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Posts na categoria "Haiti"

Lições de vida de um povo que pouco vive

17 de julho de 2012 0

Momentos de emoção: em frente à catedral de Porto Príncipe, capital do Haiti, onde Zilda Arns morreu; e uma longa conversa, em bom português, com três adolescentes haitianos - da esquerda para a direita, Noël Peter, Emmanuel Toussaint e Vladimir Clervilus -, que perderam tudo no terremoto, mas não se entregaram, estudam, falam cinco idiomas e procuram melhorar suas vidas e a realidade do seu país. Fotos: Pablo Gomes, abril de 2011

Estive no Haiti em abril do ano passado, 15 meses após o terremoto que destruiu o pouco que sobrava daquele miserável país.

Fiquei uma semana lá, acompanhando os militares brasileiros que integravam a Missão de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

O tempo era curto, e eu precisava aproveitá-lo ao máximo. Tarefa difícil. Afinal, ninguém sai da base brasileira sem capacete, colete à prova de balas e a companhia de homens fortemente armados.

Ou seja, caminhar sozinho pelas calçadas e ir à praça para entrevistar a população, nem pensar, sem chance. É proibido pelo governo brasileiro. Questão de segurança. Talvez até de vida ou morte.

Sim, pois ainda que os brasileiros – militares ou civis voluntários de ONGs – sejam muito bem quistos por lá e o Haiti já esteja praticamente pacificado, sem guerra civil e com um governo eleito democraticamente, é no mínimo perigoso sair sozinho com uma câmera fotográfica e alguns dólares no bolso em meio a uma multidão faminta e desesperada por dinheiro, já que a maioria dos haitianos vive com menos de 1 dólar por dia.

Apenas para fins de comparação, hoje, no Brasil, uma pessoa que recebe somente um salário mínimo de R$ 622 por mês, e nada mais, vive, em média, com 10 dólares por dia, ou R$ 20.

Clima tenso. Calor insuportável. Lixo, mau cheiro, trânsito caótico, prédios destruídos, pessoas sem braço ou sem perna, milhares de crianças órfãs ou, se não órfãs, vendidas pelos próprios pais a preço de nada a demônios que as tomam como escravas e as exploram sexualmente quando bem entenderem. Eis o Haiti.

Fui para lá com três objetivos: produzir reportagem sobre os militares catarinenses que participavam da missão, conhecer histórias que me fizessem encarar a vida de maneira menos complicada e visitar (como se fosse um ponto turístico…) a igreja onde a guerreira Zilda Arns morreu durante o terremoto.

Atingi meus três objetivos, mas o principal deles, a reportagem, ficou em terceiro plano.

Foi excitante conversar, em bom português, com três garotos haitianos (a língua oficial de lá é o creole, semelhante ao francês) que perderam tudo na catástrofe (casa, pais, irmãos e amigos), vivem sob barracas fornecidas pela ONU e, ainda assim, estudam, falam cinco idiomas diferentes, têm perspectivas de vida e, melhor que tudo, conseguem sorrir e transmitir felicidade.

Conheci gigantescas favelas e campos de refugiados, mas nenhum outro lugar me emocionou tanto quanto a catedral de Porto Príncipe.

Completamente destruída, com exceção de um crucifixo de uns três metros de altura que resistiu intacto ao violento abalo sísmico que matou 200 mil pessoas (atrás de mim, na foto acima).

Entre elas, a nossa Zilda Arns, que será homenageada com um espaço de saúde que leva o seu nome e será inaugurado nesta quarta-feira, em Porto Príncipe.

Alguns minutos de silêncio, dois olhos lacrimejados e um filme na cabeça. Por que aquilo foi acontecer? E justamente com aquele povo, que já não aguenta mais tanto sofrimento?

Sim! Eu vivo no paraíso!

Quanto a Zilda Arns, assim como muitos brasileiros, tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, bem como a sua terra natal, a simpática Forquilhinha, no Sul de Santa Catarina.

Mas poucos foram ao local onde ela morreu. Eu fui. E acho que a vi.

Se não vi, pelo menos conheci três garotos que certamente representam o legado que Zilda Arns queria deixar em um dos lugares mais subumanos do mundo.

Se eu voltaria ao Haiti?

Voltarei!

L’union fait la force, Haiti!

Pablo Gomes, Lages

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* Para ver a reportagem completa sobre a homenagem a Zilda Arns, clique aqui ou acesse o site www.diario.com.br

* Para ver fotos e textos produzidos durante a viagem ao Haiti, clique aqui ou acesse o blog Diário do Haiti, no www.diario.com.br/diariodohaiti

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Depois de dois dias sem internet e telefone por causa das tempestades, o Diário do Haiti manda notícias...

30 de abril de 2011 0

Violenta tempestade acompanhada de ventos fortíssimos chegou no fim da tarde de quinta-feira a Porto Príncipe e se repetiu na sexta. FOTO: PABLO GOMES

Olá, amigos, tudo bem por aí? Aqui no Haiti tudo tranquilo, apesar do calor insuportável. Estou vivendo uma experiência única que vai me fazer crescer muito como ser humano.

Espero que tenham sentido falta de atualização no blog Diário do Haiti. Mas não me culpem, muito menos pensem que eu dormi o dia inteiro ou fui à praia.

É que no fim da tarde de quinta-feira aconteceu uma tempestade violenta aqui em Porto Príncipe, o que nos deixou sem internet e telefone por quase 24 horas.

E quando o sinal voltou, no fim da tarde de sexta, uma nova tempestade derrubou tudo novamente.

E a tormenta foi tão forte que a base da Marinha do Brasil aqui em Porto Príncipe chegou a emitir um alerta durante a noite e deixou os seus militares de prontidão para possíveis problemas.

Ninguém aqui na base brasileira conseguiu sequer contato com a família para matar a saudade.

Mas neste sábado, por enquanto – agora passa das 17h aqui, 19h aí -, está tudo bem. O sol brilha forte e o tempo está firme. Que fique assim…

Entre lá no Diário do Haiti e acompanhe a nossa viagem. O endereço é o www.diario.com.br/diariodohaiti.

Um abraço.

Pablo Gomes, Haiti

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No Haiti...

28 de abril de 2011 0

Já estou no Haiti. Tudo sobre o primeiro dia de viagem no www.diario.com.br/diariodohaiti

Pablo Gomes, Haiti

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