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Posts com a tag "Ponto Final"

O samba no Ponto Final

18 de fevereiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do Diário Gaúcho desta sexta-feira. O autor é o editor-executivo Claiton Magalhães.

Samba aos noventa

Como já estamos com os ouvidos voltados para o Carnaval, conto uma história que ouvi noite dessas. Fui com amigos assistir ao show da Banda da Lapa, um quarteto de sambistas que derrete corações e quadris com a competência de um Cartola, de um Candeia, de um Noel.

Durante uma pausa dos músicos, conversei com o extraordinário Cláudio Barulho e ele me contou que certa vez a banda fez uma serenata para o pai de um de seus integrantes, que completava 90 anos. Afinados, capricharam no samba, já altas horas da madrugada, em frente à casa do aniversariante, lá no Morro da Cruz. Pois eis que surge a esposa do homenageado e fala com voz arrastada para o filho:

– Mas tu é bem sem-vergonha mesmo, né? Tu não sabe que teu pai está lá na casa daquela sirigaita fazendo festinha?

O pandeiro gelou na hora. Eta coroa dos bons. Deus me dê saúde para chegar aos noventinha com toda essa corrida. Ah, e sambando, é claro.

O Ponto Final e o reajuste do salário mínimo

16 de fevereiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do Diário Gaúcho. Foi escrito pelo editor-executivo Claiton Magalhães.

As cores do mínimo

Os políticos têm mesmo a tendência de colorir as coisas da maneira que lhes convém. O ministro Guido Mantega, por exemplo, disse que o salário mínimo deverá ter um "grande" reajuste em 2012, repito, em 2012, passando para R$ 616. Qual é, caro ministro? Nem se o "grande" aumento previsto para daqui a um ano viesse hoje daria para encarar o tal do mercado.

Os pais que estão fazendo as compras de material escolar sabem bem do que estou falando. A diferença do atual mínimo (R$ 545) para o "espetacular" reajuste seria de setenta e uma pratas. Com esse valor, o jeito será deixar de fora da lista alguns itens. Os lápis de cor, por exemplo, _ sim, vocês já viram o preço de 24 lápis coloridos?

Não sei ainda como ficará o novo mínimo, a votação será hoje em Brasília, mas torço para que caia uns caraminguás a mais na conta do brasileiro. Que pelo menos dê para comprar alguns lápis de cor, afinal, do contrário, a vida da piazada ficará bem mais cinza.

O Ponto Final e a criminalidade

14 de fevereiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do Diário Gaúcho desta segunda.

Realidade bem comum

A capa do Diário Gaúcho do último sábado é uma daquelas que provoca reflexão, porque expôs o drama de uma mãe resignada pela tragédia que envolveu seus dois filhos. Terezinha Eni de Souza tem 56 anos, mas parece bem mais velha. Nos últimos anos assistiu à degradação de Alexandre e de Paulo Roberto de Souza Apolo, de 36 e de 30 anos respectivamente, derrotados pelos efeitos do crack. Na sexta, os dois brigaram e o mais novo morreu esfaqueado. Foi o centésimo assassinato na Grande Porto Alegre em 42 dias.

Educadora infantil em Cachoeirinha, Terezinha sente-se culpada por não ter percebido que os dois filhos usavam drogas desde a adolescência. Infelizmente, esta é uma realidade bem comum em muitas casas. Os pais, preocupados em garantir o dia a dia da família, transferem a educação dos filhos aos professores e pouco conseguem saber da vida dos adolescentes. Quando se dão conta, o problema com as drogas já passou da simples experimentação ao vício. O arrependimento é a pior dor.

O Ponto Final e a praga do vandalismo

10 de fevereiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do DG desta quinta-feira. A autora é a editora do DG.com Luciane Bemfica.

É público. É de todos

Não me surpreendo com a notícia divulgada ontem pela EPTC que a conta do vandalismo em Porto Alegre aumentou 40% em um ano e chegou a R$ 1,4 milhão no ano passado.

Basta um olhar atento nas ruas da cidade pra perceber que o povo é mal educado quando se trata do coletivo. Acho que pensam que o que é de todos não é de ninguém, quando deveriam pensar justamente o contrário. O o que é público é de todos. E por isso depredam paradas de ônibus, picham placas de sinalização, furtam fios e cabos elétricos, e por aí vai.

Aliás, uma reportagem publicada no DG de terça-feira expôs muito bem outro problema: o das placas de sinalização encobertas por árvores nas ruas da Capital.

Você, que zela pelo patrimônio público, paga seus impostos e exige uma cidade limpa e organizada, pode fazer a sua parte. Reclame, ligue para o telefone 118 da prefeitura e exija que os reparos sejam feitos.

Festival de porcalhões

07 de fevereiro de 2011 0

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O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do DG desta segunda.
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Festival de porcalhões
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O que está havendo com as pessoas? Estão cada vez mais mal-educadas e sem consciência de viver em comunidade. Sábado à tarde, no acesso ao balneário Pinvest, em Tapes, flagrei o passageiro de um Gol azul jogando uma latinha de cerveja pela janela na estrada de chão batido. Um desrespeito geral. Esta, infelizmente, tem sido uma cena frequente. As pessoas se desfazem de suas garrafas de plástico, papel e palito do picolé e outros detritos nas ruas e nas praias sem a menor cerimônia. Perderam a vergonha.
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Basta percorrer alguns trechos das praias do Guaíba ou mesmo em Tapes, Arambaré e São Lourenço do Sul, na Lagoa dos Patos, para ver grande quantidade de lixo descartado nas areias.
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O pior é que as crianças, ao assistirem aos pais agindo assim, terão o mesmo comportamento porcalhão. Afinal, educação, já dizia a minha avó, a gente aprende com as mães e os pais.


