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Pai vê filho morrer e tenta se matar

17 de agosto de 2010 4

Trator disparou morro abaixo, passou por cima de um pequeno muro de pedras e só parou ao bater em uma árvore. Foto: Pablo Gomes
Trator disparou morro abaixo, passou por cima de um pequeno muro de pedras e só parou ao bater em uma árvore. Foto: Pablo Gomes

Uma inexplicável tragédia destruiu a alegria de uma família na tarde de ontem na Serra Catarinense.

Uma criança acompanhava o pai durante os serviços rurais na fazenda em que viviam.

Um trator disparou morro abaixo e o garotinho morreu ao cair ou ao ser atropelado pelo veículo.

O pai, desesperado, tentou se matar cortando a própria garganta com uma faca.

O fato ocorreu em uma fazenda na localidade de Pinheiro Ralo, no município de São José do Cerrito.

Nelinho Paes Correia, de 33 anos, que trabalhava há dois na propriedade rural, realizava seus serviços rotineiros na companhia do filho, Nelinho Junior, que completaria quatro aninhos na próxima semana.

Por volta das 17h10min, o proprietário da fazenda e outro funcionário, Rodrigo Duarte, de 23 anos, chegaram ao local e viram Nelinho sentado em um gramado, chorando desesperado, com o filho no colo.

A criança já estava morta, e o pai estava com um corte no pescoço, que ele tinha feito com uma faca.

Rodrigo enrolou o bebê em uma coberta, o levou para dentro da casa e acionou o Corpo de Bombeiros, enquanto Nelinho foi levado pelo chefe numa caminhonete para Lages, distante aproximadamente 30 quilômetros.

No meio do caminho, na BR-282, Nelinho foi atendido pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu e conduzido ao Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, onde foi atendido.

Dentro da ambulância, ele gritava “meu filho, meu filho”, o que emocionou quem estava por perto.

Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, e só o pai e talvez a perícia poderão afirmar com detalhes, mas num primeiro momento cogitam-se duas hipóteses: o garotinho estava em cima do trator e, quando o veículo disparou, ele caiu e bateu a cabeça em uma pedra; ou o garotinho estava sentado em um pequeno muro de pedras e foi atingido pelo trator, que destruiu o muro ao descer o morro e só parou ao bater em uma árvore.

Apesar da gravidade do corte na garganta, o que o fez perder muito sangue, o pai não corre risco de morte e deve ser liberado entre hoje e amanhã do hospital.

Agora, ele terá que seguir sua vida ao lado da mulher e de uma filhinha que nasceu há cerca de um mês, mas sem o garotinho que o acompanhava todos os dias no trabalho.

Pablo Gomes, São José do Cerrito

Crack, nem pensar

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Comentários (4)

  • josé ernani freitas diz: 17 de agosto de 2010

    Credo! Que Deus se apiede desse pobre pai, da mãe, dos avós e de outras pessoas
    afins desse anjinho querido, vítima de tragédia tão cruel. Em momentos terríveis
    como esse, somente a Ajuda Divina poderá mitigar a dor desses infelizes. Esquecer,
    jamais conseguirão.

  • Nevio Fernandes Filho diz: 18 de agosto de 2010

    Estas trajédias, de certa forma, podemos dizer que em nossa região possuem uma regularidade impressionante. Em casos ocorridos anteriormente, hávia o costume de agricultores levarem seu filhos para os acompanharem nas lides campeiras e junto em carroças e tratores. O pai foi negligente, pois na linguagem jurídica, a criança é um ser absolutamente incapaz e deve haver por parte dos genitores as cautelas necessárias para o devido cuidado à este ser. É claro que a própria pena inferida a este pai será o remorso para o resto de sua vida, uma pena eterna. Não cabe aqui julgar-mos o caso, pois em situação igual, não sanberíamos analisar qual comportamento na ocasião. O Prates é enfático em seus comentários, toda criança tem parte com o demônio e não devem em hipótese alguma serem deixados sozinhos, esre caso serve de exemplo para outros.

  • josé ernani freitas diz: 18 de agosto de 2010

    A análise feita pelo Névio está correta, quando diz que o pai foi negligente ao descuidar,
    talvez por pequeno lapso de tempo, do garoto, o que permitiu o desfecho fatal. Também,
    quando afirma que o caso deve servir de exemplo a outras pessoas que costumam ter
    esses procedimentos de risco. Eu apenas acho, que num momento de intensa dor como
    esse, a família e os amigos, necessitam de palavras de conforto, de solidariedade, e não
    de alguém que lhes aponte o dedo, recriminando seus atos.
    Aliás, como o próprio Névio diz, o pobre pai, independente do que determinem as leis,
    terá a mais terrível das penas, a saudade, o sentimento de culpa, até o fim de seus dias,
    dias esses, que poderá abreviar num gesto tresloucado.
    Névio, abraços!

  • Nevio Fernandes Filho diz: 19 de agosto de 2010

    Meu caro Ernani, muito obrigado pelo seu comentário. É claro que nestas horas, vem o sentimento humano da prevenção, porque não foi feito aquilo ou porque não tiveram o cuidado. Após o ocorrido pensamos assim. As famílias simples do interior, não possuem este dircenimento que temos e de certo não conseguem prever a dimensão destes fatos tristes, que poderiam ser evitados, não levando crianças ao locais de trabalho. Após a trajédia vem o sentimento de culpa e a lembranlça desta prevenção. Me junto a você neste momento de pesar, ninguém gostaria de ter o dedo em riste apontando-lhe uma culpa fatal. E que este pai use o fato para conscientizar, por certo, os vários vizinhos da sua região.

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