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Posts na categoria "Jô em casa"

Jô em casa — último capítulo

21 de outubro de 2009 80

Jô, o que a movia naquela manhã era uma espécie de fúria existencial. Caminhava pela casa feito uma felina, agindo mais por instinto do que por premeditação. Intuía o que fazer, sentia antes de pensar. Queria chegar ao fim. Queria descobrir toda a extensão do seu poder e até que limite este poder seria capaz de levar um homem. Queria descobrir, também, até que limite ela própria seria capaz de avançar. Aprendera, em suas aventuras recentes, que uma bela mulher é um ser repleto de possibilidades. Mas também aprendera que isso não basta. Uma mulher, além de bela, precisa ter opinião, e uma linda mulher munida de opinião pode ser muito perigosa. O quanto ela podia ser perigosa? Quanto podia afetar os outros e a si mesma? Estas questões ela pretendia desvendar naquela manhã.

E a desvendaria.

Ondulando sozinha pela casa, Jô era uma predadora prestes a saltar sobre sua vítima, uma leoa rastejando pelo capim alto em direção aos gnus que bebiam água no leito do rio. Estava vestida com uma camiseta regata que mal lhe cobria as nádegas, e nada mais. Nem calcinhas, nem calçados, nada. Foi assim, seminua, que recebeu o seu gnu. Abriu a porta ao toque da campainha e detrás dela surgiu um Lucas imponente e belo como um Apolo, sim, mas olhando-a com olhos assustados, como se tivesse que temê-la.

E tinha.

Jô mandou que entrasse sem dizer palavra, com um gesto de cabeça. Notou que Lucas engoliu em seco ao ver como ela estava vestida.

- Jô – balbuciou ele.

- Senta ali - ordenou ela, apontando para uma poltrona na sala.

Lucas calou e obedeceu.

Jô sentou-se numa poltrona colocada exatamente em frente.

- Agora - começou ela. - Você vai fazer o que eu mandar, sem falar nada, entendeu? Não quero ouvir o som da sua voz. 

- Jô, eu…

- Não quero ouvir o som da sua voz!

Ela falou num tom que não permitia contestações. Era uma sargenta de coxas nuas. Lucas abriu a boca, um soldado raso, e assentiu com a cabeça.

- Lucas, meu cunhadinho… - a voz dela tornou-se macia. - Você vai me obedecer - enquanto falava, Jô abria as pernas lentamente. - Vai fazer tudo o que eu mandar. - Abriu mais um pouco… Lucas, aboletado na poltrona em frente, baixou os olhos para o entrepernas de Jô e remexeu-se como se estivesse sentado num espinheiro.

- Você vai fazer o seguinte, cunhadinho - Jô sussurrava, sentindo o prazer do pecado lhe pulsar no peito. - Você vai cair de quatro no tapete e vai se arrastar até aqui - abriu bem as pernas, abriu-as de maneira que ficasse exposta como jamais ficara em sua vida. Lucas olhava para ela e respirava com dificuldade. Não era a Jô que ele conhecia que estava ali. Não era a sua cunhada com quem brincava feito criança. Era outro ser. Era uma fêmea. Hesitou. Remexeu-se mais uma vez na poltrona. Fez menção de se erguer. Gaguejou:

- J… Jô… 

- Cala essa boca e vem - mandou Jô, completamente aberta, ela própria arfante, sentindo-se uma vagabunda, sentindo-se um bicho. 

- Vem! - ordenou de novo.

E ele se pôs de pé. 

- De quatro! - mandou Jô. - Eu disse de quatro!

E Lucas, percebendo que não podia fazer nada, senão obedecer, dobrou os joelhos e os fincou no chão e levou as mãos à frente e ficou de quatro.

Jô sorriu. 

- Agora vem, meu cachorro!

E ele foi. Percorreu os metros que havia entre as duas poltronas de quatro, como se fosse mesmo um cachorro, e Jô repetia: 

- Cachorro! Cachorro!

E escancarou o sorriso e escancarou-se toda ainda mais do que já estava escancarada e, quando ele a alcançou, ela tomou nas mãos um tufo dos cabelos de sua nuca e guiou-lhe a cabeça para o meio das pernas dela, para o seu centro. Não permitiu que ele tirasse as mãos ou os joelhos do chão. Assim, de quatro, obrigou-o a satisfazê-la.

E ele a satisfez.

Jô compreendeu que o gozo intenso que a percorreu, um gozo de ondas e convulsões, foi devido mais ao estado de excitação dela do que à habilidade dele, mas, ainda assim, reconheceu que Lucas se empenhou na tarefa. Quando ela enfim se sentiu saciada, recuou na poltrona, recolheu as pernas e falou:

- Certo, Lucas. Pode se levantar agora.

Lucas se ergueu. Estava ofegante, vermelho, desgrenhado. Jô sorriu. Achou graça um homem ficar naquele estado.

- Jô, você é… - ele começou, mas ela o interrompeu com um levantar de mão.

- Para! - mandou. Era ela quem mandava. Ele parou.

Jô pulou da poltrona. De pé, puxou pudicamente a camiseta para baixo.

- Vai embora - disse, sem nem olhá-lo na cara.

Lucas passou a mão pelos cabelos, tentou se aproximar. Repetiu, pela enésima vez naquela manhã: 

- Jô, eu… 

- Vai embora! - ela quase gritou. - Vai! - repetiu, e apontou para a porta.

Outra vez vacilante, Lucas moveu-se em direção à saída. Ainda tentou um gesto de aproximação, virou-se para ela, mas ela continuava inflexível, tesa, uma estátua de determinação. Percebeu que não ia demovê-la de nada, que era ela quem estava no comando. E mais uma vez obedeceu.

Em silêncio, cabisbaixo, quase humilhado, Lucas se retirou. Deslizou para fora, fechou a porta suavemente e desapareceu. Jô continuou por alguns segundos parada de pé no meio da sala, sem pensar, apenas tentando entender o que sentia.

O que sentia não era bom.

Não sabia exatamente o que era, mas sabia que não era bom. Dentro dela crescia um certo desprezo pelas pessoas, pela obviedade do mundo, pela dessacralização da vida, por ela própria.

