Ouça o Sala de Redação desta quarta-feira.
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O Grêmio já está pensando no Palmeiras.
Os gremistas dão o jogo com o Bahia como favas contadas.
No Bahia, vigora a lei do silêncio.
Ninguém fala com a imprensa.
São os ingredientes da tragédia.
O Bahia mordido, motivado, jogando a morrer, e um Grêmio não muito confiável, jogando distraído.
Cuidado...
Ouça o Sala de Redação desta terça-feira.
A corajosa, impactante, comovedora revelação de Xuxa de que foi abusada sexualmente durante grande parte da sua infância faz lembrar que nós homens somos feras.
Falo de homem gênero masculino, não da mulher.
Todo trabalho civilizatório consiste em fazer com que nós homens resistamos aos nossos impulsos animais, à vontade de tomar o que o desejo clama, seja um objeto, seja o poder, seja uma mulher, seja a inocência de uma criança.
No caso de Xuxa, os homens, vários homens, segundo ela, não se contiveram ante sua beleza de menina, e a atacaram feito lobos.
Xuxa concluiu que muito do seu comportamento adulto deve- se a tais incidentes da infância.
Suas dificuldades de relacionamento, suas vacilações amorosas, suas desarmonias com o sexo oposto.
O que leva a outra verdade: uma pessoa só pode dar algo que tem e, em geral, o que lhe foi dado emocionalmente foi dado durante a infância.
Uma pessoa só terá amor para dar, se alguém, antes, lhe tiver dado amor.
Uma pessoa só terá respeito pelos outros se tiver recebido respeito.
Xuxa é insegura emocionalmente porque não lhe deram segurança quando necessitava.
Os assaltantes que são cruéis com as vítimas, os assassinos, os estupradores, os homens que agem como feras, enfim, se comportam dessa forma porque o mundo deles é dessa forma. 
Foram feitos feras.
Uma criança pode ser moldada, a personalidade dela pode ser construída.
Lembro agora do pequeno Luis XVII, filho de Luis XVI e Maria Antonieta, rei e rainha decapitados pela Revolução Francesa.
Com a morte do primogênito do casal real, Luis XVII tornou- se o herdeiro da coroa.
Ele deveria ser o rei Luis na sequência dos Luíses.
Mas, ao estourar a Revolução, foi encarcerado, depois apartado dos pais e entregue ao sapateiro Simon para ser reeducado.
O pequeno delfim, com sete anos de idade, chorou durante três dias devido à separação da família.
Depois, como todo os seres vivos, se adaptou para sobreviver.
Era espancado todos os dias a fim de esquecer a antiga vida de luxos e aprender como deveria se comportar um cidadão nos novos tempos.
Aprendeu.
Passou a falar como um menino do povo e a odiar a nobreza.
Morreu devido aos maus tratos, aos 10 anos de idade.
Seu coração foi arrancado do corpo e conservado em álcool.
Não faz muito, os franceses enterraram o coração endurecido pelo tempo, e o fizeram com certa solenidade, como se pudesse haver alguma reparação do mal, 200 anos depois.
Luis XVII viveu a primeira infância inteira como o príncipe que era, e ainda assim os revolucionários conseguiram transformá- lo, a ponto de ele dizer que odiava a própria família.
Como fizeram isso? Por meio do abuso.
Uma criança não reage ao abuso com revolta, simplesmente porque ela não sabe que está sendo abusada.
Mais tarde é que vai tomar consciência disso, quando descobrir que as coisas não tinham de ser como foram.
Xuxa surpreende- se agora com sua falta de reação na época.“ Por que não reclamava?”, questiona- se ela, não sem alguma culpa a atormentá- la.
“ Por que não me queixava para meus pais?” Xuxa não consegue entender, agora que é adulta, que uma criança SIMPLESMENTE NÃO SABE que aquilo é um abuso.
A criança não gosta do que está acontecendo, mas não tem ideia de que as coisas não devem ser assim.
É por isso que o crime cometido contra crianças é o mais monstruoso dos crimes.
Porque é a mais miserável forma de covardia e de barbárie a que se reduz um ser humano.
Forma em geral assumida por nós homens.
Nós homens precisamos de muito trabalho para nos civilizarmos.
Trabalho diário, incessante, de natureza intelectual e emocional.
A educação com amor e respeito é indispensável, mas os canais de sublimação dos instintos também têm o seu papel.
E é aí que entra o esporte.
Não é à toa que todos os grandes países do mundo dão prioridade ao esporte.
O esporte não é bom apenas para a saúde; o esporte educa.
E, o mais importante, atua como sublimador dos instintos, como canal de vazão para ânsias recônditas e baixos sentimentos.
