Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de novembro 2008

Carta da Redação - 22 de novembro

21 de novembro de 2008 0

Esta é a Carta da Redação que estamos publicando amanhã. Antecipo aos leitores.

Em qualquer jornal, a capa é a página mais importante. É um resumo de toda a edição e deve ser atrativa e convincente, para levar o leitor a folhear as páginas.

No Diário Gaúcho, igual importância também tem a contracapa, por um motivo muito importante. A última página oferece ao nosso leitor algo que está na essência do jornal, que é a utilidade. O Diário não se preocupa apenas em levar informação ao seu leitor, mas também mostrar como aquela notícia será útil na vida real.

A missão de a cada dia elaborar uma nova contracapa está entregue a uma das mais experientes profissionais da Redação, a jornalista Rozanne Adamy, 55 anos, uma profunda conhecedora da alma humana e dona de conselhos que servem de guia para os novatos. Rozanne já trabalhou nos principais jornais do Rio Grande do Sul e hoje faz a travessia São Leopoldo (onde mora) até Porto Alegre sempre pensando em como oferecer algo diferente ao leitor da contracapa.

Como forma de organizar o conteúdo, cada edição é reservada a um assunto. Segunda, é dia de dicas de saúde. Terça, da galera do Pah!. Quarta, dia de ensinar a fazer algum artesanato ou pequenos reparos em casa. Quinta é dia de passeio, sexta de gastronomia, com sugestões que podem ser realizadas em família, no final de semana. Por fim, sábado é dia de ficar na estica com as idéias de moda.

Há uma simbologia em dar a contracapa a função de utilidade. É uma maneira de mostrar ao leitor que o jornal não termina quando a leitura cessa na última página, mas continua por meio de sugestões que podem ser colocadas em prática pelo leitor.

Afinal, é este o objetivo do Diário Gaúcho: ser um companheiro de seu leitor sempre, mesmo depois que a leitura chegue ao fim.

 

Postado por Alexandre

Carta da Redação - 15 de novembro

14 de novembro de 2008 1

Antecipo aos internautas a Carta da Redação que vamos publicar amanhã. E deixo um convite: não deixem de ler a reportagem que está mencionada no texto e será publicada na edição deste final de semana. É um belo trabalho jornalístico.

Muitos jovens pensam em seguir a profissão de jornalista iludidos por uma imagem glamourosa: que nesta profissão a gente viaja muito, entrevista gente famosa e está sempre presente nas melhores festas e eventos.
Doce ilusão.
Na maioria das vezes, as reportagens são feitas em ambientes hostis, onde existem muitas dificuldades, muitas barreiras para os profissionais superarem, com pouca gente disposta a ajudar e muitos inimigos jogando cascas de banana pelo chão para o jornalista escorregar. Não poucas vezes, é necessário coragem e disposição física para enfrentar obstáculos.
Prova disso é a reportagem que está na página 6 e 7 da edição de hoje. Destacada para escrever a história de um prédio no Centro, a repórter Roberta Schuler (que completa 27 anos nesta segunda) e o fotógrafo Daniel Marenco, 28 anos, suaram para reunir as informações. Foram duas semanas de trabalho e seis visitas ao local. Algumas delas, à noite, numa zona da cidade pouco convidativa, que costuma ser povoada por assaltantes.
_ Pelo menos os entrevistados nos ajudaram, ninguém nos disse um não _ lembra Roberta, ela mesmo vítima de diversas situações embaraçosas.
Andando pelos corredores do prédio, conhecido como Carandiru, em meio aos movimento de homens que procuram as casas de massagem do local, Roberta recebeu convites para programas, confundida com as profissionais que ali trabalham. Teve sangue frio e jogo de cintura para escapar de todas as situações.
As dificuldades encontradas por Roberta e Daniel são provas que nem tudo é um mar de rosas no jornalismo, como muitas vezes imaginam os que lêem jornais e assistem à tevê. Um repórter com dez anos de profissão terá entrevistado no máximo três famosos. No entanto, já terá enfrentado centenas de vezes situações idênticas à vivida pela reportagem do Diário no Carandiru.
Mas não nos queixamos disso, apenas queremos que não se imagine que na profissão só de vive de maravilhas . Afinal de contas, quando entramos na Redação, sabemos que, em nome do leitor, precisamos buscar as histórias onde quer que elas estejam.

 

Postado por Alexandre

Carta da Redação - 8 de novembro

07 de novembro de 2008 3

Mais uma vez antecipo aos leitores a Carta da Redação que estamos publicando amanhã. É mais um momento de reflexão para todos. Serve para que o leitor entenda um pouco o nosso sentimento.

Há uma tremenda injustiça que se comete com os jornalistas. É comum ouvirmos falar que nós gostamos de notícias ruins porque são elas que mais vendem jornal.

Não é verdade.

Primeiro, porque, no Diário Gaúcho, nossas maiores vendas ocorrem quando estampamos na capa boas notícias, como oportunidades de emprego e vitórias da dupla Gre-Nal. Então, se há uma venda maior em casos assim, é porque o leitor, tanto quanto os jornalistas, gosta de boas notícias, não?

Segundo, porque nós, jornalistas, tanto quanto os leitores, sofremos com as notícias ruins.

Então, como gostar de algo que nos faz sofrer?

***

Aqui, neste ponto, é importante não confundir duas coisas.

O fato de não gostarmos de notícias ruins não pode ser uma censura para que as publiquemos. Por isso elas estão no jornal. Afinal de contas, temos compromisso com o nosso leitor. Temos obrigação de contar a ele as coisas que acontecem em seu mundo, sejam boas, sejam más.

Faço questão de explicar isso devido a dois fatos tristemente marcantes desta semana. Em dois dias consecutivos, dois jovens foram assassinados (um em Canoas, outra em Porto Alegre), atacados por marginais que tiraram vidas para levar objetos de pouco valor, como uma mochila, um par de tênis ou um skate.

Não gostamos disso. Existem entre os jornalistas do Diário 12 pais e mães que sofrem, lembram de seus filhos, ao tomar conhecimento dos detalhes destas tragédias.

Poderia ser um dos nossos filhos.

***

Mas temos que contar ao leitor o que acontece ao mundo. É nosso papel. E mais: temos a obrigação de cobrar das autoridades que tomem providências contra esta matança sem sentido.

Não é possível que jovens sejam mortos na rua para que, na maior parte dos casos, o vício de outros seja sustentado, já que estes objetos roubados servem de moeda no mundo do tráfico.

É preciso dar um basta.

Não gostamos de notícias ruins. Mas não temos o direito de não publicá-las. Afinal de contas, esconder o problema não vai ajudar a resolvê-lo.

Postado por Alexandre