O texto abaixo está na coluna de Sérgio Zambiasi, na contracapa do DG desta quinta-feira.
Aos fumantes, com carinho
Esta semana recebi nos estúdios da Farroupilha um simpático casal, prestes a completar suas bodas de ouro, 50 anos de casados. Estavam com problemas pulmonares e precisavam de um nebulizador. Até aí, nada de anormal, considerando sua idade e esta época do ano. Mas minha curiosidade não resistiu, e acabei perguntando se eles eram fumantes. Fomos, respondeu ela, durante 49 anos, mas, agora, não fumamos mais.
Foi então que os convidei a fazer uma conta: quantos cigarros eles fumaram nesse quase meio século, e quantos reais eles queimaram. Os números impressionam: foram quase 60 mil cigarros e mais de R$ 70 mil. A gente poderia reformar nossa casa com esse dinheiro, exclamaram. Ou comprar uma porção de nebulizadores. Ganharam um baita de um problema de saúde. Insisto com a história sobre os malefícios do fumo porque conheço as consequências de perto. Meu pai e um irmão contraíram câncer de pulmão e tiveram suas vidas abreviadas pela doença.
Falar do problema é também uma forma de manifestar respeito pela saúde dos outros. No mundo inteiro, as pessoas estão a cada dia mais convencidas dos malefícios do cigarro. O governo americano acaba de lançar uma nova campanha de conscientização e, dessa vez, as imagens que serão colocadas nas carteiras serão ainda mais fortes: uma pessoa morta, uma boca com úlceras e um pulmão doente. Acho que, aqui, as autoridades da saúde poderiam acrescentar também informações sobre os efeitos de outras drogas, como a maconha, a cocaína e o crack. Afinal, uma coisa acaba puxando a outra.
Até amanhã, se Deus quiser.


