O Brasil assiste estupefato a uma série de desmandos que colocam em xeque as conquistas básicas dos cidadãos. Vai desde um carteiraço de um general – perdoado ontem – até a quebra de sigilo bancário de um caseiro que teve a ousadia de denunciar o avalista do governo Lula, Antonio Palocci. Para o PT, o gesto faz parte do vale-tudo eleitoral. Se esquecem, porém, de que a sociedade não pode ficar refém do Estado. O mais curioso de toda essa história envolvendo Francenildo Costa, o Nildo, é que o mesmo empenho utilizado na devassa de sua vida financeira não se repetiu com os amigos do Rei. Até agora a vida bancária de Paulo Okamotto continua intacta. Para quem não sabe, Okamotto é quem pagou uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula junto ao PT, além de contas de campanha da filha do presidente, Lurian. No PT há quem acredite ainda que mais cedo ou mais tarde o caseiro será desmascarado, mas a essa altura se Nildo mentiu ou não pouco importa. Mas, sim, que uma grave irregularidade foi cometida. O governo, que chegou a comemorar os depósitos bancários, agora percebe que deu um tiro no pé. A enrascada é tamanha que o próprio ministro da Justiça teve de vir a público prometer uma rigorosa investigação, inclusive com a participação do Ministério Público. O que assusta é a impressão de que nada irá acontecer. E que qualquer um de nós pode ser vítima de arroubos totalitários em nome de uma guerra eleitoral.
Íntegra da coluna de quarta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos
Comentários