O texto abaixo está na coluna Ponto Final, na contracapa do Diário Gaúcho desta sexta-feira. O autor é o editor-executivo Claiton Magalhães.
Samba aos noventa
Como já estamos com os ouvidos voltados para o Carnaval, conto uma história que ouvi noite dessas. Fui com amigos assistir ao show da Banda da Lapa, um quarteto de sambistas que derrete corações e quadris com a competência de um Cartola, de um Candeia, de um Noel.
Durante uma pausa dos músicos, conversei com o extraordinário Cláudio Barulho e ele me contou que certa vez a banda fez uma serenata para o pai de um de seus integrantes, que completava 90 anos. Afinados, capricharam no samba, já altas horas da madrugada, em frente à casa do aniversariante, lá no Morro da Cruz. Pois eis que surge a esposa do homenageado e fala com voz arrastada para o filho:
– Mas tu é bem sem-vergonha mesmo, né? Tu não sabe que teu pai está lá na casa daquela sirigaita fazendo festinha?
O pandeiro gelou na hora. Eta coroa dos bons. Deus me dê saúde para chegar aos noventinha com toda essa corrida. Ah, e sambando, é claro.
