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Leite encanado da vaca para o resfriador

15 de novembro de 2010 0

foto Sirli Freitas

A imagem de uma agricultora ordenhando manualmente uma cava com o caneco e um balde no lado, com potencial para a queda de sujeira dentro, é uma cena cada vez mais rara. Em boa parte das propriedade o leite já é “encanado” da vaca direto para o resfriador. O líquido sai da teta da vaca para a ordenhadeira, passa por canos até um recipiente de acrílico para conferir o funcionamento e vai direto para o resfriador onde em três horas sai de uma temperatura de 36 graus para 2,5 graus. A ordenha não é feita mais em estrebarias de tábua e sim em “salas de ordenha”, com paredes em azulejo.

As tetas da vaca não são lavadas apenas antes da ordenha mas também é colocado um produto de proteção após a ordenha, para evitam a ação de potenciais agentes de doença quando o animal está no campo.

E um novo passo para isso é o pagamento por qualidade, que já está sendo adotado por alguns laticínios.

De acordo com o analista de mercado do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Francisco Heiden, as indústrias estão pagando de três a quatro centavos a mais para os produtores que adotam práticas que melhoram a qualidade.

Um exemplo é o produtor chapecoense Eron Baldissera, que passou a adotar normas de manejo e higiene da Nestlé (DPA) e com isso ganha três centavos a mais por litro. Como ele tem uma grande produção, isso representa R$ 75 mil a mais no final de um ano.

Na cabanha Rialex, da Família Lunardi, em Chapecó, os funcionários estão seguindo uma cartilha que orienta desde a limpeza das salas e equipamentos, até a limpeza da caixa d’água. É que não adianta limpar o ambiente se a água estiver contaminada.

As vacas recebem até fitinhas de indicação. Fita vermelha indica vaca que recebeu medicação. Fita amarela indica que o leite ainda é muito novo (colostro). Fita azul indica as vacas que estão secando.

Tudo o que ocorre durante a ordenha deve ser anotado numa espécie de diário. –A gente já adotava muitas práticas, mas agora tudo tem que ser registrado- afirmou uma das funcionárias, Eliane da Silva.

Além da DPA a Aurora também está desenvolvendo um programa de qualidade do leite. De acordo com o analista de mercado Francisco Heiden, essas práticas vão resultar num produto mais saboroso.

Ele alertou que não há problema nenhum em consumir o leite que hoje é vendido no supermercado. No entanto, devido à qualidade inferior, é necessário aumentar a temperatura da pasteurização, de 70 graus para 140 graus. –Isso altera o sabor e o cheiro do leite, que perde qualidade- afirmou. Além disso o leite estraga mais rápido. Um leite brasileiro que estraga em três a quatro dias na geladeira se não for consumido, nos Estados Unidos dura de 10 a 12 dias.

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