órgãos internos doíam e latejavam. Todo o meu corpo reclamava por se ver livre daquele excesso líquido.

O lotação foi rodando, moroso, trepidante, como num pesadelo. Até que, à altura da Carlos Gomes, não aguentei mais. Pedi ao motorista que me deixasse numa esquina, desci correndo, esquivei-me para um canto escuro da rua e, ahhhhhhhh! Aaaaaaaaah!, fiz o xixi mais espetacular da minha vida. O prazer que senti naquele momento foi maior do que toda a vergonha, todo o receio de ser flagrado, todo o apelo milenar da civilização. Sorri, ao cabo daquele xixi. Vibrei. Cantei. Era um novo ser humano que fechava a bragueta, um homem mais leve. Mais feliz.

Errei. Sei que errei. Mas, devido às circunstâncias, espero que as meninas de Pelotas me perdoem.

Comentários (9)

  • Roberto Nunes diz: 30 de outubro de 2015

    Me parece que este pessoal não tem muito problemas na vida… Vai reclamar de gente urinando na rua e não de tantos políticos que cagam na nossa cara…

  • Eloi Farias diz: 30 de outubro de 2015

    Ãããããhhhhhhhhhhh… bem sacudidinho e o último é das calças…

  • Carlos diz: 30 de outubro de 2015

    Prezado David, estas mesmo sem inspiração ultimamente, na minha opinião. O que estas alunas fizeram na UFPEL foi uma grosseria contra elas mesmo, para ficar por ai, totalmente fora de contexto para futuras professoras que poderao no futuro estar dando aulas para sua filha ou filho. Deveriam ser suspensas ou expulsas para o bem da historia desta conceituada Universidade, que era conhecida pelas suas teses e trabalhos academicos e agora ficou conhecida pelas alunas peladonas e masturbadoras dos cursos de Humanas, realmente estamos regredindo muito rapidamente. Salvemos o que resta de educação neste Brasil.

  • Rafael diz: 30 de outubro de 2015

    David, eu não tenho nada contra urinar na rua em um momento de necessidade, seja homem ou mulher, vai no canto e faz, é um líquido orgânico que logo evapora e não faz mal a ninguém.

    Mas o que essas feministas da UFPEL fizeram é de dar vergonha. Nenhuma mulher se sentiu representada ou defendida por essa forma grotesta de protesto. Além de ficarem nuas dentro se um ambiente institucional, gritavam, fumavam maconha, agrediam os passantes, jogavam urina nas pessoas e uma delas chegou a se masturbar com uma banana ma escadaria da universidade. Fala sério, que protesto é esse? Que em vez de conquistar a simpatia e o apoio das pessoas a uma caisa clara, preferem agredir e ofender a tudo e a todos sem ter uma causa clara a defender? Que causa é essa que se protesta enfiando uma banana na vagina em publico?
    A situação é deprimente, tão baixa, tão vulgar que chega-se a sentir pena e vergonha pelos pais dessas meninas drogadas, expostas e humilhadas.

  • Jorge Figueiredo diz: 30 de outubro de 2015

    Carlos!
    Mais amor, menos crítica.
    Lhe deixo um abraço e camigouuu!

  • João Agrário diz: 30 de outubro de 2015

    Bom texto, Davi. Todo homem já passou por essa situação.

    Quanto às universitárias, eu não me surpreendo. Tem muito chinelão em faculdade, sobretudo em cursos de humanas. Isso que elas fizeram foi pura chinelagem, atitude de pessoa de baixo nível.

    Não é à toa que só as baratas se alimentam de fezes. Até os insetos evitam administrar o próprio excremento.

    Foi o que elas fizeram. Se chafurdaram no próprio esterco, eufóricas, em nome de alguma causa menor. O cérebro do homem comum e de outros animais não foram programados para se regozijar com os próprios dejetos. Só os das baratas e dos chinelões.

  • Dorian R. Bueno diz: 30 de outubro de 2015

    SERÁ QUE O PAPEL HIGIÊNICO É HIGIÊNICO E LIGHT ?

