Guga revelava um inconformismo bem humorado durante a cerimônia de lançamento da 3ª Semana Guga Kuerten, ontem. "Estão me arranjando sempre um adversário mais difícil que o anterior. Primeiro o Bruguera, depois o Kafelnikov, agora o Moya, que estava jogando este ano ainda!", 'reclamou'. Certamente Moya estará melhor preparado que Kafelnikov. Quem viu o russo sabe.
O catarinense derrotou seus dois convidados anteriores no jogo-exibição da Semana Guga Kuerten, Sergi Bruguera e Yevgeny Kafelnikov. Na fase profissional, foi vitorioso contra Moya pela Copa Davis em 1998 em Porto Alegre (3 a 2). Mais que um “péssimo anfitrião”, um visitante cruel. Voltou a bater Moya na Davis em 1999, dessa vez na Espanha, e aprontou no ATP de Mallorca, terra natal do amigo: faturou o título de virada e empurrou o vice para o gringo, que nunca foi campeão do torneio.
Por outro lado, uma das vitórias valeu muito para o espanhol. "Acho que ele nao trocaria essas partidas que eu ganhei pelo jogo que ele ganhou de mim em Indian Wells, quando ele foi número 1 do mundo. Foi o momento que ele teve, a oportunidade. Ele ficou duas semanas como número 1 do mundo. Então deve estar satisfeito, apesar de eu ter ganho mais. A única que ele possa estar empenhado talvez seja essa que eu ganhei dele lá em Mallorca. Eu espero que ele não venha pra cá com essa intenção, de ganhar de mim aqui na minha casa, que ele venha um pouco mais ameno", torce Guga, aos risos.
Os dois vão se enfrentar em 8 de outubro, às 20h30, na Arena Multiuso de São José.
Quase iguais
Na solenidade e nas entrevistas, Guga reafirmou a ótima relação que tem com o contemporâneo Moyá e destacou que até são parecidos - não fisicamente, claro. Fato. E aí vai uma pequena brincadeira. Moya nasceu em 27/08/1976, Guga, 14 dias depois. Um na Ilha de Mallorca, outro na Ilha de Santa Catarina. Ambos são leoninos, portanto. Os dois têm a mesma altura (1,90m), são destros, tornaram-se profissionais em 1995, conquistaram 20 títulos no circuito mundial cada e venceram 64% de seus jogos. São queridos no circuito.
A balança pesa a favor de Guga ao levarmos em conta Grand Slams (3 a 1 para o brasileiro), as semanas como número 1 do mundo (43 a 2 para Guga), conquistas em Masters (5 a 3), Masters Cup (1 a 0), confrontos diretos (4 a 3, 5 a 3 se considerarmos challengers), títulos em dupla (8 a 0), premiação em torneios (US$ 1,3 milhão a mais para Guga), influência no tênis...
E tem Sampras final do ano?
A possível exibição Guga-Sampras no final do ano já foi ventilada. Guga falou: "A tendência é essa, a gente está com muito interesse que ele venha, eu, principalmente. Fico em cima do muro, quero, mas na hora dá um ansiedade maior. É gostoso reviver esses momentos. Ano passado, com Agassi, foi fenomenal. Tomara que dê certo. Neste ano não estou dando tanta bobeira. Disseram que o Sampras viria em agosto, setembro, então tenho treinado com mais frequência, antecipei os treinamentos". Mais uma partida imperdível.