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A versão japonesa de Mahatma Gandhi

06 de setembro de 2012 0

Kazumi Ogawa, o guerreiro da paz. Foto: Guto Kuerten, junho de 2007

Era meu fim de semana de folga, mas o chefe mandou: “você vai para Frei Rogério fazer uma reportagem sobre a colônia japonesa”.

Questionar? Quem? Eu? Sem chance! Eu estava só há um ano na empresa e não podia questionar uma ordem. Mesmo estando de folga.

Assim, não me restou escolha, e fui a Frei Rogério. Não conhecia a pequena cidade e talvez nunca tivesse conhecido se o chefe não tivesse mandado. E lá chegando, me senti em outro mundo.

Uma vila inteira de gente com os olhos puxados, sotaque completamente diferente e uma impressionante vontade de trabalhar.

Sim, eram os japoneses. Quietos, daquele jeito deles, mas atenciosos, cordiais e agradáveis.
Logo pensei nos meus vizinhos e amigos de infância em Correia Pinto, aqui na Serra Catarinense, e do avô deles que quase não falava em português.

Recordei também os movimentos do karatê, arte marcial que pratico até hoje, e num estalar de dedos eu nem lembrava mais da minha folga.

Até que conheci o mestre Kazumi Ogawa e o seu místico Sino da Paz. A exemplo do avô dos meus amigos de infância, ele falava com um português bem carregado. Parecia até que tinha acabado de chegar ao Brasil.

A comunicação foi um tanto difícil, mas eu entendi perfeitamente toda a sua história, o seu drama, a sua luta e os seus sonhos.

E aprendi. E me emocionei. E conheci aquele que passei a admirar e a considerar a versão japonesa de Mahatma Gandhi. O guerreiro da paz.

Ah, sim, a minha folga. O que eu quero com folga? Em bom japonês, eu agradeço: arigatô, chefe!

Pablo Gomes, Frei Rogério

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