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A visão de um serrano em Brasília

27 de agosto de 2009 2

O e-mail abaixo foi enviado pelo jornalista e cientista político João Paulo Borges, que é de São Joaquim e vive atualmente em Brasília.

João Paulo é leitor assíduo do Diário da Serra, e escreveu um artigo com sua opinião sobre a representatividade da Serra Catarinense no Congresso Nacional.

O texto segue na íntegra, e contatos com o autor podem ser feitos pelo e-mail jornalistajp@gmail.com. Mais uma vez, obrigado, João Paulo!  

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 A REGIÃO SERRANA E SEUS REPRESENTANTES: UM TEMA QUE MERECE REFLEXÃO!

No último dia 19 de agosto, tive a honra de participar de um jantar de confraternização organizado pela Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures) aqui em Brasília. Na oportunidade, pude constatar algo intrigante no que diz respeito à representatividade regional na capital do país.

Entre os parlamentares que prestigiaram o encontro, nenhum tem base eleitoral na região. Os dois representantes do povo serrano no Congresso Nacional, Fernando Coruja e Raimundo Colombo, não se fizeram presentes.

Isso, na verdade, pode não significar nada para alguns. Mas, na minha opinião, como joaquinense e cientista político, são esses pequenos atos que demonstram o quanto a desunião política regional afeta a força da população serrana nos parlamentos.  

Hoje temos apenas um deputado estadual e um federal. O senador, apesar de ser lageano, não pode ser chamado de representante da serra, pois ele foi eleito com mais de 1,8 milhão de votos dos catarinenses.

Como conhecedor do dia-a-dia agitado dos parlamentares, ressalvo que o fato do Coruja e do Colombo não terem comparecido ao evento das lideranças serranas não quer dizer que não estejam atuando em prol da região. Pelo contrário, acompanho de perto o trabalho de ambos e sei o quanto batalham para viabilizar alguma melhoria para os municípios da Serra.

O que proponho aqui é uma reflexão, haja vista que o pleito de 2010 se aproxima. Ser pouco representado e não ter voz ativa, nem no legislativo estadual, nem no federal, é o que queremos na próxima legislatura?

Se a resposta é não, está mais do que na hora de unir forças, deixar um pouco de lado as rusgas partidárias locais e focar o trabalho eleitoral, desde já, em dois ou mais nomes que tenham condições de se eleger e representar à altura o povo serrano.

Sei que o sistema eleitoral brasileiro não impõe limites regionais para que os candidatos busquem apoio, conforme o modelo do voto distrital instituído em outros países, mas é inevitável que as lideranças políticas da Serra Catarinense reflitam um pouco sobre a necessidade de eleger mais do que um representante da região. Caso contrário, as ações pelo desenvolvimento dos municípios do Planalto dependerão da vontade dos parlamentares de outras regiões.

Eleitores para mudar esse quadro existem. Bastam, apenas, vontade e maturidade política dos líderes que definem os nomes e comandam as articulações partidárias na região. No último pleito, em 2006, só em São Joaquim, 87 candidatos a deputado federal e 140 a estadual receberam votos.

Essa fragmentação justifica porque não temos lideranças fortes com berço eleitoral na região. É hora de refletir e pensar no desenvolvimento dos municípios serranos.

Postado por Pablo Gomes, Lages

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Comentários (2)

  • João Paulo Borges diz: 28 de agosto de 2009

    Agradeço a atenção do jornalista Pablo Gomes para o assunto em pauta e a publicação do artigo no blog. Também agradeço o comentário do leitor Névio Fernandes. Está mais do que na hora de discutirmos a representatividade da Serra Catarinense ou vamos continuar dependendo dos deputados do oeste (a maior bancada do Congresso).

  • Névio Fernandes diz: 28 de agosto de 2009

    Parabéns ao jornalista João Paulo Borges pelo seu texto deveras esclarecedor. Não se tem muito que comentar sobre a nossa representatividade, depurar nomes e realmente objetivar, se desejamos comntinuar a ser um apêndice político de Santa Catarina ou uma região com forte sustentabilidade econômica.

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