Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Verão 2011"

Evelyn, a escolhida

21 de fevereiro de 2011 32

Foram exatos 6.027 leitorinhos que participaram do concurso Jô da praia 2011.  Com 2.426 votos, a caxiense Evelyn Piccoli foi a grande vencedora. Aos 22 anos, a bela loira vai ganhar um banho de loja com direito a roupas, calçado, relógio, celular e um book fotográfico das Lojas Lebes.

Em segundo lugar, ficou a praiana de Capão da Canoa Camila Goulart, com 1.929 (32,01%), seguida por Loiva Lima, 29 anos, que conquistou 1,672 (27,74%) dos votos.

“Sinceramente, não esperava vencer. Foi uma surpresa enorme. Até quando tirei a foto nem sabia que era para o concurso”, comenta a deliciosa Jô, que trabalha as curvas na academia e jogando tênis.

Estudante de Relações Públicas na Pontífica Universidade Católica (PUCRS), Evelyn possui um ótimo hobby para quem quer apreciar “a vista”: tomar banho de sol e passear na praia. A sua preferida? Capão da Canoa.

Se você não está lá, não se preocupe. Aí embaixo, confira algumas fotos da eleita.


Perfil:

- Nome: Evelyn Piccoli
– Idade: 22 anos
– Cidade: Caxias do Sul
– Praia: Capão da Canoa
– Time: Grêmio
– Hobby: praia e jogar tênis

Jô da praia

20 de fevereiro de 2011 2

Último dia para votar na sua candidata preferida! Amanhã, vou divulgar aqui no blog a vencedora do concurso Jô da Praia 2011, que vai ganhar um banho de loja das Lojas Lebes.

Participe!



Jô da praia – Finalonline surveys

Jô tardia

19 de fevereiro de 2011 0

A Amanda enviou sua foto, mas a fase de inscrição de candidaturas já havia acabado.
Mesmo assim, aí vai ela. Para apreciação…

- Nome: Amanda Rodrigues
– Idade: 20 anos
– Cidade: Porto Alegre
– Praia: Atlantida Sul
– Time: Inter
– Hobby: Praia

Jô da praia - parciais

18 de fevereiro de 2011 0

Encerra nesta segunda-feira a votação que vai escolher a Jô da praia 2011. Mais de 4,1 mil leitorinhos já participaram e elegeram sua candidata favorita.

Por enquanto, Evelyn Piccoli continua na liderança, à frente de Camila Goulart e Loiva Lima. A ganhadora vai receber roupas, calçado, relógio, celular e um book fotográfico das Lojas Lebes.

O resultado ainda pode mudar. Se você ainda não votou, participe agora!

Jô da praia – FinalMarket Research

Evelyn, Camila e Loiva

16 de fevereiro de 2011 0

Evelyn Piccoly largou na frente do concurso Jô da Praia 2011. Até esta terça-feira, a loura angariava a maioria dos 2,8 mil votos dados por leitorinhos do blog.

Camila Goulart aparece em segundo lugar, praticamente empatada com Loiva Lima.

A eleição será encerrada na próxima segunda-feira. A vencedora ganhará um banho de loja das Lojas Lebes.

Aprecie as fotos e participe!


Jô da praia – Finalonline survey

Jô da praia - Final

14 de fevereiro de 2011 5

Chegamos à grande final do concurso Jô da praia. Camila Goulart, Evelyn Piccoly e Loiva Lima foram as escolhidas pelos mais de 5,1 mil leitorinhos que participaram da votação.

Até a próxima segunda-feira, é possível escolher quem vai ganhar um banho de loja das Lojas Lebes, com direito a roupas, calçado, relógio, celular e um book fotográfico.

Três belas e deliciosas mulheres. Apenas uma vai vencer. Qual é a sua preferida?

Jô da praia – Finalsurvey software

Jô da praia - parcial

11 de fevereiro de 2011 0

Nesta sexta-feira, o concurso Jô da praia 2011 já contabiliza mais de 4,1 mil votos de leitorinhos. São 10 semifinalistas. Dessas, três irão para a grande final e concorrerão a um banho de loja das Lojas Lebes.

A disputa permanece igual. Camila Goulart lidera a competição, com 21,59% da preferência. Evelyn Piccoly está em segundo lugar, com 17,83%. Já a Loiva Lima fica com a terceira posição, com 13,12%.

