Por mais que Ellen Gracie tenha feito uma cortesia com o seu padrinho Nelson Jobim no discurso de posse, engana-se quem imagina que o estilo será o mesmo do seu antecessor. Com Ellen, o Supremo Tribunal Federal será mais ritualístico e menos político. Talvez por isso Ellen tenha se limitado a fazer um agradecimento a Fernando Henrique, que a indicou para a Corte, sequer mencionando o presidente Lula, o que causou estranheza. Os últimos três presidentes do Supremo se notabilizaram por palpitar sobre tudo. Marco Aurélio Mello falava até do Flamengo. Maurício Corrêa se tornou célebre por ser o maior crítico do governo Lula, e Jobim deixou o cargo sendo acusado de ser o líder dos dois últimos governos no STF. Por conta do cargo e das eleições, Ellen pode se tornar pioneira não só no Supremo. Em maio, com a viagem de Lula ao Exterior e o impedimento de seus substitutos imediatos a ministra deverá ser a primeira mulher a assumir a Presidência da República. Com Ellen, o Supremo volta a falar nos autos. O juiz não opina, decide. E de palpiteiro, o Brasil está repleto. O papel de polemista, ontem, ficou mais uma vez reservado à OAB. Roberto Busato não chegou a pedir o impedimento de Lula – como têm proposto setores da entidade –, mas disse que o país perdeu a compostura.
Íntegra da coluna de sexta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio santos


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