Produtores de leite de Érico Verissimo, na fronteira com a Argentina, seguem uma tradição em suas propriedades. Sem serventia para quem produz leite, os machos que nascem em seus rebanhos são presenteados para familiares, compadres e amigos. É o que conta o trabalhador rural Lindomar da Silva, 20 anos, que a equipe multimídia do grupo RBS encontrou às margens da rodovia. Com as patas traseiras para um lado, a barriga acomodada na altura do pescoço e as patas dianteiras do outro, o jovem levava para casa o terneiro Beco, com apenas três dias de vida, doado por amigos da região.
— Pequeno assim não dá para tropear. Tem que levar nos ombros, como um filho — ensina Lindomar, sem demonstrar cansaço ao percorrer os 400 metros que separam a sua residência da propriedade rural.
Beco será bem tratado pelos próximo quatro anos, até adquirir peso suficiente para ser abatido. Antes de se despedir, Lindomar, estudante do Ensino Médio e um desses tipos que só se encontra nos fundos de campo do Rio Grande, explica entre uma lambida e outra do tourinho:
— Vamos carnear o Beco só quando ele puder alimentar a nossa família. Faz parte do ser humano, da natureza. Matar pela vida não é pecado.
A equipe do De Olho nas Estradas conferiu o trecho sul da BR 101, conhecido como a Estrada do Inferno. Confira o vídeo
A equipe do De Olho nas Estradas retorna a Porto Alegre neste domingo. No final da tarde deste domingo, eles trafegam pela BR-116, no Vale do Sinos. Acompanhe o fim da viagem. Clique aqui.
Equipe do De Olho nas Estradas registrou a sinalização encoberta pela vegetação na rodovia Rota do Sol, que liga a Serra ao Litoral Norte, próximo a Caxias do Sul. Confira.
Responsáveis pela integração de municípios produtores de soja, milho e trigo, nas regiões noroeste e central do Rio Grande do Sul, três rodovias secundárias, administradas pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), padecem da mesma chaga: rachaduras e crateras no asfalto, mato no lugar do acostamento, sinalização precária.
Ontem, a equipe multimídia do grupo RBS De Olho nas Estradas viajou pelas rodovias Rosário do Sul-São Vicente do Sul (ERS-640) e Ijuí-Maurício Cardoso (ERS-342). Na segunda-feira, os jornalistas haviam percorrido Campo Novo-Boa Vista do Buricá (ERS-220).
A viagem se iniciou em Rosário do Sul. Não há buracos ao longo de 70 quilômetros, mas a impressão que se tem é de que os remendos foram atirados de qualquer jeito sobre o pavimento. Em alguns trechos, os desníveis são acentuados que o passageiro do banco traseiro precisa manter-se firme para não bater a cabeça no teto o carro.
- As ondulações judiam dos pneus e das molas do meu caminhão – reclama Jolmar Severo Marques, 31 anos, que viaja diariamente pela região transportando areia na caçamba de um caminhão.
O segundo trecho percorrido se inicia em Ijuí, um dos celeiros do Noroeste, e se encerra em Doutor Maurício Cardoso, na fronteira com a Argentina. A estrada está tão precária, que, em alguns trechos, o asfalto está derretendo – realidade semelhante à encontrada pela equipe na Santa Rosa-Porto Xavier (ERS-471), também administrada pelo Daer. Proprietário de um posto de combustível e sócio de uma borracharia, Ari Flores Copatti, 44 anos, já presenciou situações quase inverossímeis. Ele conta:
- Numa noite de sexta-feira, 10 pessoas tiveram pneus furados num trecho de quatrocentos metros. Já presenciei motoristas furarem os dois pneus de um veículo num mesmo buraco, consertarem, colocarem estepe e furarem um terceiro pneu.
No início da semana, ao fazerem os 30 quilômetros do traçado Campo Novo-Boa Vista do Buricá (ERS-220), os repórteres haviam deparado com uma via esburacada e sem nenhuma sinalização vertical.
