O México tem um jogador chamado Gerardo Flores, que, por algum motivo, é conhecido como “Jerry” pela torcida do seu time, o Cruz Azul. É um rapaz magrinho e moreno, nascido há 27 anos no Estado de Morelos, o mesmo do grande, heroico, bravo, incomparável Emiliano Zapata. Esse Jerry, se jogar hoje em Fortaleza, o Brasil vai golear.
Como posso afirmar isso com tanta segurança?
Pelo seguinte: Jerry joga na lateral direita, faixa do gramado que é habitat de Neymar. E Jerry é um jogador muitíssimo fraco. Tendo visto apenas uma partida do México, contra a Itália, domingo passado, alço-me à ousadia de dizer que ele é o jogador mais precário do seu time.
Jerry, contra os italianos, lembrou-me Claudio Radar em um Gre-Nal célebre dos anos 70. Claudio Radar era lateral-direito do Grêmio. Naquele clássico, o Inter pôs, em cima dele, Vacaria, Paulo César e Lula. Eles passaram a tarde inteira triangulando, colocando o Radar no bobinho. O Radar gritava por ajuda, mas os zagueiros, se não me engano Ancheta e Beto Fuscão (ou Beto Bacamarte) e mais o dedicado volante Cacau estavam mais preocupados com Flávio Minuano e Escurinho, que tinham o costume de cabecear na área do Grêmio. Deu que o Grêmio perdeu por 2 a 1 e, das tribunas do Olímpico, o então governador Guazzelli suspirou:
– Precisamos urgentemente de um novo lateral-direito.
Era o fim da carreira de Radar no Grêmio.
Radar nem era tão deficiente na marcação; Jerry é. E, se não terá pela frente um tripé como o do Inter de 1975, terá Neymar, o que pode ser ainda mais constrangedor.
Jerry é o nome do homem, Neymar. Meio índio. Número 22 às costas. Hesitante como se estivesse na primeira visita aos pais da namorada. Por ali passa a vitória, Neymar. Por ali.
O voluntário
O voluntário tinha no sorriso aquela luz clara que só os negros muito negros têm.
– E aiam, Davim – cumprimentou-me, enquanto passava meu laptop pelo raio X. – Eshtá tudo cehto?
Conferi o nome dele na credencial, como ele havia feito comigo, e caprichei no carioquês:
– Eshtá tudo bem, Denish.
Ele abriu mais o sorriso. Depois, arregalou muito os olhos redondos e baixou a voz para confidenciar:
– Cê já viu as mexicanash?
Balancei a cabeça.
– Ainda não...
– Muy bielash – suspirou. – Muy bielash...
A famosa repórter
Esse episódio com o voluntário Dênis aconteceu antes de Itália versus México. Quando ele falou da beleza das mexicanas, suspeitei que se referisse a Inez Sainz.
Inez Sainz (veja na página 43) é uma famosíssima repórter de TV do México. Ela usa sempre uma calça branca. E mais não digo a respeito.
O fato é que Inez Sainz não estava no jogo do México. Ela seguia a Seleção Brasileira. Hoje, estará em Fortaleza. Suponho que com aquela calça branca dela. E mais não digo.
* Texto publicado na Zero Hora desta quarta-feira, 19/06/2013






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