João Rath, 87 anos, e o filho Carlos Augusto, 60, lembram com saudades dos tempos em que estudavam no Colégio Rosa: Foto: Vani BozaJoão Rath, 87 anos, e o filho Carlos Augusto, 60, lembram com saudades dos tempos em que estudavam no Colégio Rosa: Foto: Vani Boza
Fausta Rath, mãe de João e avó de Carlos Augusto, fez parte do primeiro grupo de professores da escola, em 1912. Foto: Acervo do Museu Histórico Thiago de Castro, DivulgaçãoFausta Rath (primeira à esquerda, número 1 na foto), mãe de João e avó de Carlos Augusto, fez parte do primeiro grupo de professores da escola, em 1912. Foto: Acervo do Museu Histórico Thiago de Castro, Divulgação
Elegante, de paletó e gravata, o ex-livreiro e intelectual de 87 anos caminha lentamente em direção ao local onde aprendeu muito do que ensinou ao longo da vida.
O prédio judiado pelo tempo ainda está muito vivo na memória deste senhor. Depois de meio século, ele voltou a entrar lá.
É um dia com um misto de tristeza e felicidade, de melancolia e orgulho. Uma lágrima escorre. Era um último tchau. Ou, se depender dele, um até breve.
Quando guri, João Rath cansou de correr pelos corredores e de escorregar pelos corrimãos de madeira da escada da escola.
Nesta sexta-feira, 29 de julho, ele voltou. E viu as portas se fecharem para uma história da qual ele fez parte.
A partir da próxima segunda-feira, dia 1º de agosto, a escola funcionará em um novo lugar, e o imponente prédio de 99 anos permanecerá fechado por um tempo que, se espera, seja breve.
No livro “O continente das Lagens: sua história e influência no sertão da terra firme”, de 1982, o historiador Licurgo Costa lembra que, em 1912, o então governador de Santa Catarina, coronel Vidal Ramos, destacava-se no Brasil pelos investimentos em educação a fim de erradicar o analfabetismo.
E para marcar esta condição, construiu no Centro da sua cidade, Lages, uma das mais modernas e bem equipadas instituições de ensino do Estado à época.
Talvez por egocentrismo ou justa auto homenagem, batizou o lugar com o seu nome. O Grupo Escolar Vidal Ramos foi inaugurado em 20 de maio de 1912 e tinha laboratórios de física e química, sala de história natural, biblioteca, ambientes para ginástica, galpões de recreio e outras benfeitorias para os 200 alunos e 12 educadores que deram início àquela história.
Entre eles, a mãe de João, a professora Fausta Rath. Integrante do primeiro grupo de docentes, Fausta levava o filho ainda moleque travesso para a escola, conhecida até hoje como Colégio Rosa.
O visitante bagunceiro virou aluno. Fausta fez história, ensinou muita gente, e deixou como legado até os dias de hoje o seu nome em uma escola municipal no Bairro Vila Mariza, em uma rua entre os Bairros Coral e São Cristóvão e, talvez o mais expressivo reconhecimento, em uma sala de aula onde tudo começou, no Colégio Rosa.
Foi nesta sala que estudou quando garoto o neto de Fausta, Carlos Augusto, hoje com 60 anos.
Estar diariamente em um lugar que levava o nome da avó era motivo de orgulho para Carlos, que nesta sexta-feira foi com o pai rever o lugar antes do fechamento.
_ Muito bom voltar aqui. Vivi ótimos momentos nesse prédio _, dizia João durante a visita, contemplando as paredes velhas e portas enormes com evidente sentimento de saudosismo.
_ Tenho a sensação de ouvir o badalo do sino, a correria da criançada pelo corredor e os gritos das professoras _, comentou Carlos ao pedir para entrar na sala que leva o nome da avó.
O último dia de aula no Colégio Rosa foi emocionante. Gente como a supervisora Rosana Fernandes, de 56 anos e há 30 na escola; a assistente administrativo Zaira Ataíde, 62, que fez questão de se despedir do prédio onde os quatro filhos estudaram mais de 15 anos atrás; e a estudante Evelin Guielcer, 12, que passou os últimos quatro anos dentro do prédio.
Todas felizes com a nova escola que vão ganhar a partir de segunda-feira, mas com lágrimas nos olhos e um aperto no peito por verem o Colégio Rosa sair da vida para entrar na história.
Continua...
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