Sentou-se na ponta do sofá, sentindo os olhos marejarem. Atirou-se ao comprido e permitiu que o pranto lhe subisse pelo peito. O que havia acontecido, o que estava acontecendo com ela naquele momento? Será que fora longe demais? No que havia se transformado? O que seria de sua vida?

De alguma forma, isso tudo ela ainda teria que descobrir.

Postado por David

Aviso aos leitores!

19 de outubro de 2009 10

O próximo capítulo de Jô em casa será o último!

Deste folhetim. Não quer dizer que as aventuras da nossa bela heroína terminem por aqui…

Postado por David, pensando em Jô e Karina…

Jô em casa — 18º Capítulo

14 de outubro de 2009 14

Jô não falou. Ficou algum tempo de pé, tentando se imaginar no esquema proposto pelo marido. Enquanto os pensamentos tomavam forma em sua cabeça, a irritação foi dominando-a, foi se adonando de sua alma, até se transformar em algo próximo da raiva. Porque, em resumo, a ideia dele, se colocada em prática, faria dela uma vagabunda vulgar e dele em um corno manso. Se Fábio não descobrisse as suas traições, ou fingisse não descobrir, ela aceitaria ficar com ele. Mas como ficar com um homem que, mais do que concordar, espera que ela saia de casa para se entregar a outros homens? Se este fosse o acordo original, se ao se casarem estivesse acertado de alguma forma, implícita ou explícita, que ela teria liberdade sexual, se desde o princípio fosse assim, tudo bem, ela podia conviver com isso. Mas não depois de um relacionamento tão antigo, regulado por normas tão tradicionais, um relacionamento que gerou filhos e uma casa e toda uma estabilidade burguesa. Ah, não!

Mas ao mesmo tempo…

Ao mesmo tempo…

Jô começava a sentir algo diferente em relação ao marido, ao casamento, a toda aquela situação. Precisava pensar mais um pouco, precisava decidir o que fazer. Tinha que ganhar tempo. Olhou nos olhos de cordeiro de Fábio e disse:

— Vamos voltar para casa agora.

— Mas a minha ideia, Jô? O que você achou da minha ideia?

— Falamos depois sobre ela, certo?

— Certo…

Caminharam lado a lado, em silêncio. Jô percebia que Fábio estava angustiado com a situação, mas ela não pretendia diminuir essa angústia. A cada passo ela ficava mais decidida, a cada passo compreendia mais o que estava sentindo.
Quando chegaram em casa, Jô anunciou que ia se recolher. Foi para cama. Dormiu um sono sem sonhos. No dia seguinte, não falaram mais no assunto. Volta e meia, Jô notava o olhar aflito que Fábio lançava em sua direção, mas ele não se atrevia a perguntar nada. Ele apenas calava. Karina e Lucas não agiram diferente. Como Jô se manteve à distância, ninguém ousou se aproximar.

Nada mais aconteceu no fim de semana.

Mas a segunda-feira chegou.

Fábio foi trabalhar.

As crianças foram à escola.

Jô ficou sozinha.

Então, ela cometeu uma loucura absoluta. Algo que ela não se imaginava capaz de fazer. Não havia planejado nada daquilo. Apenas teve a ideia e fez. Fez. Ligou para Lucas. Não disse alô. Disse:

— Quero que você venha aqui agora.

— Como?

— Aqui. Agora.

E desligou.

 

O que aconteceu??? O que fez Jô??? Saiba logo mesmo, no próximo capítulo de… Jô em casa!!!

Postado por David

Jô em casa — 17º Capítulo

12 de outubro de 2009 51

As palavras emergiam vagarosas da boca de Fábio, as sílabas escandidas, as frases bem pontuadas. Eram palavras sobre as quais ele já havia refletido, via-se. Palavras que se lhe tinham revirado e fermentado na cabeça durante muito tempo. Não eram casuais. Jô se surpreendeu com essa premeditação. Não fazia ideia de que o marido pudesse pensar esse tipo de coisa. Ele parecia sempre tão direto, tão convicto de sua própria vida… Mas de imediato Jô compreendeu que era ingenuidade da parte dela acreditar que alguém tinha tantas certezas assim. As pessoas estão sempre em dúvida sobre a vida que estão levando, sempre desconfiam de que a diversão está acontecendo em outro lugar. Fábio também devia alimentar as suas angústias, só que não falava delas.

- Não quero ser hipócrita, Jô – começou ele. – Mas às vezes a gente é obrigado a ser hipócrita. A sociedade obriga. O casamento serve para a gente ter filhos e para criá-los. Basicamente é isso. Mas é muito difícil cumprir essa tarefa sozinho. Daí o casamento. Mas também serve para a gente fugir da solidão. No casamento, a gente tem alguém com quem partilhar a vida. Alguém que vai se importar com a gente, que vai ouvir a gente. Um homem chega cansado do trabalho e sabe que em casa terá um lugar aconchegante para descansar, para tirar os sapatos e suspirar, sabe que poderá falar das coisas ruins do mundo para uma mulher compreensiva. Isso é o casamento, Jô. Isso são as coisas boas do casamento. Ou pelo menos é assim que deveria ser. É assim que a gente imagina que vai ser.

- Eu sei, Fábio, mas eu…

- Não me interrompa, Jô. Me deixa falar.

Jô suspirou. Achou que ele tinha razão. Que ele merecia pelo menos o direito de fazer um discurso, nem que fosse o último discurso.

- Tudo bem - concordou.

- Jô… – prosseguiu Fábio, pensativo, medindo com cada vez mais cautela o que ia dizer. – Você é uma mulher linda e é muito mais jovem do que eu. Sei que há vários garotões que fariam loucuras por você e…

- Isso não é problema, Fábio. Você é muito melhor do que qualquer garotão – atalhou Jô, e ela estava sendo sincera. Fábio era um homem atraente. A maturidade, inclusive, o tornava ainda mais atraente. Não era esse o problema, de fato.

- Para – disse ele, impaciente. – Deixa eu terminar.

Novo suspiro:

- Tudo bem…

- Jô, eu sei que você tem vontade de fazer… coisas… Ter aventuras… Não tem problema, eu também me sinto angustiado, às vezes. Porque, afinal, a gente quer ter tudo, não é? Quer ter a segurança e o conforto de um lar e quer ter uma vida excitante, em que tudo pode acontecer. Eu sei que é assim.