A votação está aberta até esta segunda-feira. Deleite-se abaixo, vendo as fotos destas belas mulheres e participe!

Jô da praia 2011 – Semifinalonline surveys

Jô da praia - parcial

09 de fevereiro de 2011 12

Até as 13h desta quarta-feira, mais de 3,1 mil leitorinhos participaram da semifinal do concurso Jô da praia 2011. A votação vai até segunda-feira, quando serão escolhidas as três finalistas que concorrerão a um banho de loja das Lojas Lebes.

Camila Goulart lidera a disputa nesse momento, com 21,42% dos votos. Na segunda posição está Evelyn Piccoly, com 17,43% da preferência. Loiva Lima fica com o terceiro lugar, com 13,34%.

Restam ainda cinco dias para a conclusão dessa etapa do concurso. Tudo pode mudar. Ainda não votou? Então aproveite!


Jô da praia 2011 – Semifinalsurvey software

Semifinal: Jô da praia 2011

07 de fevereiro de 2011 9

Mais de 5,7 mil leitorinhos participaram da eleição que escolheu as 10 semifinalistas do concurso Jô da praia 2011. Agora, fica aberta até a próxima segunda-feira a enquete para eleger as três finalistas desta deliciosa competição.

Abaixo, as concorrentes. Saboreie e participe!

A vencedora ganhará um banho de loja da Lebes, com direito a roupas, calçado, relógio, celular e um book fotográfico.


Jô da praia 2011 – Semifinalonline surveys



Futebol: Quer receber notícias diárias e acompanhar gol a gol os jogos do seu time direto no celular? Envie FUTEBOL para 46956 e assine. O custo por mensagem recebida é R$ 0,31  mais impostos para todas as operadoras.

O marido era traficante

06 de fevereiro de 2011 5

O marido dela era traficante. Tipo perigoso. De andar com tresoitão na capanga. De cortar desafeto a navalha. Mau mesmo. A gurizada aconselhava:

- Te afasta dessa dona, Ulisses…

Também tinha um pouco de ciúme. Ninguém era experiente em lides do amor na turma. Dois ou três já haviam se cevado nas carnes de umas caixas do supermercado ali perto, é verdade. Só que tudo muito rápido, apressado, mãos canhestras lutando contra fechos no escuro do corredor.

O Ulisses, não. O Ulisses agora andava todo pimpão pela vila. Havia sido escolhido por ela. Por que, não se sabia. O Ulisses era guri ainda. Guri de buço, que aquilo não era bigode. Guri bobo, como todo guri. E pequeninho. Metro e meio, embora jurasse um e sessenta.

Mesmo assim, ela botou os olhos nele, e sorriu para ele, e num vem cá levou-o para o apartamento onde vivia com o marido. Que não estava, claro. Na certa viajando para comprar mercadoria. Ou vender, sabe- se lá.

Mulher feita, ela. Talvez 28, 29, ou até trintona. Mas muito bem, tudo em cima. Linda. Pegava o Ulisses e fazia… coisas com ele. Ele nunca dizia que tipo de coisas, só dizia assim: “coisas”.

- Cada coisa… – e suspirava.

A turma pedia detalhes, ele nada. Só sorria, enigmático. A turma na maior ciumeira, também querendo uma mulher daquelas. Querendo qualquer mulher.

Ela mimava o Ulisses. Dava-lhe presentes. Um dia, ele apareceu com uma camisa importada, tecido molinho, coloridão, brilhoso, troço que não existia em Porto Alegre naquele tempo.

- Que camisa! – a turma se admirava.

O Ulisses não tirava mais a camisa.

O irmão dele, o Serginho, era quem mais o censurava.

- Lice! – falava Ulisses assim, Lice. – Lice, tu tem que largar essa mulher. O cara vai te pegar. Vai te matar. O cara é uma fera.

O Ulisses nem aí, espanando com a mão uma poeira imaginária da camisa bonitona. O Serginho se afligia. Tinha pensado até em contar para a mãe, mas a turma convenceu-o que não, ia ser pior, Dona Mara era capaz de fazer escândalo. No verão, ela e o marido foram para Capão da Canoa. Pois sabe o que ela fez? Botou o Ulisses num hotel. Nossa, aí sim que ele embobeceu. A gurizada toda em barraquinhas de lona, no camping, e o Ulisses no bembom, cama grande de casal, disse ele que até com ar-condicionado, mas nisso ninguém acreditou, ar-condicionado também já era demais.

