Sem José Dirceu para costurar alianças nem Antonio Palocci para seduzir o mercado, Lula assumirá pessoalmente as rédeas da campanha. O presidente aposta em seu carisma e na oratória popularesca para reverter, mais uma vez, os estragos causados pela crise política. Lula se esquece, porém, que o jogo será baixo, agressivo. E que somente as drágeas sociais de seu governo não serão suficientes para vencer o tucano Geraldo Alckmin. Propaganda apenas não basta. O PT precisa recuperar o voto da classe média se não quiser voltar ao patamar de 30%, que por três vezes sepultou as pretensões palacianas de Lula. Apesar de todos os desgastes, os governistas demonstram um otimismo exacerbado. Minimizam a repercussão dos escândalos, debitando tudo na conta da mídia e no desespero da oposição. Se é verdade que a comparação com os oito anos do governo Fernando Henrique lhes é favorável, não se pode esquecer que a gestão petista desiludiu muita gente, principalmente no aspecto ético, patrimônio até então inquestionável do partido. Despido do monopólio da honestidade, resta ao PT tentar ampliar as alianças regionais, oferecendo a Lula o maior número de palanques nos Estados - estratégia, aliás, vitoriosa em 2002. Mas até aqui as articulações têm fracassado. De novo, Lula terá que intervir ou então tentar vencer a eleição sozinho. Só não se sabe até onde vai a capacidade do presidente de pairar acima das denúncias que afligem o PT e seu governo.
Íntegra da coluna de domingo de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos


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