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Confira a entrevista de Raimundo Colombo ao DC

09 de abril de 2012 0
Raimundo Colombo: "imagine se fosse o inverso, ou seja, eu acobertando um erro?". Foto: Pablo Gomes, junho de 2010

Raimundo Colombo: "imagine se fosse o inverso, ou seja, eu acobertando um erro?". Foto: Pablo Gomes, junho de 2010

* Diário Catarinense – A exoneração do delegado Cláudio Monteiro foi uma decisão sua?

Raimundo Colombo – Houve uma denúncia e uma investigação. O Grubba (César Grubba, secretário da Segurança Pública) ouviu o delegado e me mostrou todas as comprovações de irregularidades. Os documentos não deixam dúvidas. O Grubba sugeriu o afastamento, e eu concordei por entender que ele tinha toda a razão. Imagine se fosse o inverso, ou seja, eu acobertando um erro?

* DC – O senhor teve acesso às investigações?

Colombo – Tive acesso ao relatório. O Grubba é promotor de Justiça da área criminal. Ele sabe fazer o processo e está acima de qualquer suspeita. Ele me apresentou todos os elementos em todo o processo, e a decisão tinha que ser tomada.

* DC – Se o sinal verde para a exoneração ocorreu na segunda-feira à noite, por que só na quinta-feira isso foi divulgado, depois que o delegado participou das operações contra os assaltantes de caixas eletrônicos?

Colombo – Não sei. Mas a decisão foi tomada antes. Quem investiga não pode estar sob suspeita.

* DC – O senhor chegou a conversar com o delegado Monteiro?

Colombo – Não conversei, mas o conheço. Ele prestava um bom serviço, mas cometeu uma falha que não podia ser tolerada.

* DC – O que o senhor tem a dizer sobre o trabalho do delegado na Deic?

Colombo – O trabalho da Polícia Civil de Santa Catarina é muito bom, mas é evidente que não é só um policial. O delegado foi escolhido entre os melhores. Foi uma escolha técnica, como também foi a escolha do sucessor (Laurito Akira Sato).

* DC – Mesmo com o reconhecido bom trabalho do delegado e com a alegação dele de que devolveu todas as diárias, a exoneração era a medida a ser tomada?

Colombo – Tinha que ser a exoneração. Foi um erro grave cometido. E isso pode acontecer com qualquer outro servidor. Qualquer servidor público numa situação como essa precisa ser afastado, ainda mais sendo o chefe de investigação da polícia. Nós fizemos o certo, o que tinha de ser feito. Lamento, mas é uma decisão sem volta.

* DC – É na Deic que está um foco de resistência nas negociações salariais da Polícia Civil. O senhor teme algum problema com relação a isso?

Colombo – Não, pois volto a dizer que fizemos o certo.

* DC – Este caso está repercutindo muito, inclusive com milhares de manifestações nas redes sociais a favor do delegado Monteiro. Isso pode causar algum problema ao governo?

Colombo – O governo fez o que era certo para proteger a própria polícia e o próprio delegado. Talvez as pessoas estejam confundindo o motivo da exoneração com as declarações do delegado na imprensa (de que os criminosos que partissem para o confronto seriam presos ou mortos), mas não tem nada a ver. Eu garanto.

* DC – E agora? O que vai ser da Deic? Qual a orientação ao novo diretor?

Colombo – Buscamos um dos melhores policiais do Brasil, que havia sido chamado para a Força Nacional. Ele entendeu o momento e aceitou o desafio. A orientação é a mesma, de firmeza e combate duro ao crime. A Polícia Civil de Santa Catarina está de parabéns pelo seu trabalho!

Pablo Gomes, Lages

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