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Posts de junho 2011

Chapecoense confirma amistosos com o Juventude

14 de junho de 2011 0

A Chapecoense confirmou ontem dois amistosos contra o Juventude-RS, em preparação para a Série C do Campeonato Brasileiro. O primeiro será no dia 2 de julho, às 15 horas, em Caxias do Sul. O segundo será no dia 9 de julho, às 15 horas, no Índio Condá, em Chapecó.

A estreia no brasileiro é no dia 17 de julho, contra o Caxias, em Caxias do Sul. O clube tenta ainda acertar com um atacante ainda nesta semana, para compensar a saída de Aloísio..

Foz do Chapecó

13 de junho de 2011 0

A Foz do Chapecó Energia S. A. informou por meio de sua assessoria de imprensa que investiu mais de R$ 100 milhões em melhorias nos municípios atingidos, na construção, reforma e melhoria de hospitais, delegacias, quartéis, salas de aula, redes de água, salões, praças e estradas, entre outras. Citou que 300 famílias que não tinham terra foram beneficiadas.

Fotos Sirli Freitas

Em março de 2007 as lavouras de milho, fumo e soja da comunidade de Saltinho do Uruguai, em Águas de Chapecó, começaram a dar lugar a máquinas pesadas e seis mil trabalhadores vindos de longe, que romperam o silêncio que antes era quebrado pelo canto de um pássaro ou o berro de uma vaca. Quatro anos depois, essas máquinas e os trabalhadores, denominados barrageiros, foram embora. A tranqüilidade parece estar de volta. Mas a vida de milhares de pessoas está diferente. Pelo menos 2,2 mil famílias mudaram de endereço. O velho balseiro que viveu décadas na margem do rio Uruguai, foi morar na cidade. O agricultor deixou a casa onde nasceu, para construir uma nova. Outro viu sua propriedade desaparecer debaixo dágua. Os pescadores que navegavam pelas corredeiras do rio, viram um rio desse porte ser desviado e canalizado. Depois viram erguer um muro de pedra que, de um lado encheu, e de outro ficou quase seco, mostrando o desenho das pedras no que antes era o fundo de um rio.

Moradores como o pescador Claudir de Moura, viram um rio de 300 a 1,3 mil metros de largura, correr em canais de poucos metros de largura. Seu colega Canisio Monzlinger afirma ter reduzido pela metade a oferta de peixes. Algumas pessoas investiram mal o dinheiro que receberam da indenização. Outras reclamam que nem foram indenizadas como deveriam.

Já o comerciante Rogério Fae, da localidade de Porto Goiô-Ên, em Chapecó, de uma hora para outra trocou as coisas antigas por uma estrutura nova e mais bonita. Pessoas que moravam numa casa e propriedade minúscula, como Alcides Gonçalves da Rosa, multiplicaram o espaço onde vivem.

Donos do mercado Rocha, no Goio-Ên, perderam cerca de 40 clientes que se mudaram da localidade para a cidade. Mas ganharam um mercado novo e esperam lucrar com a vinda de turistas atraídos pelos novos investimentos. Algumas pessoas foram embora com a barragem. Outras vieram e ficaram na região.

O certo é que milhares de vidas foram modificadas com a obra. E outras tantas continuarão a sentir os efeitos desta construção. Pessoas atraídas pelo lago farão investimentos em turismo. Novos empregos serão gerados. A hidrelétrica trouxe um grande impacto ambiental e social. E sua energia vai movimentar não só máquinas, mas a vida de muita gente.

Nome: Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó

13 de junho de 2011 0

A Foz do Chapecó Energia S. A. informou por meio de sua assessoria de imprensa que investiu mais de R$ 100 milhões em melhorias nos municípios atingidos, na construção, reforma e melhoria de hospitais, delegacias, quartéis, salas de aula, redes de água, salões, praças e estradas, entre outras. Citou que 300 famílias que não tinham terra foram beneficiadas.

A empresa informou que no caso específico da Leonilda Ferreira Lopes, ela foi cadastrada em 2005 mas não comprovou vínculo como a propriedade atingida.

Em relação ao pescador Claudir de Moura, a informação é que ele já tinha sido indenizado pela terra e por isso não entrou no programa de apoio aos pescadores, que consistiu no pagamento de um salário mensal até a construção de barracões de armazenamento e processamento de pescado.

A empresa entende que a redução na vazão no trecho desviado do Rio Uruguai não inviabiliza a atividade da pesca. Sobre os impactos ambientais a empresa relatou que contratou especialistas para definir formas de compensá-los. Em relação a ação do Ministério Público, que resultou até numa liminar que atrasou o fechamento do reservatório, o consórcio informa que a liminar foi cassada porque o judiciário entendeu que a licença concedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Energias Renováveis (Ibama) estava adequada.