Davam um jeito de se encontrar todas as tardes. No hotel, no apartamento, na areia da praia. O Serginho apavorado:

- Lice…

Até que, uma tarde, aconteceu. O marido fora para Porto Alegre. Ela chamou o Ulisses. Ele refestelado no sofá, sorvendo uma cervejinha gelada. Ela preparava acepipes na cozinha. E:

Barulho na porta. Na fechadura. O Ulisses sentou de um pulo. Ficou teso, olhando para a maçaneta que tremia. Com mil panturrilhas lisas de morenas, o que devia fazer? Atirar-se pela janela, impossível. Estavam no sexto. Esconder-se onde? Olhou para lá, olhou para cá. Não dava tempo. A porta já se abria. O marido entrou.

A cena era medonha. O Ulisses ainda sentado no sofá, copo de cerveja na mão, pálido, em pânico, fitando o marido parado na entrada da sala, as mãos na cintura. Ela chegou da cozinha, secando as mãos num pano de prato. Abriu a boca, espantada.

- Que é isso? – berrou o marido, apontando para o Ulisses. O Ulisses não era esse; era isso. Menos que alguém. Isso.

Ela riu. Como conseguia rir naquela situação? Correu para o marido.

- Querido! Que surpresa maravilhosa! Resolveu ficar?

- Tive de voltar – resmungou ele, sem tirar os olhos do Ulisses. – Tu ainda não me disse o que é isso.

- Ah. Isso é um menino lá da vila – ela também isso. – Ele vai me ensinar matemática. Tu sabe que eu quero fazer o supletivo.

O marido não desgrudava os olhos desconfiados do Ulisses.

- Tu é bom em matemática? – gritou.

O Ulisses, se pondo de pé rapidinho:

- S-sou…

- Qualé a fórmula de Báscara?

- Hein?

- A fórmula de Báscara!

O Ulisses não sabia o que falar. Ficou mudo, paralisado, no meio da sala. Até que o marido deu dois passos, aproximou-se dele. Urrou:

- Fora daqui!!!

O Ulisses não vacilou. Contornou o marido, esgueirou-se para fora, enquanto o monstro repetia “fora daqui!”, “fora daqui!” Estava já saindo, já estava na rua, quando sentiu o chute nas nádegas. Não doeu. Não nas nádegas. As nádegas ficaram intactas. A alma, sim. A alma gemia de humilhação. Pior que ele achou ter ouvido uma risadinha dela. Será que ela havia dado mesmo uma risadinha?

O Ulisses encontrou a turma no camping. Contou tudo, suando e tremendo, enquanto o Serginho:

- Eu avisei, Lice. Mas ainda bem que acabou assim. Tu continua inteiro.

- Não acabou! – a voz do Ulisses tremia de paixão. – Não acabou! Eu amo essa mulher! Amo! Vou fugir com ela! Juro!

- Lice… – Não acabou!!!

Tinha acabado. Ao voltar para o hotel, Ulisses foi informado de que sua conta havia sido encerrada. Teve de ficar no camping com os guris. Nos dias seguintes, tentou falar com ela. Ligava. Rondava o apartamento. Mas que nada. Ela não o recebia. Ela não atendia. Ela não queria mais saber do Ulisses. Como podia tê-lo esquecido? Um amor tão lindo. Tanta intimidade. Afinal, eles faziam coisas.

Nunca o Ulisses ficou tão triste. Tão mal. Não comia. Não jogava bola com a turma. Não ia à praia. A recuperação levou dias. Semanas. Foi se conformando muito aos poucos. Um processo dolorido. Vez em quando, ele suspirava:

- Ela deve estar com medo. Vai voltar pra mim. Vai voltar.

Não voltava. Não voltou.

Lá pelo fim do verão o Ulisses parou de rondar o apartamento dela. Depois do Carnaval, tornou a sorrir. A olhar para outras mulheres. Perto de março ele já era o velho Ulisses brincalhão. A confiança retornava a circular pelas suas veias. Parecia que voltaria à vida. Parecia que tudo daria certo.

Aí o Serginho apareceu com uma linda camisa importada.


Futebol: Quer receber notícias diárias e acompanhar gol a gol os jogos do seu time direto no celular? Envie FUTEBOL para 46956 e assine. O custo por mensagem recebida é R$ 0,31  mais impostos para todas as operadoras.