Jô estava levemente surpresa. O marido até que havia resumido bem a situação.

- Bom, Jô – ele prosseguiu. – O problema é que amo você, amo a nossa família e amo a vida que a gente tem em comum.

- Eu também, Fábio… – mais uma vez, ela estava dizendo a verdade absoluta, embora parecesse contraditória.

- Então, Jô, é com esse amor que eu digo a você que não me importo que você saia de vez em quando. Não me importo que você faça uma viagem uma vez por mês, por exemplo, e passe uns dias com sua amiga Maya, ou até com essa Karina, que, eu reconheço, Jô, eu estou vendo, ela é mesmo linda, e é uma mulher desejável.

Por um átimo de segundo, Jô sentiu-se desconfortável com aquela observação do marido. Será que ele desejava Karina? E, se desejasse, será que ela, Jô, estava sentindo ciúme? Ciúme do homem de quem queria se separar??? Outra coisa a incomodava: Fábio parecia convencido de que ela se tornara lésbica. Será que teria de falar sobre isso? Não queria falar disso.

Não precisou, porque Fábio não cessou com o discurso.

- O que eu te proponho é isso, Jô: proponho que você faça o que quiser, desde que faça longe de mim, desde que eu e as crianças não saibamos de nada. Que você tenha a sua vida privada e intocada durante um ou dois dias por semana, durante suas férias, durante alguma viagem. Mas não vamos nos separar, Jô. Por favor. Nós construímos uma vida em comum e acho que precisamos fazer alguns sacrifícios para mantê-la. Não perguntar nada e não querer saber é o meu sacrifício. O que você acha, Jô? Diga agora.

Assim, Jô estava confrontada com essa proposta. Seu próprio marido dizia que toleraria suas infidelidades, desde que ela continuasse morando com ele. Ou seja: ele aceitava partilhá-la com outros, mas não queria ficar sabendo de nada. O que exatamente significava aquilo? O que Jô deveria sentir? O que deveria fazer?

 

 

Dê sua opinião, enquanto aguarda pelo próximo capítulo de… Jô em casa!
O que você acha? Como se sentiria no lugar de Jô?

Postado por David, escravo dos leitorinhos no feriadão

Jô em casa — 16º Capítulo

07 de outubro de 2009 54

Um homem não pode rastejar. Jamais. Um homem pode sofrer, e até deve. Uma mulher gosta de saber que um homem é capaz de sofrer. Rastejar, jamais. A dignidade masculina deve sustentar um homem de pé, deve mantê-lo com a coluna ereta ainda que por dentro ele esteja em pedaços, ainda que sua alma e seu coração tenham se tornado ruína.

Jô viu Fábio rastejar. Um homem que ela conhecia de toda a vida, que sempre admirara por sua maturidade, sua competência, sua praticidade, até por sua beleza, esse homem que um dia ela disse ser o seu homem, esse homem desabou aos seus pés. Ao ouvir da boca macia de Jô o anúncio duro da separação, Fábio primeiro ficou pasmado, boquiaberto, decerto incrédulo. Em seguida, ao constatar no rosto dela que ela falava a sério, seu próprio rosto se desfigurou, suas belas feições de homem maduro se desmancharam ali mesmo, na frente de Jô, e ele tentou falar e não conseguiu e baixou a cabeça feito um cordeiro que aceita o abate, e seus joelhos afrouxaram como se tivessem se desarticulado, e ele todo desmoronou. Fábio ajoelhou-se aos pés de Jô. Deslizou rente ao corpo dela e fincou as rótulas na areia. Agarrou-se aos seus quadris e, pusilanimemente, abjetamente, vilmente, implorou:

— Não! Não! Por favor, não!

Jô olhou para os lados, temendo que houvesse testemunhas daquela cena tragicômica, mas a praia continuava vazia.

— Fábio — disse, tentando puxar-lhe pelos ombros. — Levanta. Levanta!

— Não, Jô! Não! ele repetia.

Naqueles segundos, uma onda de sentimentos conflitantes a assaltou. Jô sentia vergonha pela possibilidade de outros os flagrarem naquela situação e sentia vergonha por ele, Fábio, estar se humilhando. Não podia concordar que um ser humano se pusesse de joelhos diante de outro ser humano. Não se o motivo da genuflexão fosse a súplica. Aceitaria um homem ajoelhado a seus pés para lhe declarar amor, para lhe declamar um poema apaixonado, para beijar sua mão. Para pedir que não o abandonasse, isso não. Sobretudo um homem com quem partilhara a vida inteira, um homem que respeitava, pai de seus filhos. Não queria ver Fábio assim prostrado.

Mas ao mesmo tempo…

Ao mesmo tempo, o seu instinto de fêmea exultava com aquele abate, com um macho rojado ante ela, com seu poder de mulher testado e comprovado. Ela era capaz de fazer aquilo. Ela era capaz de dominar um homem até transformá-lo em um verme.

Transformar um homem em um verme… Era uma nova delícia que experimentava nesta nova fase de sua vida. Pena que a vítima era seu próprio marido, mas, Jô tinha de admitir, era um prazer inédito que a invadia. Olhou para ele ali embaixo, no subsolo da dignidade, e pensou: se eu quiser, posso empurrá-lo com a ponta de meu pé, e ele vai ficar estendido na areia, e então posso pisar no pescoço dele, posso mandar que ele beije e lamba a sola do pé que o derrubou, posso pedir que ele me siga de quatro, como um cachorro. Isso!, concluiu Jô. Um cachorro! Posso fazer de um homem um cachorro!

Essa ideia a fez sorrir por dentro, preencheu-lhe a alma, tornou-a maior do que nunca foi. E também fez surgir outro sentimento em seu peito: o desprezo por aquele homem que implorava por seu amor. Essa a palavra: desprezo. De alguma forma, Fábio mostrava ali que sempre a enganara. Ela pensava que tinha um homem forte ao seu lado, um homem com quem pudesse contar, que a protegesse, que lhe desse apoio e sustentação. Mas, não. Ao se humilhar, Fábio demonstrava ser um fraco. Como podia esperar fortaleza de um homem que se ajoelhava e balbuciava frases desesperadas como Fábio estava fazendo naquele momento? Sim, porque era o que ele estava fazendo.

