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Posts de dezembro 2013

O principal fato de 2013 para alguns tradicionalistas

30 de dezembro de 2013 0

Confira o que alguns tradicionalistas elegeram como principal acontecimento de 2013

Nicanor Castilhos, coordenador da 25ª RT
“O fato mais marcante para mim no mundo tradicionalista foi, como Coordenador da 25ª RT, ter a honra de termos trazido à 25ª RT e à cidade de Farroupilha, o título de maior campeão do Enart 2013.”

Tomaz Augusto Schuch, advogado e tradicionalista
“Foi o lançamento de duas excepcionais músicas de Léo Ribeiro de Souza: “De como cantar um hino” e “O Último Baile” (em homenagem ao fechamento da carreira de Porca Véia).”

Luiz Antônio Alves, poeta e escritor
“O Festival do Charque em São Francisco foi um grande acontecimento. Cerca de 17 tipos diferentes. Tinha até lasanha de charque e Patê de Charque. Originais. Foi durante a Semana Farroupilha.”

Leo Ribeiro de Souza, poeta, escritor e compositor
“O ano de 2013 foi pródigo em acontecimentos marcantes na seara da cultura regional gaúcha. Poderíamos citar vários como (na musicalidade) o retorno da Califórinia da Canção Nativa, festival pioneiro ou, no âmbito cinematográfico, o filme O Tempo e o Vento, que recebeu uma superprodução global. Contudo, sem dúvida alguma o divisor de águas foi a criação da Federação Gaúcha de Laçadores porque houve uma forte cisão com o até então inatingível MTG, que comanda o tradicionalismo no Rio Grande do Sul há mais de cinquenta anos.”

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Para Nicanor Castilhos, premiação de CTG Ronda Charrua no Enart foi o principal acontecimento.

Foto: Daniela Xu

Blog faz retrospectiva de 2013

29 de dezembro de 2013 0

Em clima de final de ano, o blog faz uma retrospectiva dos principais acontecimentos do mundo tradicionalista em 2013. Além do que foi eleito abaixo, muita coisa aconteceu.  Como sempre, a Semana Farroupilha de Caxias do Sul levou milhares de tradicionalistas e visitantes aos pavilhões da Festa da Uva. O CTG Rincão da Lealdade, o mais antigo de Caxias do Sul e o terceiro a ser fundado no Estado, completou 60 anos.

No cinema, a obra O Tempo e O Vento, de Erico Verissimo, ganhou projeção nacional ao ser transformado em filme.
Veio da Serra a 1ª Prenda Mirim do Rio Grande do Sul: da 11ª Região Tradicionalista, de Bento Gonçalves, CTG Gaudério Serrano, Ana Maria Soccol, 13 anos.

Na música, polêmicas foram protagonizadas por Luiz Marenco, que se filiou ao Partido da República (PR) e Joca Martins, com a música Eu Sou Bagual, por usar expressões como nascido em cocho de sal, que ganhou críticas de tradicionalistas de Santana do Livramento.

Confira os principais acontecimentos eleitos pelo blog:

Artístico: 1º lugar do CTG Ronda Charrua no Encontro de Arte e Tradição Gaúcha (Enart), na modalidade dança tradicional

Campeiro: Seleção de Laçadores do Rio Grande do Sul (da 27ª RT), campeã do Rodeio Nacional de Campeões, em Jataí, em Goiás

Polêmica: Projeto de lei que queria institucionalizar a cavalgada como patrimônio cultural do Estado

Novidade:  Criação da Federação Gaúcha de Laço, fundada em junho

Música: retorno da Califórnia da Canção Nativa

Cinema: “Os Monarcas – A Lenda”, de Osnei de Lima e Camilo Bevilacqua, conta a história dos irmãos Gildinho e Chiquito

Notícia:  Despedida de Porca Véia dos palcos

Projeto: Farroupilha Bem Gaúcha – A cultura tradicionalista para o dia a dia de 10 mil alunos de 40 colégios da rede municipal de Farroupilha

Evento: Os Sucessos dos Festivais – O Grande Encontro

Popular – Escolha do leitor a partir de enquete da semana passada: 1º lugar do CTG Ronda Charrua no Enart

AMANHÃ: Conheça a opinião de alguns tradicionalistas da região sobre o principal acontecimento de 2013!

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Zezinho, do Grupo Floreio, fala sobre "O Último Baile"

28 de dezembro de 2013 0

“E agora seus bailes têm fim. O mundo é assim, se cala o cantor. Não mais a negra cordeona. Se abrindo, chorona, sobre o tirador.”  O trecho é parte da canção O Último Baile, letra de Léo Ribeiro e música de José Claro, o Zezinho do grupo Floreio, criada especialmente para homenagear Porca Véia no ano em que se despede dos palcos.

