Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

O amigão de todos

29 de novembro de 2010 1

Jair parou em Lages por acaso, não saiu mais e é dono do Bar do Gordo, um dos mais tradicionais da cidade. Foto: Alan Pedro

_ Opa, tudo bem? O que manda, amigo? Fique à vontade. Qualquer coisa é só dar um grito.

É mais ou menos assim que ele atende qualquer pessoa que chega ao seu estabelecimento.

Dono de um dos pontos de encontro mais tradicionais de Lages, o cara é uma daquelas figuras agradáveis com quem dá vontade de conversar o dia inteiro.

Jair Gonçalves, de 44 anos, proprietário do Bar do Gordo, parou em Lages por acaso. E nunca mais saiu.

Nascido em 1º de maio de 1966, em Coronel Vivida (PR), Jair estava de mudança com os pais para Tubarão, em 1974, mas a grande enchente que destruiu o Sul de Santa Catarina em março daquele ano impediu a descida da Serra, e a família obrigou-se a ficar em Lages.

O pai era caminhoneiro e o dinheiro era curto. Assim, ainda garoto, Jair começou a trabalhar transportando lenhas e vendendo doces, picolés e alface para ajudar no sustento da casa.

No início da década de 80 o pai abriu um bar na esquina da Rua Fausto de Souza com a Avenida Belizário Ramos, às margens do Rio Carahá, na subida de acesso ao Bairro Morro do Posto.

Só que, na mesma época, havia um outro bar exatamente em frente. Era o Bar do Gordo, construído em 1982 e cujo proprietário, de apelido Gordo, morreu em 1984.

No ano seguinte, Jair conheceu a filha de Gordo, com quem namorou e casou em 1987 e tem três filhos.

Assim, passou a administrar o bar do sogro falecido. Detalhe: fazendo concorrência com o próprio pai.

Uns dois anos depois, o pai fechou o bar dele, e Jair ficou sozinho na famosa esquina. Daquela época, o Bar do Gordo é um dos poucos ainda existentes na cidade.

Por lá, todo santo dia, passam homens e mulheres das mais diversas classes sociais. Sem discriminação, sem brigas.

Uma mesa de sinuca, duas ou três mesas para jogar cartas, uma churrasqueira elétrica – a famosa TV de cachorro -, uma máquina onde se colocam notas de dinheiro para ouvir músicas e dois televisores para assistir jogos de futebol são os principais atrativos do bar.

Além, é claro, da simpatia e do bom atendimento de Jair.

Fanático pelo Inter de Porto Alegre, Jair não tem preconceitos com os outros times, tanto que nas paredes do bar estão pintados, além do Inter, os símbolos do Grêmio (pela grande torcida gremista em Lages), do Flamengo (em homenagem à mulher) e do Figueirense (a pedido de um amigo).

Jair é tão gente boa que muitas vezes guia caminhoneiros de outras cidades até certos pontos da cidade.

Fisicamente, o Bar do Gordo não tem nada de mais. É um bar simples como outro qualquer. Mas a simpatia e o bom humor de Jair fazem do local a segunda casa de muita gente.

Continua…

Bookmark and Share

Comentários (1)

  • FERNANDO FAVA diz: 5 de dezembro de 2011

    Isso é tudo verdade,apesar de alguns anos sem contato,realmente é um grande amigo que carrego até hj no coração,tenho como um irmão,fiz um pouco de parte da vida dele,se puder entrar em contato meu email é fernandofava@ig.com.br,um grande abraço

Envie seu Comentário