Antonio Palocci faz ouvidos moucos para a oposição. Prefere as palmas do empresariado que, aliás, nunca lhe faltaram. Tanto que, apesar da crise, o mercado continua inabalável. O problema é político. E o presidente Lula sabe disso. Tenta segurar o ministro o quanto pode, como fez com José Dirceu logo que estourou o escândalo Waldomiro Diniz. Só que, embalada pela campanha eleitoral, a oposição não vai dar trégua. Até porque já protegeu Palocci demais. Desta vez até mesmo o senador Arthur Virgílio, o tucano que mais defendeu Palocci, pediu sua demissão. Ao deixar ontem o casulo, Palocci tenta encerrar os boatos de queda e demonstrar força. O fogo cruzado contra o ministro, porém, é reflexo do erro do governo em vazar o sigilo bancário do caseiro Nildo. É verdade que ainda não apareceu prova conclusiva de que Palocci cometeu irregularidades à frente do ministério. Mas as festinhas privé, as falcatruas dos assessores da República de Ribeirão Preto e o desmentido de Nildo levaram Palocci ao inferno. Não o de Dante, como se referiu o ministro. O caso dele está mais para Bocage.
Íntegra da coluna de sábado de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos






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