A concessionária informou que, como forma de compensação, está investindo numa estação de piscicultura que vai produzir dois milhões de alevinos por ano. Além disso foi elaborado um sistema de transposição de captura e transporte de peixes.

Dados da obra

13 de junho de 2011 0

Nome: Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó

Local: Rio Uruguai, entre Águas de Chapecó e Alpestre-RS

Investimento: R$ 2,7 bilhões

Investidor: Foz do Chapecó Energia S. A., formado por CPFL (51%), Furnas (40%) e CEEE (9%).

Início da obra: Março de 2007.

Conclusão: 42 meses.

Fechamento do lago: 25 de agosto de 2010

Enchimento do lago: 12 de setembro de 2010

Início da geração: 1 de outubro de 2010 (primeira turbina). A segunda turbina começou a geração em 23 de novembro, a terceira em 30 de dezembro e, a quarta, em março de 2011..

Potência instalada: 855 megawatts (25% da demanda de Santa Catarina ou 18% da demanda do Rio Grande do Sul)

Concessão: 30 anos, para Foz do Chapecó Energia S. A.

Pagamento de roialties pela área alagada aos 13 municípios (45%), estados do RS e SC (45%) e União (10%): R$ 12 milhões/ano

Área do lago: 79,93 quilômetros quadrados

Comprimento do lago: 117 quilômetros

Volume do reservatório: 1,5 trilhão de litros

Propriedades atingidas: 1522

Famílias atingidas: 2,2 mil

Municípios atingidos: 13, Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Guatambu, Chapecó, Paial, Itá (SC), Alpestre, Nonoai, Rio dos Índios, Erval Grande, Faxinalzinho, Barra do Rio Azul e Itatiba do Sul (RS

Benefícios e pendências

13 de junho de 2011 0

Assim como os efeitos da barragem as opiniões sobre a obra são divergentes. O prefeito de São Carlos, Elio Godoy, diz que quase todas as reivindicações feitas para a Foz do Chapecó Energia S. A., concessionária da hidrelétrica, foram atendidas.

O município que foi um dos atingidos pela redução da vazão do rio Uruguai, ganhou uma ciclovia na SC 283, uma Casa de Memória e mais investimento de R$ 6,5 milhões num parque aquático. A área de 70 mil metros quadrados no Balneário de Pratas já foi comprada e o poço profundo foi perfurado. No dia 27 de junho serão abertas as propostas de licitação da primeira parte do parque, que são duas piscinas cobertas e área administrativa. A expectativa é inaugurar o parque no próximo verão. –A hidrelétrica trouxe mais aspectos positivos que negativos- disse Godoy. O prefeito de Águas de Chapecó, Adilson Zeni, cita que o município recebeu uma ligação asfáltica com o Rio Grande do Sul, a ACH 050, que deve ter o tráfego liberado por cima da barragem nos próximos dias. Houve também compensação pelos gastos com saúde. Zeni disse que ainda está em entendimentos com os empreiteiros para recuperação do asfalto das ruas, criação de uma cooperativa de costura para atender a população que ficou sem trabalho após o fim das obras, construção de um trapiche no rio Chapecó e iluminação da rua Porto União. Ele afirmou que a obra movimentou a economia da cidade e que agora tudo deve voltar ao normal.

Na avaliação do prefeito de Caxambu do Sul, Vilmar Foppa, no movimento econômico da cidade os ganhos não compensam as perdas. Ele afirmou que a Prefeitura vai ganhar R$ 1,1 milhão por ano em roialties. Isso aumenta a receita mensal de R$ 700 mil para R$ 800 mil. Mas as perdas geradas pelo alagamento de 800 hectares e a saída de 240 famílias de suas propriedades, são estimadas em R$ 4 milhões por ano. A principal região produtora de melancia, onde tinham as áreas mais férteis, foram alagadas.

Para as lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens, (MAB), a usina não trouxe desenvolvimento para a região pois deslocou cerca de 10 mil famílias, não reconheceu a indenização de 158 pessoas e causou grande dano ambiental. Tanto que o Ministério Público entrou com uma ação para aumentar a vazão na área desviada, construir um canal para peixes e retirar as árvores que ficaram submersas. A ação está na Justiça Federal de Chapecó

Sem lazer e sem profissão

13 de junho de 2011 0

Antes da chegada da hidrelétrica, o pescador Claudir de Moura caminhava apenas 300 metros e já estava no Rio Uruguai, onde chegava a tirar R$ 1,9 mil por mês. –Pegava 26, 27 quilos num dia- conta. Com o dinheiro da pesca, comprou um pedaço de terra e bancou uma das filhas na Faculdade. Depois que veio a barragem, ele teve um pedaço de terra e a casa indenizados e comprou outra área. Mas perdeu o ponto de pesca, já que o rio foi desviado cerca de 90% por túneis até as quatro turbinas na casa de força. Com isso o rio ficou com a vazão reduzida num trecho de 20 quilômetros. A situação mais grave é num trecho de seis quilômetros entre a barragem e a foz do rio Chapecó, onde restaram alguns canais e o restante virou pedra. –Dá dó ver o rio assim- lamentou. Ele entrou na justiça para ser indenizado como pescador, pois seus barcos, motores e redes, que custam R$ 12 mil, estão ociosos. Agora, para ele pescar, tem que fazer 12 quilômetros.