— Jô, não, Jô… — repetia. E tartamudeava: — Não, por favor, eu não quero, eu te peço, por favor…

Nem sequer conseguia articular uma frase! A pena de Jô metamorfoseou-se em repulsa. Com uma impaciência quase feroz, ela ordenou:

— Levanta, Fábio! Levanta!

Como ele não se levantasse, ela valeu-se mais uma vez de seu poder. Falou como se fala com uma criança desobediente. Ou com um cachorro:

— Levanta, que eu estou mandando!

E Fábio se levantou.

De novo de pé, ele olhou para ela, e ela viu que havia lágrimas em seus olhos. Jô suspirou. A piedade retornou devagar ao seu coração.

— Para, Fábio — pediu, com a voz novamente suave. — Para…

— Jô… — disse ele. — Jô… — repetiu. — Você não pode ir embora. E os nossos filhos? O que aconteceu? O que você quer que eu faça? O que você quer para ficar em casa? Você está apaixonada por essa Karina? Não pode, você mal a conhece… O que é Jô? O que foi? Você agora gosta de mulher? — segurou-a pelos dois cotovelos, ainda suplicante. — O que é? O que aconteceu? É sexo, Jô? Está faltando sexo na sua vida?

Jô olhou para o mar. Não esperava por aquele tipo de diálogo. O que devia fazer? Queria sair correndo dali.

— — continuou Fábio. — Se é sexo que você quer, olha Jô, tenho uma proposta para lhe fazer.

Jô voltou o rosto para ele. Proposta? Que tipo de proposta Fábio faria? Seria o que ela estava pensando? Não podia ser. Fitou-o, curiosa. O que estaria passando pela cabeça dele? Que homem era aquele que a segurava pelos braços, choroso, lamuriento, pidão, e agora prestes a fazer uma proposta de fundo sexual? Jô não falou. Esperou. Quando Fábio enfim fez sua proposta, ela mal acreditou no que ouvia.

O que Fábio disse a Jô???
Saiba loguito, no próximo capítulo de Jô em casa!

Postado por David

Jô em casa

07 de outubro de 2009 18

Calmem!!!

Ainda hoje sai o novo e empolgante capítulo das aventuras da tenra Jô.

Postado por David, sorvendo um passado tirado na hora.

Jô em casa — 15º Capítulo

01 de outubro de 2009 44

Fábio continuou estacado na areia, uma estátua de sal. Balbuciava, cada vez mais sussurrado, cada vez mais baixo, até se tornar inaudível:

_ Jô… Jô…

Jô e Karina ficaram paralisadas por alguns segundos.
_ Ai, meu Deus - disse Karina, enfim.

_ Não se preocupe - consolou-a Jô, segurando-lhe o cotovelo macio. - Vai pra casa, fica com o Lucas e faz de conta que não aconteceu nada. Eu resolvo isso.

_ Que vergonha, Jô.

_ Não se preocupe, já disse. Vamos fazer assim: eu vou na frente, vou tirar o Fábio daqui. Depois você sai da água e vai para casa. Fica tranquila. Fica na boa.
Karina suspirou.

- Tá bem…

Jô sorriu e apertou o braço da loira. Karina atirou-se numa onda e nadou em paralelo com a praia, a cabeça fora d´água, as braçadas largas, as nádegas redondas se projetando da superfície do mar como as barbatanas de um tubarão. Jô a deixou, enfim, e rumou para a areia, na direção de Fábio. Naqueles breves segundos, tomou consciência de como mudara nos últimos tempos. Se aquilo tivesse ocorrido antes da sua primeira viagem sozinha, não saberia o que fazer, entraria em pânico, se desesperaria. Agora, não. Agora, Jô era dona de uma segurança inédita para ela.

Enquanto marchava nua e molhada em direção a Fábio, Jô tentou imaginar-se nesta mesma situação dois anos atrás. Ela nua na praia depois de o marido tê-la flagrado beijando uma mulher! Nossa! Impensável! Isso nunca aconteceria com a velha Jô. Mas agora a nova Jô caminhava completamente nua, ao ar livre, como se estivesse em casa, como se estivesse de tailleur, como se estivesse na missa de domingo.

Jô pensou com algum divertimento que já estava se acostumando com isso de ter ser flagrada sem roupa por um homem e ter de enfrentá-lo munida desta sua recente autoconfiança. Só que agora o homem era o próprio marido. Que se encontrava visivelmente chocado à beira da praia. É. Isso não podia ser considerado divertido.

Mas Jô não se sentia abalada. Nem sequer sentia-se mal. De certa forma, aquilo resolvia os seus conflitos, dava um rumo certo para a coisa toda. Devia ser prática, devia usar a lógica e a inteligência, não o coração. Era o que ia fazer. Saindo das águas do Atlântico, Jô decidiu o seu futuro.

Passou por Fábio.

- Jô – disse ele pela centésima vez.

- Vem aqui, Fábio – ela ordenou, e caminhou até suas roupas.
Vestiu a calcinha, enfiou o vestido pela cabeça.

- Vem – repetiu, e saiu a passo para o lado oposto em que nadava Karina. Jô queria tirá-la do caminho de Fábio, queria que ele se esquecesse de Karina. E sabia que, depois de conversarem, ele se esqueceria.

Fábio a seguiu.

- O que é isso, Jô? – perguntou Fábio, enfim. – O que estava acontecendo lá na água?

- Vem, Fábio – ela continuou caminhando sem olhar para ele.

- Você estava beijando a namorada do meu irmão, Jô! Eu vi, Jô!

Fábio agora começava a se irritar. O que até deixou Jô aliviada. Ela não suportava mais ouvir aquele Jô, Jô, Jô… Enquanto caminhava pela areia, tentou cogitar o que teria acontecido se Lucas as tivesse flagrado naquele beijo. Provavelmente ele se juntaria a elas. Tiraria a roupa, entraria na água e participaria da festa. Como elas poderiam repudiá-lo? Como elas o excluiriam? Sim, Lucas se juntaria a elas. Fábio, não. Fábio, de jeito nenhum. Não era o estilo dele, definitivamente.

- Jô! – ele a segurou pelo braço. – Para, Jô!

Jô parou. Olhou para ele.

- Vamos conversar, Jô. Quero explicações agora mesmo!

