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Lançamento: Livro conta a história de Cazuza Ferreira

13 de julho de 2015 0

Cazuza Ferreira parou no tempo. É o que dizem aqueles que visitam o distrito de São Francisco de Paula que hoje tem menos de 1.300 habitantes. Mas as casas de madeira, muitas sem pintura, e o antigo e imponente hotel da vila revelam o que foi, nas décadas de 40 a 60, um período próspero da localidade com o ciclo madeireiro.

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Foto: Maicon Damasceno

Quem conta estas e outras particularidades de Cazuza é o escritor Batista Bossle nas 248 páginas do livro Cazuza Ferreira Tem História para Contar, que será lançado nesta terça-feira em Caxias do Sul.

As Cavalhadas, umas das tradições mais antigas do Estado e que simula a luta entre mouros (de vermelho) e cristãos (de azul), feitas no distrito, ganharam um capítulo dessas memórias. Mas a obra é também um registro do presente: a população atual se verá no dia a dia do distrito, nas casas, na lida do campo, e nos armazéns antigos.

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Foto: Roni Rigon

Bossle é natural de Campestre do Tigre, localidade de Cazuza. Aquerenciado em Porto Belo (SC) há mais de 30 anos, os últimos três foram de incontáveis idas e vindas ao Estado para pesquisas do livro que incluíram visitas a cartórios, prefeituras e bibliotecas não só de São Francisco, mas também de Santo Antônio da Patrulha e Taquara, cidades que São Chico já pertenceu.

— A comunidade precisava de um registro de suas memórias — resume ele, simples e autêntico, como Cazuza Ferreira.

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Foto: Porthus Junior

As curiosidades:

- Antes de ganhar o nome Cazuza Ferreira, o distrito era conhecido como “Capela do Lageado”. Por uma exigência legal do governo federal, a localidade teve de trocar de nome. O prefeito da época,  Coronel Alziro Torres, sem consulta popular, escolheu homenagear o doador das terras usadas como moeda de troca por outras melhores para a construção da vila, José Ferreira de Castilhos, cujo apelido era Cazuza Ferreira. Muitos não gostaram da troca e chamavam de “exibidos” aqueles que falavam o nome.

- Cazuza já teve até cinema. Atrás do conhecido Hotel Avenida (hoje Hotel do Campo),  foi construído um pavilhão todo de madeira, com mais de 100 lugares e com camarote: era o Cine Serrano. Entre os filmes que passaram estavam o Gordo e o Magro, Mazzaropi e Coração de Luto, com Teixeirinha. O Cine Serrano  fechou em 1968.

- De 1975 a 1976, Cazuza chegou a ter um jornalzinho: Horizontes de Cá, que terminou em sua 10ª edição, com 700 cópias e distribuição gratuita.

- As cartas: o livro traz um belo registro da troca de correspondências no início do século XX, escritas em letras bem desenhadas: “Nada de novo só se matou o Mário Pezzi, a cidade esteve três dias de luto, tudo fechado, escolas, comércio”, escreve um caxiense em 1936 para um morador de Cazuza.

- O preconceito em Cazuza Ferreira era evidente nos clubes sociais, as chamadas sociedades recreativas. Havia a Sociedade Recreativa Independência (a alta sociedade dos brancos), a Asa Branca, dos negros, e a dos amarelos (o amarelo era o agricultor queimado de sol e pobre).

- Uma das localidades de Cazuza, chamada Pinhão, tem apenas um morador.

- Tranquila sim, parada nunca: Os negócios em Cazuza andam de vento e popa. A procura de imóveis como casas, lotes e propriedades rurais cresceu consideravelmente nos últimos tempos, acredita-se que por causa das notícias da anexação a Caxias.

Maicon Damasceno

Foto: Maicon Damasceno

Lançamento

Terça-feira (14), às 16h, na Livraria do Maneco, em Caxias. Cazuza Ferreira Tem História para Contar, 248 páginas, R$ 39, Nova Letra Gráfica e Editora

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