
A mesma coragem que falta a Germano Rigotto para rejeitar a reeleição, em respeito às próprias convicções pessoais, agora sobra no governador. Ao defender a criação de um novo partido, Rigotto foi audacioso. Ainda mais às vésperas de uma campanha na qual desponta como favorito. Por trás das suas declarações pode estar uma tentativa de se cacifar à Presidência em 2010, seu grande e shakespeariano sonho. Com a clásula de barreira – um palavrão que obriga os partidos a obterem pelo menos 5% dos votos –, Rigotto sabe que poucos partidos sobreviverão. Garantidos estão PT, PSDB, PFL e PMDB. As outras legendas tendem a se agrupar. É aí que se acendeu a lâmpada de Rigotto. Ele sugere a criação de um partido de centro-esquerda, com os descontentes do PMDB e mais PPS e PDT. Como a fila no PSDB está congestionada para 2010 e Aécio Neves já acena com uma transferência para o PMDB, Rigotto está sem horizonte. Só Aécio, praticamente reeleito governador de Minas, teria condições de unir um PMDB fragmentado em torno de uma candidatura presidencial daqui a quatro anos. Se Rigotto continua acalentando pretensões presidenciais, precisa espraiar sua influência política para além do Mampituba. Afinal, de nada adianta fundar um partido para cuidar do quintal.
Íntegra da coluna de sábado de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos
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