O anúncio da CPI de que 40 sanguessugas podem ficar sem punição não é nenhuma novidade. Como corrupto não passa recibo, e há indícios de que os deputados receberam propina em dinheiro vivo, simplesmente não há provas. Para muitos, o dinheiro foi entregue dentro do Congresso, transportado em malas, cuecas e meias, conforme o depoimento prestado à Justiça Federal pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, operador do esquema criminoso. Teve gente que preferiu uma BMW. Questão de gosto. O fato é que nada menos do que um quinto do Congresso está sob suspeita. O trágico é que nenhum será julgado até as eleições, seja na Comissão de Ética ou na Justiça. Portanto, muitos podem ser reeleitos. A contribuição que a CPI poderia dar ao eleitor é reunir provas não só contra os 57, cujos nomes já são conhecidos, como também dos outros 48 citados por Vedoin. E tão logo isso aconteça, revelar o nome de todos, embora haja uma corrente na CPI que defenda a divulgação desta última lista na próxima terça-feira. Do contrário, restará apenas a palavra do empresário da Planan. E, ao eleitor, sobraria a dúvida sobre confiar no seu deputado ou no depoimento de um réu confesso.
Íntegra da coluna de sexta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos



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