Túnel do tempo - História de Verão

05 de fevereiro de 2011 0

A professora Lena Rita Severo enviou um e-mail pedindo um texto antigo meu. Segue o e-mail e a crônica aí embaixo.

David Coimbra, bom dia!


Como leitora assídua de tuas crônicas quero deixar registrado que mesmo algumas não despertando meu interesse, como aquelas sobre futebol, leio até o final pois tu és mestre em fazer analogias e isto me agrada e aprendo muito, também.


Sou professora de séries iniciais (4º ano) e tenho usado algumas de tuas crônicas para leitura, análise da linguagem usada, estudo de vocabulário, interpretação, além de estimular o gosto pela leitura de jornais. Sem falar da apresentação de autores nossos!
Entre as crônicas lidas as que chamaram a atenção dos meus pequenos (9 anos) foram: “Como pegar um táxi na China” e “HIstórias de verão”. É sobre esta última que preciso de uma gentileza tua.

Transcrevi a crônica, porém excluí o final. Por quê? Para que “eles” apresentassem o “seu” final. Isto foi realizado há 2 anos atrás, creio. E pretendo repetir a experiência que foi muito positiva. Porém…por um lapso não guardei a crônica completa!!!!!!!!!! Na época, após a criação do final feita por cada criança, fizemos uma leitura do final escrito por ti e comparamos a visão de cada um sobre o fato ( um menino pobre que recebe um sorvete e deixa-o cair no chão!!!!)

HELP!!! Meu pedido: onde encontro esta crônica? está em algum livro teu? procurei, mas minha busca foi em vão.

Se puderes me ajudar ficaria muito agradecida.


Profª Lena Rita Lima de Severo”


Ó a coluna, publicada em 2008:

História de Verão

Vinha caminhando pela praça e, do outro lado da calçada, um menino comprava sorvete de casquinha. Era um menino pobre. Não indigente, não uma criança abandonada. Pobre. Oito anos de idade, talvez. O sorveteiro foi generoso, ao servir-lhe. O menino saiu empunhando o cone da casquinha com três bolotonas coloridas e cremosas equilibrandose com precariedade na parte de cima. Saiu sorrindo, fitando fixamente o sorvetão, e seus olhos faiscavam de deleite antegozado. Antes de desferir a primeira lambida, chegou a suspirar de prazer. Sorri, ao ver sua satisfação, e até senti vontade de comprar sorvete, fazia calor, era um desses dias de sol feroz.


Quando estávamos próximos, a uns dois metros de distância, ele, caminhando sempre, enfim abriu a boca, esticou a língua e lambeu o sorvete com vontade. Mas o fez com tamanha sofreguidão, que o edifício das bolas perdeu o prumo, desestabilizou-se, inclinou como uma Torre de Pisa e, bloft!, desabou. Esborrachou-se no chão da praça, deixando o garoto com a casquinha vazia na mão.

O menino estacou. Estaquei. Olhamos, ambos, para o sorvete, que já se dissolvia na laje quente. Em seguida, erguemos os queixos e nossos olhares se encontraram. O menino trazia a boca aberta em ó e os olhos arregalados num misto de espanto, tristeza e decepção. E foi esse último sentimento que me comoveu. Não havia nada que o menino quisesse mais, naquele momento, do que o sorvete. Todas as suas energias tinham sido direcionadas para aquele sorvete, todo o seu espírito, todo o seu ser, o mundo era aquele sorvete, e ele tinha o mundo nas mãos. Ele o tinha. Ele tinha a felicidade empalmada, bem presa entre os dedos, estava ao seu alcance, ele ia ser feliz, ia ser feliz! Aí aconteceu o inesperado. Um acidente. A felicidade estava perdida, derretendo-se no chão escaldante.

Enchi-me de compaixão. Peguei-o pelo ombro:

- Vem cá.

Levei-o até o sorveteiro e pedi:

- Dá pra ele um sorvete igual ao outro.

O sorveteiro fez o possível para repetir a obra. Creme, morango, chocolate, uma construção bem parecida, porém mais sólida.

- Ó – estendeu para ele. E recomendou, enquanto eu pagava: – Toma cuidado.

O menino apanhou a casquinha. Lançou-me um olhar melancólico.

- Obrigado – sussurrou.