Neste sábado, ela deve encerrar com chave de ouro a grande festa protagonizada por Porca Véia. Logo que a canção foi divulgada, já virou sucesso.De acordo com Zezinho, a ideia surgiu de uma conversa sobre o anúncio da despedida e do vazio que o gaiteiro deixará nos palcos. O trabalho, porém, jamais morrerá. Um dos versos mais bonitos fala que, enquanto uma gaita se abrir, o toque de Porca Véia há de vir alegrar os galpões. Quando escutou a canção, Porca Véia chorou de emoção.

- A lição que fica desses anos é a de respeito pela música , pelas pessoas que vão ao baile. Porca Véia sempre dizia que difícil era fazer o simples bem-feito  – conta Zezinho.

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Na foto, Léo Ribeiro, Porca Véia e Zezinho (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele sabe do que fala. Porca Véia investiu no talento de Zezinho quando ele tinha 24 anos. Por 10 anos, o jovem gaiteiro tocou ao lado de Porca. Aprendeu, amadureceu e trilhou novos caminhos. Há oito anos, ele lidera o Grupo Floreio.
Zezinho começou a tocar gaita lá pelos 20 anos. Ele, que tocava violão, tinha um primo que tocava o instrumento. Quando viu que o primo era convidado a animar bailes, resolveu investir na gaita também.

Além de gaiteiro e laçador, Zezinho é também um baita compositor. É dele a canção “Lá Fora”, do primeiro disco do Floreio, “Só Fandangueira”, que estourou ao ser regravada por Porca Véia. Outras duas composições suas – Das Mãos do Gaiteiro (com Paulo Ricardo Costa) e Do Jeito que Eu Gosto (com Léo Ribeiro) estarão no novo CD d”Os Monarcas.

Com quatro CDs gravados, o Grupo Floreio se prepara para lançar mais um no ano que vem, com a  música “Abaixo de Tempo Feio”, escrita por ele e por Régis Marques e que conta com a participação do Grupo Rodeio.

Outra alegria de Zezinho é a de tocar junto com o filho, Gabriel Claro,  de 16 anos. Com cinco anos, o guri ganhou a primeira gaitinha do pai.

Zezinho - foto de Ale Lorenzi

Foto: Ale Lorenzi

Conheça "O Último Baile", a música que homenageia Porca Véia

27 de dezembro de 2013 3

O Último Baile

Letra: Léo Ribeiro / Música: José Claro (Zezinho)

No palco de um baile campeiro
o grande gaiteiro sua vida repassa.
Seus versos, por vezes tristonhos,
embalaram sonhos de toda uma raça.

Nos olhos já brotam saudades
de uma mocidade de lindos momentos.
No peito são tantas lembranças
que ficam d’ herança pro resto dos tempos.

Seu toque é do estilo mais puro,
luzeiro no escuro, tem cheiro de chão,
seu jeito de taura sem medo
brotou no varzedo do velho Pontão.

E agora seus bailes têm fim,
o mundo é assim, se cala o cantor,
não mais a negra cordeona
se abrindo, chorona, sobre o tirador…

Pataqüero da estirpe indomada,
fez da “pianada” fiel companheira
levando ao peão lá de fora
a arte sonora terrunha e campeira.

Na estampa o antigo Rio Grande,
nas veias o sangue de quem faz história,
descansa, mas sua jornada
fica na invernada de nossa memória.

Pois eu que admiro este taita
i’enxergo na gaita a alma do homem
afirmo: – não morre seu canto,
num fundo de campo ecoa seu nome.

Rebrota qual seiva nativa
mais verde e mais viva depois da queimada
voltando de novo o gaitaço
na força do braço desta gurizada.

Porca Véia, amigo e parceiro,
gaudério tropeiro de lindas canções,
enquanto uma gaita se abrir
o teu toque há de vir alegrar os galpões.

Obrigado por tanta alegria
eu sei que um dia o mundo dá volta.
Te esperamos com erva na cuia
e o teu grito de “uiiaaa” noutro baile tu solta.

Feliz Natal, gauchada!

25 de dezembro de 2013 0

Um Feliz Natal aos gaúchos de todas as querências!

Jefferson Botega

Foto: Jefferson Botega

Romance do Querendão, de Joca Martins

25 de dezembro de 2013 0

“Faltam prendas no palco pra domar meu coração”. Assim começa Romance do Querendão, nova música de trabalho de Joca Martins, do CD Vida de Tropeiro. Como diz Joca, o gaiteiro é dos bueno!  Confere aí!