Jô ficou observando-o por certo tempo. Explicações? Por que ela tinha que dar explicações sobre seus atos? Estava fazendo mal a alguém? Estava cometendo algum crime?

Estalou os lábios.

- Explicações…

- É, Jô! Explicações! Você é minha mulher! Como minha mulher, você me deve explicações! Porque eu vi o que vi, Jô! Vi você beijando a namorada do meu irmão! O que é isso, Jô? Você virou lésbica? É isso? Há quanto tempo você é sapata? É por isso que você viajou sozinha aquelas vezes? Aquela sua amiga paulista, aquela Maya, ela é sua amante, Jô? É isso??? Vou repetir: você me deve explicações, sim, Jô! Porque você é minha mulher!

- Bom, Fábio – ao contrário dele, Jô estava calma, perfeitamente dona de suas faculdades. Raciocinava com serenidade implacável, tudo estava muito claro em sua mente. Ela sabia o que dizer. E disse: – É simples: o problema é exatamente esse. Eu não quero ter que dar explicações a ninguém.

- Mas você tem que dar, Jô! Você é minha mulher!

Então, Jô falou o que, no fundo da alma, sabia que tinha de falar algum dia:

- Eu não quero mais ser sua mulher, Fábio.

Fábio retesou os músculos. Arregalou os olhos.

- O que você está dizendo?

- Estou dizendo que quero me separar, Fábio.

Bitz! Com mil wolfrembaers, e agora???
Jô vai se separar de Fábio?
Saiba logo, no próximo capítulo de… Jô em casa!!!

Postado por David

Jô em casa — 14º Capítulo

29 de setembro de 2009 46

Fraga

E então as águas escuras do mar de Pinhal abriram-se para receber aquelas duas beldades nuas, como um dia antigo de milênios as do Mar Vermelho se afastaram para deixar passar o povo de Moisés. Desta vez não eram sandálias toscas de couro de jumento que afundavam na areia molhada, mas dois pares de pés delicados, tratados a creme francês, as unhas decoradas pelo trabalho afanoso de manicures especializadas, as cutículas removidas com critério de artesão, os calcanhares macios como pãezinhos seven boys. As ondas azuis lhes lambiam as coxas lisas, elas se arrepiavam de frio, os bicos de seus seios enrijeceram, os pelinhos macios de suas nucas se eriçaram, mas elas continuavam avançando mar adentro. Karina, que estava alguns metros adiantada, parou ao ouvir o chamado de Jô.

Virou-se de lado. Esperou-a. A silhueta longilínea de Karina se destacava contra o horizonte azul. Jô a admirou. Parada nua no meio do mar, era como a Vênus de Boticelli emergindo de sua concha em toda a glória da beleza da mulher.
Jô caminhou na direção dela emitindo pequenos gemidos à medida em que a água gelada lhe envolvia novos nacos de carne. Karina aproveitou uma onda um pouco maior e mergulhou para que o corpo se acostumasse à temperatura da água. Desapareceu no mar feito uma sereia para reaparecer mais adiante, sorridente, luminosa. Jô sorriu e a imitou. Logo, as duas puseram-se lado a lado e saltaram com as ondas, rindo, gritando de prazer. Quem as visse da praia poderia julgar que eram duas crianças brincando e, na verdade, era o que eram.

E brincaram e saltaram e nadaram, duas meninas, dois peixinhos, duas sereias, duas deusas. Jô sentia-se livre, sentia-se completa assim, nua, contemplando a nudez resplandecente de Karina. Elas podiam fazer o que quisessem, elas eram duas belas mulheres estuantes de vida, que não deviam nada a ninguém, que não tinham culpa ou remorsos. Elas tinham o poder.

Jô não se cansava de olhar para Karina, tão perfeita, uma obra acabada da Natureza. O mundo se tornava melhor sabendo-se que Karina estava nele. Continuaram pulando na água, nenhuma delas falava, apenas riam e se olhavam e se olhavam e se olhavam e permitiam que o olhar de uma lambesse o corpo da outra.

Em meio às brincadeiras, Jô se desequilibrou ao quebrar de uma onda e Karina a segurou pelo braço, puxou-a para si, não deixou que caísse. Ficaram muito próximas, muito juntas, pele contra pele. Karina era um pouco mais alta, mas, ao apoiar o peso do corpo num só pé, colocou-se à altura de Jô e os seios das duas se roçaram, os mamilos tesos esgrimindo. Por um segundo, Jô achou que aquela carícia não fosse intencional, mas não demorou a concluir que, sim, era sim, Karina queria fazer o que estava fazendo. Jô empinou-se toda, projetou os quadris para trás e o peito para frente, tornou-se um S de carne tenra e segurou Karina pela cintura e olhou no fundo de seus olhos verdes de água. Karina respirava pela boca e olhava-a languidamente e continuou lânguida e entregue enquanto Jô a prendeu com mais força e a envolveu com seus braços e aproximou seus lábios dos lábios dela.

E Jô a beijou.

Teve consciência, durante o beijo, que, pela primeira vez na sua vida, tomava a iniciativa. Nunca fizera algo parecido antes, nunca tentara possuir alguém, fora sempre ela a possuída, ela era o banquete, jamais o comensal. Agora era diferente. Agora, Jô queria tomar Karina, e isso a deixou ainda mais excitada. Esgueirou a língua por entre os dentes de Karina, sentiu-lhe o gosto doce da boca, apalpou-a e acariciou-a, teve-a para si. Karina era dela naquele momento, dela, sua propriedade, sua, Jô tinha a seu dispor um outro corpo com o qual se deliciar, e aquela era uma sensação inédita e inebriante.

Entregaram-se, as duas, a um beijo sem fim, carinhoso e sôfrego ao mesmo tempo, um beijo que jamais haviam beijado. E da boca Jô desceu para o pescoço e do pescoço para os seios de Karina e as pequenas mãos de Jô empalmavam a carne rija das nádegas da outra e Jô ia enlouquecer de prazer, quando ouviu aquele grito:

- Jô!

Uma voz de homem. Uma voz horrivelmente familiar:

- Jô!