As doações no Ponto Final

03 de fevereiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do DG desta quinta-feira. A autora é a editora do DG.com, Luciane Bemfica.

Faça a sua parte

Confesso que terminei de ler uma reportagem sobre a morte da jovem de Santa Cruz do Sul, Mariana Cuervo Eidt, aos 27 anos, de leucemia, com o peso da parcela de culpa que todos nós carregamos. Sim, no momento em que nos omitimos da doação de sangue ou, neste caso, da medula óssea, temos sim, uma parcela de responsabilidade nessa história.

A verdade é que a maioria das pessoas só se preocupa em doar quando um familiar ou alguém de suas relações mais próximas está em risco.

Encontrar um doador de medula compatível é como tentar encaixar a peça de um quebra-cabeças com milhares de possibilidades espalhadas por aí. Nós, pecinhas desse jogo, é precisamos nos mexer.

Para ser um doador voluntário, basta fazer o cadastro e retirar uma amostra de sangue no Hemocentro. Em Porto Alegre, o telefone é (51) 3336-6755.

Site: www.hemocentro.rs.gov.br

A pena de morte dos viciados em crack endividados

01 de fevereiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do DG desta terça-feira. O autor é o jornalista Roberto Jardim, editor de Polícia.

Um preço muito caro

Não é difícil entender o que leva um comerciante a eliminar um consumidor que lhe deve muito. Claro, isso quando acontece em um tipo específico de comércio: o da pedra do crack.

Para esse negociante, acredito, é a mesma lógica que o leva a vender um produto tão nocivo – que pode levar à morte de quem o consome – para um cliente que, ali adiante, já não existirá. É mais ou menos o que acontece com os fabricantes de cigarro. Eles sabem que vendem um produto que mata, mas, como tem tanta gente que usa, não se importam com uma perda aqui, outra ali. Só que no mundo da pedra, a perda do consumidor é muito mais rápida.

Na matéria da editoria de Polícia de hoje, o repórter Eduardo Torres mostra bem essa relação fatal entre traficante e usuário. Apesar do crack ser vendido por até R$ 1, é um preço caro demais para se ter alguns segundos de prazer. Afinal, se ficar devendo, o juro é a vida.

 

Ponto Final e a tragédia no trânsito gaúcho

31 de janeiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa da edição do Diário Gaúcho desta segunda-feira.

Vergonha e gandaia  

Os números impressionam, mas não provocam indignação ou revolta. A guerra diária no trânsito matou 1.705 pessoas no Estado em 2010, crescimento de 15,2% em relação a 2009. O número certamente, é maior. As estatísticas policiais só contam as vítimas que morrem no local do acidente. Aquelas levadas para os hospitais, e que morrem após serem internadas, não entram nos dados. No Iraque, país ainda conflagrado no Golfo Pérsico, 3.976 civis tombaram em atentados ou outros confrontos no ano passado.

Só o rigor da fiscalização, com aplicação de multas, uso de bafômetros, apreensão de carteiras de habilitação e de veículos irregulares, será capaz de frear – ou minimizar – os números de acidentes e de mortes. Os motoristas precisam temer a fiscalização. Hoje é uma gandaia nas rodovias federais e estaduais. Quem circula pelas estradas sabe que raramente depara com ações de fiscalização.



17 de janeiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do DG desta segunda-feira.

O exemplo do pedreiro

Confesso que em muitos momentos tive vontade de chorar diante das cenas da catástrofe que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, exibidas pela Globo. O desespero de quem perdeu a família inteira, os resgates, em especial o da mulher em uma casa que era destruída pela subida das águas, socorrida por dois jovens que jogaram uma corda, e o esforço de milhares de voluntários emocionam. Sábado, Leandro Machado deu uma lição de solidariedade em rede nacional. O pedreiro perdeu a mulher, a mãe e o filho de dois anos soterrados em Nova Friburgo. A casa onde a família vivia desapareceu. Sobraram apenas os entulhos.

Mesmo com a tragédia pessoal, Leandro ajudou a orientar o piloto do helicóptero de resgates porque conhece a região de Nova Friburgo. Só neste sábado ele conseguiu enterrar os familiares e desabafar a dor, em meio ao choro: "A minha família está lá em cima. Deus os colocou num bom lugar"

O bom humor dos usuários de ônibus

15 de janeiro de 2011 0

O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do DG deste sábado.

O autor é o editor de Dia a Dia, Luiz Carlos Domingues.

Esperem sentados

Demoral. Este é o apelido dado no Bairro Tristeza para a linha de ônibus Liberal. Não é nem preciso explicar a razão da brincadeira. Mas, como o sarcasmo parece não alcançar o gabinete dos responsáveis pelo transporte público em Porto Alegre, os usuários apelaram para o bom humor. Amarraram uma cadeira de praia em uma das paradas. Já que vão ter de esperar mesmo, pelo menos vão esperar sentados.

O protesto foi notícia no Diário Gaúcho. Para variar, as respostas oficiais foram as de praxe: "não recebemos nenhuma queixa de atrasos, nossos horários são tais e tais" etc. Nenhuma palavra sobre providências para atender às queixas dos usuários. Na Região Metropolitana, ninguém mais se escandaliza com demoras, atrasos ou superlotação de ônibus. Virou rotina.

Têm razão os moradores da Tristeza. É melhor rir para não chorar.
E esperar sentados. Pelo ônibus e
por providências das autoridades competentes.