Apalparam as costas de Bel - 2° capítulo
Bel usava um vestido de verão aberto na parte de trás. Sabia que suas costas eram atraentes. Sabia-se ela inteira atraente.
Loira, lábios de gomo de bergamota poncã, o corpo moldado por três dias de natação por semana, Bel podia arruinar um homem, se quisesse. Até arruinou um, certa vez: André, um advogado que perdeu tudo por ela, tudo!, mas que ainda hoje lhe lamberia as solas dos escarpins, se Bel pedisse.
André também estava no elevador quando a energia faltou, e sofria. A razão do sofrimento?
Bel.
Pudera: Bel bebia o capitoso licor dos 27 anos de idade. Era ainda jovem e, por jovem, seu corpo possuía carnes tenras e frescas como as manhãs de primavera nos altos dos Alpes. Admirá-la era como admirar uma felina se espreguiçando, era provar um pedaço da natureza indomada, era mastigar um naco sumarento da fruta mais açucarada. Ao mesmo tempo, havia lucidez naquela beleza. Bel já acumulara a experiência de uma mulher que sabe o que fazer, como fazer e, sobretudo, com quem fazer. Sim, Bel sabia avaliar um homem, sabia quando ele poderia satisfazê-la em seus desejos mais recônditos.
Ou quando não passava de uma fraude.
Por ironia, Bel atravessava uma fase de indecisão a respeito do seu próprio marido, o supervisor Noel. Será que Noel a merecia?
Será que ela não devia ceder aos seus impulsos, que eram tantos? A seus quereres, tão pulsantes? Será que Noel não passava de uma fraude bem-enjambrada?
Bem-enjambrada, sim, poder-se-ia dizer isso do supervisor Noel, porque ele era um homem desejado pelas mulheres. Não apenas por ser moreno, alto e ter porte atlético, mas porque jamais se intimidava diante de uma fêmea da espécie. Quando queria uma, sempre (sempre!) tentava conquistá-la.
Noel vivia para as mulheres, essa a realidade. No exato instante em que avistava uma mulher pela primeira vez, podia ser diante da gôndola de repolhos do supermercado, sobre a franja do meio-fio da calçada, numa curva da fila do banco ou entre os goles vodka com Red Bull de uma festa, não interessava onde nem como, naquele mesmo segundo, Noel cogitava: essa eu levaria para a cama? Ou não levaria?
Se a resposta fosse “sim”, a mente treinada de Noel começava a trabalhar no sentido de avaliar suas chances de colocar o projeto (levá-la para a cama) em prática. Ela parecia minimamente interessada? Havia possibilidade de abordá-la? Se houvesse, qual a melhor estratégia a empregar?
A partir de então, Noel tentava. E às vezes, muitas vezes, conseguia.
Quando a escuridão se fez no claustrofóbico espaço do elevador, o supervisor Noel dava sequência a mais um de seus planos, este um pouco menos sofisticado do que os de costume. Estava bem à frente de Bel. Logo, dificilmente seria ele o dono da mão que a acariciara nas sombras. Na verdade, no exato segundo em que a energia faltou, o supervisor Noel nem sequer pensava nas costas lisas de sua mulher Bel.
Pensava era na bunda de Bruna.
CONTINUA…














