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O militante é chato

03 de novembro de 2015 11

Todo militante é um chato. Não importa a justiça da causa que ele defenda, no momento em que começa a carregar uma bandeira por onde anda, torna-se um importuno.

O militante não se transforma em advogado de defesa de um ideal; transforma-se em juiz. Ele passa a dividir os outros seres humanos entre os que estão contra e os que estão a favor do que ele pensa. Ou entre os que ele acha que são contra e os que ele acha que são a favor. E, é claro, condena os que são contra.

Infelizmente, o mundo do século 21 dispõe de uma fartura de militâncias jamais registrada na história da humanidade. Você está sempre cometendo algum erro, sob o ponto de vista de alguém.

Eu, aqui, eu cometo erros. Tenho cometido erros durante toda a minha vida, mesmo que tome cuidado. Minha lista de defeitos é interminável. Eu não sei dar tope, sabia? Tope, que digo, é laço. No sapato. No cadarço, quer dizer.

Pois não sei.

Mas, se você olhar para o cadarço do meu sapato, ele estará amarrado em um belo laço clássico e bastante harmônico. É que desenvolvi um método heterodoxo de dar tope. Assim: primeiro dou o nó comum. Depois, dobro pela metade cada lado do cadarço. Em seguida, ato mais um nó entre essas duas metades dobradas. Presto! Ninguém nunca desconfiou que aquele meu laço tão bonito não é feito do jeito convencional. Tenho vivido toda a minha vida assim. É uma fraude? É uma falsidade? Talvez. Mas não vou mudar agora, só porque você acha que o seu jeito de dar tope é o certo. Danem-se, você e seus nós de marinheiro!

Tenho muitos outros defeitos. Dezenas. Talvez centenas. Não duvido que milhares. E não será você que vai me julgar por eles. Agora, o que nós podemos fazer, eu e você, é julgar um militante. Sim, sim, coisa bem boa é julgar um militante e, evidentemente, condená-lo. Porque ele fica julgando os outros, ele fica enchendo o saco de todo mundo com aquela consciência dele, aquele seu discursinho em favor de alguma vítima de alguma coisa. Então, se ele cometer um erro, seja qual for, vamos endurecer o dedo indicador e apontar firmemente para ele. Ele vai ver o que é bom. Porque ele vai cometer erros. Ah, vai.

O militante, o que ele não entende é que todas as causas justas só serão atendidas quando houver respeito não pelo coletivo, mas pelo indivíduo. Uma coletividade só vive bem quando respeita o indivíduo. Parece uma contradição; não é. Quando uma sociedade se desenvolve no respeito à individualidade, ela não se torna individualista. Ela se torna uma comunidade de seres humanos que compreendem os limites da convivência. Eles sabem que a necessária convivência só funciona com a indispensável privacidade. Com a inestimável garantia do direito do indivíduo.

Quando o direito de um só é violado pela causa de milhares, a causa de milhares perdeu.

Viva o “Eu” heroico, digno, que resiste sozinho ao egoísmo dos coletivos! Viva! Só não me torno um militante do individualismo porque, bem, você sabe: todo militante é um chato.

 

Comentários (11)

  • Roberto Nunes diz: 3 de novembro de 2015

    O militante divide o mundo entre os inteligentes, que são os que pensam igual a ele e os burros, o que não pensam igual…

    O militante se torna ditador até defendendo democracia… Ele não quer dar a opção para outra pessoa ter suas idéias próprias… Ele quer ser ditador e obrigar as pessoas a gostar do que ele gosta, a pensar como ele pensa, etc…

    Pior que o militante pode se tornar perigoso, tipo o militante do muçulmano…

    Tantos já morreram na mão de militante ateísta ou já morreram na mão de religioso ou já morreram na mão de comunista ou já morreram… etc etc…

    Simmm… é preciso evoluir, é preciso aceitar a individualidade, é preciso respeitar as pessoas e admitir que cada possa tenha seus gostos, suas simpatias e seus pensamentos…

    É preciso compreender que cada pessoa pode gostar do partido, da religião, do time que ele quiser, é preciso aceitar e não querer obrigar a força a gostarem da mesmas coisas que ele gosta…

    Acredito que quando as pessoas aceitarem que cada qual tenha seus próprios gostos, estaremos evoluindo…

  • Renan Coxinha Elite Branca diz: 3 de novembro de 2015

    David,

    You nailed it again!!
    “Uma coletividade só vive bem quando respeita o indivíduo” … ah, como eu queria que houvesse um meio de colocar um pouco de Ayn Rand na água que tomamos, para que nossos esquerdinhas de Iphone 6 pudessem se dar conta e admitir que NADA funciona se não “resistirmos ao egoísmo dos coletivos”…
    Grande abraço.

