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2015: um ano difícil para o MTG

30 de dezembro de 2015 0

Dois mil e quinze foi um ano difícil, e muitas lideranças legalmente constituídas foram postas à prova, inclusive o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Há tempos o MTG vinha sendo questionado sobre os seus regramentos, sobre a sua ideologia e a sua forma de organização. Só que neste ano os episódios foram parar na Justiça, com a CPI do Acampamento Farroupilha e outras duas ações, uma pedindo vínculo empregatício de um narrador de rodeios e outra pedindo anulação de cláusula do Regulamento do Departamento de Narradores.

Durante seis meses, a CPI investigou as contas do Acampamento Farroupilha entre 2009 e 2013, mas não conseguiu provar nenhuma ilegalidade, alegando “ausência de testemunhas, falta de documentos e pouco tempo para análise da documentação”. No caso do processo movido pelo narrador de rodeios Gustavo Leite de Oliveira, que pedia vínculo empregatício com a instituição, a Justiça concluiu que a função exercida era eventual. Oliveira foi um dos narradores suspensos pelo MTG por participarem de eventos da Federação Gaúcha de Laço. A Justiça ainda reconheceu a legitimidade do Regimento Interno do Departamento de Narradores e a vedação para seus integrantes narrarem rodeios estranhos à instituição (cláusula que motivou suspensões e processos como o de Oliveira).

A decisão da Justiça sobre os episódios foi vista pelo MTG como “três importantes vitórias”. Judicialmente sim, mas a verdade é que a polêmica gerou conflitos, decepções, divisões e desgastes.

Deivis Bueno - aldeia dos anjos

Foto: Deivis Bueno, divulgação

Desgastes que afetaram também a credibilidade do maior festival de arte amadora da América Latina, o Encontro de Arte e Tradição (Enart). A divulgação de uma planilha incorreta com as notas dos grupos de danças tradicionais força A tirava das mãos do CTG Aldeia dos Anjos (de Gravataí) o troféu de grande campeão e o dava ao segundo lugar, o CTG Tiarayú (de Porto Alegre). As planilhas originais foram recontadas e confirmaram a primeira colocação ao Aldeia. Porém, na categoria Trova Estilo Gildo de Freitas, a revisão das notas mostrou que Aldori Moreira Tito, de Alegrete, que havia ficado em terceiro lugar, era o verdadeiro campeão. A organização do Enart havia contratado a empresa Sys Soluções em Informática, de Lagoa Vermelha, para a fazer a soma das notas. Ficou feio.

Em editorial, o presidente do MTG, Manoelito Savaris, escreveu que “quem se dispõe a ser o primeiro da fila, o chefe, sabe que está sujeito a responder por coisas que ele não fez, mas que algum subordinado ou vinculado a ele fez. (…)O que interessa? Houve um erro no Enart, o evento é de responsabilidade do MTG, e o presidente do MTG é o responsável. Simples assim. Pois assumo a responsabilidade. Assumo a culpa.” Em tom de desabafo, ele admite que não era assim que pretendia deixar a presidência do movimento.

A questão é bem maior do que assumir ou não a culpa. Estamos falando de um movimento que deveria integrar, e não separar. O novo gestor do MTG será escolhido no próximo 10 de janeiro, no Congresso Tradicionalista, em Bento Gonçalves.

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