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Documentário aborda efeitos do êxodo rural feminino

11 de novembro de 2010 0

fotos Sirli Freitas

Um casamento real no meio rural é o fio condutor do documentário “Celibato no Campo”, lançado nesta quinta-feira,no Sesc de Chapecó. O trabalho, realizado pelos jornalistas Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt, aborda um problema social que vem ocorrendo principalmente no Oeste Catarinense. O êxodo rural tem sido mais intenso entre as mulheres, o que tem como efeito colateral uma masculinização no campo.

De acordo com Cassemiro, o tema lhe chamou a atenção e ele conseguiu dados de um estudo do Centro de Pesquisas em Agricultura Familiare da Epagri de Chapecó indicando que há 17% mais homens que mulheres no campo, com idade entre 15 e 24 anos.

A partir disso Cassemiro e Ilka inscreveram uma proposta de documentário no Prêmio Cinemateca de 2008, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura. O projeto foi um dos 17 selecionados entre 140 concorrentes.

No início de 2009 foi realizada a pesquisa e, posteriormente, começaram as filmagens nas quatro comunidades selecionadas, duas em Formosa do Sul e as outras em Seara e Saudades. Da cerca de 25 horas de gravação foram editados os 52 minutos do média metragem.

O documentário traz belas imagens da vida no campo e também a tristeza dos pais que vêem seus filhos indo embora. Há também imagens tocantes como a dos dois irmãos solteiros almoçando sozinhos na casa onde moram, na comunidade de São Valentim. –Os pais morreram e eles ficaram sozinhos- explica Ilka.

De acordo com Vitorino, o êxodo principalmente das mulheres ocorre porque elas querem estudar, ter uma independência financeira e opções do que fazer nos finais de semana. –Eles não têm renda e não tem lazer- constatou Cassemiro. Além disso há um preconceito em cima da imagem do agricultor.

No casamento ocorrido na linha Barão do Triunfo, em Formosa do Sul, a noiva foi “importada” da cidade. Os jornalistas autores do documentário mostram preocupação com o futuro da agricultura familiar, pois há vários casos em que não há sucessor para continuar na propriedade. O documentário pode despertar política públicas para minimizar essa migração.

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