AVALIAÇÃO
GERAL: As três estradas estão ruins.
PAVIMENTO: É precário nas três. Há buracos e trepidações no asfalto.
GEOMETRIA: Sem acostamento, é ruim.
SINALIZAÇÃO: Péssima. Falta sinalização horizontal e vertical em quase todo trecho das vias.
CONTRAPONTO
O que diz Milton Cypel, diretor de infraestrutura do Daer
"A estrada Rosário do Sul-São Vicente do Sul (ERS-640) é antiga não está preparada para receber tráfego de veículos pesados. Ela tem problemas estruturais, mas não há previsão de intervenção mais profunda. Continuaremos fazendo operações tapa-buracos. A estrada Campo Novo-Boa Vista do Buricá (ERS-220) também continuará recendo tapa-buracos. Já a Ijuí-Maurício Cardoso (ERS-342) receberá uma intervenção mais profunda, de restauração, a partir de dezembro"
Em suas quatro décadas de existência, a rodovia Palmeira das Missões-Santana do Livramento (BR-158) sofre com o peso de carretas, caminhões e bitrens, que danificam o asfalto.
A equipe multimídia do grupo RBS De Olho nas Estradas passou pela via e conversou com quem trafegava pelo local.
CONTRAPONTO
O que diz Vladimir Casa, superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit):
“No trecho de Palmeira das Missões- Cruz Alta, a empresa que tinha contrato de manutenção não quis renovar com o Dnit. É um direito da empresa não renovar o contrato, mas fomos surpreendidos. Agora, está sendo feita uma nova licitação. É por isso que o asfalto tem alguns problemas. Em relação às balanças, havia uma previsão de instalação de 18 balanças no Estado. Infelizmente, em função dos problemas ocorridos em Brasília e com as trocas no Dnit, o processo atrasou”.
AVALIAÇÃO
GERAL – Ruim no trecho Palmeira das Missões-Santa Maria, boa de Santa Maria a Santana do Livramento.
PAVIMENTO – Ruim, em alguns trechos péssimo, entre Palmeira das Missões-Santa Maria. Há desníveis e buracos no asfalto. Bom entre Santa Maria e Santana do Livramento.
SINALIZAÇÃO – Mesma coisa: ruim entre Palmeira e Santa Maria, boa entre Santa Maria e Livramento.
GEOMETRIA – Mesmo com todos os problemas, a rodovia conta com acostamento em todo trecho.
Os vídeos que são levados ao ar diariamente pelo jornal da TVCOM e disponibilizados no blog são editados pelo fotográfico Lauro Alves. Até aí, nenhuma novidade. Cada vez mais, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas habilitam-se a realizar todas as etapas de uma reportagem, independente da plataforma que ela seja oferecida ao público.
O surpreendente no trabalho de Lauro (funcionário do grupo RBS desde 2004 e há apenas seis meses em Zero Hora) é que o material é editado em um notebook, com auxílio do programa Vídeo Pad Editor, entre um deslocamento e outro. A cada parada para fotografar um personagem, flagrar um buraco no asfalto, Lauro, 29 anos, corta uma imagem, acrescenta uma trilha. Em no máximo duas horas, o vídeo está concluído e enviado para Porto Alegre, pronto para ser levado ao ar.
Dá uma olhada no resultado.
Patrimônio dos gaúchos, a rodovia Palmeira das Missões-Santana do Livramento (BR-158), construída há quatro décadas, está sendo dilapidada pela falta de investimento da União e pelo sobrepeso dos caminhões.
É o que constatou a equipe multimídia do grupo RBS De Olho nas Estradas.
