O jornalista João Paulo Borges, joaquinense que vive em Brasília, envia mais um texto abordando a representatividade política da Serra Catarinense.
O texto segue na íntegra. Grande abraço e muito obrigado, João Paulo.
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Enquanto não houver união, municípios menores da Serra continuarão sub-representados.
Enquanto o frio aumenta na Serra Catarinense, as eleições pelo país começam a esquentar.
Aproveitando-se deste contexto climático-eleitoral volto a escrever sobre o pleito que se aproxima e a baixa representatividade serrana, principalmente dos municípios menores, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Para quem não lembra, em agosto do ano passado escrevi o artigo “A região serrana e seus representantes: um tema que merece reflexão”.
Ao pesquisar o número de candidatos a deputado estadual da região no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e me deparar com um cenário nada animador, no que diz respeito às perspectivas de mudanças sobre a nossa representação, resolvi escrever novamente sobre o tema.
Posso parecer insistente ou até mesmo um jovem sonhador, como alguns me chamaram quando escrevi o primeiro texto, mas sinto-me incomodado com o fato de que, dos 14 candidatos serranos que registraram as candidaturas junto ao TSE, os poucos que têm chances de conquistar o mandato representarão a maior e mais desenvolvida cidade do Planalto Serrano, Lages.
É difícil dizer isso, mas em se tratando de representantes e atenção aos representados, por mais que muitos queiram, é impossível atender aos anseios de todos.
Ainda mais se considerarmos o contingente populacional dos 18 municípios que integram a Amures (são mais de 300 mil cidadãos carentes de representação).
Nesta época todos os candidatos irão dizer que vão honrar cada voto que receberem aqui e ali, mas após eleitos, poucos farão por merecer os sufrágios recebidos nas localidades menores.
Coloco isso, apenas para bater novamente na tecla de que além de parlamentares lageanos, está mais do que na hora das principais lideranças políticas, empresariais, comunitárias e de classes dos municípios menores, como São Joaquim, Urubici, Urupema, Bom Jardim, Rio Rufino, Bom Retiro e outros, se unirem em torno de um ou dois nomes eleitoralmente viáveis para mostrar a força da região.
Para que isso seja possível não adianta pensar em partido, por mais que isso seja inconcebível para alguns.
Penso que temos que olhar para frente, esquecer as rusgas do passado ou as diferenças do pleito municipal recente, e trabalhar para termos a quem recorrer no Legislativo no momento de encaminhar uma reivindicação regional junto aos governos, seja estadual ou federal.
Alguém que conheça a realidade local de perto, que possa falar por nós com conhecimento de causa.
No período de cogitações de candidaturas cheguei a pensar que teríamos um bom nome joaquinense para depositar nossos votos e repetir o feito do final da década de 90, quando elegemos um deputado estadual natural de São Joaquim.
Para quem não lembra, Sandro Tarzan foi eleito com pouco mais de 12 mil votos, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 1998.
A pesquisa realizada pela agência de notícias São Joaquim OnLine sobre possíveis candidatos renovou o otimismo. O registro da candidatura do ex-secretário da SDR, Humberto Brighenti, junto ao TSE animou ainda mais.
Mas, infelizmente, o compromisso de alguns, com políticos que só aparecem na cidade em épocas de festas e bailes, fez com que o sonho de ver um representante da terra na Assembleia fosse adiado por mais quatro anos. Mesmo distante, só posso lamentar e continuar sonhando.
Para não alongar o assunto que interessa a todos os serranos, lanço essa nova reflexão: como melhorar os Índices de Desenvolvimento Humano da nossa região, o famoso IDH, sem que tenhamos bons parlamentares na Assembleia e na Câmara Federal para batalhar pelas causas dos municípios e munícipes serranos?
* Por João Paulo Borges, jornalista, especialista em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB).