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"Nos sentimos traídos", diz pescador sobre aumento da restrição da pesca da tainha na Ilha

27 de outubro de 2015 4
"Nos sentimos traídos e lesados pelos vereadores", disse o pescador Xinho. Guto Kuerten/DC

“Nos sentimos traídos e lesados pelos vereadores”, disse o pescador Xinho. Guto Kuerten/DC

_Nos sentimos traídos e lesados. A Câmara de Vereadores nos traiu por não ter nos avisado sobre a votação_. A frase é do pescador Laurentino Benedito Neves, o Xinho, da equipe Saragaço da Barra da Lagoa, que neste ano foi a responsável pela maior quantidade de tainha pescada, sobre o projeto de lei que aumenta o número de praias liberadas para a prática do surfe durante a temporada da tainha em Florianópolis. Na semana passada a Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou em segunda votação o projeto de lei n. 15.620/2013 de autoria do vereador Marcos Aurélio Espindola, o Badeko (PSD).

O artigo 5º, § 1º da Lei n. 4.601/1999 passa a ter a seguinte redação:

“É permitida a prática de surfe em todos os balneários da Ilha de Santa Catarina, exceto no período de 15 de maio a 15 de julho, período da pesca da tainha, quando a prática do esporte poderá ser realizada nas Praias da Joaquina, Praia Mole, a até 500 metros do canto esquerdo da Praia da Lagoinha do Leste, a até 500 metros do canto esquerdo da Praia do Matadeiro, a até 500 metros do canto esquerdo da Praia da Armação, a até 500 metros do canto direito da Praia do Morro das Pedras, a até 500 metros para a direita da entrada da Praia do Moçambique e no canto esquerdo da Praia Brava, até a Rua Sinésio Duarte. As praias Mole e Joaquina ficam abertas em toda a sua extensão, durante todos os meses do ano, para a prática do surfe, sem prejuízo da pesca.”

Reunião dos pescadores para discutir sobre o assunto. Guto Kuerten/DC

Reunião dos pescadores para discutir sobre o assunto. Guto Kuerten/DC

A polêmica tomou novos rumos nesta semana após reunião entre pescadores no barracão cultural Manoel Rafael, no Campeche, na manhã de domingo. Durante o encontro foi nomeada uma comissão que irá se reunir nesta terça-feira, às 14 horas na Câmara de Vereadores com o prefeito de Florianópolis Cesar Souza Junior e os vereadores. _Iremos pedir ao prefeito e aos vereadores que voltem atrás e não aprovem este projeto que irá nos prejudicar. É paga toda temporada para o governo federal uma taxa para que o pescador artesanal fique naquele espaço reservado para ele. Então deveria ser sim preservado, já que inclusive é pago para isso.

Reunião dos pescadores para discutir sobre o assunto. Guto Kuerten/DC

Reunião dos pescadores para discutir sobre o assunto. Guto Kuerten/DC

Outro ponto questionado pelos pescadores é a apreensão do material de trabalho caso ocorram atos de violência ou proibição da prática do surfe. _É inconstitucional. Nunca vi um berimbau ser retirado da mão de um capoeirista. Tanto eles como os pescadores artesanais são tombados como patrimônio. Como podem tirar um instrumento de trabalho de um pescador? Com certeza é um desrespeito até com a União_contesta Xinho.

Na Barra da Lagoa, onde foi registrada neste ano a maior quantidade de tainha pescada pela equipe do Saragaço, com 42 toneladas, ou aproximadamente 30 mil tainhas, existe um acordo como praticamente em todas as praias da Ilha de Santa Catarina. Quando as condições de pesca não são favoráveis, a prática do surfe é liberada conforme acordo entre as federações catarinenses de surfe e pesca artesanal. _A tainha é um peixe de passagem e com vários predadores e nunca sabemos o seu destino certo. Qualquer coisa que se mexa no mar ela irá fugir. Como vêm ocorrendo, deve existir o consenso entre todos e não esta discriminação que está ocorrendo com a gente.

Desde a manhã de segunda-feira este blog tenta falar com o vereador Badeko, autor do projeto de lei. Na manhã desta terça-feira, mandou uma mensagem dizendo que iria entrar em contato. Até a publicação deste post ele não havia entrado em contato.

Comentários

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Comentários (4)

  • Armando Xudre diz: 27 de outubro de 2015

    Gostaria de demonstrar minha indignação com está lei que querem empurrar de goela abaixo do pescador por estes vereadores que não sabem o que uma tainhota . começando pela descriminação onde ei que eles inventaram só tem punição para os pescadores. O que acontece se o surfista surfar em local proibido?na lei não fala nada.a pesca da tainha são só dois meses do ano ficando 10 meses para os surfistas . Parabéns pela reportagem.

  • Pescador da barra diz: 27 de outubro de 2015

    É uma baita vergonhaa isso, vereadores currupitos sem cultura que não sabe nem oque significa a pesca da tainha para nós pescadores, esperamos o ano todo por esses dois meses, enquanto estão surfando o ano todo. Sou nativo da barra morador pego onda quando possível, se todas as comunidade fosse como a barra tudo estaria diferente aqui a cultura e a tradição da ilha fala primeiro… Aqui o bambu ronca!

  • Pescador do Santinho diz: 24 de novembro de 2015

    Pressupōe que para restringir o direito de uma ou mais pessoas deve haver motivo relevante. A lei que proíbe a prática de esportes aquáticos durante o período da tradicional época da tainha é completamente arbitraria, visto que não há qualquer amparo cientifico, nem tampouco legal. A alteração da lei é uma tentativa de legitimar a harmonia entre pescadores e surfistas para assim o “bambu parar de roncar”.

  • Zé da Pomba diz: 24 de novembro de 2015

    COMO? Em pleno século 21 algum ser humano pode querer impedir o direito de ir a vir de todos os outros cidadãos em nome de uma atividade em que eles acreditam que talvez quem sabe poderia espantar os peixes. Sendo que ja vimos várias vezes os mesmos entrarem com barcos a motor para cercarem as tainhas. É muito atraso para uma ilha só, estes Açorianos tem que acordar para olhar fora da janela e ver que a ilha de Florianópolis mudou, cresceu, e não é mais tão provinciana como a mente deles. Tem que haver acordo e flexibilidade. Não podem querer proibir por proibir, só para medir forças, a Barra nem entrou nessa nova lei e continua como sempre foi. Falta a capacidade de dialogo entre as partes mas principalmente do lado dos pescadores, o que precisamos é de bom senso. Eles querem continuar com as agressões absurdas, que vem cometendo por todos estes anos. Inconsticional é esta lei municipal que legisla sobre área da União. E se quizerem continuar com este barulho todo vão ficar sem nada…

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