Dizem que, o que é achado, não é roubado. Mas para a auxiliar de serviços gerais Ana Rute Bento, de 24 anos, o que é achado tem dono.
Moradora de Lages, ela cumpriu o seu dever e mostrou que a honestidade é algo valioso.
Com o marido desempregado há dois meses, mãe de duas crianças, de seis e oito anos, e moradora do Bairro Bom Jesus, um dos mais carentes da cidade, Ana conquistou seu primeiro emprego com carteira assinada apenas na semana passada, apesar de trabalhar desde pequena como faxineira em casas de famílias.
Contratada para atuar na limpeza da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), ela percorre os corredores por onde passam centenas de pessoas todos os dias.
Por mês, receberá um salário mínimo (R$ 465), mas como está no novo emprego só há uma semana, ainda nem recebeu.
Até que, na manhã da última terça-feira, Ana encontrou um envelope em um dos blocos da Uniplac.
Ao abri-lo, deparou-se com duas tentadoras notas, de R$ 50 e R$ 100, além de outras de menor valor. Ela não sabia a quem pertencia, e poderia ter ficado com tudo.
Mas fez o que a sua consciência mandou, nem contou quanto havia no envelope e foi atrás de quem o procurava.
Alexandre Silva Poroski, de 35 anos, professor de Direito da universidade, era quem havia perdido o dinheiro, num total de R$ 315, arrecadados entre os demais docentes do curso para comprar uma cafeteira e um bebedouro.
Quando ele sentiu falta, perguntou às faxineiras se algumas delas tinha visto o envelope, e Ana imediatamente disse que havia encontrado.
_ Ela precisa muito e ainda nem recebeu seu primeiro salário, e se ficasse com o dinheiro, não seria crime, pois o envelope não estava identificado. Mas teve essa nobre atitude, e fiz questão de contar o exemplo à minha filha _, disse Alexandre, que também é policial civil.
Órfã de pai e mãe desde a adolescência e sem ter concluído sequer a oitava série do ensino fundamental, Ana diz que aprendeu a ser honesta na escola da vida.
Os R$ 315 do envelope fariam uma grande diferença, mas ela nem quis saber o valor.
_ Certa vez, fui pagar uma conta numa loja e deixei R$ 50 no balcão. Quando voltei para pegar, não quiseram me devolver. Então, o mal que não quero para mim, não quero para ninguém. É assim que fui educada na escola da vida e é isso que ensino aos meus filhos.
Abaixo, confira o vídeo feito com Ana Rute a Alexandre.
Postado por Pablo Gomes, Lages



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