Mas não sorriu. Respirou fundo e foi-se pela praça, lambendo o sorvete com atenção dobrada. Estava agradecido, mas não feliz. Compreendi por quê. Foi a decepção. A decepção azedou o sabor do sorvete, mesmo tendo ele recebido outro. Lamentei pelo menino. Imaginei que aquela decepção decerto não era a primeira, mas provavelmente fora a maior de seus poucos anos de vida. E senti alguma compaixão ao saber que ele estava só no início, que ainda haveria mais decepção, mais perdas, mais sorvetes cadentes, sem que nem sempre houvesse alguém por perto para tentar remediar.

Jô da praia 2011

01 de fevereiro de 2011 4

Começa hoje a primeira etapa da eleição da Jô da praia 2011. A vencedora ganhará um banho de loja das Lojas Lebes, com direito a roupas, calçado, relógio, celular e um book fotográfico. Nesta semana, serão escolhidas as 10 semifinalistas. Aprecie as fotos abaixo e eleja a sua favorita. Os leitorinhos podem votar até as 12h da próxima segunda-feira.

Quem é a Jô da praia 2011?Market Research

O fim de uma saga praiana

31 de janeiro de 2011 0

Quando o velho Pinheiro Machado passava com seu Aero Willys pela Estátua do Laçador, no retorno de mais uma temporada praiana, fitava a silhueta dos arranha-céus do centro de Porto Alegre e suspirava:

– Vou para a cidade grande, onde as aflições são certas.

No banco de trás, os bronzeados e então melenudos irmãos Ivan e José Antônio se entreolhavam e sorriam dentro de suas calças curtas: já estavam acostumados a ouvir o pai entoar a frase a cada final de veraneio, e esperavam por ela como se fosse uma senha de acesso à vida na urbe.

Eu aqui, nessa segunda-feira, deixando para trás as amenidades da Orla, penso na frase do pai dos meus amigos e, como ele, suspiro também. Sei que ficam, às fímbrias do Atlântico, as manhãs ensolaradas de caipirinha e pastel de camarão, as tardes sonolentas à rede que balança, as noites suaves sentindo a brisa que vem desde o mar, ficam os gorjeios dos pássaros da minha rua pacata, o toque preguiçoso da corneta do sorveteiro, o apito comprido do afiador de facas, ficam as loiras douradas da Plataforma de Atlântida, as morenas sinuosas das areias de Xangri-lá, ficam as Jôs da praia.

Foram 30 dias relatando aos leitores de Zero Hora um pouco do que se passa na estreita, porém extensa, faixa de areia do leste do Rio Grande, a área mais prezada e desejada pelos gaúchos nos meses quentes do verão. Uma página por dia. Foi trabalho, sim, que é trabalho, não se enganem. Mas não posso dizer que não me diverti.

A partir de amanhã, rende-me nessa árdua porém agradável tarefa o Paulo Germano. Quem é leitor do meu blog o conhece. Paulo Germano, o PG, foi o primeiro diretor do blog. Com ele mantive uma parceria afinada que rendeu posts pulsantes e promoções emocionantes, com ele mantenho uma amizade que rende noites divertidas diante de copos de chope cremoso e fumegantes bolinhos de bacalhau.

O PG fará uma página diferente, uma espécie de Informe Especial da Orla, com o seu estilo próprio, o que não tem nada a ver com a Fernanda Zaffari nem com o Túlio Milman. Tem a ver com o PG.

Desejo-lhe boa sorte. E que se divirta tanto quanto me diverti. Eu, aqui, reúno meus tubos de bloqueador solar fator 60 quase vazios e a bola de plástico do Pocolino, levo junto as sensações que me trazem um velho calção de banho, um dia pra vadiar, um mar que não tem tamanho, um arco-íris no ar. Eu visto calças compridas, enfim, e cubro minhas canelas que permaneceram expostas durante todo o janeiro. Eu volto para a cidade grande. Onde as aflições são certas.


A Jô e as Jôs

Hoje é o último capítulo da saga de “Jô na Praia”. Quem quiser ler a história completa, da primeira à última tirinha, acesse meu blog. A partir de amanhã o diretor Luan Ott postará a história em sequência, como num gibi.