  • Thiago diz: 3 de novembro de 2015

    David, o militante da causa anti-militante. Tens razão, militantes são chatos.

  • Maurino diz: 3 de novembro de 2015

    O assunto é outro mas vamos lá : A propaganda eleitoral do PCDOB que esta sendo veiculada , diz serem a favor da democracia. Morro de rir….Desde quando que socialismo é democrático ?

  • Flavio diz: 3 de novembro de 2015

    Puxa, David, me sinto como tu. Exceto o fato de saber fazer tope e não ter defeitos, no demais fecho contigo. Já o Roberto não entendeu o que escreveste. Quer que se compreenda que “que cada pessoa pode gostar do partido… que ele quiser”. Isso qualquer um compreende. O que não se compreende é haver partido que minta e engane para permanecer no poder e haja quem “goste” dele, que o defenda!!!

  • Chega de discurso diz: 3 de novembro de 2015

    Há uns militantes assalariados do PT e seus satélites (PSOL, PSTU, PCdoB e outros) que, por um salário mínimo, passam o dia inteiro nos blogs, puxando saco de seus patrões, fazendo citações da “Cartilha”, única publicação que leram. Leio entrevista da dona Luciana Genro (depois que perdeu o mandato, passou a ser fã do Jean Willys) apresentado soluções para o país… Qual a fonte de renda da dona Luciana? É “escone” de algum político? Vive do ar? Poderia ser diretora da fábrica de “engarrafar” vento, sugerida pela Dilma? Trabalhar e produzir algo concreto, não?

  • Antonio diz: 3 de novembro de 2015

    Concordo, mas por exemplo: a maioria da população brasileira é a favor da fragilização das leis para compra e porte de armas; nesse caso, uma militância agressiva (contrária óbvio) não se justifica?

  • Paulo R diz: 3 de novembro de 2015

    O fato é que ambos tem que se respeitarem…

    Os militantes de um lado como o militante do outro…

    Pode haver os argumentos de cada um, muita gente mudará de opinião, mas para muito não será o suficiente para os outro mudarem o pensamento… Paciência, vamos aos votos… Se mais gente preferem um do que o outro, vamos respeitar a decisão da maioria.

  • Roberto Nunes diz: 3 de novembro de 2015

    Flávio, tens razão, partido, candidato que promete e faz o contrário “mente” era para ser punido…
    Fez promessas antes e fez ao contrário depois, caso Sartori e tantos e tantos outros é caso de punição…

    Deputado que se elege com defendendo uma bandeira (tipo defender os aposentados) e durante seus discurso e votação faz ao contrário, seria caso de punição…

    Mas isto é minha opinião… Existem outras opiniões?? Existem… sempre existem, mas não é por isso que vou agredir perseguir, etc… alguém pq tem opinião diferente da minha…

  • Gerson assombrado diz: 4 de novembro de 2015

    Putz!! Essa foi pro Macchi, pro Marcelo1968, XCake, Marreta, CesarR, etc… se fossem só chatos não importaria. Mas são ..deixa pra lá. Quem gosta de levantar o dedo em riste são eles.

  • Xcake diz: 8 de novembro de 2015

    Sabe que tive mesmo esta sensação, prezado Gerson assombrado. Mas lógico que desencanei de imediato. É uma coisa obvia todos militarmos sobre nossas próprias ideias. Não só óbvio, como o mais racional. E acima de tudo, sincero e genuíno.

    Respeitar a militância da ideia alheia é civilidade, mas desde que o excesso desta civilidade não passe a caracterizar-se na coisa hipócrita do dito politicamente correto. Havemos de travar luta diária por sermos sempre o mais verdadeiros possível.

    Agora tudo acabou, foi-se o Blog, foi-se qualquer guerra que gostávamos de travar. Agora você de meu inimigo para a ser um cara a ser abraçado. Agora podemos até rir e sorrir juntos. Ideias distintas podem nos fazer inimigos, mas apenas quando entramos no campo de jogo. Fora dele, bebemos e sorimos juntos de nossos próprios erros e excessos. Temos grandeza, não se tenha dúvida sobre isso. Grande abraço.

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