Os primeiros indícios dos danos causados por bitrens, carretas e caminhões são notados em Palmeira das Missões, norte do Estado. De dentro da Parati de Zero Hora, conduzida pelo motorista Sérgio Barbosa, percebe-se no horizonte a formação de “trilhos” – afundamentos no asfalto provocados pelas rodas de veículos pesados. Quando chove, a água, represada nas cavidades, demora a escoar, potencializado riscos de acidentes.
Alguns quilômetros adiante aparecem os buracos. Um deles , sinalizado com um saco de lona branca por alguma boa alma, tem um metro de comprimento e 10 centímetros de profundidade. É grande o suficiente para acomodar a roda de um carro. Na localidade de Pavão, em Panambi, município colonizado por alemães, um quebra-molas obriga os veículos a reduzir a velocidade – ótimo para os pedestres, péssimo para a estrada. A lentidão dos caminhões castiga ainda mais o asfalto, formando ondulações na divisa de uma pista com a outra que assemelham-se a pequenas rampas.
-Alguns caminhões passam se arrastando aqui. É claro que o asfalto não agüenta. O conserto da pista dura dois, três meses, no máximo – conta o agricultor aposentado Plínio Valdemar Pang, 59 anos.
Como inexistem balanças para aferir o peso, a fiscalização é feita pela Polícia Rodoviária Federal, através da conferência de notas.
- A gente verifica se o peso atestado na nota fiscal está de acordo – diz Vilmar Keske, policial rodoviário federal que ontem estava no posto da PRF em Cruz Alta.
Mas se a nota informar um peso, permitido pela legislação, e o caminhão estiver, de fato, transportando carga acima do limite, como é possível aferir esta diferença? Keske explica:
- Só contando com balanças emprestadas.
E reconhece:
- É difícil fazer este tipo de fiscalização.
Em 18 dias de estrada e 11 mil quilômetros viajados, a equipe de reportagem não presenciou nenhuma aferição de peso com balança realizada pela PRF.
Sem repressão, transportadores abusam.
- A gente vê o pessoal com pesa acima do permitido. Muitas vezes não tem balança nas lavouras e o pessoal carrega no olho. Todo mundo perde com caminhão pesado demais – diz Marcio Bolzan, 35 anos, caminhoneiro e proprietário de uma pequena frota de caminhões.
Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio
Grande do Sul, José Carlos Silvano, reconhece eventuais desrespeitos à legislação, mas destaca a falta de investimento da União.
- No Brasil, se utiliza o pior padrão na construção de rodovias, é o padrão mínimo. O pavimento dura seis meses, um ano. A BR-158 foi construída há 40 anos. É óbvio que ela vai ser destruída.
A partir de Santa Maria, o trecho, construído na década passada, está bem pavimentado e com asfalto em ótimo estado. Resta saber até quando o pavimento vai resistir.
CONTRAPONTO
O que diz Vladimir Casa, superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit):
“No trecho de Palmeira das Missões- Cruz Alta, a empresa que tinha contrato de manutenção não quis renovar com o Dnit. É um direito da empresa não renovar o contrato, mas fomos surpreendidos. Agora, está sendo feita uma nova licitação. É por isso que o asfalto tem alguns problemas. Em relação às balanças, havia uma previsão de instalação de 18 balanças no Estado. Infelizmente, em função dos problemas ocorridos em Brasília e com as trocas no Dnit, o processo atrasou”.
AVALIAÇÃO
GERAL – Ruim no trecho Palmeira das Missões-Santa Maria, boa de Santa Maria a Santana do Livramento.
PAVIMENTO – Ruim, em alguns trechos péssimo, entre Palmeira das Missões-Santa Maria. Há desníveis e buracos no asfalto. Bom entre Santa Maria e Santana do Livramento.
SINALIZAÇÃO – Mesma coisa: ruim entre Palmeira e Santa Maria, boa entre Santa Maria e Livramento.
GEOMETRIA – Mesmo com todos os problemas, a rodovia conta com acostamento em todo trecho.
Veja no mapa o trajeto percorrido pela expedição De Olho nas Estradas: