
Nada como a voz das ruas. Não há deputado em campanha que, ao pedir votos, não tenha sido cobrado pelos eleitores. O sentimento era de que a impunidade prevalecesse mais uma vez durante a cassação dos parlamentares-sanguessugas, a exemplo do que ocorreu com os mensalistas. Escondidos sob o voto secreto, os parlamentares se aproveitavam do anonimato para fazer toda espécie de conchavos e traições. Agora, o Congresso até pode absolver um deputado com ficha corrida, mas será exposto à opinião pública. É óbvio que esse fervor pela transparência não surgiu à toa.
Os deputados estão agindo por instinto de sobrevivência. Resolveram dar uma resposta antes que fossem varridos nas urnas e diante de pesquisas que apontam uma forte tendência do eleitor pelo voto nulo. Foi assim quando decidiram acabar com o jeton durante as convocações extraordinárias, quando nada era aprovado e só serviam para forrar o bolso dos congressistas com salários extras. Pena que alguns ainda insistam em práticas obscuras. E justamente alguns dos envolvidos nos escândalos recentes, caso do gaúcho Paulo Gouvêa e do catarinense Adelor Vieira, que estavam na Câmara mas preferiram não participar da votação ou se abster.
Íntegra da coluna de quarta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos



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