Chula feminina em Entrevero na Serra

24 de dezembro de 2013 1

Foi assim a 2ª edição do Entrevero na Serra: muita música, gauchada reunida e concurso de chula. Só que feminino.

Ao longo dos anos, as mulheres vêm quebrando barreiras dentro do tradicionalismo. Ganharam o direito de laçar e usar bombacha. Em Caxias, elas estão até dançando chula!

O Entrevero na Serra aconteceu no Paiol Espaço Nativo e é uma festa de integração de final de ano voltada à comunidade tradicionalista.

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Mais uma da “chuleadora”!

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Fotos: Fernanda Arruda

Joca Martins e Gaúcho da Fronteira cantam Recuerdos da 28

23 de dezembro de 2013 2

Joca Martins e Gaúcho da Fronteira dividiram o palco para cantar a música “Recuerdos da 28″. O encontro aconteceu dia 26 de novembro, quando diversos músicos se reuniram para cantar os clássicos dos últimos 42 anos de festivais gaúchos. “Sucessos dos festivais – O grande encontro” aconteceu no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre.

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Quem não esteve presente, pode assistir o programa especial que será exibido pela TV COM nesta terça-feira, a partir das 22h45min. Das 24 canções do encontro, Tertúlia (de Leonardo) esteve na voz d’Os Serranos. Luiz Marenco interpretou Batendo Água (dele e de Gujo Teixeira). Élton Saldanha cantou Eu Sou do Sul, uma das mais conhecidas no Estado, de autoria própria.

O vídeo abaixo mostra Joca Martins e Gaúcho da Fronteira.

"Terra Gaúcha e Artinha da Leitura": melhor livro do ano no Açorianos de Literatura

22 de dezembro de 2013 0

Gaúcho se destaca no laço, na dança, na lida com o gado, mas também na literatura. Tanto que o melhor livro do ano é daqui: “Terra Gaúcha e Artinha da Leitura”, de João Simões Lopes Neto, venceu as categorias Especial e Melhor Livro do Ano no prêmio Açorianos de Literatura 2013 (este último dividido com “A menina quebrada”, de Eliane Brum).

Luís Augusto Fischer, organizador do trabalho, recebeu os prêmios.  O livro, editado pela Belas-Letras, também venceu, com Celso Orlandin Júnior, na categoria Projeto Gráfico.

Terra Gaúcha, na primeira parte, conta as férias de um menino na fazenda da família e, na segunda parte, o cotidiano escolar do mesmo protagonista e seus colegas. O livro foi escrito por Simões Lopes Neto entre 1904 e 1906.

Já Artinha da Leitura, escrita em 1907, era uma cartilha para alfabetização contendo uma série de inovações e ousadias tanto literárias como ideológicas. Nesse período, a educação vivia um clima de imensos debates.

Na época do lançamento, minha colega Maristela Scheuer Deves escreveu sobre o assunto (clique aqui). A leitura explica os passos de Luís Augusto Fischer para a publicação dos materiais e o cenário em que foram escritos por Lopes Neto.

No mais, é parabenizar Fischer e a Belas-Letras pela recuperação dessas grandes obras!

reprodução terra gaucha

Original de Terra Gaúcha de Simões Lopes Neto.

 

Porca Véia, a despedida do gaiteiro

21 de dezembro de 2013 5

Ele queria tocar. E tocar bem. E entrar dentro das casas e do coração das pessoas com a sua música. Após 33 anos de carreira, conseguiu muito mais:  19 discos gravados, dois discos de ouro, inúmeras premiações e uma legião de fãs. Porca Véia se despede dos palcos em uma grande festa em Caxias do Sul, dia 28 de dezembro. Mas a despedida é dos bailes e não da música. Eu conversei com ele esta semana e posso dizer: Porca Véia é de uma simplicidade admirável, como a música que produz.

- O meu sonho era mostrar para as pessoas o quanto é bela a simplicidade da música gaúcha. Eu nunca tive a pretensão de ser um virtuoso.  Hoje eu faço um balanço e acho que eu consegui isso. Eu vou continuar fazendo disco, administrando o grupo Cordiona. O que eu não quero mais é viajar, são 33 anos viajando. Mas, eventualmente, algum lugar ou outro eu tenho que ir. Claro que nessa vida só é definitiva a morte. Eu sempre acho que não fiz o meu melhor disco, não fiz a minha melhor música, talvez nem  tenha tocado meu melhor baile. Talvez tudo isso esteja pela frente – disse.