Foi como se o mar inteiro tivesse congelado. Jô tirou a cabeça do corpo molhado de Karina e olhou para a praia. Ali adiante, parado na areia, os pés cobertos pela espuma branca, estava o seu marido Fábio, os olhos muito arregalados, a boca muito aberta, repetindo sem cessar:

- Jô… Jô… Jô…

 

E agora???
O que acontecerá com a nua Jô e a não menos nua Karina???
Saiba logo, no próximo empolgante capítulo de… Jô em casa!

Postado por David

Jô em casa — 13º Capítulo

27 de setembro de 2009 10

Era uma cena familiar. A cena mais familiar que Jô poderia presenciar. O marido, Fábio, sentado à mesa de jantar, jogando pontinho com os filhos.

– Oi, mãe! – saudaram-na em coro Pedro e Alice, assim que ela pisou no soalho de tábuas da casa com seu pequeno pé coberto de areia da praia.

Jô sentiu o peito se comprimir. Sua família ali, reunida em alegria e harmonia, e ela pensando em cometer desatinos sexuais. Sentiu-se uma mulher pérfida e imoral, sentiu-se uma ingrata. Ela tinha uma bela família, lindos filhos, um bom marido, e tudo o que queria era se entregar aos prazeres da carne.

Por que isso? Por quê???

Será que ela não podia simplesmente viver uma vida… normal? Será que ela não podia mais ser quem era tempos atrás? Jô ficou parada à porta, assistindo à cena. Depois de aproximou devagar, tomada não pelas labaredas do desejo, mas pela brisa da ternura. Posicionou-se atrás da cadeira do marido. suspirou. Pousou a mão suavemente na cabeça dele, fazendo um carinho. Fábio se retesou, como se tivesse levado um choque.

– Não atrapalha, Jô! – reclamou. – Estou jogando!

Jô tirou a mão, magoada, sentindo-se agredida. Não disse nada, caminhou até a cozinha, tentando avaliar os seus sentimentos. Amava aquelas pessoas, seus filhos, seu marido, amava-os, mas tinha bem claro em sua alma que a vida familiar era pouco para ela. Não que lhe fosse insuportável. Não era, era até boa. Uma garantia de tranquilidade, de paz e de proteção. Só que era pouco. O gesto de Fábio, um gesto de evidente impaciência, revelava o quão pouco se tornara aquela vida para ela. Pois o que dera a Fábio o direito de ser impaciente com ela, o que lhe dera o direito de se virar na cama e dormir, o que lhe dera o direito de quase nem mais olhar para ela com admiração ou cobiça, o que lhe dera tais direitos era, justamente, a vida familiar. A intimidade. A convivência diária. Aquilo, aquele carinho renegado, aquela frase brusca, aquilo representava muito para Jô.

Jô queria mais.

Jô sabia que era uma mulher linda e desejável, e sabia que a vida é curta. Jô queria absorver o melhor da vida já. Agora. Sem esperar.

Estava em frente à geladeira, raciocinando, quando Karina entrou na cozinha. Vestia um short branco curto e a parte de cima do biquíni. Calçava um chinelinho de couro. Jô olhou para ela; ela olhou para Jô. O que havia naquele olhar verde-água? Karina era uma esfinge.

– Você tomou banho de mar agora? – perguntou Karina, abaixando a cabeça e olhando para o vestido de Jô, que lhe grudara na pele à altura da calcinha.
Jô pensou que Fábio não havia percebido isso. Fábio nem sequer olhara direito para ela.

– Tomei – respondeu.

– Nua?

A pergunta de Karina, por algum motivo, a perturbou. Nua, ela disse. Nua. Por que Karina queria saber se ela tomara banho nua? Não era o tipo de pergunta que se fizesse. Ao menos não daquela maneira tão formal. Ao responder, a voz de Jô saiu rouca:

– Entrei no mar só de calcinha.

Karina continou olhando-a, séria. Jô sustentou aquele olhar. Karina enfim falou, e sua voz também saiu-lhe baixa.

– Vou fazer isso. Vou imitar você. Vou tomar banho de mar agora. Nua.

Dito isso, saiu da cozinha, deixando Jô parada, de pé, pensando. Aquilo era uma provocação. Só podia ser uma provocação. Por que ela dissera que iria tomar banho nua? E por que dissera com tamanha gravidade, de um jeito tão insinuante. Karina queria algo com ela, claro que queria.

A respiração de Jô ficou mais pesada. Entreabriu os lábios. Decidiu-se. Ia atrás. Ia!

Foi.

Saiu da cozinha, foi para a sala, passou pela mesa em que o marido e os filhos jogavam. Nem repararam nela, estavam marcando os pontos num caderno de pauta. Jô saiu de casa. Desceu o deque. Pisou na areia. Avistou Karina logo adiante. Já estava sem o short. Vestia apenas o biquíni. E, pelo que Jô conseguiu entrever na escuridão, levava as mãos às costas para tirar a parte de cima. Ia se despir. Ia ficar nua. Jô resolveu que ficaria nua também. Entrariam as duas nuas no mar.


Entraram? O que aconteceu?
Saiba logo, logo, no próximo capítulo de… Jô em casa!

Postado por David

Jô em casa — 12º Capítulo

24 de setembro de 2009 32

Jô caminhou apressada pela areia, ansiosa para chegar logo em casa. Estava resolvida. Não ia entrar no quarto, fechar a porta, despir-se e atirar-se na cama. Não. Mas quase isso. Ia entrar no quarto, fechar a porta e esperar. Ficaria parada, muda. Esperando. Se um dos dois, Lucas ou Karina, a puxasse pela mão e a conduzisse até a cama, se um dos dois, ou os dois, lhe sacasse as roupas e a fizesse deitar, se um deles, ou ambos, começasse a acariciá-la, a passar a mão nela, a fazer o que quisesse com ela, ela permitiria. Caso contrário, se eles estranhassem sua presença ali, se perguntassem o que ela queria, se manifestassem qualquer forma de desconforto, Jô simplesmente diria que viera pedir desculpas por ter entrado antes no quarto, que entrara por engano, que estava meio tonta de sono e por isso errara de porta. Era um bom plano. Pelo menos era o que Jô achava.

Assim decidida, avançou pelo escuro da noite, ouvindo o bramido do oceano, cogitando se o lugar, a praia, as roupas poucas, se todo aquele ambiente não contribuía para transtorná-la daquela maneira. Jô precisava de sexo. Precisava.

