Desde agosto você vem acompanhando no Diário Gaúcho a cobertura destas eleições. A equipe formada pelos repórteres Eduardo Rodrigues, Aline Custódio e Roberta Schuler, e pelos editores Luiz Carlos Domingues e Renato Dornelles - com apoio do pessoal da Arte, da Diagramação e da Fotografia -, trabalhou em revezamento para produzir, diariamente, uma página especial sobre política. Desde o surgimento do DG, é a primeira vez que o jornal realiza uma cobertura tão intensa do processo eleitoral.
Mas esta cobertura teve um ângulo diferenciado. Além de informações sobre o sistema de votação, a função dos cargos políticos e a divulgação das pesquisas e dos debates, a Redação se preocupou em mostrar como a política influencia diretamente sua vida. E aí entraram as histórias, como...
...a saudade do agricultor Luis Tadeu Malta Ramos, da localidade de Águas Claras, em Viamão. Acostumado a criar os bois Jaguarão e Alegrete como animais de estimação, hoje ele pode apenas relembrar os companheiros de trabalho quando olha para as cabeças dos bichos penduradas na parede. Mais uma vítima da insegurança que já chegou à área rural, ele teve os animais roubados e mortos. O acontecimento o obrigou a mudar a rotina da família, e o medo agora é constante.
...a desesperança de Sinara Aparecida Santos. Moradora da distante localidade de Logradouro, em Guaíba, ela chora ao falar sobre a sua condição: desempregada, com dificuldade de procurar trabalho por depender do escasso transporte público que atende a vila e sustentando os quatro filhos com R$ 120 do Bolsa Família. Mesmo assim, quando a reportagem esteve na sua casa, ela lavava com cuidado o único tênis branco da filha de 13 anos para o desfile de Sete de Setembro e agradecia a Deus pelo "bico" como auxiliar de pedreiro que o filho de 16 anos havia conseguido. Amor a uma Pátria que não a retribui.
...o exemplo de cidadania do Sr. João Carlos Agostinho Prudêncio. Mobilizando os vizinhos no bairro Umbu, em Alvorada, e conseguiu o tão desejado calçamento para a rua Concórdia em parceria com a prefeitura. Isso foi há cinco anos, mas Seu Prudência nunca mais parou: de lá pra cá, ele ajudou a criar a ONG Movimentação, que promove atividades culturais, e conquistou uma biblioteca comunitária junto ao Ministério da Cultura.
...o basta da comunidade de São Caetano, no extremo-sul da Capital. Cansados de esperar, eles resolveram colocar as mãos à obra e começaram a construir, com doações de material e trabalho voluntário, um pequeno posto de saúde. Hoje a líder comunitária Glaci Fam ainda corre atrás de ajuda para conseguir a planta do prédio com algum engenheiro, terminar a construção e conseguir a liberação da prefeitura.
...a dificuldade do pessoal do Campo da Tuca, no bairro Partenon. Desde 2007 a ponte que ligava a rua C à rua Condor vinha apresentando sinais de desgaste e colocando todos em risco - até que, há dois meses, a ponte foi retirada. O que parecia o início da solução do problema, se revelou uma frustração quando a prefeitura não recontruiu a estrutura, e hoje eles atravessam o Arroio Moinho em cima do galho de uma árvore caída.
...a força dos moradores da Vila Hortênsia, da localidade de Morro Grande, em Viamão. Após uma enchente que durou mais de três meses, eles finalmente resolveram se unir para criar uma associação de moradores. Agora, os diálogos ocorrem diretamente com a prefeitura e eles se sentem bem mais fortes. O próximo objetivo é conseguir uma creche comunitária para o bairro.
Espelhe-se nestes exemplos, pense bem e vote consciente neste domingo. A sua decisão na urna vai continuar influenciando a vida de todas estas pessoas - e a sua também.






