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Posts na categoria "Frei Rogério"

Kazumi Ogawa: o adeus ao Guardião da Paz

06 de setembro de 2012 2

Kazumi, de 83 anos, morreu após jantar com a esposa, Mariko, 78. Foto: Susi Padilha, abril de 2008

A enorme colônia japonesa espalhada pelo Brasil, representada por aproximadamente 1,5 milhão de nipo-brasileiros, está triste, pois foi sepultado na manhã desta quinta-feira, em Frei Rogério, no Meio-Oeste de Santa Catarina, o corpo de um dos últimos sobreviventes das bombas atômicas que castigaram o Japão durante a Segunda Guerra Mundial e que se transformou em um símbolo da busca pela paz entre a humanidade.

Kazumi Ogawa tinha 83 anos e morreu na noite de terça-feira, em casa, vítima de infarto. Ele e a mulher, Mariko, 78, haviam recebido amigos para jantar, entre eles, dois professores de uma universidade do Japão e o agricultor Kazunori Yamamoto, 63, morador do Núcleo Celso Ramos, onde vive a colônia japonesa de Frei Rogério.

Yamamoto lembra que, durante o jantar, Kazumi comeu e bebeu normalmente, conversou bastante e estava feliz por ter a companhia de pessoas pelas quais tinha muito carinho. Mas de repente, ficou quieto, se retirou e foi deitar.

Por volta das 22h, Yamamoto foi para casa, e como Kazumi não levantou da cama para se despedir, pensou que ele estava dormindo. Até que, poucos minutos depois, recebeu a notícia de que o amigo estava morto.

Com a presença de muita gente, o velório ocorreu durante toda a quarta-feira no Museu da Paz, lugar onde Kazumi pregava a igualdade e o respeito entre as pessoas.

Yamamoto lembra que, pelas tradições japonesas, o corpo deveria ser cremado, mas como não existe este recurso na região de Frei Rogério, optou-se pelo sepultamento tradicional, realizado no cemitério da colônia japonesa.

_ Ele já tinha um lote bem na entrada do cemitério e sempre dizia que, quando morresse, ficaria ali para cuidar de todos _, lembra Yamamoto, amigo muito próximo de Kazumi há 36 longos anos.

Atualmente, estima-se em aproximadamente 100 o total de sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki vivendo no Brasil.

Em Frei Rogério eram sete. Dois morreram de câncer, provavelmente em decorrência da radiação, dois voltaram para o Japão e três continuaram na Colônia Celso Ramos.

E agora, como a morte de Kazumi, apenas a irmã dele, Chiyo Ogawa, de 81 anos, e o cunhado, Wataru, de 83, preservam vivos um dos principais acontecimentos da história.

Continua…

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Sino da Paz representa a luta de Kazumi Ogawa

06 de setembro de 2012 0

Monumento foi construído na colônia japonesa de Frei Rogério. Foto: Alvarélio Kurossu, novembro de 2008

Kazumi Ogawa era contra qualquer tipo de guerra, mas se considerava um guerreiro da paz. Sobre um morro em frente à sua casa na colônia japonesa de Frei Rogério, está construído um monumento que representa a sua luta.

É o Sino da Paz, uma estrutura com 28 metros de altura em forma de um tsuru, pássaro nativo do Japão e que representa a paz e a esperança.

Em ocasiões especiais, como nas comemorações dos aniversários da imigração japonesa no Brasil – 104 anos completados no dia 18 de junho -, o sino, de aproximadamente 400 anos e 40 quilos, que estava em um templo budista no Japão e foi doado a Kazumi em 1998 pela Associação Internacional de Amizade, é colocado junto ao monumento.

Pessoas de diferentes religiões, do mundo inteiro, rezam no Sino da Paz. Kazumi, todos os dias,
antes de amanhecer, subia até a estrutura para homenagear os mortos e agradecer pela vida.

Também reverenciava Frei Rogério, considerado o pacificador da Guerra do Contestado e que deu nome ao pequeno município de apenas 2,5 mil habitantes onde está a colônia.

Outra referência de Kazumi à paz está em uma fruta especial. Em sua propriedade, ele cultivava duas variedades de pêra japonesa, a Housui (água em abundância) e Kousui (água da felicidade).

Kazumi batizou-as de Heiwa No Nashi (pêra da paz), numa relação entre a água da fruta e a água contaminada que matou milhares de inocentes após a bomba lançada sobre Nagasaki.

Continua…

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A versão japonesa de Mahatma Gandhi

06 de setembro de 2012 0

Kazumi Ogawa, o guerreiro da paz. Foto: Guto Kuerten, junho de 2007

Era meu fim de semana de folga, mas o chefe mandou: “você vai para Frei Rogério fazer uma reportagem sobre a colônia japonesa”.

Questionar? Quem? Eu? Sem chance! Eu estava só há um ano na empresa e não podia questionar uma ordem. Mesmo estando de folga.

Assim, não me restou escolha, e fui a Frei Rogério. Não conhecia a pequena cidade e talvez nunca tivesse conhecido se o chefe não tivesse mandado. E lá chegando, me senti em outro mundo.

Uma vila inteira de gente com os olhos puxados, sotaque completamente diferente e uma impressionante vontade de trabalhar.

Sim, eram os japoneses. Quietos, daquele jeito deles, mas atenciosos, cordiais e agradáveis.
Logo pensei nos meus vizinhos e amigos de infância em Correia Pinto, aqui na Serra Catarinense, e do avô deles que quase não falava em português.

Recordei também os movimentos do karatê, arte marcial que pratico até hoje, e num estalar de dedos eu nem lembrava mais da minha folga.

Até que conheci o mestre Kazumi Ogawa e o seu místico Sino da Paz. A exemplo do avô dos meus amigos de infância, ele falava com um português bem carregado. Parecia até que tinha acabado de chegar ao Brasil.

A comunicação foi um tanto difícil, mas eu entendi perfeitamente toda a sua história, o seu drama, a sua luta e os seus sonhos.

E aprendi. E me emocionei. E conheci aquele que passei a admirar e a considerar a versão japonesa de Mahatma Gandhi. O guerreiro da paz.

Ah, sim, a minha folga. O que eu quero com folga? Em bom japonês, eu agradeço: arigatô, chefe!

Pablo Gomes, Frei Rogério

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Sobrevivente da bomba atômica morre em SC

05 de setembro de 2012 19

Kazumi Ogawa chegou ao Brasil em 1961 e morreu com 82 anos. Fotos: Guto Kuerten, junho de 2007

Morreu às 23h desta terça-feira, vítima de infarto, o senhor Kazumi Ogawa, de 82 anos.

Ele era um dos últimos sobreviventes – aproximadamente 100 no Brasil – da bomba atômica que destruiu Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, na manhã de 9 de agosto de 1945.

Kazumi chegou ao Brasil em 1961 e foi para Santa Maria (RS). Em 1964, a convite da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), liderou as famílias que se instalaram em Frei Rogério, no Meio-Oeste de Santa Catarina.

Kazumi Ogawa fundou na Colônia Japonesa Celso Ramos, em Frei Rogério, um monumento chamado Sino da Paz, em homenagem aos mortos na guerra e visitado por turistas do mundo inteiro.

O corpo será velado no Museu da Paz, em Frei Rogério, e o sepultamento será nesta quinta, às 10h, no cemitério da colônia japonesa.

Pablo Gomes, Frei Rogério

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