    Aproveitando o XIXI das gurias de Pelotas, convido os amigos para junto com este texto maluco que criei fazer uma reflexão sobre o uso do PAPEL HIGIÊNICO. Não criem expectativas desnecessárias e nem constrangedoras por que não quero e nem vou tocar nas suas partes íntimas.
    Notarão que escrevi as frases bem apertadinhas, para que possam lembrar aquelas situações de aperto, desespero para chegar logo num lugar protegido e aliviar as coisas.
    Com certeza vocês já devem ter percebido que um rolo de papel higiênico realmente continua tendo este título enquanto ele estiver protegido dentro da sua embalagem que vem da fábrica.
    Ficamos curiosos para saber qual é o processo de higienização que o papel passa até chegar as nossas casas, empresa, boteco, shopping, clube social, motel, estádio de futebol, posto de gasolina, rodoviária, restaurante de estrada…
    O cara vem bem protegido dentro da sua casamata, e de repente, o ser humano rasca o saco plástico, embalagem e deixa o rolo ali exposto dentro do seu banheiro durante o tempo que ele ainda tiver papel para ser usado.
    Estou falando de quem é higiênico e sabidamente usa o amigo papel nas suas intimidades.
    Não se façam de louco, mas é bem assim que acontece em qualquer lugar deste mundo.
    Sabemos que existe compartimento embutido e fechado na parede com uma portinha para proteger o papel higiênico ao lado do vaso, mas nem todo mundo tem isto nos seus banheiros. Encontramos às vezes o rolo de papel higiênico em cima da caixa de descarga, no chão e até mesmo escorado na sua própria embalagem, isto quando tem.
    É complicado e triste quando surge no caminho aquele sabotador que usou o último rolo e azar de quem estiver em apuros no banheiro, acabou o papel higiênico.
    Hoje é moda lavar as mãos muito mais do que antigamente para evitarmos pegar alguma bactéria nociva a nossa saúde.
    Veja que situação lavamos as mãos antes de fazer aquelas necessidades necessárias ao organismo como urinar, defecar, lavar o rosto… Mas quando vamos pegar o papel higiênico para limpar o pênis, a porta do ânus, os lábios da vagina, o bicho pega.
    É um monte de bactérias que já estão ali no banheiro misturando-se no papel higiênico, e somente aguardando à hora de entrar em nosso corpo para limpar ou contaminar mais ainda os nossos instrumentos genitais.
    Nossa é loucura, mas é exatamente assim que acontece sem dó ou qualquer tipo de constrangimento.
    Precisamos fazer uma campanha para proteger muito mais o nosso corpo e porque não, o companheiro mais usado que nunca reclama de estar sempre na merda, mijado, menstruado, acabado no meio deste mundo sujo e cheio de falta de educação.
    Parabéns ao amigo PAPEL HIGIÊNICO DE TODOS OS TIPOS E MARCAS, que em qualquer hora do dia se transforma em um dos nossos maiores salvadores e sem reclamar.

    Abs. Dorian R. Bueno – POA – 30.10.2015
    Dorian Bueno – Google+

  • Milton diz: 30 de outubro de 2015

    GRANDE DAVID TU CERTOU NA MOSCA, GOSTARIA DE SABER QUEM?
    MAS QUEM MESMO JÁ NÃO PASSOU POR ISTO? PRINCIPALMENTE
    AQUELES COMO EU QUE NAS SEXTAS FEIRAS AO FINAL DO EXPEDIENTE
    JUNTAMENTE COM OS COLEGAS SE REÚNEM NA IGREJA (BARZINHO)
    PRA TOMAR AQUELA VELHA VIGÉSIMA SAIDEIRA. KKKKKKKKKK

  • Mateus diz: 30 de outubro de 2015

    Gênio, David, gênio, a sutileza da tua crítica combinada com o humor da escrita e duas cervejas q tomei nesta sexta feira me fizeram rir demais

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