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Contar veículos: de brincadeira a pesquisa científica

30 de abril de 2010 2

Contagem é feita para saber o tamanho e onde flui o tráfego nos pontos mais movimentados de Lages. Foto: Alvarélio Kurossu

Quem passou pelo Centro de Lages nesta semana viu uma cena curiosa: em algumas praças e esquinas, grupos de duas, três ou quatro pessoas, com coletes alaranjados e pranchetas nas mãos, anotavam a caneta cada veículo que passava.

Brincadeira? Gincana? Maluquice? Nada disso. É uma pesquisa científica que objetiva planejar e melhorar o trânsito da cidade no futuro.

Mas que o trabalho é inusitado e remete àquela saudável brincadeira de contar carros, não resta dúvida.

Ao sair do trabalho e passar pelo Centro, a enfermeira Livina Helena Ataíde, de 47 anos, ficou curiosa e quis saber o motivo daquela contagem.

E na hora lembrou do pai, que morreu há uma década, com 77 anos, e que até os últimos dias de vida tinha o hábito de ficar horas na frente de casa, à beira da rodovia BR-282, contando quantos veículos passavam diante dos seus olhos.

_ Meu pai adorava fazer isso. Ele ficava um tempão contando os carros e depois nos dizia quantos passaram em tantas horas. Eu achava muito legal, mas nunca imaginei que um dia, de brincadeira, contar veículos se tornaria um trabalho e uma pesquisa científica para melhorar o trânsito de uma cidade _, diz Livina, acompanhada do filho Mateus, de sete anos e que também já se rendeu à contagem de veículos, ainda que sem nenhum compromisso, mas apenas por diversão.

A contagem dos veículos no trânsito de Lages começou na última terça-feira e deve ocorrer por mais uns 30 dias.

O trabalho envolverá, ao todo, 45 funcionários da prefeitura. Todos estão proibidos de dar entrevistas, mas um deles fez um comentário bem humorado.

_ Já contei muitos carros brincando, mas nunca tinha ficado tanto tempo seguido fazendo isso.

A contagem, lembra o diretor de trânsito da prefeitura, Iodori Borges, não é para saber quantos veículos existem em Lages.

Este número já é conhecido: são 73 mil veículos emplacados na cidade. O que se quer saber é o tamanho e para onde flui o tráfego nos locais mais movimentados.

Por isso, foram estipulados 56 pontos na área central da cidade. Das 10 às 15h, os contadores anotam quantos veículos passam por eles, de que lado vieram e para que lado seguiram.

Assim, será possível saber onde e quando o trânsito é mais intenso, planejar o trânsito e o crescimento da cidade e executar ações que podem ir de alterações de vias a grandes obras, como viadutos.

E enquanto isso, os homens e mulheres de coletes alaranjados, pranchetas nas mãos e mochilas com protetor solar, bolacha e água mineral continuam parados nos pontos mais movimentados de Lages fazendo profissionalmente o que muita gente faz para garantir algumas horas de diversão.

Pablo Gomes, Lages

Crack, nem pensar

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Comentários (2)

  • lorenzo busato diz: 19 de julho de 2010

    gostaria de saber como é feita a amostragem e o calculo para se chegar a um resultado.
    grato.

    Comentário do blog:

    Caro Lorenzo, muito obrigado por participar do Diário da Serra. Transcrevo abaixo um trecho do post que esclarece a sua dúvida. Um grande abraço e sucesso!

    “O trabalho envolverá, ao todo, 45 funcionários da prefeitura. Todos estão proibidos de dar entrevistas, mas um deles fez um comentário bem humorado.

    _ Já contei muitos carros brincando, mas nunca tinha ficado tanto tempo seguido fazendo isso.

    A contagem, lembra o diretor de trânsito da prefeitura, Iodori Borges, não é para saber quantos veículos existem em Lages.

    Este número já é conhecido: são 73 mil veículos emplacados na cidade. O que se quer saber é o tamanho e para onde flui o tráfego nos locais mais movimentados.

    Por isso, foram estipulados 56 pontos na área central da cidade. Das 10 às 15h, os contadores anotam quantos veículos passam por eles, de que lado vieram e para que lado seguiram.

    Assim, será possível saber onde e quando o trânsito é mais intenso, planejar o trânsito e o crescimento da cidade e executar ações que podem ir de alterações de vias a grandes obras, como viadutos”.

  • Marcos Sejar diz: 1 de agosto de 2010

    Eu faço contagem de veiculos na CET de São Paulo. Lá o negocio não é brincadeira não. Contamos veiculos nas marginais tiete e pinheiros, nas rodovias dentro da cidade de são paulo e aoutras avenidas perigosas. o trampo cansa fião. quem dera eu pudesse contar em pracinhas ridiculas como se fosse brincadeira de criança. tão querendo imitar a cet de são paulo, mas suas cidade nem passa caro,

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