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Entrevista com a bier sommelière Kathia Zanatta

23 de março de 2012 0

Com traços delicados e um currículo impecável, Kathia Zanatta, 29 anos, será a única mulher brasileira a palestrar no Festival da Cerveja, em Blumenau – às 20h30min desta sexta. Mestre cervejeira e sommelière de cervejas formada pela Doemens Akademie, de Munique, ela faz parte de um movimento cada vez mais forte e que refaz um conceito nascido na Idade Média: a cerveja deixa de ser uma bebida masculina e se transforma em bebida de apreciadores, homens ou mulheres.

Na carreira de Kathia, estão passagens pela Cervejaria Paulaner, na Alemanha, e pela Schin. Há poucos meses, fundou, junto à sócia Cristiana Bratt, o Clubeer, um site de cervejas especiais por assinatura – os assinantes recebem em casa diferentes rótulos a cada mês. Hoje, na Vila, ela aborda o tema Harmonização: uma Ferramenta Potente para a Expansão da Apreciação das Cervejas Especiais, com incrições já encerradas. A coluna conversou com Kathia por e-mail, confira:

Você será a única mulher brasileira a palestrar no Festival Brasileiro da Cerveja. Ainda sente uma estranheza por ser uma bier sommelière?
Não. De maneira alguma me sinto estranha ou fora “de contexto”, pelo contrário. Sinto-me orgulhosa por ter seguido este caminho e aos poucos estar trazendo cada vez mais mulheres para este universo.

Fora do país, a profissão é mais comum entre mulheres?
A profissão de sommelier de cervejas é nova tanto no Brasil quanto no exterior. Tanto aqui quanto lá fora ainda os homens são maioria na profissão, penso que pelo fato de a bebida ter sido produzida e consumida nas últimas décadas, ou melhor, séculos, majoritariamente pelo público masculino. Entretanto, observamos que a cada dia mais mulheres se interessam pelo assunto e pela cerveja, muito em razão da nova abordagem que estamos dando a ela e também pela variedade e diferenciação dos produtos existentes no mercado.

Ser uma mulher traz uma sensibilidade diferente ao ofício?
Fisiologicamente, homens e mulheres não possuem nenhuma diferença em relação aos sentidos (visão, audição, olfato, gustação e tato). Entretanto, muito em função da educação e criação, as meninas acabam por desenvolver mais o olfato. Por esse motivo, acho sim que as mulheres possuem uma maior facilidade na degustação de alimentos e bebidas em geral e, consequentemente, identificação de seus aromas e sabores. De qualquer forma, essa “memória sensorial” é formada e mantida de acordo com a frequência de exposição aos aromas e, justamente em função disso, temos também muitos homens bons degustadores e sommeliers.

Os brasileiros se consideram grandes apreciadores de cerveja. Mas a harmonização tem recebido a mesma atenção?
A cultura da harmonização de alimentos e cervejas ainda é pequena no Brasil, mas aos poucos vem se expandindo e ganhando mais adeptos. Ela segue a mesma linha evolutiva das cervejas especiais, já que ambas possuem o objetivo de apreciar, sentir prazer com a cerveja, a gastronomia e, consequentemente, a zitogastronomia.

Que dicas básicas você daria para os iniciantes na arte da harmonização?
São 3 as regras básicas de harmonização:
1. Equilíbrio de forças: alimento e cerveja devem ter intensidades iguais;
2. Harmonizações por semelhança: busque aromas parecidos no alimento e na cerveja. Por exemplo, cervejas cítricas e leves com carnes brancas e saladas, cervejas carameladas e suavemente tostadas com carnes assadas e cervejas escuras e tostadas com sobremesas à base de chocolate;
3. Harmonizações por contraste: algumas interações específicas contrastam muito bem como alimentos gordurosos e cervejas mais alcoólicas e doces com cervejas de maior acidez.

A sua palestra é direcionada para apreciadores ou empresários?
Ambos. A palestra terá como objetivo principal mostrar às pessoas que a combinação de alimentos e cervejas pode tornar qualquer refeição interessante ou, quando feita de forma incorreta, realmente desagradar a todos os paladares! Essa combinação pode conquistar muitos novos amantes para os diferentes estilos de cerveja e, consequentemente, ajudar na propagação desta nova cultura cervejeira no Brasil.

Qual a sua expectativa para o evento?
Tenho certeza de que será um evento de qualidade que visa a união do setor para um crescimento forte e conjunto. Muitos consumidores poderão conhecer e provar produtos diferentes e o objetivo de expandir cultura será certamente cumprido!

Para finalizar, uma curiosidade: você tem uma cerveja que considera preferida?
Na verdade, gosto de diversas cervejas, cada uma em diferentes ocasiões. O clima, o humor, a companhia, o local e a comida mudam muito a minha escolha. São tantas… impossível escolher uma só!

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