O Agnaldo Timóteo cantava:
"Mamãe, mamãe, mamãe! Eu me lembro o chinelo na mão, o avental todo sujo de ovo, se eu pudesse que queria outra vez, mamãe, começar tudo, tudo de novo".
A minha mãe, Dona Diva, usava avental e volta e meia me corrigia a chineladas, mas hoje as mães não são mais assim. No entanto, continuam sendo o que sempre foram, o que é representado pela máxima mãe cristã, Maria: virgens. Sim, todas as mães são virgens, são diáfanas. Já contei que, uma vez, um guri lá no IAPI disse que minha mãe não era virgem e dei um soco nele. Onde já se viu!
Nesse dia delas, em homenagem a todas as puras mães do planeta, vou contar histórias de três tipos maternais fundamentais:
1. MÃE JUDIA — A MÃE DO FREUD
Foi Freud quem colocou a mãe no lugar em que ela sempre mereceu estar: no centro do mundo.
Foi Freud quem nos ensinou a verdade: que a mãe é culpada de tudo.
Como Freud sabia dessas coisas? Obviamente, por causa da mãe dele, não por acaso uma mãe judia, que mães judias são famosas por seu desvelo com os rebentos. Dona Amália, era como se chamava essa mãe primordial. Era uma mulher bela e, segundo diversos testemunhos, imponente. Aos quatro anos de idade Sigmundinho, durante uma viagem de trem, viu Dona Amália "nudam", como ele dizia em alemão rascante. Ali nascia a psicanálise.
Mais tarde, aos dez anos, o pequeno Sig teve um sonho que o acompanhou por toda a vida, que ele descreveu desta forma: "Mostrava minha querida mãe com uma expressão facial singularmente calma e adormecida, sendo transportada para o quarto por duas ou três pessoas com bicos de pássaros, e deitada na cama".
Sig acordou gritando de horror. Depois, já crescido, interpretou os bicos de pássaro como equivalentes à expressão popular alemã para relações sexuais, "vögeln", que é "trepar", por alguma razão germânica derivada de "vogel", que é "pássaro".
Ali nascia o Complexo de Édipo. E as mães nunca mais seriam vistas da mesma forma, em todo o planeta Terra.
2. A MÃE DO ESCRITOR
O pai do Verissimo, obviamente ele também Verissimo, só que Erico, não Luis Fernando, pois o pai do Verissimo certa feita fez uma grande viagem com a mãe do Verissimo, Dona Mafalda. Na chegada do casal, um repórter abordou o escritor:
— O senhor percorreu meio mundo com a Mafalda. O que mais o impressionou?
E o pai do Verissimo:
— A Mafalda.
3. MÃE ITALIANA — A MÃE DE CÉSAR
Poucas mães foram tão faladas (e mal faladas) quanto Agripina, a Jovem. Sobre seus ombros macios pesou a responsabilidade de ter sido mãe de ninguém menos do que... Nero!
Mas o currículo de Agripina é ainda mais rico. Imagine que ela era irmã do sanguinário Calígula e foi casada com o imperador Cláudio. Ou seja: passou a vida cercada de césares, e tentando mandar neles. Quer dizer: tentando mandar no universo, o sonho das mães.
Agripina não acalentava escrúpulos para alcançar o poder. Manteve um caso incestuoso com Calígula durante os quatro anos de governo do irmão. Calígula foi assassinado pela Guarda Pretoriana, que empossou Cláudio. Na época, Cláudio tinha 50 anos de idade. Algum gaiato o convenceu a casar-se com uma ninfeta de 15, uma loirinha chamada Valéria Messalina, que, bem, você deve saber quem era Messalina...
Cláudio era coxo, donde surgiu a palavra "claudicante". Depois de casar-se com Messalina, tornou-se também corno. O maior corno do mundo de todos os tempos, já que Messalina foi a maior devassa do mundo de todos os tempos.
Foi Agripina quem deu um jeito de Cláudio ficar sabendo das serelepices de Messalina, e assim a fogosa imperatriz acabou sendo executada aos 22 anos de idade. Afastada a rival, Agripina seduziu Cláudio e casou-se com ele, o que mostra como ele escolhia mal suas mulheres. Depois, Agripina passou os dias enchendo o saco do marido, até que ele adotou como filho e sucessor o filho dela, nosso amigo Nero. Ao conseguir o que queria, Agripina consultou uma das mais famosas envenenadoras de Roma, uma senhora chamada Locusta. A seguir, serviu ao marido uma taça de cogumelos, sua comida preferida. Cláudio comeu e morreu depois de contorcer-se durante dois dias com dores atrozes.
Agripina, então, chegou aonde queria. Como Nero tinha só 17 anos, ela se tornou regente do Império Romano. Uma mãe comandando o planeta. Só que Nero tomou gosto pelo poder, e decidiu afastar a mãe da forma mais definitiva: matando-a. Agripina, sentindo que ia perder o posto e a cabeça, tentou seduzir também o filho. Alguns historiadores juram que ela conseguiu. Mas Nero logo se livrou também do jugo sexual e, após várias tentativas frustradas, eliminou-a — dizem que os esbirros de césar, a seu desígnio, abriram a barriga da sua mãe para que ele pudesse ver de onde viera. Deste horrendo matricídio se originaria a designação de "cesariana" para a cirurgia que corta as barrigas das mães para facilitar-lhes o parto. E, já que estamos falando de mães italianas, há que acrescentar: si non è vero è bem trovato.


























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