
foto Sirli Freitas
Santa Catarina pode se beneficiar do embargo russo a 85 frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, que passa a vigorar a partir de quarta-feira. Os russos alegam problemas sanitários. Santa Catarina, que é o único estado reconhecido internacionalmente como Zona Livre de Aftosa Sem Vacinação, poderá aumentar a venda de frangos e talvez até de suínos, na avaliação de lideranças do agronegócio catarinense.
Basta lembrar que o estado perdeu a liderança de exportações de suínos em 2005, para o Rio Grande do Sul, quando focos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná acabaram resultando num embargo russo também para Santa Catarina, por ser estado vizinho ao Paraná.
O presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Cléver Ávila, disse que a maioria das agroindústrias tem plantas em vários estados e podem direcionar a produção para a Rússia em estados que não tem a restrição.-Santa Catarina poderá momentaneamente aproveitar a situação e ampliar a exportação- afirmou Ávila.
Ele afirmou que a perda no momento é que a imagem do Brasil fica arranhada, mas acredita que o Ministério da Agricultura vá reverter a situação.
O diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarnes) Ricardo Gouvêa, disse que o cenário ainda é nebuloso. Mas imagina que o estado pode ser beneficiado. –De repente os russos podem comprar mais de Santa Catarina- avaliou.
Para o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Losivânio De Lorenzi, a expectativa é de aumentar as vendas de Santa Catarina. –Eles vão focar a exportação por Santa Catarina pelo nosso status sanitário diferenciado- avaliou. De Lorenzi espera que isso possa amenizar a crise pela qual o setor vem passando.
O preço do suíno, que era de R$ 2,54 por quilo vivo em dezembro do ano passado, agora está em R$ 2,20. E com o custo do milho aumentando. O suinocultor Mário Fries, de Chapecó, está pessimista. –É só matéria e reportagem e nós cada vez pior- lamentou. O gerente de sua propriedade, Fábio André Klagenberg, disse que o preço caiu 20% desde o final do ano passado. A propriedade tem 400 fêmeas que produzem 550 a 770 leitões por mês.
Na avaliação do presidente da Coopercentral Aurora, Mário Lanznaster, o embargo deve ser bom para o frango catarinense, mas não vai ajudar no suíno. –É uma bela oportunidade para vendermos mais frango- disse Lanznaster.
Ele acredita que, apesar do produto estar sobrando no mercado interno, há espaço para ampliar as vendas de Santa Catarina para o russo, já que os demais estados terão que remanejar a produção para outros países e o mercado interno.
Na questão da carne suína ele acha mais difícil, já que somente a Seara e Pamplona estão credenciadas para este mercado. A Aurora embarcava 1250 toneladas por mês para a Rússia, da unidade de Sarandi-RS. Agora terá que buscar outros mercados para esta carne. Lanznaster acredita que os russos devem comprar esta carne de outros países, como os Estados Unidos, já que o real valorizado acaba tirando competitividade da carne brasileira.
Lanznaster prevê ainda uma baixa nas carnes de frango, suíno e bovino. –O consumidor deverá ter carne mais barata- projetou.