Hoje também é publicada a foto da última “Jô da Praia” de janeiro. Embora saiba, com certa melancolia, que elas continuarão adejando na Orla dentro de seus biquínis sumários, alguns deles deliciosamente de lacinho, resigno-me a rever todas também no blog, onde o Luan Ott publicará as fotos e promoverá uma votação. O leitor elegerá a Jô da Praia definitiva. A vencedora levará um pacote de prêmios das Lojas Lebes: um banho de loja com assessoria de uma produtora de moda, com direito a calça, blusa, sapatos e biquíni, relógio de pulso, telefone celular e mais um book produzido pelo fotógrafo oficial da empresa.

Acesse através de zerohora.com e procure o blog do David para votar na mais bela e sortuda Jô.


AS GÊMEAS DE CAPÃO


- Nome: Shaienne Marques (esquerda na foto)

- Idade: 22 anos

- Cidade: Porto Alegre

- Praia: Capão da Canoa

– Time:
Grêmio

- Hobby: sair com amigos


- Nome: Xênia Marques (direita na foto)

- Idade: 22 anos

- Cidade: Xangri-lá

- Praia: Capão da Canoa

- Time: Grêmio

- Hobby: caminhar

A arte de comer picolé de chocolate

29 de janeiro de 2011 5

Você já viu um menino de três anos de idade comendo picolé de chocolate na praia?

Um desastre.

Picolé de chocolate derrete com líquida facilidade. Muito cremoso. E a praia tem vento e sol em abundância, o que faz derreter com ainda maior rapidez os picolés de chocolate.

O problema é que tenho um menino de três anos de idade que só quer comer picolé de chocolate, não aceita nenhum outro menos derretível.

Então é aquilo:

– Papai, me dá um picolé?

– Tcherto. Que tal um picolé de uva?

– Não. Eu quero de chocolate.

– E coco? Coco é tão bom… Adoro tudo com coco. Cocada, doce de coco, quindim…

– Quero de chocolate.

– Tangerina? Sabia que tangerina é o mesmo que bergamota?

– Chocolate!

Aí é aquela lambuzeira. O guri fica todo melado de chocolate, é chocolate na testa, no cabelo, nas bochechas e no nariz, chocolate escorrendo pelo queixo abaixo, chocolate no pescoço, no peito e na barriga, tem chocolate até nas pernas. Como pode um picolé tão pequeno conter tanto chocolate??? Vou reclamar com a fábrica.

Depois de toda essa melecação, sempre tento levá-lo para se lavar no mar, mas alguns meninos de três anos de idade, além de ter adoração por picolé de chocolate, têm medo das ondas. O meu não entra no mar de jeito nenhum. Quer dizer: dá o maior trabalho carregá-lo até o chuveirinho da rua, lá adiante, até porque tenho que pegá-lo no colo no meio do trajeto, o que faz com que eu também fique melecado de chocolate.

Agora mesmo, lá estávamos nós na areia da praia, e o Bernardo, ao ver o carrinho do sorveteiro, não se limitou a pedir um picolé: disparou atrás, pegou a corneta do homem, começou a apertá-la, fazendo todo mundo rir. Fui lá.

– Quer um picolé de limão, filhinho?

– Não. Quero de chocolate.

– E melão? Tem de melão, moço?

– CHOCOLATE!

– O problema do picolé de chocolate é que derrete e te deixa todo melecado. Aí vêm as abelhas.

Ele me olhou. O sorveteiro também me olhou.

– Abelhas? – perguntou o Bernardo.

– É. Aqui na Orla há milhares de abelhas. Milhões, até. A Orla é assim. E elas adoram doce. Sempre atacam quem está lambuzado de doce, sobretudo de chocolate. É horrível.

– Holível?

– É. Até porque essas abelhas daqui são abelhas assassinas.

O sorveteiro arregalou os olhos. O Bernardo também.

– Abelhas… assassinas??? – espantou-se ele.

– Assassinas! Muitos já foram mortos por elas. Morrem embolotados como se fossem pizzas de calabresa gigantes.

Nesse ponto, o Bernardo sorriu. Depois riu. Por fim, emitiu uma gargalhadinha de três anos de idade. E concluiu, usando a forma de tratamento que aprendeu na TV:

– Você é englaçado, papai…

Preciso admitir duas coisas:

Coisa número 1: meu filho me conhece.

Coisa número 2: ele mereceu aquele maldito picolé de chocolate.


