Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Baleia-franca e filhote dão espetáculo na praia do Morro das Pedras, em Florianópolis

30 de julho de 2015 2
Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Atualização: 30/7/2015, às 13h

Fomos abençoados. A frase explica, ou melhor, tenta chegar o mais próximo da incrível sensação de ver uma mãe e um filhote brincando no costão da praia do Morro das Pedras, em Florianópolis. Traduz com simplicidade a imensa gratidão de se compartilhar esse momento único. O sol ainda não tinha surgido no horizonte no amanhecer de ontem, quando a dupla foi avistada no mar. Uma cena que, pela beleza ímpar, vira lembrança, dessas a ser contada de geração para geração.

Veja o vídeo deste momento especial:

O francês Nicolas Duportal, 39 anos, tinha um sonho de poder ver o mamífero de perto. Ao chegar no costão, parecia uma criança, tamanha a felicidade.

– Total gratidão em poder ter a chance de ver este espetáculo da natureza – contou.

O número alto de baleias na costa catarinense neste ano e o aparecimento registrado desde maio são atípicos. Num monitoramento embarcado feito pelo Projeto Baleia Franca, 37 baleias, inclusive com dois filhotes albinos recém-nascidos, foram registradas até o começo do mês de julho.

– O que não é comum é a passagem de um número tão grande de baleias até esta época do ano, e o fato delas terem começado a ser avistadas ainda no mês de maio. Elas devem ter se alimentado bem na Antártica durante o verão e adquirido uma condição nutricional ótima. Aproveitaram bem a movimentação das correntes e agora ficam para a reprodução e alimentação dos filhotes – explica a diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca, Karina Groch.

A caça foi proibida em 1973. Segunda Karina, chegaram a 90 mil espécies e agora são aproximadamente 12 mil em todo o Hemisfério Sul. Desde a década de 80 as baleias começaram a reaparecer e neste período tiveram início os trabalhos de monitoramento feito pelo Projeto Baleia Franca, que registra um crescimento de 12%. A pesquisadora lembra que uma média de 120 representantes da espécie aparecem em Santa Catarina durante as temporadas. Ao nascer, o filhote é acompanhado pela mãe que o amamenta. A espécie não dorme. Descansa na superfície e durante toda a passagem pela costa brasileira fica em jejum graças à energia armazenada através de suas gorduras. Chegam a ficar 20 minutos embaixo d’água.

– Ficam por aqui até que o filhote esteja forte e bem nutrido para retornar para a Antártica – afirma a diretora de pesquisa, lembrando que o hábito costeiro permite que elas sejam vistas tranquilamente em alguma parte da costa catarinense. O espetáculo fica ainda mais impressionante quando começam a pular.

– Pulam para se comunicar ou transmitir uma mensagem para os que estão mais distantes. O macho pode ser para uma demonstração de força. O filhote por imitação e para se exercitar.

Monitoramento avista 37 baleias no Litoral de SC

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Entrevista

André Silva Barreto - Doutor em Oceanografia e professor da Univali

Por que as baleias estão chegando tão cedo este ano?
Na verdade o período delas chegarem é este mesmo, de julho a setembro, mas as baleias chegam em etapas. Primeiro chegam os machos, depois as fêmeas sem filhotes e as grávidas, e no retorno a ordem inverte.

Como funciona o ciclo migratório das baleias-francas?
Durante os meses quentes do ano, na primavera e verão, as baleias permanecem na Antártica se alimentando. Passado este momento, começando o outono, elas passam a migrar rumo ao norte e vão chegando na época de inverno em SC, zona de reprodução das francas. Elas ficam aqui ao longo da primavera e vão embora quando o verão estiver começando. Os meses frios elas passam na costa brasileira e os meses quentes na Antártica, e os outros elas estão no meio do caminho entre um lugar e outro.

Por que elas migram para o Estado nesta época do ano?
Existem muitas hipóteses que podem estar somadas. Em primeiro, o filhote quando nasce não tem capa de gordura desenvolvida, então é prejudicial para ele permanecer em lugares muito frios. Para o filhote nascer, é mais vantajoso uma região mais quente. Em segundo, isso pode estar associado a fugir de predadores. As orcas, que são as principais predadoras de baleias-francas, são mais abundantes em águas frias. E em terceiro, dizem alguns pesquisadores, é que elas vêm para cá justamente pela mãe precisar de um lugar mais quente, pois assim usam menos suas reservas de energia para o processo de reprodução. Provavelmente é uma junção destes três fatores.

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Comentários

comments

Comentários (2)

  • Pitanga diz: 29 de julho de 2015

    Que sequência e vídeo fantásticos deste momento mágico!
    Realmente… registro abençoado, um presente da mãe natureza para quem merece pois sabe admirá-la.
    Gratidão.

  • marina diz: 29 de julho de 2015

    Tambem acho: uma experiência como esta não pode ser transmitida nem em fotos, nem em video. É como assistir ao concerto da melhor banda ou orquestra, não dá pra reproduzir… é sublime!
    Parabéns e obrigada pelo material compartilhado.

Envie seu Comentário