Moura olha com tristeza para a paisagem onde desde criança nadava e pescava. –Acabaram com o lazer da gente que era ficar no rio- disse.

Indenizados duas vezes

13 de junho de 2011 0

O agricultor Arno Machado dos Santos era um dos moradores do canteiro de obras da hidrelétrica Foz do Chapecó, próximo de onde está a barragem. Agora ele e a mulher Maria Líria dos Santos olham a paisagem, com aquele monte de pedra e concreto barrando a água. E consideram que a vinda da obra foi positiva. –Eu saí bem pois fui indenizado duas vezes- conta o agricultor. Ele primeiro recebeu o dinheiro da casa e construções que tinha nos 2,5 hectares do canteiro. Com isso levou tudo para uma outra propriedade, que foi parcialmente atingida pelo lago, e novamente foi indenizado. –Eu não tenho queixa do consórcio- afirmou Santos. Ele afirmou que os moradores foram bem indenizados. E a comunidade recebeu igreja nova e salão novo, bem melhor que antes. O único aspecto negativo, segundo o presidente da comunidade, é que restaram apenas 13 famílias na comunidade. –Umas 40 famílias saíram- calcula

Casa maior e mais terra

13 de junho de 2011 0

Com os R$ 122 mil que recebeu pela indenização de uma área de 0,3 hectare e uma casa de 20 metros quadrados o casal Alcides Gonçalves da Rosa e Nair Boita da Rosa compraram uma propriedade de 13 hectares, 43 vezes maior, e construíram uma casa de 81 metros quadrados, quatro vezes maior. –Pra nós a moradia ficou bom- disse Nair. Eles já plantaram flores e árvores frutíferas na nova propriedade. Também tiveram a vantagem de ver o asfalto chegar. Mesmo assim não ficaram plenamente satisfeitos porque o filho, que morava com eles, não recebeu também um pedaço de terra, como gostariam. Com isso ele foi trabalhar de motorista. Rosa também reclamou que sua propriedade ficou dividida pelo asfalto e o passadouro das vacas ficou muito estreito. Além disso, na pavimentação acabaram danificando a cerca bonita que tinha construído.

Sem clientes e sem a paisagem favorita

13 de junho de 2011 0

A comerciante do balneário de Pratas, em São Carslo, Cleusa Hammerschmitt , costumava acordar pela manhã e observar a beleza e imponência do Rio Uruguai, que tem 1,3 quilômetros de largura no local. Agora ela vê uma água rasa, resultado do desvio de 90% do volume do Rio Uruguai, para as turbinas da Hidrelétrica Foz do Chapecó. –É uma coisa muito triste você olhar e não ter mais o rio- lamentou. Ela recebia semanalmente 15 a 20 pescadores de cidades como Videira, Fraiburgo e Curitiba, que iam pescar no rio. Além de alugar os apartamentos eles comiam no restaurante da família e também faziam amizade. –Agora eles ligam perguntando como está o rio, não tem mais o rio- diz Cleusa. O movimento reduziu cerca de 80% calcula ela. O restaurante foi alugado. E uma irmã sua acabou indo embora para Minas Gerais com um “barrageiro”, como são chamados os construtores de hidrelétricas.

Pescador preocupado com o futuro

13 de junho de 2011 0

A casa na beira da SC 283 é o local onde Terezinha Goelzer vende os peixes que o marido Elton Goelzer pesca no rio Uruguai. Essa é a fonte de renda o casal e as duas filhas. Mas eles estão preocupados pois na construção da hidrelétrica o rio foi desviado por túneis e um trecho de 20 quilômetros. –O rio baixou uns 90 centímetros a menos- calcula o pescador. –A gente acorda de manhã e vê só pedra- completa Terezinha. Goelzer já quebrou uma hélice do motor do barco e, em alguns dias, tem que andar por cerca de 300 metros só empurrando o barco com uma vara. A redução do nível da água propiciou o surgimento de um limo que acaba parando nas redes. Mas a maior preocupação do pescador é com o futuro da pesca. Ele acredita que na piracema, quando os peixes sobem o rio para reprodução, eles serão capturados com facilidade na água rasa. E como não vão poder subir para reproduzir, não haverá reposição natural. Os três barracões que serão construídos para beneficiar os pescadores podem ficar ociosos se não houver mais peixe.