O esporte ajuda a fazer de nós menos selvagens, menos bestas.
O esporte ajuda a fazer de nós, homens, mais humanos.
* Texto publicado na Zero Hora desta terça-feira, 21/05/2012
A Marisa Monte compôs uma música enaltecendo a jujuba, tempos atrás.
É preciso destreza para cantar a jujuba e não ficar parecendo, sei lá, meio abobado.
Porque a jujuba é irrelevante em si.
Chegou a gozar de certa fama no planeta quando foi divulgado que Ronald Reagan amava a jujuba, que mastigava jujuba todos os dias na Casa Branca.
Fama, porém; não prestígio.
A jujuba não cresceu graças a Reagan; Reagan é que diminuiu por causa da jujuba.
Marisa Monte também não conseguiu sublimar a jujuba.
A música saiu-lhe juvenil.
Enfim.
Talvez a jujuba só se eleve a outro patamar se for versejada por um Chico Buarque, um Paulinho da Viola.
De qualquer forma, o que importa é que algumas músicas dizem muito de quem as faz, bem como de quem as admira.
Houve, por exemplo, um presidente da República que tinha como música preferida o Peixe Vivo.
Juscelino Kubitschek.
O Peixe Vivo foi entoado no enterro dele, inclusive.
Isso sempre me intrigou.
Porque, se o Peixe Vivo, em termos melódicos, empata com O Sapo não Lava o Pé, perde de goleada, em profundidade poética, paraAtirei o Pau no Gato.
Como pode, então, um peixe vivo viver fora da água fria e um presidente da República ter essa música como a sua preferida, dentre todas as músicas da Terra? Seria JK um indivíduo prejudicado intelectualmente? Meio abobado, como soam os bardos da jujuba? Não é o que aparenta.
JK é incensado como presidente.
Ganhou minissérie e tudo mais.
Por que mesmo? Qual a sua grande realização? Foi um desenvolvimentista, tanto quanto Lula ou Médici.
Mas sua maior façanha foi a construção de Brasília, que está prestes a completar 50 anos.
Brasília deve ter algum ponto positivo, embora eu não saiba qual.
No aspecto urbanístico é um desastre.
Uma cidade que exclui as pessoas.
Que foi ( mal) planejada para o automóvel.
Não se pode caminhar na vastidão de Brasília, é impossível vencer qualquer distância, se o percurso não for feito sobre rodas.
Mas esse nem é o principal defeito da cidade.
Seu principal defeito é a sua razão de existir.
Brasília foi erguida para ser a capital política do Brasil.
Plantada no meio do nada, habitada por funcionários públicos, Brasília vive longe do Brasil.
Muito do pior que ocorreu no país, nestes 50 anos, não ocorreria se a capital fosse o Rio.
Exemplo: em 1984, os militares mandaram cercar o Congresso para impedir que o povo assistisse à votação da emenda das Diretas Já.
Isso seria concebível no Rio? Numa cidade de verdade? Brasília é permissiva.
É a Sodoma dos corruptos.
JK, ao que se sabe, não foi corrupto.
Mas permitiu que a corrupção se misturasse ao cimento de cada prédio de Brasília, enquanto ela era construída.
Por fim, a própria construção da cidade é um escândalo.
Constantino transformou Bizâncio em Constantinopla e para lá transferiu sua capital, mas Constantino era o imperador de Roma.
Queóps plantou no deserto a Grande Pirâmide, mas Queóps era o faraó do Antigo Egito.
JK aparafusou Brasília no vazio, e quem era JK? Não acredito que fosse um tolo.
Era um espertalhão.
Sabia o que fazia, seu objetivo era tornar-se imortal como um faraó, como um césar.
Conseguiu.
Até o gosto pelo Peixe Vivo deve ter sido calculado a fim de massagear o espírito singelo do brasileiro.
Assim, posso dizer que compreendo o Peixe Vivo de JK.
Para a jujuba de Marisa Monte, não tenho explicação.
*Texto publicado na Zero Hora em 05/03/2010.
Ouça o Sala de Redação desta segunda-feira.
Os leitores estão me cobrando manifestação acerca da arbitragem no jogo do Grêmio com o Vasco.
Bem.
Lá vai.
Fosse eu o juiz, não teria marcado o pênalti. O jogador do Vasco não colocou a mão na bola intencionalmente.
Quanto ao gol, sim, foi legal. Aí o árbitro errou.
Mas, na boa, isso não é importante.
O importante é que o Grêmio jogou bem, o que mostra que o time está estruturado. Mas por que não conseguiu vencer? Saber essa resposta também é importante. E a resposta é: porque lhe falta qualidade. O Vasco venceu devido à qualidade de Juninho. O Grêmio ainda precisa de reforços consistentes para assim se tornar um time consistente.