Com a brecha, eu, que cresci indo aos tradicionais bailes da Festa da Várzea do Cedro (localidade de São Francisco de Paula) animados pelo gaiteiro, não resisti: “E a Várzea do Cedro, Porca Véia? Está entre estes lugares?”

- Bah, Várzea do Cedro, maravilhoso! Muitos bailes toquei lá. Comecei no início da minha carreira, as primeiras pessoas que acreditaram em mim. Tenho muitos amigos, uma lembrança muito boa – disse, rindo.

Tudo bem, Porca. Difícil mesmo já se comprometer. Nesta entrevista, ele fala sobre a infância, o início da carreira, os sonhos, os ídolos e deixa uma dica aos jovens músicos. Confira abaixo:

JONAS RAMOS

Foto: Jonas Ramos
BLOG – Qual a tua lembrança de infância mais antiga?
PORCA VÉIA – Minha imagem é do homem do campo realmente. Me criei na campanha. Meu pai era um homem “de a cavalo”, de bota e bombacha. Era criador de gado e nos criamos no campo, fazendo todas as coisas que era preciso em uma fazenda. Até os 15 anos eu vivi lá fora (ele nasceu na localidade de Pontão, hoje, distrito de São José do Ouro/RS). Depois eu vim para a cidade para estudar. Mas conheço “razoavelmente” a vida no campo.

BLOG  -  Como foi o início na música?
PORCA VÉIA: O meu avô paterno era gaiteiro, os meus tios eram gaiteiros. Ninguém profissional, mas todos tocavam, tinham o dom do instrumento. Um dos meus tios, o Tinoco, formava uma dupla que existia antigamente, Os Osórios.  Já meu pai não tocava nada. O sonho dele era ter filhos que tocassem. Eu aprendi e minha irmã também. Já meu irmão puxou ao meu pai, não aprendeu nada também. O que aprendi foi inicialmente com os meus tios e depois solito mesmo, garimpando. Desenvolvi minha técnica de tocar, que é do meu jeito. Não tenho colocação de dedo certo, mas dei um jeito.

BLOG – Mas antes de se profissionalizar na música, tu te formou como técnico agrícola.
PORCA VÉIA – Sim, estudei na Escola Técnica de Agricultura, em Viamão. Trabalhei nove anos nessa área. Fiz três anos de administração de empresas na FACCAT. Depois larguei tudo de mão e virei definitivamente gaiteiro. Não posso me exibir e nem me queixar. Tudo o que eu colhi nesses anos, tudo o que eu tenho – de material, de prestígio, de amigos, de conhecimento, de vivência – foi com a minha gaita.

BLOG – Tuas letras são autobiográficas? Por exemplo, Gaiteiro por Demais tem um verso que fala “E ninguém acreditava que eu fosse virar gaiteiro”.
PORCA VÉIA – Tem um cunho grande de realidade. Quando eu era guri, pelos 15, 16 anos, o gaiteiro não era muito bem visto. Os pais não queriam que as filhas namorassem gaiteiros porque o gaiteiro, por melhor que fosse,  era sempre gaiteiro. E o gaiteiro não passava de gaiteiro (risos). Hoje a gente tem outra valorização.

BLOG – Teus ídolos na música, quais são?
PORCA VÉIA – Os Bertussi são uma escola que eu sigo até hoje. Quando eu ouvi pela primeira vez a harmonia das duas gaitas juntas eu me apaixonei e sou apaixonado até hoje. Tenho todos os discos em vinil e quando eu quero recarregar as baterias eu escuto Bertussi um dia inteiro. É uma pena que o próprio Rio Grande não conheça muito a obra Bertussi, porque em quarenta anos que eu escuto, se eu escutar bem, eu descubro um detalhe novo.

BLOG – Qual deveria ser a maior qualidade de um músico?
PORCA VÉIA – O músico precisa ter um conhecimento profundo da sua limitação. Ele jamais deve querer fazer aquilo que não sabe fazer. É muito melhor tocar o Boi Barroso bem tocado que o Tico -Tico no Fubá mal tocado. Faça aquilo que você sabe de uma forma simples e com dedicação que é isso que o povo gosta.

AGENDE-SE: Dia 28 de dezembro, às 21h, no Parque de Eventos da Festa da Uva. Ingressos: R$ 20 (Pista) e R$ 50 (Vip). Em Caxias, pontos de venda nas Farmácias São João (Centro, São Pelegrino, Kaiser, Cruzeiro e Rio Branco)