Letras na Areia

O melhor livro sobre futebol já escrito no Brasil em todos os tempos é O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho, o irmão de Nelson Rodrigues, o homem que empresta o nome ao Maracanã. O Negro no Futebol Brasileiro, além de ser escrito em texto saboroso, é um documento sobre a evolução do futebol, do jogador e do torcedor no Brasil. Leia-o, e você compreenderá um pouco do que se passa na cabeça dos irmãos dos jogadores de hoje.


Jô da praia

- Nome: Francine Barcellos da Silva

- Idade: 18 anos

- Cidade: Novo Hamburgo

- Praia: Imbé

- Time: Inter

- Hobby: Dançar e ler

O nome que a praia não deve ter

28 de janeiro de 2011 4

Arroio dos Ratos deve ser uma terra de delícias inefáveis, a população ordeira e trabalhadora de Arroio dos Ratos deve ser isso mesmo, ordeira e trabalhadora. Mas, tortura-me confessar, não gosto do nome “Arroio dos Ratos”. Fico imaginando um fio d’água do qual são vomitadas ratazanas que infestam as ruas da cidade e escalam as pernas de seus moradores.

Ratos, em geral, não são animais simpáticos, com exceção do Mickey, do Jerry e do Super-Mouse. Por que botaram esse nome no lugar? Arroio dos Ratos. Talvez haja por aí uma Colina dos Vermes ou um Vale das Baratas, vá saber. Mas não devia. O nome não dá a entender que o local seja agradável de se morar, embora bem saiba, repito e torno a repetir, que Arroio dos Ratos é um município aprazível e hospitaleiro, a Terra da Melancia, adoro melancia e os arroio-ratenses todos, sem exceção.

Mas o nome, francamente.

Assim como o nome de certas praias. Existem, pela Orla, outros arroios: Arroio do Sal, Arroio Seco e Arroio Teixeira. Arroio? Por que não usaram Regato ou Córrego? “Regato do Sal”. “Córrego Seco”. Muito mais poético. Arroio é quase o contrário de mar, principalmente Arroio Seco, já que o mar é tudo, menos seco. Aliás, e o Teixeira? Quem foi o Teixeira que virou cidade?

Francamente.

Praias têm de ter nomes suaves. Há uma “Praia Menina”. Pode haver algo mais delicado? Há uma “Praia Azul”, e lá não deve fazer mau tempo. Mesmo a “Praia da Solidão” tem um nome triste, mas musical. Agora, a minha preferida fica aqui pertinho: Remanso. Esse é um nome de praia! Fui a um churrasco na casa do Kadão, ali no Remanso, e me senti muito bem. Na hora em que cruzamos da Paraguassu para lá o fotógrafo Jefferson Bottega anunciou:

– Chegamos a Remanso.

Juro que ouvi passarinhos gorjeando e que as nuvens se abriram para deixar a luz da lua passar.

O Kadão, nosso anfitrião, é o chefe da fotografia da Zero. Preparou uma picanha que se cortava com colher, e a sogra dele fez um aipim com cebola frita que dava vontade de chorar, de tão bom. Naquela noite, provei o melhor aipim da minha vida. Trata-se de uma receita da Fronteira, informou ela. Uma receita campeira. Mas combinou com a praia. Combinou com Remanso. Eu combino com Remanso. Voltarei, Kadão.


Três coisas que um praiano não deve fazer

Nesta temporada na Orla, aprendi algumas regras básicas de comportamento à beira-mar. São curtas e simples, porém indispensáveis. Ei-las:

1 – Um praiano que esteja serelepeando pela Orla em busca de aventuras amorosas não deve jamais abordar uma mulher sentada, mesmo que ela vista apenas um biquíni de lacinho desse tamanhinho.

Lembre-se: uma mulher sentada pode enganar como um irmão de jogador de futebol. Você chega, ela se levanta e, surpresa!, virou uma abóbora de pescoço.

2 – Um praiano não deve passar protetor solar nas costas do amigo, mesmo que ele seja branquicela e vá queimar o lombo irremediavelmente. Se o amigo brancão pedir:

– Passa protetor nas minhas cuooostas?…

O praiano deve responder:

– Vai molê…

3 – Agora o ponto mais importante: um praiano não deve colocar as mãos nos bolsos quando estiver na areia. Jamais! Praianas desprezam homens com mãos nos bolsos na areia.


- Nome: Daiana Fraga Menezes

- Idade: 23 anos

- Cidade: Viamão

- Praia: Joaquina (SC)

- Time: Grêmio

- Hobby: sandboard