Pedi para o Diretor do blog, Marco Souza, fazer a crônica do jogo do Grêmio. Leia abaixo:
O Grêmio perdeu para o Vasco por 2 a 1 em seu primeiro jogo do Brasileirão. Apesar de mostrar bom futebol, e ainda contar com a boa estreia de Rondinelly, a equipe de Luxemburgo falhou demais nas finalizações e volta para o Rio Grande do Sul sem nenhum ponto. Fernando fez mais um gol em chute de fora da área, mas viu Fellipe Bastos e Alecsandro completarem o placar para a equipe da casa.
O substituo de Marcelo Moreno perdeu a primeira chance de gol do jogo. Miralles não conseguiu completar na frente do goleiro um bom cruzamento de Marco Antonio aos 9 minutos.
O argentino devolveu a boa oportunidade aos 11 minutos. O atacante cruzou e Marco Antônio quase marcou, mas o zagueiro conseguiu se antecipar e impediu a finalização.
William Barbio quase marcou pelo vasco. O atacante vascaíno driblou Saimon, entrou pela esquerda na defesa e bateu por cima do gol de Victor.O vasco chegou ao primeiro gol com Fellipe Bastos. O volante bateu uma falta da intermediária e venceu o goleiro gremista.
Rondinelly entrou no Grêmio no lugar de Marquinhos aos 22 minutos de jogo.Fernando conseguiu empatar o placar. Rondinelly rolou para o volante bater da entrada da área e ver o arremate ser desviado por um defensor e ir para o fundo das redes aos 26 minutos.
O roteiro quase se repetiu aos 28. Fernando rolou para Marco Antonio bater de longe, mas o desvio fez a bola ir para o escanteio. Rondinelly criou mais uma boa chance de gol pro Grêmio. O meia se aproximou na cobrança de escanteio e cruzou para a área, mas Fernando Prass conseguiu afastar o perigo.
Mesmo com domínio na primeira etapa, o Grêmio foi para os vestiários sem a vantagem no placar.
Cristovão Borges, técnico do Vasco, colocou em campo Alecsandro e Juninho Pernabucano. A dupla melhorou o nível técnico da partida e fez a equipe a casa começar a buscar o gol com mais ênfase. Ainda assim, Miralles uma boa chance de gol dentro da área. Aos 7, o atacante bateu por cima do gol após bom lançamento de Pará.
Rondinelly e Marco Antônio trabalhavam bem a armação das jogadas ofensivas do time. Vendo que a equipe dominava, Luxemburgo resolveu melhorar a qualidade no ataque e chamou Marcelo Moreno para substituir André Lima aos 20 minutos. Três minutos depois, Juninho Pernabucano cruzou da intermediária e Alecsandro completou para as redes.
O gol empolgou a equipe do vasco que assustou novamente. Victor evitou que Carlos Alberto ampliasse o placar. O meia, ex-Grêmio, tabelou com Alecsandro e bateu cruzado, mas o goleiro gremista conseguiu desviar para escanteio.
Aos 26, Miralles perdeu a sua segunda grande chance. Marcelo Moreno recebeu passe do argentino e bateu cruzado na entrada da área. Fernando Prass fez grande defesa. A bola ficou livre na pequena área, mas Miralles mandou pela linha de fundo.
O Grêmio perdeu a chance de trazer um ponto do Rio de Janeiro aos 33 minutos do segundo tempo. O árbitro marcou pênalti de Renato Silva. O zagueiro cabeceiu a bola, mas ela acabou batendo em sua mão em seguida. Marcelo Moreno foi para a cobrança. Na cobrança, o atacante não conseguiu vencer o goleiro Fernando Prass. Luxa ainda colocou Leandro em campo no lugar de Naldo para aumentar a pressão em cima do Vasco.
Aos 45, Marcelo Moreno não conseguiu repetir o movimento de Drogba ao fazer o gol de empate com o Bayern, e mandou o bom cruzamento de Fernando para a linha de fundo. Com o fim de jogo, Vanderlei Luxemburgo foi até o árbitro reclamar de um gol de Miralles anulado.
O Inter pegou um adversário de menor tamanho e se impôs sem dificuldade, como um time grande tem que fazer com os adversários de menor tamanho.
Tocou 2 a 0 no Coritiba sem nem se esforçar muito.
Damião é um tanque de guerra, um rinoceronte na meia-lua. Os adversários batem nele e ele não sente, segue rumo ao gol até empurrar a bola para dentro.
Foi assim que ele fez o primeiro gol.
É um Roberto Dinamite do século 21.