Chegou à casa, enfim.

Entrou.

E o que viu a paralisou. O que viu quase a fez chorar.

 

 

O que Jô viu???

 

Esse capítulo foi curtinho, sei, mas só assim para não deixar os leitorinhos na mão numa quinta-feira de começo de primavera, em que as obrigações a toda hora me solicitam. Daqui a pouco vem mais. Aguardem!

Postado por David, correndo para o Pretinho Básico

Jô em casa — 11º Capítulo

22 de setembro de 2009 22

Fraga

Era pouco mais que um menino. Quantos anos teria? Dezessete? Talvez menos. Devia ser surfista. Pelo menos tinha o tipo. Corpo bem proporcionado, músculos desenvolvidos, cabelo alourado. Vestia bermuda, e nada mais. Levava o vestidinho de Jô numa das mãos e, no rosto, um sorriso que era todo malícia. Ao avançar pela areia e pela escuridão, Jô divisou aquele sorriso maroto e se irritou. Ele havia pego o vestido, evidentemente, para provocar a mulher que decidira nadar nua. Uma molecagem de um moleque, nada mais. Só que ela não era moleca. Ela era uma mulher. Avançou em direção ao garoto sem hesitação. Já fizera isso antes e sabia que reação uma mulher bonita e nua, ou seminua, desperta num homem. A beleza de uma mulher pode ser opressiva para alguns homens. Um garoto, então, não teria como resistir. Ela ia fazer picadinho dele. Picadinho.

Foi em frente, decidida como um general conquistador. E viu o sorriso no rosto do rapaz se dissipar aos poucos. Ele arregalou os olhos, engoliu em seco e estendeu o braço que carregava o vestido.

- É seu? – perguntou.

- Você sabe que é meu! – respondeu Jô, irritada. – Por que pegou?

O garoto olhava embasbacado para ela. Jô sabia-se dona de um corpo perfeito e de um belo rosto, sabia que os homens a desejavam, sabia que muitos seriam capazes de loucuras para tê-la nem que fosse por uma única noite. Jô conhecia a extensão do seu poder. Agora, ia experimentá-lo naquele moleque. Aproximou-se dele. Parou a poucos centímetros de seu peito nu, que arfava de nervosismo.

- D-d-desculpa… – balbuciou o garoto.

Jô analisou-o bem. Examinou-o com olhar crítico de alto a baixo, propositalmente arrogante.

- Desculpa… – repetiu ele. Estava a ponto de chorar.

Jô aproximou-se ainda mais. Encostou o corpo molhado no corpo dele. Os bicos de seus seios roçaram no peito do menino. Que entreabriu os lábios e emitiu um ruído rouco:

- Aaaah…

Jô sorriu. Olhou para baixo. Para o volume que crescia sob a bermuda.

- Garoto… – sussurrou.

E levou a mão espalmada ao peito dele, e sentiu-lhe a carne adolescente entre os dedos, e percorreu com a mão aberta o peito, o abdômen, a virilha, e mergulhou-a na bermuda sem pedir licença, invasora, desbravadora, perpetradora. Sorrindo, sorrindo sempre, sorrindo malevolamente, sentindo-se má e poderosa, Jô agarrou o membro do rapaz, apertou-o, manipulou-o por alguns segundos, fazendo-o gemer e se retorcer, e depois o soltou. Tirou a mão de dentro da bermuda. Tomou o vestido da mão dele. Ralhou:

- Isso é meu.

Com o que, deu-lhe as costas e marchou pela areia, deixando-o prostrado, murmurando:

- Oh… Ooooh…

Parou para pôr o vestido e, quando o vestiu, o rapaz fez menção de segui-la. Jô esticou o braço, num gesto de guarda de trânsito. Mirou-o, séria:

- Não sai daí! – ordenou, como se ele fosse um cachorro, e, como um cachorro, ele obedeceu.

Jô caminhou de volta à casa, satisfeita consigo mesma, resolvida a fazer o que havia pensado em fazer originalmente: a entrar no quarto de Lucas e Karina e atirar-se no meio deles, feito uma vagabunda. Uma vagabunda. Uma vagabunda.

Fez? Jô fez o que decidiu fazer?
Saiba logo, no próximo excitante capítulo de Jô em casa!

Postado por David

Jô em casa

22 de setembro de 2009 11

Fraga
Eis Jô, aflita, na praia. O que acontecerá com nossa bela heroína?

Postado por David

Jô em casa — 10º Capítulo

21 de setembro de 2009 29

Enquanto corria pela areia, Jô pensava sou louca, louca, me transformei numa desvairada, numa tarada. Há pouco tempo, era uma mulher certinha, comportada, até previsível, e agora nem ela mesma sabia o que podia esperar dela. O que faria quando chegasse à casa? Entraria no quarto, cerraria a porta, tiraria a roupa e se jogaria nua na cama entre Lucas e Karina, esfregando-se neles, entregando-se a eles? Pediria façam tudo comigo, tudo, tudo? Tinha ganas de agir assim, claro que tinha, mas aí já seria demais. Algum prurido, algum cálculo, alguma concessão à inteligência Jô teria de fazer. Afinal, ela não podia atirar-se exclusivamente aos seus desejos. Era certo que queria fazer coisas que ainda não fizera, que queria se jogar à aventura do próprio corpo, era certo que queria experimentar mais do que experimentara até então. Mas precisava tomar alguns cuidados. Afinal, havia o marido Fábio, havia os filhos, havia a sua família. Ainda que tivesse certeza de que satisfazer suas vontades não causaria mal algum a qualquer pessoa, tinha a consciência de que a moral, a hipocrisia e os costumes poderiam fazer sua família sofrer. Precisava resolver essa equação. Precisava ser quem ela queria ser, livre, dona de si mesma, inteira e, ao mesmo tempo, manter os seus afetos, preservar as pessoas de quem ela gostava e que gostavam dela.

Mas como fazer isso?

Como???

Em primeiro lugar, precisava pensar. Parou de correr. Virou-se para o mar. Fincou as mãos à cintura. Estava confusa. Como deveria agir? O desejo, a vontade de ser possuída, de tocar e ser tocada, a ânsia por outros corpos tomara conta de seu corpo, endurecia-lhe os bicos dos seios, latejava-lhe no sexo.