Oscar, Dátolo e Dagoberto são velozes e escorregadios, envolvem o adversário com tabelas e deslocamentos e não param até passar por debaixo do travessão.
Assim foi feito o segundo gol.
O Inter tem armas suficientes para ser um sério candidato ao título. E é.
Já no primeiro jogo pode-se ver isso.
O Grêmio perdeu para o Vasco, 2 a 1, mas sua torcida pode se animar.
O time jogou com consistência, como quem sabe o que quer. Já é uma equipe. É bem treinada, bem enjambrada e tem recursos.
Perdeu circunstancialmente, que a vida é de circunstâncias.
Saimon é muito bom no bote, sabe desarmar e tem gana de jogar. É um zagueiro valoroso.
Vilson, como centromédio, é um desafogo. Sabe sair jogando e fecha bem os espaços na marcação. Não duvido que ganhe a posição logo ali adiante.
Esse Rondinelly, que fez sua estreia, não se intimidou. Tem personalidade e técnica.
Desta vez, o argentino Miralles jogou como argentino. Empenhou-se e esteve concentrado o tempo todo. Perdeu um gol a dois passos da trave, mas a bola foi muito rápida.
Edilson é uma afirmação na direita.
E Pará está dando conta do recado na esquerda.
Ou seja: o Grêmio tem boas possibilidades no Brasileiro.
Não é preciso mais do que uma rodada para se constatar isso.
Cara, ouça esse som, sorva essa poesia e você sentirá que nesses versos o homem disse o que queria dizer, o que é raro e é grande:
Pedi para o Diretor do blog, Marco Souza, fazer a crônica do jogo do Inter. Leia abaixo:
Apesar do bom futebol de Dátolo, Oscar, Fabrício e Élton os destaques do jogo ficaram com a dupla de ataque do Inter. Damião foi o dono da área adversária, e ainda contou com a participação ativa de Dagoberto durante o jogo. A vitória por 2 a 0 contra o Coritiba veio com um gol do centroavante e outro do camisa 20.
Logo aos 9 minutos do primeiro tempo, Damião marcou o primeiro gol do Inter no Brasileirão 2012. O centroavante da Seleção Brasileira arriscou um chute da intermediária. A zaga do Coritiba cortou o chute, mas no rebote Damião deu uma meia lua no marcador e bateu no ângulo para abrir o placar do jogo.
O gol só ampliou o domínio colorado em campo. O time de Dorival marcava o adversário sob pressão em sua intermediária. O Coritiba só assustou em uma chegada aos 14 minutos. Em rápido contra-ataque, Renan Oliveira entrou na área de Muriel. O meia acabou batendo muito mal e bola saiu por cima do gol.
Dagoberto e Dátolo atacavam constantemente pelo lado esquerdo. O segundo gol nasceu entre uma bela jogada que ainda envolveu Damião. Dagoberto e o meia argentino trocaram passes na intermediária. A bola ficou com o camisa 20, que tabelou com Damião, e bateu no canto do goleiro Vanderlei para ampliar o placar.
O começo do segundo tempo manteve o bom futebol do Inter. Damião quase ampliou ao 7 minutos. O centroavante aproveitou um lançamento de Dagoberto da entrada da área, venceu o marcador na velocidade e conseguiu desviar a bola do goleiro de carrinho, mas a bola saiu passou ao lado da trave.
Apesar da excelente atuação de Rodrigo Moledo e Élton, o Coritiba passou a assustar o Inter na segunda etapa. Na única disputa perdida, Moledo foi driblado Por Lincom, mas Muriel conseguiu fazer boa defesa e mandar para escanteio. Com a vantagem, o time colorado recuou demais e viu o Coritiba crescer no jogo.
Dorival tentou fazer que o ataque colorado mantivesse o ritmo dos primeiros 45 minutos, e colocou João Paulo no lugar de Dátolo aos 28. Quatro minutos depois Dagoberto deixou Élton livre na área do Coritiba. O volante driblou o goleiro, mas demorou demais para finalizar o lance e a defesa do Coritiba recuperou a bola.
Aos 36, Dagoberto deixou o gramado para a entrada de Marcos Aurélio. Damião quase conseguiu marcar o terceiro gol da equipe após boa tabela com Oscar na entrada da área, mas a bola parou no travessão.
O fim de jogo veio com um prejuízo para Dorival. João Paulo sofreu uma entrada muito forte do adversário e precisou ser substituído por Bolatti aos 45 minutos. Apesar da diminuição do ritmo e de ver o Coritiba jogar um pouco melhor em parte do segundo tempo, o Inter garante um início de competição com três pontos.
Fito jovencito:
Um dos maiores interpretando uma das maiores de um dos grandes:
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