- Ai, meu Deus - murmurou Jô. - Aiai…

Jô sentia o desejo lhe escalar as coxas e instalar-se-lhe no entrepernas. Olhou em volta. A praia estava vazia. Anoitecia, já. Repetiu, num suspiro:

- Ai, meu Deus…

Nunca se sentira assim, tão dependente das ardências do próprio corpo. Tinha que fazer algo para se acalmar. Se tivesse coragem, procuraria um homem atraente, o primeiro que visse, um completo estranho de quem não soubesse nem o nome e, como uma vagabunda vulgar, pediria:

- Faça comigo o que você quiser. Agora.

E se deixaria possuir e, depois do gozo animal, iria embora sem nem lhe revelar seu nome ou perguntar o dele, para nunca mais vê-lo, nunca mais…

Era uma fantasia, Jô sabia que se tratava de uma fantasia, mas estava tão louca, tomada de tal maneira pelo desejo, que sentia medo de querer realizá-la. Olhou mais uma vez para os lados. Tomou uma decisão. Tirou o vestido pela cabeça, ficou só de calcinha e, só de calcinha, entrou no mar. Sabia que era uma maluquice, sabia que era perigoso, sabia que não devia fazer aquilo, mas fez. Sentiu a água gelada lhe bater nas canelas, arrepiou-se toda, riu alto e, ignorando o frio, correu para as ondas. Atirou-se na primeira vaga alta que veio ao seu encontro e nadou vigorosamente em paralelo com a areia. Sentia-se deliciosamente livre dentro do oceano, deliciosamente insana. Nadou, nadou para um lado, para outro, até que, enfim, decidiu sair. Caminhou pela areia sentindo a calcinha molhada e minúscula lhe grudando no corpo. Fora da água, pisou na areia e… oh, Deus… oh, Deus…

Onde estava o vestido?

Jô olhou para um lado, para outro, procurando desesperadamente sua roupa. Não podia voltar para casa assim, praticamente nua. O escuro da noite lhe confundia não apenas a visão, mas a percepção do que estava acontecendo. Será que saíra no lugar certo? No lugar onde deixara o vestido? Caminhou para um lado, para outro, então viu um vulto parado logo adiante, ao lado de um cômoro. Na mão do vulto, ela reconheceu, estava o seu vestido.

 

E agora? O que aconteceu?

Saiba logo, no próximo capítulo de Jô em casa!

>>> Confira, em instantes, a ilustração do Fraga para este epísódio da saga de Jô!

Postado por David

Jô em casa — Fraga volta com tudo

18 de setembro de 2009 52

Fraga

Depois de parar alguns dias para reflexão, deixando os leitorinhos ansiosos e pidões, Fraga retornou com energia às peripécias de Jô. Reproduziu nossa heroína imaginando o que ocorria entre a bela Karina e Lucas no quarto contíguo ao seu e causou um debate entre a diretoria do blog. Uns acharam que ele foi longe demais, outros que é isso mesmo, que o Fraga está certo em dar ao povo o que o povo quer.

Beba da ilustração do nosso artista e dê você a sua opinião!

Postado por David

Jô em casa — 9º Capítulo

17 de setembro de 2009 32

Jô saiu de casa a passo, sem correr, sem alarde, mas saiu determinada. Saiu marchando. Em segundos, afundava os pés na areia quente. Caminhou pela beira da praia, sentindo a água fria das ondas lhe lambendo os tornozelos. Caminhou, caminhou, sem saber o que pensar, sem saber quem era agora e o que devia fazer. Decerto que cometera um erro. O que Karina e Lucas estariam falando sobre ela neste exato instante?

Karina.

Lembrou-se de Karina mais uma vez. Seus cabelos revoltos, castanho-dourados, lhe emoldurando o rosto de querubim. O corpo sinuoso e longilíneo, a pele lisa exalando frescor, os olhos de felina fitando-a, aqueles olhos inescrutáveis. O que estaria pensando naquele instante em que a vira entrar no quarto? Será que Karina, de alguma forma… oh, por que estava pensando nisso? Por quê? Não devia nem cogitar uma coisa dessas. Mas cogitava. Cogitava: será que Karina, de alguma forma, a desejava? Afinal, ela a elogiara na praia. A olhara de um jeito… Será que era um olhar concupiscente? Karina na praia, de biquíni de crochê. Por que não pensou no piercing quando a viu de biquíni? Por que só pensou no piercing quando a viu nua? Esperava ver um piercing em alguma parte esconsa daquele corpo irretocável?

Jô já estava se confundindo. Seus pensamentos se misturavam e rodavam e iam e voltavam. Gostava de homem, sabia que gostava. Mas, tinha de admitir, sua experiência com Maya abriu-lhe um novo universo. Admirava um belo exemplar de fêmea da espécie quando encontrava um, claro que admirava. E, pela primeira vez confessava para si mesma, não achava nada de errado em fazer amor com uma mulher. Lembrou-se de sua amiga Rita Helena, que um dia lhe disse:

- Eu me sinto atraída por mulheres às vezes, basta que elas sejam bonitas. E não tem nada de errado nisso, todo mundo gosta do que é bonito. Muito melhor se há coragem para fazer, e se tiver um homem junto!

Jô decorou as palavras da amiga. Quando Rita Helena fez esse discurso, sentiu-se levemente perturbada, como se a outra esperasse que ela, Jô, concordasse, que admitisse que também não via nada de errado em transar com quem fosse, onde fosse, como fosse. Jô, de fato, não via nada de errado nisso, mas não falou nada para Rita Helena. Emudeceu. Mudou de assunto. Agora, caminhando a esmo na praia, dizia para si mesma: não se importaria de entrar naquele quarto e transar com o próprio cunhado e sua namorada loira. Não achava que isso fosse errado.

Não achava.

Nada de errado.

Nada.

Será que devia voltar e entrar de novo naquele quarto? Será que devia confessar seus desejos a eles? Será que devia ser tão corajosa quanto Rita Helena?

Pensando nisso, Jô estacou. Virou-se. E começou a correr de volta para casa. Ia entrar naquele quarto outra vez. Ia!

Entrou?
Descubra logo, no próximo capítulo de… Jô em casa!

Postado por David